Série Laços Romanos -Laços do Destino
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Júlia Vero
Nunca pensei que em toda a minha vida eu pudesse encenar uma personagem, que pudesse ser duas caras, falsa. Isso me dói. Hoje me casei com Emiliano e dispensei o amor da minha vida. Se o Isaac soubesse o quanto meu coração está partido. Tenho fé que um dia me livrarei disso e quem sabe continuar com ele de onde paramos. Tenho esperança, me movo disso
Quando sai da sala fui para o fórum em que estava a minha família e o Emiliano, assinamos os papeis e tiramos umas fotos, não fiz questão de sorrir, não tem alegria para se mostrar, meu coração que já foi jardim agora é terra seca. Emiliano me obrigou a morar com ele como parte do trato, exigir um quarto só para mim, seria demais dividir um ambiente pequeno com ele, já que me causa repulsa
Me disperso da minha família, ninguém me dá felicitações, estão todos sem saber o porquê da minha decisão, apenas eu e o Alex que sabemos de tudo, obriguei a ele não contar e assim ele fez. Juntos vamos me livrar disso, essa amargura que está só começando vai acabar. Sei que sim, tenho que viver por essa esperança
—-Se cuida, filha—mamãe me beija o rosto—Pode voltar para casa quando quiser
—-Obrigada, mãe—a abraço
Lúcio e Marco me abraçam sem falar nada, até o Marco resolveu não ser irônico hoje
—-Estamos juntos nessa—Alex sussurra em meu ouvido quando me abraça—Você vai se livrar disso
—-Sei que sim—digo e seguro o choro
—-Querida vamos—Emiliano me chama e meu estomago embrulha
Vou com ele e entro em seu carro, fico quieta a viagem todo e não dou nenhuma palavra. Demoro um pouco para que cheguemos até sua casa, é um lugar muito bonito aliás, tem vários empregados a sua espera. Quando o carro estaciona eu desço, mas ele me segura o braço e diz
—-Não pense em fazer nenhuma gracinha, Júlia. Somos casados e mesmo que só pelas aparências exijo respeito. Espero que aquele seu namoradinho não esteja pensando em encontros as escondias. Se fizer besteira já sabe, terá sua família na cadeia
—-Eu cumprir o trato com você, Emiliano—digo—Estou aqui, casada com você. Cumpra a sua parte e deixe a minha família em paz. Quanto ao Isaac, suponho que ele deve estar bem longe daqui
Ele me solta o braço e desço do carro, uns dois empregados vem pegar as minhas malas e levam para dentro da casa, não falo com ninguém apenas vou seguindo para o lugar onde será meu quarto
—-Mais alguma coisa, Sra. Montaware—um deles fala
—-Céus! —Me espanto, Sra Montaware?—Não me chama assim. Apenas Júlia. Para todos vocês e obrigada, não vou querer mais nada
—-Sim, senhora. Com licença—e eles saem me deixando sozinha
Suspiro e olho ao redor. O quarto é grande, tem uma suíte, no armário tem vestidos para o meu tamanho e produtos de beleza na penteadeira. Suponho que o Emiliano me force acompanha-lo nesses eventos, nem os da família eu suportava ir, sempre achei chato e cafona e agora vou ter que ir como esposa dele. Enxugo uma lágrima. Preciso parar de chorar e ser mais forte ou irei desidratar
Ouço batidas da porta que me despertam dos meus pensamentos
—-Com licença, Sra. Montaware—uma jovem senhora entro no quarto
—-Me chame de Júlia—peço e sorrio para ela
—-Vim ver se está tudo bem e se precisa de alguma coisa—ela diz
Estranho isso, mesmo tendo tanto dinheiro minha família nunca foi adepta dessas coisas de ter empregados, isso para mim é realmente muito estranho
—-Qual o seu nome? —Pergunto
—-Venília—ela diz
—-Muito prazer em te conhecer—dou um abraço nela—Não precisa me tratar como sua patroa, não sou isso. Podemos ser amigas, o seu patrão é o Emiliano, não eu
—-Tem certeza disso?
—-Claro que sim
—-A senhora não parece feliz com seu casamento
—-Primeiro, não me chame de senhora, eu que devo te chamar de senhora—comento e ela sorri—Segundo, é verdade, não estou nada feliz com meu casamento
—-Então por que? —ela parece surpresa—O Sr Montaware é tão rude e você parece ser tão doce
—-Longa história—suspiro—Mas me conta de você. Quanto tempo trabalha para o Emiliano?
Ela me conta como ele é rígido com os empregados, me diz que trabalha para ele tem mais de cinco anos, tem um filho que mora mais distante daqui e quem sempre vai visita-los. Me diz que os funcionários têm um certo medo dele. Vou ouvindo tudo com atenção. Falo de mim também, da minha família, o básico, não posso contar detalhes. Venília é uma senhora muito gentil, tem algo de diferente nela
—-Qualquer coisa que precisar só me chamar—ela me dá um doce sorriso—Deus abençoe você, querida
Sorrio de volta e ela sai. Estranho, ninguém nunca tinha me falo isso. Gosto da ideia de ser abençoada. Respiro fundo e vou tirar essa roupa ridícula de noiva, hoje fiz um papel ridículo, queria apagar da minha memoria
—-Júlia? —Ouço o Emiliano bater na porta
Já vestida abro e digo
—-O que foi?
—-Você tem meia hora para se arrumar, tem vestidos no guarda roupa, escolha um. Vamos a um evento—ele diz e simplesmente se vira e sai
Não me deixa opção de dizer que não quero, uma prisão mesmo. Faço como ele mandou, quem diria eu sendo mandada. Tomei um banho e vestir um dos vestidos, não gostei de nenhum que tinha ali, nenhum era o meu estilo. Peguei o menos pior e vestir. Deixei meu cabelo solto e fui
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