Notas iniciais
É um sentimento que eu tenho.

Eu vou amar novamente, é isso o que todos sabem. É algo claro como às águas cristalinas escondidas da presença humana em algum lugar de difícil acesso, certo como esperar os astros trocarem de lugar durante o dia, inevitável como os dados do destino. Vou amar novamente quando os ponteiros se encontrarem e anunciarem que é meia noite, quando o Sol nascer no horizonte e os pássaros cantarolarem felizes perto da janela do meu quarto. Tão casualmente, acontecerá, que irá me pagar de surpresa. Essa é a questão do amor pra mim, é sempre ao acaso. Não é um segredo para ninguém que eu amarei novamente, afinal, tudo o que eu sou se resume ao amor: Por mim, pela minha família, meus amigos. Amar é tudo o que eu sei fazer. Amar e cuidar. Amar e reamar. Amar e perdoar. Tão solene, imponente, amar. Ainda que seja dificultoso despertar o sentimento em meu coração, inúmeras vantagens acontecem quando ele bate mais forte por alguém. Eu ganho vida, eu ganho paz, eu ganho força.

Eu amarei de novo quando conhecer alguém honesto. Com opiniões fortes e senso de caráter admirável. Quando abrir a porta do carro e presentear com flores for algo tão natural quando os meus carinhos em momentos difíceis e as risadas que compartilháramos em momentos pessoais. Eu amarei novamente quando puder decorar músicas favoritas tanto quanto tenho meus gostos validados, quando deitar no frio seja uma tratado de paz e bagunça na cozinha seja o esperado. Eu amarei novamente quando conhecer alguém com que eu possa dividir o bom e o ruim de sermos quem somos. Quando amar se tornar possível por conhecer quem a pessoa é, e não por torcer o potencial que ela apresenta. Eu amarei novamente quando todo o amor for de verdade. Quando às conversas sem sentido façam sentir alguma coisa dentro do seu coração. Eu amarei alguém quando minha consciência e alma se alinharem com a de outro alguém tanto quanto se alinham a alma da minha melhor amiga.

Eu não quero um namorado. Eu já tive vários. Eu não quero um amor canônico, eu tive vários. Eu não quero me confundir novamente sobre quem é o amor da minha vida — Já aconteceu isso antes. — Eu quero saber. Eu quero ter plena certeza de que na pior coisa que fizermos e na maior dificuldade que tivermos, daremos à volta por cima. Eu quero ser a maior e melhor prioridade, verdade, amabilidade, lealdade da vida do meu companheiro. Eu quero amor, paixão e devoção. Eu quero calmaria, rotina e estabilidade. Eu quero amar o tédio de conhecer alguém tão bem ao ponto de compreender ações e emoções. Eu quero diálogos desconfortáveis e verdades duras, com afeto. Eu quero o bom e o ruim de se ter alguém verdadeiramente ao seu lado.

Qualquer coisa menos significativa, lamento, não abrirá meu coração. Não vejo razões para desperdiçar meus anos e momentos com pessoas que deixarão de ter importância em minhas memórias em dois anos. Também, não possuo um ego tão frágil ao ponto de carregar comigo coisas que se encerram, justamente por saber que coisas melhores para quem nós somos sempre aparecem depois. Não quero me casar com alguém que vá me silenciar ou me impedir de ser a pessoa que eu posso vir a ser. Não quero perder tempo com minha família ou meus amigos. Os vinte anos passam tão rápido e não quero que as dores que esses anos me trarão sejam sobre coisas que eu deseje ter evitado depois.

Então, eu vou amar novamente. Com calma e devoção, carinho e atenção. Mas, principalmente, com amizade. Que é o elo que sela todas às coisas e faz com que tudo ganhe significado com mais força. Eu vou amar de novo e calmamente, irei tendo constância novamente em uma situação a dois. Eu irei amar novamente e irá parecer que eu nunca havia amado antes. Assim, como você. E aquele que me amar.

Quer apostar?