Notas iniciais
Olá! CSI Vegas me deixou inspirada. Espero que curtam o final...

Como o perfeito cavalheiro que era, Grissom apareceu no apartamento de Sara bem na hora combinada, trazendo consigo um vaso de orquídeas.

—Que lindo, Gris!

Ela não conseguiu conter a exclamação e elogiou o presente antes mesmo de dar um boa noite para o homem. A julgar pelo sorriso dele, Grissom não considerou isso como falta de educação.

Phalaenopsis Dalmata- ele ofereceu o vaso a Sara, que o pegou com um sorriso e deu espaço para o supervisor entrar em seu apartamento- Eu sei que você não curte muito flores, mas... achei que abriria uma exceção para uma orquídea.

—Eu amei, não se preocupe. Deixa só eu arrumar um lugar para ela e pegar minha bolsa. Só um instante.

Grissom observou Sara andar apressada por seu apartamento e aproveitou a oportunidade para observar a morena. Ela estava linda- mas também, havia ocasião que ele pensasse o contrário? — em um macacão preto, que desenhava seu corpo com perfeição. A roupa era segura pelo pescoço e deixava boa parte das costas da morena descoberta- como ele descobriu quando ela lhe deu as costas para colocar a orquídea em sua estante.

— Você está... deslumbrante! — Grissom disse quando a morena se virou para ele. Viu com prazer a cor subir em seu rosto e Sara baixar um pouco o rosto em modéstia. Ela o encantava com cada gesto e Gil imaginou que estaria perdido se ela soubesse!

—Obrigada! Você também...fica muito elegante nesse conjunto- Grissom tinha escolhido para a ocasião uma calça social na cor cinza-chumbo, uma blusa social azul e um blazer na cor da calça. O conjunto- diferente das roupas que ele usa para o trabalho, que são geralmente mais soltas, o conjunto lhe caía muito bem e ele sempre ouvia elogios quando o usava.

—Obrigado- ele agradeceu e assim que viu Sara com a bolsa estendeu o braço para ela- Podemos ir?

—Claro.

Apesar de sempre terem muitos assuntos para tratar, a conversa a bordo da Mercedes de Grissom foi esparsa. Os dois perceberam no outro o nervosismo que um primeiro encontro sempre traz, e só conseguiram quebra-lo quando já estavam no restaurante escolhido por Grissom.

—Sabe, Grissom... estou feliz de o show ser nesse novo cassino.

—Ah, é... por quê?- Grissom perguntou enquanto guiava a morena por entre os clientes do restaurante.

Sara esperou Grissom falar com a atendente- “Reserva em nome de Grissom, para dois”- para responder.

—Porque assim eu não tenho nenhum flash de algum caso em que trabalhamos- o que Sara queria dizer é que seu primeiro encontro com Grissom não teria o espectro de morte rondando por ali e manchando aquele momento único para ela.

Grissom riu e voltou com o braço para a cintura da morena, a fim de guia-la atrás da hostess até a mesa deles.

—Eu sei que trabalhamos muito, querida, mas tenho certeza que há mais lugares nessa cidade que nunca viraram uma cena de crime do que o contrário.

Grissom tinha que concordar com ela, entretanto. Havia certos lugares naquela cidade que traziam uma energia negativa por conta das atividades que ali ocorreram. Grissom, porém, estava confiante de que podia muito bem descobrir diversos outros para levar Sara.

O casal se sentou, foram apresentados a seu garçom e receberam o menu. Sara se surpreendeu com a quantidade de pratos sem carne que a casa servia e comentou com Grissom. O homem apenas sorriu e Sara percebeu que nada daquilo era por acaso. Ele realmente havia pensado em todos os detalhes para aquele encontro.

Após realizarem o pedido, novamente o silêncio.

—Então... – Sara perguntou após uns minutos de silêncio, nos quais várias vezes seus olhares se encontraram e desencontraram.

—Então...- Grissom respondeu, como se quisesse que ela elaborasse. Sara não entendia como um homem com tão vasto conhecimento pudesse ter dificuldade em começar uma conversa. Era até engraçado. Ela, como sempre, falava demais, e logo ensaiou algo.

—Eu fiquei surpresa ao saber que você é fã do Jonh Legend.

—Eu não diria fã...

—Como então, que o senhor conseguiu os ingressos? Geralmente shows assim acabam muito rápido.

—Podemos dizer que eu tive um pouco de sorte.

—Como assim?

—Bem... eu ganhei o par de ingressos... do meu vizinho.

—Oi? Você é tão bom amigo assim do seu vizinho?

