E se eu estiver fadada a nunca mais voltar sentir paz novamente? E se em algum momento da vida, quando quebrei espelhos, atravessei escadas, cruzei com gatos pretos, selei meu destino e de fato, não irá existir ninguém no mundo capaz de suportar minha bagagem emocional? E se o que quebraram de mim nunca se restaurar e eu viver uma vida toda sendo uma vírgula enquanto deveria ser um ponto final bem redondinho?

É tão mais fácil ignorar todas as minhas questões quando o acordar e o levantar tem poucas horas de diferença e meus dias não são meus, mas de algo. É tão mais compreensível dizer que eu estou estressada com o prazo final de algo em vez de aceitar que o tempo e as pessoas que escolhi erroneamente para me acessar me prejudicaram muito mais fundo do que consigo dimensionar.

Sinto falta da bênção da minha ignorância, do olhar brilhante de quem tem todos os sonhos do mundo aos seus pés. Quando que os campos floridos foram desmatados? Quando a paz deixou de ser um ideal pra se tornar uma utopia? E em minha defesa eu saio quase o tempo todo, ainda que não tenha nada além de fantasmas tentando invadir meu coração.

E o amor se tornou algo a se temer, não a viver.