Notas iniciais
Presente para vcs! :)
9.Oportunista

"Não aja como se nunca tivesse usado uma oportunidade a seu favor. No fim do dia, não é só de valores que somos feitos. Nem eu , nem o maldito Wood que você vive defendendo."

Harry Potter

Hermione Pov

Acordei com a sensação que levara um soco na cabeça ou que um carro passara debaixo de mim. Tentei levantar, mas uma tontura tão forte passou pelo meu corpo que tive que usar todo o poder de concentração para não vomitar no elegante tapete de mais uma casa desconhecida.

E eu achando que não havia nada pior que ressaca.

Talvez fosse isso, talvez fosse uma consequência do abuso de poderes. Eu estava esgotada, todas minhas forças tinham sido drenadas. Mas, pelo menos, parte da sanidade estava voltando e consequentemente a culpa pelas ações.

Durante o período que fiquei fora do ar, tudo era assustadoramente real. A profecia não te transforma em algo que você não é, ela só potencializa a sua verdadeira personalidade. Aquela que você tenta esconder com o bom senso. E durante as poucas horas, eu manipulei Halliwell — é, dessa eu não me arrependo mesmo -, uma trouxa inocente que provavelmente estava morta por minha causa e Gina que nunca ia me perdoar. Eu percebi pela situação dela e de Eric que Harry já sabia o que tinha acontecido. Pouco antes de ser atingida, assisti Harry tentando matar Eric e falhando.

-Hermione?

Com os cotovelos apoiados nos joelhos, levemente encurvada virei para Eric, que também acordava depois de horas de sono induzido.

-Eric — assenti cansada.

-Que horas são?

Meus olhos decaíram sobre o relógio atado a parede rústica de Olívio.

-Já passa das três da tarde — eu o informei passando a mão pela cabeça, perguntando-me onde estava Gina e Olívio. Provavelmente dormindo em camas confortáveis ao invés de um sofá duro.

Eric me encarou por um tempo além do considerado normal e confortável. Aguardei pacientemente a coragem chegar para que ele finalmente falasse.

-Nós temos que conversar.

-Sim, nós temos — concordei avançando em sua direção prendendo minhas mãos em seu pescoço. Se todos começaram a achar que tinha perdido a cabeça, era hora de lucrar algo com essa história toda. — Chegou a hora de mostrar as cartas.

— Do que você.. — ele balbuciou arregalando os olhos.

-Sabe muito bem do que estou falando, não dê uma de sonso para cima de mim. Como você sabia o que aconteceu comigo na guerra?

Espero ter sido clara suficiente, porque sinceramente mal tinha forças para me continuar de pé, que dirá ameaçar alguém mantendo aquela estranha posição intimidadora, a qual não estava habituada a interpretar.

Quem eu queria enganar? Estava exausta, essa vida desgastante de nômade já havia sugado toda minha energia.

Contudo, Eric parecia genuinamente intimidado.

-Eu.. — ele pigarreou parecendo um tanto desconfortável — eu estava lá.

Meus joelhos cederam. Não de cansaço, mas de espanto. Era mil vezes pior do que eu pensava. Meu deus, se Eric estava lá, ele assistiu tudo acontecer a vivo e a cores na sua frente. A vergonha e a raiva cruzaram meu rosto. Por que diabos ele não fez nada para impedir?

-Sei o que está pensando — ele disse deslizando os dedos pelo pescoço livre do meu alcance, como se para checar se estava no mesmo lugar. — Mas não havia nada que eu pudesse fazer. Eu não me orgulho daquele dia, mas naquela hora eu estava me fingindo de morto. Aliás, não estava muito longe disso. Se a equipe de resgate não tivesse chegado a tempo, provavelmente não estaríamos tendo essa conversa.

Pisquei abobada com a avalanche de novas informações invadindo minha mente que se revoltava por falta de espaço.

-E identificou quem era? — perguntei sem realmente querer ouvir a resposta.

-Eu sei tanto quanto você, Mione — o uso do apelido foi registrado como forma de me amaciar diante do assunto delicado. Era exatamente aquilo que eu queria evitar, o tratamento especial e o tão odiado olhar de pena. — Devo ter apagado logo depois do Weasley aparecer.

Assenti novamente, um tanto perdida.

-Agora você vai apagar minha memória? — Eric questionou resignado.

