Katsuki Bakugou piscou duas vezes tentando processar o que a namorada acabara de lhe pedir.

"O quê? Que porra você disse?" ele se virou sonolento apenas para encarar a namorada que estava sentada em frente à penteadeira.

Havia chegado há algumas horas de seu plantão e adormecera esperando a Ochako chegar de seu respectivo turno. Acordara com os passos dela em seu apartamento, mas não viu necessidade de se levantar uma vez que ela parecia ocupada com algum tipo de ritual de beleza.

"Que amanhã, no jantar com meus pais, é pra você confirmar que estamos para nos casar", Uraraka respondeu soprando as unhas que acabara de pintar.

"De onde você tirou essa ideia, Cara de Lua?", ele se sentou na cama esfregando os cabelos loiros espetados.

Uraraka expirou, precisava de paciência pra lidar com o humor de Bakugou.

"Basicamente meus pais andaram ouvindo certos rumores..."

"Que não vieram do nada", ele interrompeu, já sabendo do que se tratava, "Desembucha Uraraka!"

Os dentes de qual maluco ele teria que explodir? Ou melhor, processar — sua assessoria pediu para que ele agregasse essa palavra em seu vocabulário —, surtia efeito contra idiotas. A imprensa não raramente se excedia em rumores sobre ele e seu relacionamento com Ochako.

Ela sorriu nervosa.

"Digamos que um cara estava interessado" —'em mim', ela não falou. "Ele é de minha cidade natal, eu tentei ser educada, mas pra encurtar conversa eu disse que tinha um noivo" ela falou em um fôlego só tentando passar reto por todo o rage que a menção de cara dando em cima dela podia gerar. "Como se Mie não pudesse ser pequena o bastante, a família dele conhece a minha, e minha mãe me ligou animada querendo saber detalhes" Ela se arrastou para o lado de na cama, massageando seu ombro, "Eu não consegui desmentir, Katsuki. Ela estava tão animada".

Ele se virou para ela, "Então um imbecil dá em cima de você e coisa mais inteligente que diz é que está noiva. Porra, Uraraka, o que aconteceu com um 'Cai fora idiota' ''?

'"Você sabe que não sou assim".

Que tal "Eu tenho namorado imbecil"?

"Com o tempo isso deixa de funcionar" Ela suspirou, não tinha problema em assumir para pessoas de seu círculo que havia alguém, mas no decorrer dos anos a ciência disso deixou de conter avanços masculinos, "Estranhamente, estar há seis anos em um relacionamento com alguém sem se casar faz com que a relação não soe sério o bastante. Ele era meu colega de trabalho, tive que elaborar melhor".

Por um par de anos tanto ele quanto Uraraka conseguiram manter o relacionamento em segredo. Boatos surgiam nas revistas, mas nunca eram confirmados e logo acabavam esquecidos com outras polêmicas inventadas. A proximidade que a antiga turma 1-A nutria entre si logo fazia com que os rumores se dissolvessem em notícias desencontradas. Mais de uma vez queimara jornais que anunciavam supostos affaires entre Uraraka e Iida ou pior: com Deku. O motivo de tais manchetes era sempre uma ação idiota como serem vistos em um almoço ou um parque.

Nessas ocasiões em que ele queria explodir aquelas revistas de fofocas idiotas e anunciar que Ochako era mulher dele, ela sempre intervinha alegando não saber como um namoro entre eles repercutiria entre seus patrocinadores. Apesar de ganhar bem como heroína, muito de sua carreira dependia de sua imagem. Havia fans assustadores, e também tornar público a relação poderia limitar a ação dos dois em campo, uma vez que era comum que casais fossem designados para locais separados.

"Que inferno, Uraraka".

"Bakugou, não estou pedindo para você fazer uma cena, apenas se lhe perguntarem sobre casamento você responde 'Sim, estamos vendo isso'''.

"Mas por que diabos eu faria algo tão ridículo?"

Ochako sorriu.

"Por que quero? Por que é importante pra mim? Por que ficarei com o lado esquerdo da cama se negar?"

"Nem fodendo. Essa é a porra da minha cama, no caralho do meu apartamento!" Ele se espalhou novamente por toda cama.

Ela o encarou. Uma brisa gélida se arrastou sobre sua áurea juntamente com o vinco que se plantou em sua testa. Por dois segundos ele viu a respiração dela se soltar. Então um sorriso se abriu.

"Ótimo, divirta-se dormindo em sua cama sozinho". Ela se virou em direção à porta.

"Ochako, você nem tá vestida", ele murmurou, mediante a ameaça dela.

Não foi o suficiente para tirar aquele estúpido sorriso da cara dela. Ela não ia admitir a derrota. Ela nunca o fazia.

"Você está certo", ela puxou o cordão do roupão rosa e branco e deixou que ele deslizasse dos seus ombros. Katsuki se levantou. Era involuntário. Qualquer visão dos seios fartos e deliciosos de Uraraka sempre o fazia se aproximar imediatamente.

"Vou ter que achar uma", ela comentou ainda sem tirar os olhos dele. Aquela mulher era o próprio demônio.

