Anna Amorim

Caminhei com minha mochila nas costa para a secretária da escola. A aula já tinha começado, mas tinha vários papeis que tinha que assinar. Depois de tudo pronto, a moça que lá atendia me entregou meu horário e me mostrou a sala da minha primeira aula. Entrar no meio do ano era complicado, mas meu pai insistiu na mudança.

Olhei para porta que possuia um 5 bem na frente. Respirei fundo e tomei coragem para pegar na maçaneta. O professor que explicava a matéria parou e olhou para mim. Seus olhos arregalaram e depois ele pareceu voltar a realidade.

–Sara Duarte, a aluna nova certo?- ele disse.

Afirmei com a cabeça.

–Bom , pode se sentar.

Virei-me para olhar para a sala. Todos os olhos estavam arreglados e isso começou a me assustar. Eu era tão esquisita a esse ponto? Setei-me e não prestei atenção nas aulas que se seguiram, apenas nos olhares de espanto direcionados a mim.

O sinal do almoço soou, então comecei a arruma minhas coisas, até que uma menina da minha sala se aproximou. Ela tinha os cabelos curtos e negros, e era a menos assustada com minha presença.

–Sara, certo? Eu sou Maia- ela estendeu a mão para mim e eu a segurei- Você é nova na cidade?

Afirmei com a cabeça.

–Vai adorar aqui, bom eu também sou aluna nova, mas entrei no começo do ano. Porém acredito que vai gostar bastante daqui.

Continuamos o caminho até o refeitório, Maia continuava falando e eu respondendo sua perguntas o mais simples possível. Ela parecia ser legal e foi a única a não olhar com receio para mim. Isso me fez sentir melhor.

Quando entramos no refeitório, um silêncio invadiu a sala e todos olharam diretamente para mim. O que estava acontecendo naquela estranha cidade? Depois de alguns segundos todos voltaram ao normal, mas ainda sentia olhares em mim. Peguei minha bandeja e me servir. Maia me fez sentar ao seu lado e não neguei. Ela continuava a falar, mas eu a parei.

–Por que todos olham esquisito para mim? Eu tenho algo de errado?- perguntei.

–Claro que não, mas você comprou a casa das Amorims.

–Quem são as Amorim?

–Anna era uma menina que atendia a escola até o ano passado. Ela e mãe morreram num acidente de carro. Eu nunca a vi, pois cheguei apenas esse ano, mas ela parecia ser bem querida.

–Nossa! Mas como sabem que fui que comprei a casa dela?

–É uma cidade pequena, as notícias correm que nem o vento.

Então era por isso, todos os olhares assustados. Mas eu sentia que algo mais tinha nessa história.

...

Eu voltei para casa a pé. Era tarde, então estava já escurecendo, mas não tive medo, continuei. A história que Maia me contou ficou na minha mente o dia todo. Qual o problema de eu ter comprado a casa da colega morta deles? Esta bem, isso soava estranho.