-Não! — exclamei chocada, me levantando — Merlin, por que de repente todo mundo acha que vou fazer isso? — pela visão de seu rosto, tive a minha resposta. — Certo, talvez eu tenha perdido um pouco do controle nos últimos dias, mas isso não significa que vá sair daqui distribuindo Imperius.

-Fico feliz de saber disso — ele comentou lacônico.

-Ah, por favor. Nem tente me julgar pelo que houve com você e a Gina. Não é como se você tivesse saído prejudicado — falei cruzando os braços.

-Não é bem assim, Hermione — Eric replicou se levantando também agora estressado — Caso não tenha percebido, Potter tentou me matar.

-E não conseguiu — acrescentei inteligentemente.

-É, brilhante observação a sua — ele resmungou — mas não esqueça que esse não é o único problema.

-Sejamos francos, a Gina já é bem grandinha. Ela vai sobreviver sendo uma vez na vida dano colateral — falei indiferente — no momento, temos coisas mais importantes para lidar.

-Como o que, por exemplo?

Não foi Eric que fez a pergunta, mas a própria Gina que descia indignada das escadas com a cara fechada. Ela tinha os olhos inchados e a aparência devastada, eu também não devia estar no auge da disposição. Avaliamo-nos por instantes até que resolvi quebrar o clima pesado e incômodo.

Retirei o frasco de memória intacto do bolso interno da capa que usara o tempo todo comigo.

-A prova do que Halliwell estava fazendo com Eric — respondi sorrindo. Era incomum termos notícias boas, então esperei pela comemoração..

Que nunca veio.

-Espera, não foi Halliwell que usou o feitiço em mim — ele me corrigiu. Eu franzi a testa, confusa.

-Mas foi dela que tomei a memória — falei balançando o frasco em sua frente. Gina apenas nos observava com uma expressão indecifrável, enquanto Olívio estava Merlin-sabe-onde.

-Bem, ela estava lá — Eric explicou — Basicamente ajudando Potter, mas quem realizou no fim das contas o feitiço foi ele.

-Você tem certeza disso? — Gina perguntou franzindo a testa.

-Sim, acredite ou não, eu não teria como confundir o Eleito com outra pessoa — Eric respondeu cerrando os dentes desviando olhar dela.

Com todos os recentes contratempos em minha vida, interpretar o papel de vela numa briga de casal não estava em meus planos.

-Isso não muda nada — falei guardando o frasco de onde viera — essa continua sendo a única prova que temos contra eles.

-Você não pode estar falando sério — retrucou Gina e revirei os olhos impaciente com a previsão de uma nova discussão — essa prova vai prejudicar apenas o Harry.

-Na verdade, vai prejudicar os dois. E nada posso fazer por ele, escolheu essa sina ao se juntar com Halliwell.

-Ele fez isso para nos proteger! — ela gritou.

-É, diga isso para o rosto de Eric! — gritei de volta. — Sabe Gina, é muito fácil vir aqui e reclamar das provas que temos, mas no que você ajudou até agora, hã? A única coisa que parece fazer é se lamentar pelos cantos e descartar qualquer oportunidade que temos.

"Isso quando não resolve dormir com um dos seus parceiros de viagem", acrescentei mentalmente porque falar aquilo seria como explodir uma granada e não querer ouvir a explosão.

Agora ela parecia realmente ofendida. Cruzou os braços decidida.

-Bom, eu não vou ajudar vocês.

Mas que surpresa.

-Obrigada pelo apoio,embora eu não tenha pedido sua opinião — eu falei desviando o olhar dela. Gina conseguia me irritar de uma forma que quase mandei para o espaço a minha resolução de não usar mais Imperius — como eu dizia, Eric..

-Eu não vou deixar você fazer isso, Hermione — ela me interrompeu.

-Gostaria de te assistir tentar — retruquei cerrando os dentes também.

Eric usou um pouco de autoridade para se colocar no meio. Se eu não queria ser a terceira roda, aposto que ele não esperava ficar entre um briga de mulheres.

-Talvez seja melhor nos acalmarmos um pouco — ele disse com as duas mãos esticadas, como se tivesse que nos impedir de nos atacar.

Não, eu ainda estava bem longe desse ponto.

-Diga isso para Hermione que saiu distribuindo Imperius de graça — ela disse e não pude evitar ser atingida pelo veneno em suas palavras.

-Era efeito da Profecia — eu a lembrei. — Você podia agir um pouco mais sensível a tudo isso, porque ontem fui eu. A próxima afetada pode ser você. Vai gostar de ouvir a mesma coisa?

