Sídhes

4 A luz da loba (Ashton)


Notas iniciais
Aeeeeeee galeraaaa, finalmente voltamos do hiatus por problemas tecnicos! Quero agradecer a todos os leitores e principalmente aqueles que recomendaram, obrigada pela paciencia e a todos que me cobraram, finalmente! Bom, uma novidade: SOMENTE esse capitulo será narrado pelo ASHTON! Vamos conhecer ele melhor? sim! Outra novidade: Sídhes tem uma pagina no face agr, siga lá e saiba das novidades: https://www.facebook.com/Sophlevesque/?fref=ts È isso, tomara q gostem do cap, amo vcs ♥ Ps. Obgdaaaaa Mayu pela revisão e Obrigada Laura por ceder sua imagem, vcs são um amor!

Estava muito escuro.

Não pude nem ver minha mão que estava a alguns centímetros do meu rosto, no entanto o fato de que eu não podia ver nada não me incomodava. Quando você passa boa parte da vida no escuro acaba se acostumando. Tateei as paredes atrás de mim buscando apoio, as pedras ásperas e pontudas feriam minha mão quando eu arrastava-as pela parede, porém continuei me segurando apesar do incômodo e da dor, me sustentando na perna direita consigo me levantar, me arrependendo da decisão na mesma hora. Minha cabeça bate no teto baixo do lugar, que infelizmente era de pedra, o que o fez latejar na hora, deixando um pouco corcunda no local do impacto e sinto sangue nos meus dedos. Droga, mais essa agora!

Mesmo com a dor de cabeça que se seguiu, eu continuei tentando encontrar um jeito de sair dali. Guiando-me pela parede, começo a andar em frente. Um passo. Dois passos. Consigo ouvir minha respiração forte ecoar pelo lugar. Cinco passos. Devia haver nem que seja uma fresta, já que me prenderam aqui não deveriam estar querendo me matar asfixiado. Sete passos. Minha mão toca a parede fria a minha frente, o lugar não devia ter nem dois metros e não parecia ser muito largo, mas o pior de tudo é que não o parecia ter saída.

Tentei o teto do lugar, tocando-o devagar, buscando nem que fosse uma rachadura. Colocaram-me aqui de algum modo, então deve ter um meio de sair. Depois de um tempo entreguei-me ao cansaço e caí no chão duro. Se ele queriam me matar, estavam fazendo um bom trabalho, a fome a sede que eu sentia só não eram pior que a dor de cabeça. Não fazia ideia de quem ou o porquê de ter sido colocado aqui, tudo que me lembrava era da Eileen envolta por um circulo de fogo e três lobos a cercando. Só fui perceber que os lobos eram a distração quando algo duro bateu na minha cabeça e eu acordei nessa prisão.

Agora eu entendo o porquê de eles me separarem da Eileen, mantendo-a longe de mim o tempo todo. No entanto a pior coisa era que agora eu estava indefeso, a adaga que Eileen havia me dado caiu no chão da floresta quando eu desmaiei. Ainda tenho meu último recurso, mas eu deveria usá-lo? Eu só tinha mais dois deles e não podia ficar gastando ele assim. Acho que vou ter que bancar a princesa em perigo e esperar a fada madrinha me salvar.

Depois de um tempo naquele lugar e com a cabeça vazia, imagens e pensamentos que eu reprimia começaram a vir me assombrar e logo a imagem dela aparece na minha mente. Não. Não. Não, eu não posso! Fechei os olhos e abracei minha cabeça com as mãos. Não quero vê-la! Só reparei que estava falando em voz alta quando ela falou:

—Por que está gritando? Eu ainda não toquei um dedo em você!

Rapidamente abri os olhos para ver quem havia dito aquilo, primeiro a claridade queimou meus olhos e eu os fechei tão rapidamente quanto os abri, depois que eles se acostumaram pude ver uma menina que aparentava ser bem mais nova que eu, inclinada sobre mim. Seu cabelo castanho e ondulado caia por sobre o ombro dela tocando meus ombros, o cobre dos seus olhos brilhavam intensamente e ela me olhava tentando me decifrar, a sua boca era uma curva de um sorriso que não era nada convidativo.

