Leonardo Timmler

Acordei pela quinta vez no meio daquela noite. Já estava cansada de tentar dormir naquele momento. Levantei-me e troquei meu pijama suado por uma calça jeans e um casaco pesado. O inverno ainda parecia predominar a pequena cidade.

Sai de casa em meio a madrugada. Era sábado ás duas horas da manhã, de acordo com meu relógio. Não estava preocupada de ficar cansada e com olheiras no dia seguinte, pois só teria que voltar para escola na segunda.

Olhei para os lados e reparei que ninguém se encontrava na rua. Coloquei as mãos no bolço do casaco e caminhei sem rumo.

Enquanto fazia isso, pensei em todos os acontecimentos do jantar na casa dos Foster. Tentei com todos meus esforços não tentar lembrar da noite da morte da minha mãe. Estava tão distraída, que nem reparei quando encontrei um muro, bem baixinho. Como eu fazia antes, soltei minhas mãos do bolço e com um pouco de esforço, subi-o. Ele realmente tinha uma vista bem bonita. Dava para ver todo o bairro, suas casas parecidas, os postes de luz e a rua vazia. Um leve briza veio em meu rosto, e eu fechei os olhos para ela entrar melhor.

–Ei, o que você esta fazendo aqui?- um voz disse mais abaixo de mim.

Eu olhei para o garoto dos cabelos castanhos e olhos cor de mel. Eu não o conhecia, porém parece que ele me reconheceu, pois a palidez predominou seu rosto.

–Você sabe que não precisa ter medo de mim, né?- eu gritei de volta.- Eu não sou um fantasma que quer te assombrar.- Terminei a frase e pulei do muro, bem na frente do garoto;

–Isso não tem graça- ele falou com a voz baixa.

–Não, não tem. Peço-lhe desculpas- eu me arrependi.-Eu vou indo- eu acenei com a cabeça.

–Não!- ele disse um tanto aflito- Espera, deixe eu ir com você. É tarde, não deve ficar sozinha ai fora, pode ser perigoso.

–O que há de perigoso nesta cidade?- lembrei nos poucos habitantes que ela tinha, não dava para acontecer nada.

–Você tem razão- ele deu um leve sorriso- Mas deixe-me ir com você.

–Não vou recusar.

–Então seu nome é Sara Duarte?- o garoto perguntou com um pouco de dúvida.

–Sim. E seu nome?

–Leonardo Timmler- ele respondeu e estendeu a mão- Prazer.

Eu a segurei em sinal de respeito: -Nós vamos à mesma escola?

–Sim e temos aula de literatura, laboratório e geografia juntos.

–Nossa, desculpa não ter reparado em você. Minha cabeça esta um tanto confusa esses últimos dia- contei a verdade.

–Sem problemas.

Começamos a caminhar em silêncio, apenas dava para ouvir o vento batendo nas árvores. Era uma noite tranquila de outono.

–Você esta gostando da cidade?-Leonardo foi o primeiro a falar.

–Na verdade, não. Estou odiando. Já não queria ter me mudado para cá- respondi com a mairo sinceridade.

–Por quê?- ele perguntou indignado.

–Talvez um monte de pessoas me encaram como se tivesse visto um fantasma e por essa mesma razão, não querem falar comigo.

–Por esse lado parece ser uma droga- ele disse e riu um pouco- Desculpa se a deixei constrangida.

–Não tem problema. Não é como se a culpa fosse sua- o tranquilizei- Mas quero saber uma coisa: Se assustou muito quando me viu pela primeira vez?

Leonardo respirou fundo antes de responder: -Acredito que já saiba da história de Anna. Eu a conhecia a muito tempo, então, sim, fiquei um pouco surpreso.

Paramos de andar e chegamos na fachada de minha casa. Leonardo não quis olhar muito para o local, talvez o trouxesse lembranças boas e que ele não gostaria de recordar.

–Que tal assim, Sara. Estou lhe convidando para o jogo de futebol sábado que vem, e depois vamos na lanchonete com a galera. Que tal?-Leonardo propôs.

–Não sei se vai ser uma boa ideia- falei, tentando ter uma desculpas para não ir. Não estava afim de encarar mais olhares assustadores.

–Por favor, vem com a gente. O pessoal tem que saber que você é legal- ele disse com um sorriso encantador no rosto.

–Mas,...-disse, porém Leonardo me cortou a fala.

–Sem mais. Eu te encontro lá, ás cinco da tarde.

–Esta bem-me dei por vencida. Talvez não seria tão ruim.

–Ótimo