—E por que a surpresa?- Grissom riu com a cara de indignada que Sara fez- Não tão bons amigos assim. Digamos que eu o ajudei em uma situação complicada. Ele havia comprado os ingressos para ir no show com a esposa, mas devido um acidente com o filho dele , não pode ir. E achou que seria uma boa recompensa para mim.

—Uau... foi um golpe de sorte, então...

A história era preciosa, porém tirou um pouco da mágica do momento, ao menos para Sara.

—Bem... realmente, parece que sim...afinal... eu estava há um tempo buscando um bom motivo para te chamar para sair... eu pensei que seria... você sabe...

—Romântico?- Sara ofereceu, com um sorriso no rosto.

—É...- Grissom ficou um pouco envergonhado, perdendo um pouco o contato visual dos dois, mas logo voltou a olhar nos olhos dela e completar- Romântico, a gente sair no dia dos namorados... mas eu não conseguia pensar no que fazer... aí ouvi você outro dia cantarolando uma canção do Jonh Legend... descobri que ele faria um show hoje, mas infelizmente, os ingressos já estavam esgotados... então acredito mesmo que foi um golpe de sorte.

Sara teve que concordar. E ficou extremamente feliz ao perceber o quanto de intensão ele tinha com aquele encontro. Não foi algo que ele fez do nada, e sim de caso pensado. Ela nunca imaginaria que Grissom seria capaz disso...

Naquele momento, o garçom chegou com a garrafa de vinho que Grissom havia pedido e os serviu.

—Bem, acho que um brinde aqui cai bem- Sara começou e levantou sua taça- à bons amigos e golpes de sorte!

Grissom sorriu, levantou a sua taça e brindou junto com Sara, acrescentando a sua fala:

— E a mais noites como essa- Sara abriu o sorriso mais lindo que Grissom já a vira dar, e isso o deixou todo orgulhoso.

O cassino no qual seria o show estava lotado. Várias gerações se aglomeravam nas portas esperando a conferencia dos ingressos para que pudessem entrar na sala onde seria o espetáculo.

Grissom estava com as mãos na cintura de Sara, de onde não havia tirado as desde que eles saíram do restaurante. À medida que eles andavam, a conversa ia os embalando e eles iam se encaixando ainda mais nos braços do outro.

Chegado a vez deles , Gil retirou os ingressos do bolso e logo voltou a abraçar a morena. Eles foram conduzidos até uma grande mesa circular, no meio do salao. Sara pode ver o palco muito bem dali. O casal se sentou e Grissom, percebendo as outras cadeiras na mesa rezou para que eles pudessem ficar sozinhos ali.

Doce ilusão. Logo mais um casal chegou e Grissom sentiu o desapontamento bater. Não seria uma noite tão romântica agora, seria? E para piorar, o casal tentou engatar uma conversa com eles. Sara respondeu educadamente, enquanto Grissom deixou a morena falar por eles. Ele não queria dar atenção a ninguém que não fosse ela naquela noite. Aqueles dois estavam estragando seu estilo!

Para a sorte de Grissom, eles não tiveram muito tempo para conversar. O show de abertura começou, e o outro casal se levantou rapidamente para dançar.

—Ufa... achei que eles fossem ficar nos alugando a noite toda!- Sara comentou e Grissom a olhou com surpresa- Não faça essa cara que eu sei que você tem a mesma opinião.

Grissom sorriu e pegou a mão de Sara.

—Não sou o cara mais sociável que você conhece... e na verdade, queria um pouco de sua atenção para mim.

Grissom realmente sabia fazer com que Sara se sentisse especial. Quando ele resolvia prestar atenção nela, isto é.

—Você a tem...

Os dois trocaram um olhar intenso, seguido por uma enorme vontade de provar dos lábios um do outro.

—Sara... vem aqui...

A mulher puxou a cadeira para mais próximo a ele. Os rostos se aproximaram, nenhum deles conseguindo acreditar que aquilo estava realmente acontecendo... que depois de anos de desejo eles finalmente concretizariam aquilo que começou anos antes em uma conferência forense.

O primeiro beijo. O primeiro encontro de lábios, primeiro tímido, testando o momento. Um momento de separação, no qual os olhares se encontram, como se perguntassem se aquilo estava mesmo acontecendo. Então novamente o encontro dos lábios, dessa vez com mais volume, mais intensidade. Grissom só sabia que ele amou a maciez que encontrou ali, e a vontade com que Sara retribuía o beijo.

Eles separaram os lábios mas , sem vontade de estar separados, ficaram lado a lado. Bem melhor para roubar mais uns beijos, na opinião de Sara, que o fazia sem menor vergonha. Até a hora que a atração principal ganhou os palcos.