—Agora me diga, como você escapou da Terra? E o que você fazia com aquela Sídhe?

Ela endireitou o corpo e eu percebi que o teto do lugar havia sido retirado, a roupa que ela usava deixava muito difícil olhar para o seu rosto, mas quando ela falou a próxima frase eu não pude ignorar.

—Sabia que ela está te procurando até agora? Coitadinha, acha que vai encontrar você vivo. — A risada que ela deu quebrou toda a imagem de boa menina. Mas tudo que eu podia pensar era que a Eileen estava viva e me procurando, parece que eu só preciso estar vivo pra ela me achar.

—Você é surdo ou o que? Não sabe falar?

—Eu sei falar e muito bem! Quem é você? — Respondo a ela que se inclina novamente me arranha no pescoço com suas unhas, tirando um filete de sangue.

—Acho que quem faz as perguntas sou eu. O que você faz em Cottingley?

—Eu não sei onde estou ou como cheguei aqui. — Era uma meia verdade apesar de que eu estava falando da prisão e não de Cottingley.

—Você acha que pode mentir para mim? — O seu tom era ameaçador. — O que você acha de eu te entregar para os seus donos?

—NÃO! — Falei alto e rápido demais e ela claramente percebeu isso.

—Então acho melhor você ficar quieto e responder a verdade, não acha Ashton?

—Como você sabe meu nome?

Ela deu um sorriso de "Eu te peguei", se esticou para pegar a borda do buraco e pulou para fora, claramente tentei segui-la, mas no mesmo momento a cabeça dos lobos apareceram como se estivessem lendo minha mente e eu cai sentado no chão frio mais uma vez. A tampa foi mais uma vez colocada e as perguntas batendo na minha mente: "Como ela sabe quem sou? Quem é ela? Cadê a Eileen?"

Pareceu se passar muito tempo, só tive noticia daquela mulher doida quando ela jogou um pão velho e um copo de água que claramente se derramou toda e eu estava morrendo de sede, mas não ia deixar ela vencer essa batalha, a risada dela ao fazer isso deixou bem claro que ela ia fazer mais para me fazer sofrer. Comi o pão velho e duro e bebi o único gole de água que sobrou e esperei.

Eu ainda tinha aquilo. Não, eu não podia... Esse seria o ultimo recurso.

Pareceu ter se passado horas desde que ela jogou a comida, no entanto sem ter como ver o sol era impossível saber, eu estava com frio, fome e muita sede, minha cabeça não parava de rodar e eu não conseguia pensar em nada, apenas no fato de que eu provavelmente iria morrer ali, saber que Eileen estava me procurando aliviava meu medo, nesse mundo eu sou uma perfeita princesa em perigo.

Medo. É estranho falar sobre medo quando passei a minha vida toda com medo daqueles malditos fizeram da minha vida um inferno desde que eu nasci. Depois da guerra, os demônios passaram a dominar a terra e aos poucos foram se tornando mais fortes quando encontravam hospedeiros compatíveis, a vida pós dominação para os humanos se tornou miserável, aqueles que não eram mortos, se tornavam escravos.

Meus avós foram escravizados e acabaram sendo colocados na mesma, meu avô era obrigado a fazer trabalho bruto e minha avó era obrigada a dar prazer para os demônios e a procriar, era como se fôssemos animais, quando meu avô conheceu minha avó eles se apaixonaram e por conta disso eles fugiram para um refugio que ficava no meio das montanhas, onde era de difícil acesso para os demônios. Eles viveram lá por mais de 25 anos, tiveram filhos e um deles era meu pai. Todos sabiam quem ele era, um dos maiores guerreiros do refugio, que se apaixonou por uma das arqueiras de 1° fila, se apaixonaram e tiveram uma filha, minha irmã Ally, mas quando a arqueira ficou grávida de seu segundo filho, ela foi levada pelos demônios, quando atacaram o refugio. Mataram meu pai, meus avós e quase todos do refugio, um dos sobreviventes foi minha mãe grávida e minha irmã de 5 anos. Ally foi levada para trabalhar nas escavações e minha mãe foi jogada em um porão escuro e fedido com outras mulheres gravidas, foi lá que nasci, sem luz, sem nada. Eu sobrevivi, mas minha mãe não resistiu e eu fiquei sozinho.