-É impossível dizer se vou gostar de algo que ainda não aconteceu. O que posso afirmar com certeza é que odiei acordar hoje percebendo que tinham sumido com metade da minha memória — ela retrucou furiosa por cima das costas de Eric que tentava conter toda aquela agitação.

-A culpa não foi da Hermione — Ele interpôs roubando a atenção de ambas — Como ela bem disse, estava afetada pela Profecia. Já eu era o único lúcido ali e nada fiz para impedir. Portanto, se você tem alguém para culpar, que seja eu.

Perdi a voz momentaneamente pela fala de Eric. Não era do feitio dele sair assumindo a culpa dos outros. Porque ele sabia que a culpa de tudo havia sido minha.

E havia sido, não?

Contudo, eu não estava lá para me torturar pelo que tinha feito. Haveria muito tempo para isso depois.

Ou, pelo menos, assim espero.

Gina parecia quase tão chocada quanto eu ou, quem sabe, apenas mortificada pela situação embaraçosa.

-Que tal pararmos de tentar descobrir quem é o culpado de tudo e dar o fora de uma vez? — falei objetivamente,me preparando para pegar meus pertences para então lembrar que eles não existiam mais.

-Você quer fugir de novo? — Gina se revoltou — Agora que finalmente estamos em segurança..qual o seu problema, Hermione?

Bufei tentando manter a calma.

-Eu odeio ser a mensageira de más notícias, — comecei estreitando os olhos — mas nós não estamos seguros aqui. Sem querer ofender o seu irmão, Eric — falei arriscando um olhar em sua direção. Ele parecia desconfiado. — tenho certeza que ele está ajudando o grupo de Halliwell.

-Ele não me trairia — Eric protestou.

-Pense um pouco. Que eu saiba, Olívio vive para o trabalho desde conseguiu o novo cargo, mas foi só receber sua coruja de madrugada com pouca informação, que ele saiu correndo a sua procura poucas horas depois. Não te parece meio atípico? E tem mais, eu não acho que nós três recém-acordados e Olívio sejamos páreos para o grupo completo de Haliwell e ainda assim, cá estamos. Como ele conseguiu recuperar nossos corpos desmaiados e ainda puxar Gina a tempo de uma Chave de Portal é um mistério. Como ele sabia que precisaríamos de uma é algo ainda mais suspeito.

Finalizei o monólogo atenta a reação de meus companheiros.

-Você chegou a pedir que ele fizesse uma Chave? — Gina perguntou a Eric cruzando os braços.

-Não — ele respondeu em choque por só ter dado conta de um detalhe tão óbvio — Mas não podemos simplesmente fugir, nem sabemos direito nossa localização atual.

-Não foi isso que me impediu das outras vezes — falei levantando energicamente.

Gina assentiu e se pôs ao meu lado. Agora reparava que ela havia trocado a camisola para um vestido largo demais para ser dela. Olívio provavelmente o emprestou. A falta de meus pertences estava começando a testar meus nervos. Só o que me restara havia sido a varinha e a memória. O pergaminho continuava intacto debaixo do colchão da cama a qual fora arrancada. Torcia para que ninguém tivesse o encontrado.

Eric ainda não tinha se convencido.

-Por que eles fariam um acordo com meu irmão para nos manter em sua casa?

-Porque assim eles poderiam escolher o nosso momento mais vulnerável para atacar. Não é exatamente seguro tentar fazer isso do modo convencional diante nossa situação — eu disse com certa urgência. Já estava demorando para que a causa da nossa conversa desse as caras e isso começava a me preocupar.

Sem esperar para ver o que eles iriam se decidir ou não, andei até a porta da frente e tentei abri-la.

O que aconteceu em seguida foi a prova que Eric precisava para ter certeza que havia sido traído. Infelizmente, seria tarde demais para que pensássemos em qualquer plano.

Um alarme não apenas incrivelmente alto como agudo soou do momento que toquei na maçaneta. A porta, é claro, estava trancada por feitiço.

E eu sabia, como os outros, que aquele era o fim da linha. De jeito nenhum, iríamos escapar daquela vez. Ao menos, não todos nós.

Foi pensando nisso que corri até a Gina, agarrando o frasco com uma das mãos. Agora ela também compreendia porque Halliwell e companhia estavam nos caçando tanto. Além de fugitivos, tínhamos uma arma contra eles. E a arma não podia ficar com um alvo como eu.

Seria atrás de mim que todos iriam quando o momento chegasse. E este estava praticamente batendo a porta.