Ele não pode ver mais que curva voluptuosa coberta por um sutiã preto e rendado. Aquilo não ficaria muito tempo ali. Uraraka então se virou adentrando o closet. Ele a seguiu, encontrando-à frente a cabine que ficava as coisas dela, olhando os cabides. A mão dele parou em sua cintura quando ela ia puxar alguma peça.

"Isso é uma estupidez" ele falou perto de sua orelha. Uraraka parou "Você não pode sair levando uma coisa que é minha".

Ela se virou para ele.

"Deveria pensar nisso antes de me dizer não", ela se inclinou em sua direção. Sua respiração roçando seu pescoço.

"Foda-se" ele trouxe ela para mais perto "Eu falo a merda que você quiser na porcaria do jantar", ele tomou seus lábios e suas mãos ansiosas rapidamente passaram a pressionar a pele macia dos seus seios.

"Katsuki", Uraraka o afastou esbaforida, seus pedidos mais parecendo um gemido "eu acabei de pintar minha unha. Meus agentes vão me matar se eu não estiver menos que perfeita" Ela se lembrou do evento que participaria no dia seguinte. Sua unha era sempre a parte mais difícil, qualquer distração sua era o suficiente para estragar o trabalho das pobres manicures. Por isso sempre fazia sozinha.

"Ninguém liga para esses idiotas", a mão dele envolveu os fios castanhos puxando-a para perto.

"Eu ligo", ela bateu no peito dele, fazendo menção de desviar de seu toque.

"Ochako", ele a chamou e ela se virou só para ver a face dele aproximando-se da sua mais uma vez. Contra suas expectativas, os lábios dele desceram por seu pescoço e Uraraka arquejou, cedendo espaço para seus beijos suaves. Quando ela exprimiu um gemido muito provavelmente devido a algo que os dedos de Katsuki fazia entre suas pernas, ele a colocou sobre o gaveteiro central, onde há muito tempo atrás costumava colecionar seus troféus e condecorações por sua atuação como pro hero. Logo que o seu namoro com Uraraka começou a avançar, ele percebeu que não sobraria um caso continuassem ali.

Bakugou a encarou. Seus olhos vermelhos faiscavam.

"Eu posso pensar em uma ou duas coisas que podemos fazer sem irritar nenhum de seus agentes" ele falou antes que seus lábios começassem a descer por todo o corpo.

As mãos dela então cravaram-se sobre os fios loiros. Ela estava perdida.

......

Uraraka se remexeu preguiçosamente na cama.

"Ochako, solta", ela ouviu um pedido que parecia vir de longe, muito longe.

"Uraraka!" a voz gritou e ela se sobressaltou, sentando-se na cama de um só pulo apenas para encontrar os olhos vermelhos de Katsuki a fitando após voltar ao chão em um só baque.

"Obrigado", ele lhe ofereceu um sorriso cortado e se sentou a seu lado na cama.

Ele tinha flutuando? Ela tinha certeza que havia colocado as plumas de proteção durante a noite, "Que estranho", ela murmurou ainda sonolenta se jogando sobre os travesseiros novamente, fechando os olhos. A cama de Katsuki era tão aconchegante.

"Uraraka", ela ouviu o namorado chamando novamente.

"Desculpa, eu achei que tinha colocados as plumas", pediu enterrando o rosto sobre os lençóis. A noite com Bakugou deixara suficientemente cansada para dormir a manhã toda se pudesse.

Katsuki puxou sua mão.

"O que é?"

"Você tem que controlar essa droga".

"Eu controlo, amanhã coloco uma luva", ela levantou a cabeça com um vinco entre a testa devido a claridade.

"Eu não acho", ele murmurou o que fez Ochako encará-lo confusa. Sua face estava ilegível, e seu olhar era para baixo. Ela o seguiu, só então notando o aperto da mão dele sobre a sua.

Sua mão...

Ela o encarou confusa, "O quê?"

Havia um aro de metal sobre o anelar direito. Um aro de metal com uma pequena pedra prateada.

"Se vamos fazer isso, vamos fazer de verdade. Vamos fazer uma festa, assinar papeis e toda essa porcaria".

"Katsuki", ela chamou.

Certo.

Ele a estava a pedindo casamento. Tudo bem, ela respirou. Essa nunca foi uma matéria vedada entre eles. Por deus, eles namoravam há seis anos. Ambos haviam assumido que eventualmente, quando suas carreiras estivessem consolidas eles eventualmente se casariam. Mas havia muita coisa a ser discutida, então Uraraka o olhou séria com a primeira pergunta que veio em sua mente: "e os patrocinadores?"

Ele bateu na própria cabeça. Essa garota era inacreditável. "Foda-se os patrocinadores. Ganhamos bem o bastante. Ainda mais, poderemos declarar imposto juntos, e você poderá ter meu plano de saúde".