Meses depois fui mandado para uma mina de ouro na Antiga Irlanda, onde minha irmã com 6 anos teve que me criar, eu não podia sair da mina e muito menos minha irmã, passou anos ate que pudéssemos ver luz de verdade.

Lembro do dia perfeitamente, como se fosse a primeira vez, eu tinha uns 4 anos e Ally achou um atalho que nos levava a um buraco no teto da mina, era pequeno demais para alguém passar, mas dava para ver e sentir a luz do sol, depois do horário de dormir nos esgueiramos para o local e foi na hora exata do amanhecer e eu pude ver, algo tão magnifico e simples, uma luz, saindo do nada, de algo inexplicável, era fraca, mas bela. Meus devaneios se passaram com a voz dela.

—Como você passou a noite Ashton? — Ela pergunta mesmo que obviamente ela não se importa com a resposta. — Está pronto para responder as minhas perguntas?

Eu não respondi.

—Muito bem, me diga, humano, o que você fazia com aquela Sídhe? Como chegou aqui?

—Tudo que me lembro foi de acordar nesse lugar estranho — Quase não reconheci minha própria voz de tão fraca que estava.

—Ah, então quer dizer que você simplesmente deu de cara com um portal e acabou caindo aqui, quem você acha que acreditaria nisso? Eu sei muito bem que todos os portais da Terra são protegidos pelos demônios. — Era verdade, qualquer um que soubesse disso não cairia nessa.

—Como você sabe tanto de lá, enquanto que a Eileen nem sabia que existíamos?

—Eu não sou uma Sídhe boba... Espera, você disse que o nome dela era como? —A voz dela pareceu fraquejar por um momento.

—Ele disse que meu nome era Eileen. — Olhamos para cima ao mesmo tempo e Eileen estava lá, com uma armadura, uma espada em uma mão e a cabeça de um lobo na outra.

Por principio achei que era alucinação, mas pela cara de pavor da louca que me sequestrou ela também via a Eileen. Tentei me levantar para ir de encontro com ela quando senti a garras afiadas no meu pescoço.

—Eu devia saber que era uma Peeira! Mas nunca que eu imaginaria que alguém conseguiria dominar lobos gigantes, então você não deve ser nenhuma fraca, certo?

—Fico surpresa que você não tenha acabado com meus lobos na floresta, está mais fraca Sacerdotisa? —Sibilou a Peeira, era isso que ela era, por isso tinha tanta força e seus olhos brilhavam.

—Você tem muita coragem ou é simplesmente estupida por me atacar? Sua sorte foi que você me pegou de surpresa, nunca pensei que alguém levaria ele, mas desde o principio era ele que você queria, não era?

—Por que eu iria atrás de uma Sídhe tão sem graça como você? —Ela fala dando um riso de escarnio. — Prefiro o humano com quem você, ilegalmente, está andando pela floresta. Aliás, os Nephilins sabem disso? —Por um momento Eileen ficou pálida e foi nesse momento que ela atacou.

Um lobo atacou Eileen pela esquerda fazendo ela cair em algum lugar lá fora, pude ouvir o som da espada caindo no chão, um grunhido de lobo e o som do que parecia ser a cabeça rolando. Pude ouvir Eileen gritando algo naquela língua estranha, provavelmente um feitiço e depois o barulho do lobo atacando-a e por fim silencio. Um minuto depois o corpo do lobo apareceu acima de nós, a Peeira pareceu estar aliviada e relaxou, tirando as garras do meu pescoço e o corpo do lobo caiu, aos pés dela, pude sentir pelo olhar dela que ela podia sentir mais do que transparecia.

E Eileen pulou, com a espada na mão e só pude ver a Peeira se estatelando na parede ao meu lado.

—Vamos, temos que ir, eu não posso matá-la!

Notas finais
Obrigada por lerem, aceito criticas, comentem!! Se houveer erros avisem!!! Previsão do cap 5 em 10 dias. Tchauuuu gentheeeeee
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.