-Tome — falei empurrando a memória em suas mãos. Ela recuou, balançando a cabeça em negação. — Anda, Gina. Não temos muito tempo.

-Não tem que ser assim — ela falou e bufei achando que iria voltar a defender Harry — mesmo não concordando com isso, esse objeto pode servir como chantagem. Precisamos de garantia. Hoje, um de nós pelo menos vai ser pego. Mas não precisa ser você nem Eric. Eu sou a isca fácil.

— As coisas mudaram — falei recordando do olhar de Zabini, de Malfoy, de Halliwell da última vez que me viram. Haveria um acerto de contas com todos eles e por mais que temesse esse reencontro, tinha noção que não poderia escapar para sempre.

-Não — Eric se meteu novamente. — Hermione, você tem mais chance de escapar. Tem mais necessidade também — acrescentou e trocamos um olhar de compreensão. — nós os distraímos.

Eu queria discutir. Queria insistir em ser a isca. Seria tão mais fácil deixá-los para trás, mas depois seria muito mais difícil conseguir dormir sabendo que optei por salvar a minha pele.

Antes que tomasse a minha decisão, no entanto, o destino resolveu optar por mim. E mais uma vez os muros que nos defendiam foram abaixo nos deixando perdidos num universo de fumaça e luzes mortais. Apertando a memória entre meus dedos, fiz o que minha consciência berrava para recusar. Pegando um corredor qualquer, escapei do efeito da fumaça sufocante que provocava um ataque de tosse em Gina e Eric atrás de mim. Depois disso, o medo começou a fluir por entre meus ossos e nenhum pensamento coerente podia ser processado.

Eu tinha certeza que ia morrer.

Quero dizer,todo mundo morre um dia.Já me acostumei com isso.Não se tratava de alguma crise existencial.Meu problema era bem menos complexo.

Não. Eu sabia que a minha hora tinha chegado.

Meus pés não eram rápidos suficientes para a minha fuga.O ar entrava com dificuldade nos meus pulmões e as minhas pernas protestaram do esforço excessivo.Nas minhas trêmulas mãos estava a razão de toda a perseguição.Da eterna perseguição.Aquela informação era perigosa demais para ser exposta ao mundo.

A adrenalina que corria em minhas veias era o único combustível que me mantinha em movimento.

Agora estava perto.A curva que fiz no corredor escuro me permitia ver a porta de saída e ouvir o tráfego caótico de carros.A rua,banhada pela gloriosa luz do dia,era a minha salvação.

Mas alguém se colocou na frente da passagem milagrosa e com segundos de atrasos percebi que haviam outros deles,sempre exibindo sorrisos vitoriosos por acharem que conseguiriam capturar a presa mais arisca de todas.Eu.

Infelizmente para mim,eles pareciam ter motivo para a presunção.

Parei ofegante,com as mãos cobrindo meus joelhos.O desespero estava fluindo pelo meu corpo.Eu sempre soube que mais cedo ou mais tarde seria capturada.

Mas eu não podia deixar que destruíssem a única prova que tinha.

Senti a aproximação dele atrás de mim mas estava cansada demais para lutar.Sua mão deslizou perigosamente pela minha cintura me mantendo atada a ele.Sua voz roçou em meus ouvidos.

-Bons sonhos,pequena.

O cheiro de éter engolfou meu todo e eu tentei lutar contra o seu poder,apertando o objeto em minhas mãos com força como se a dor fosse o despertador que eu precisasse.

Eu podia apelar,pedir,suplicar,agir como uma maldita donzela em perigo.Mas se durante toda a minha vida nunca entreguei os pontos,não seria agora,às portas do meu inferno que o faria.

As forças foram se esvaindo e minha cabeça tombou de lado antes de levar o resto de mim.A mão que segurava minha cintura não estava mais lá.Pela visão turva percebi que eles se aproximavam.

Com algum esforço fiz um gesto obceno aos inimigos que riram,não se intimidando.Não tive tempo de me frustrar.

Porque ,finalmente, a escuridão me tragou.

Notas finais
N/A:Spoiler básico p vcs!
A Landa quase me matou fazendo isso, e como o capítulo chega apenas semana que vem, quis dar esse presente para vocês! Beijo e ate o capítulo!
PS: Alguém sabe mexer no fanfiction? Tento e não consigo postar lá..quem souber, pode avisar por aqui ou pelo meu email - karol-violet@hotmail.com - por favor? Brigada!