"Oh", Ochako exprimiu. Aquilo era bom. O plano de saúde de Katsuki era muito melhor que o dela, "e nosso trabalho? Talvez nunca mais permitam que atuemos em campo juntos, ou pior, podemos ser usados um contra o outro de reféns." Mesmo que não fossem da mesma agência, rotineiramente acabavam cooperando em casos semelhantes ou emergências. Como um casal, aquilo seria rapidamente desencorajado pelos superiores.

"Refém significa tempo. Significava você sendo mantida viva até eu explodir a cabeça de qualquer desgraçado que tenha essa merda de ideia".

"É, refém é bom é positivo" ela concordou. Aquilo dava uma perspectiva de barganha que ela não pensou.

'Mas..."

"Será só uma casa para manter. Só um imposto predial, só uma despesa de cada", ele a interrompeu antes de mais uma oposição.

"Você fez sua pesquisa".

"Cala a boca", ele se virou, apoiando o cotovelo sobre os joelhos. Uma mancha vermelha podia ser notada em suas orelhas.

Ela sorriu, se aproximando dele.

"Nessa sua pesquisa fala algo sobre carteirinha Golden Pro?", ela brincou. A associação com o restrito e clube de diversões era uma das vantagens que a agência de Katsuki oferecia.

"Você é uma interesseira, Uraraka".

Ela se sentou ao seu lado e entrelaçou seus braços, o rastro de um sorriso sendo varrido do rosto de ambos. O silêncio caiu sobre eles e ela via pela postura rígida que ele estava constrangido. Talvez nunca mais tocasse no assunto novamente. Ela beijou seu ombro.

"Eu não sei", Uraraka suspirou. "Concordamos em manter nosso relacionamento em segredo para manter a mídia fora do nosso pé e trabalharmos em paz..."

"Você pode apenas dizer não e cortar essa merda", ele vociferou, sem encará-la.

"Não é isso, só... É muito repentino. Não quero que pensemos sobre isso na lógica do que meus pais ou qualquer outra pessoa acha."

Bakugou não a encarou.

"São sei anos".

"Eu sei, mas..."

Ele se levantou, as mãos dele já suavam "Eu quero que você seja a porra da minha mulher, Uraraka. A mídia vai ser um pé no saco, mas eu posso arrebentar uma ou duas câmaras, mas logo eles irão arranjar outra notícia pra dar. Talvez tenhamos menos trabalhos juntos, e vai ser uma bosta, mas ainda assim eu quero colocar um anel do tamanho de uma jaca pra nenhum bastardo te importunar e ter uma casa pra você não ir embora. Por que merda você tem que ir? Não é nem racional. Eu quero ter uma vida com você e que o resto engula essa merda."

Uraraka o ouviu séria, não sabia como ele não havia explodido o quarto pelo modo que gesticulava e andava raivoso de um lado pra outro. Porém, quando acabou ela não pode evitar rir.

"Uraraka, ' ele a chamou ainda mais estressado. Ela não conseguia respirar, e afastou as lágrimas do riso que não contivera, "se não quiser aceitar só esqueça essa porcaria, e vamos lá".

"Katsuki, você não me pediu" ela parou de rir, ainda com dificuldade de manter a expressão séria "Tudo que sei é que amanheci com um anel de brilhante, é brilhante, não é?"

"Claro que é, Cara Redonda", ele respondeu. Não compraria não compraria nada que valesse menos que a hipoteca de sua casa pra mulher que seria sua esposa.

"Então, eu amanheci com esse anel de diamante, mas nenhum pedido", ela provocou, estendendo a mão e olhando pra o anel e ignorando as unhas arruinadas pela noite anterior.

"Você..." Ele gaguejou.

Uraraka o parou, aproximando-se da face dele "Eu não vou tirar ele, de qualquer jeito".

Foi a vez de Katsuki sorrir. Ela o beijou.

"Vamos ligar para os nosso amigos e avisar que qualquer notícia que apareça sobre eu estar grávida é mentira", ela disse ainda com as mãos em volta do pescoço do loiro.

Bakugou a jogou na cama em um só gesto, mantendo o peso dele sobre ela.

"Não se depender de mim, Uraraka", ele disse já com as mãos arrastando pela borda branca de sua camisola.

~~Fim~~

Notas finais

1. Pelo que temos da história, a vida de um pro-hero é muito parecida com a de um idol no japão/ Coreia. Tudo cheio de marketing, bem midiático (um ponto que o Stain tinha pra odiar pro heros que só queriam fama e dinheiro).
E acho que a Uraraka, quando adulta, enfrentaria desafios pra se manter como pro hero, gerenciar imagem e todas essas coisas (e como mulher tudo seria pior pra ela, até um namoro).

2. Eu tenho a impressão que as pessoas deixam de levar a sério um namoro que dura muuito. Metade das pessoas perguntam quando vão se casar e outra metade quer saber quando vão terminar, o famoso "AINDA estão juntos??". No meio disso, há os homens que não se mancam...

3. Era pra ser lançada na Kacchako smut week, mas estou um tiquinho atrasada

4. Acho que a Uraraka é do tipo que casaria pra conseguir carteirinha SESC, então Bakugou não precisava se preocupar tanto em pesquisar todas as vantagens economicas haha
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!