Grissom, que não era fã de Jonh Legend, resolveu que faria melhor apreciar sua companheira. Entre a boa música e a animação de Sara, Grissom sabia que passaria um ótimo fim de noite.

A voz melodiosa e a música animada tomaram conta de Sara. Tomada por uma imensa felicidade de estar ali, com a pessoa que mais amava na vida- sim, ela sabia disso desde o momento que o encontrou- era impossível para ela ficar parada. Praticamente dançava na cadeira enquanto cantava as músicas junto ao cantor. Mas , conhecendo seu parceiro como conhecia, sabia que seria impossível conseguir uma dança com ele.

Sara só não contava com uma coisa. Grissom, observando a inquietação de Sara, começava a ter uma ideia deliciosa. Sentir a morena dançando colada com ele... ah, mas ele não poderia perder essa chance. Mesmo não sendo um dançarino competente, imaginou que poderia correr um pequeno risco de humilhação só para ter aquele momento.

Foi então com surpresa que Sara se viu sendo convidada por Grissom para dançar. O homem a trouxe para perto dele, e um pouco longe dos outros casais, envolveu Sara em seus braços e, falando bem perto do ouvido dela.

—Só você para me fazer dançar...

Ela sorriu e encostou a cabeça no ombro dele. Ela não queria nada a não ser sentir aquele momento, deixando-se ser conduzida por Grissom, ao som de um dos seus cantores favoritos. Era mais que um sonho. Era agora a sua realidade.

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Fim do show. Fim do encontro mais singular de sua vida, Grissom pensou. Ele não queria que acabasse. E ao julgar por sua companheira, nem ela.

Estavam os dois dentro do carro do supervisor, que acabara de chegar no prédio de Sara. Ele desligou o motor e se virou para ela.

—Obrigado, Sara... foi...

— Além das expectativas?

Ela respondeu por ele, vendo que lhe faltavam palavras novamente. E ela tinha várias para oferecer.

—Muito mais- ele sorriu. Não era justo ele fazer aquela cara, Sara julgou. Ela tinha vontade de beijá-lo e não soltar mais a cada vez que ele sorria. Como ela iria fazer com o trabalho, agora que ela sabia que podia fazer exatamente aquilo?!

—É... você quer subir?

Grissom mordeu o lábio e a mediu com os olhos... o que ela queria com aquele convite? Porque ele estava tomado de desejo desde que a segurou em seus braços no show. Não sabia se iria se comportar tendo a oportunidade de tê-la sozinha consigo.

—Eu... adoraria...- decidiu deixar-se levar.

O casal entrou no prédio sem trocar uma palavra. Somente as mãos entrelaçadas. Mas antes que pudessem se fazer confortáveis na casa dela Grissom recebeu um chamado do trabalho.

A contragosto atendeu, observando Sara se desfazer do calçado e ir até o quarto. Seu coração apertou, enquanto falava com o oficial do outro lado da linha. Ele não podia acreditar que seu trabalho iria atrapalhar o encontro mais perfeito de sua vida. Lembrou-se de Terri Miller e outras mulheres, que nunca entenderam esse lado dele.

Seu coração, entretanto, se aliviou ao ver Sara retornar, um caderno de anotações e uma caneta em mãos. Grissom se recompôs e voltou a dar atenção para a ligação. De posse de todas as informações que precisava, desligou o telefone e procurou Sara pela pequena casa.

Ela estava na cozinha passando um café para ele.

—Honey... eu...- ele não sabia como terminar.

—Eles precisam de sua ajuda com insetos?

—Isso mesmo...- ele parecia triste.

—Tudo bem... ossos do ofício, não é? Vai precisar de ajuda?- ela serviu a ele um copo para viagem cheio.

—Acho que não... descanse... é seu dia de folga.

—O seu também... e não estou cansada... afinal...- ela chegou perto dele e passou as mãos pelo peito dele- eu queria mais um tempo com você...

Grissom resmungou algo que ela não entendeu e a beijou com vontade. Sem desejo de sair dali, o beijo foi escalando, deixando-os afogueados. Mas o chamado do trabalho fez com que o homem se separasse dela.

—Eu tenho que ir...

—Ok...

Sara estava fazendo com que sua saída fosse difícil. Apesar do ok, não se separou dele e roubou mais um beijo... e outro, e outro...

—Para você não se esquecer de mim- ela disse com um último beijo.

Como se aquilo fosse possível.

—Te vejo mais tarde?- ele quis saber.

—Claro... me liga quando acabar?

—Pode apostar...

Grissom nunca teve tanta dificuldade de ir para o trabalho.

Mas tinha confiança de que, a partir dali, isso aconteceria ainda mais vezes.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!