São Francisco
18 Capítulo 17
—Tá aqui Carl, as chaves da moto. Valeu pelo empréstimo, cara. — Agradeci depositando o molho de chave na mão do Carl.
—De nada, cara! Mas a minha nenê tá inteira e sem arranhão, né?
Antes que eu respondesse, Sara fez isso.
—Claro que tá, seu besta. Se quiser vai lá conferir.
Carl apenas sorriu da minha namorada e seu instável humor.
Depois Sara perguntou pelos pais e Carl nos informou que eles estavam no quintal com Marta.
Sara e eu seguimos pra lá.
Tão logo nos viu e Otávio soltou um: "Até que enfim chegaram!".
—Voltamos no horário que eu disse que voltaríamos, pai.
—E por onde andaram depois do cinema?
—Otávio larga a mão de ser intrometido, homem.
Dona Laura o recriminou e lhe acertou um tapa de leve no braço, fazendo Sara, eu e Marta rirmos.
—A gente ficou passeando num parque perto do cinema, pai. Satisfeito?
Vimos o pai dela apenas assentir nada contente. Depois ele disse que ia ao centro comprar umas coisas.
—Ele estava apenas esperando vocês chegarem pra ir comprar umas tintas pra pintar a cerca para a festa do Natal.
Dona Laura nos contou rindo assim que seu marido tinha saído.
—Mãe o papai já tá demais. Conversa com ele DE NOVO sobre essa marcação toda em cima da gente.
—Eu falei pra ela relevar como eu tô fazendo, Laura.
—Não tenho essa paciência toda.
Marta e Laura riram cientes que aquela era a mais pura verdade. Eu também sabia muito bem disso.
—Vou falar com ele. Também acho que o Otávio já está passando um pouco da conta. Acredita que ele passou o dia todo desde que eles saíram, grudado no celular, Marta?
—Ah era por isso?
A tal Marta caiu na risada.
—Sim!... Eu vou falar com ele, OK? Vocês não são crianças e sim, dois adultos. E namorados! Ele tem que pôr isso naquela cabeça dura dele.
...
Da varanda de entrada da pousada eu observava há certos minutos o céu estrelado ornado com uma linda e prateada lua cheia, quando senti alguém se aproximar e parar ao meu lado. Era Otávio.
—Mulheres! Por que elas demoram tanto pra ficarem prontas, não é?
Seu Otávio chiou e me olhou.
—Também gostaria de saber. — Olhei pra ele e esbocei um sorriso.
—Segundo o Carl acabou me dizer ao passar por ele na recepção, o lado bom desse tipo de espera é que ela sempre vale a pena.
—Com certeza!
Concordo plenamente com as palavras ditas por Carl ao meu sogro. Sempre vale a pena essa espera.
Em silêncio a gente esperou por poucos minutos a mais e vimos minha sogra aparecer ali num vestido amarelo. De canto de olho notei meu sogro ficar olhando todo abobalhado pra Laura pra depois sorrir, elogiar a esposa e perguntar por Sara.
Minha sogra nem teve tempo de responder, pois Sara apareceu ali e quem ficou olhando abobalhado dessa vez foi eu. Minha namorada tava linda! Ela já é linda, mas tava mais ainda num vestido comprido preto com flores brancas e de alças finas. Seus cabelos estavam presos em um rabo-de-cavalo e no rosto uma maquiagem leve. Não sei o que ela calçava, pois seu vestido comprido cobria os pés, mas devia ser um sapato baixo.
Esquecendo completamente da presença dos meus sogros, eu fui até a minha namorada e abracei Sara pra logo em seguida lhe dá um beijo rápido.
—Você tá linda! — Disse a ela após o beijo.
—E você tá bonito! Nem parece o nerd que eu conheço. Parece até um cara descolado.
Eu abri um sorriso.
—Ah, obrigado!
—Ei, já chega de vocês de cochicho aí e agarramento. Vamos!
Otávio nos disse sério e indo com Laura a frente, Sara e eu fomos seguindo os dois até o carro estacionado há poucos passos da gente.
Durante o trajeto até o restaurante Sara foi me contando mais sobre o lugar. Ela disse que que o Forbes Island fica dentro de um lugar chamado Píer 39. Esse píer é um dos cartões postais de São Francisco. E segundo Sara é um local aonde todos os turistas vão durante sua passagem pela cidade pelos mais variados motivos. Também é chamado de shopping center, pois lá você encontrará dezenas de lojas e muitos restaurantes. Minha namorada disse que o píer está entre os pontos turísticos que ela me trará pra conhecer com calma em outra oportunidade. Ela também contou que seus pais e ela já vieram umas três vezes jantar no Forbes e todas em ocasiões especiais.
Cerca de vinte minutos e Otávio já estacionava numa rua que ficava bem próxima do tal píer. Descemos do carro e seguimos a pé até a entrada do lugar.
Ao chegar lá um letreiro enorme carregava o nome do lugar Píer 39. Entramos e gente pra caramba por ali. Algumas lojas abertas, turistas circulando por ali.
O lugar parecia uma mini cidade e Sara me disse que tem várias atrações por ali. Mas que elas só funcionam mais pela parte do dia.
Seguimos numa caminhada de poucos minutos até que chegamos a uma ponte de madeira que nos levou até o restaurante que era lindo por fora e mais lindo ainda por dentro.
Fomos direcionados à uma mesa na área subaquática e eu fiquei fascinado. Da janela de vidro altamente resistente, eu podia ver o fundo da baía que banhava a região.
—É muito legal né? — Sara me cochichou.
—Muito! A gente se sente literalmente no fundo do mar.
—Exatamente!
Fizemos os pedidos e enquanto aguardávamos a vinda deles ficamos de conversa. Meu sogro deu um tempo na implicância comigo e até conversou numa boa comigo. Me contou sobre a história do restaurante e do lugar o qual ele ficava. Foi bem maneiro ouvi-lo.
—Tem um farol que depois do jantar você podia levar o Grissom pra conhecer, Sara.
Minha sogra sugeriu e Sara disse que me levaria. Seu Otávio já torceu a boca na hora, com a sugestão de Sara e eu irmos sozinhos lá no farol.
Meu sogro e seu ciúmes!
A comida daquele lugar era uma delícia. Minha mãe ia adorar, pois ela gosta demais de frutos do mar. Quem sabe numa outra oportunidade que eu venha pra cá ela não me acompanhe e aí a gente vem aqui.
Após a sobremesa tão deliciosa quanto a entrada e o prato principal que pedidos anteriormente, Sara disse aos pais que ia me levar pra conhecer o farol. Otávio chiou e disse que não era pra gente demorar.
Saímos do restaurante e na área externa subimos o farol de 10 metros de altura. Lá de cima a visão da baía era incrivelmente linda.
—Uau! Que vista!
—De dia é mais bacana ainda.
—Não tenho dúvidas.
—E aí, gostou do seu aniversário?
—Muito. Foi o melhor aniversário que eu já tive!
—Essa era a minha intenção.
—Agora eu preciso retribuir a gentileza no seu próximo aniversário.
—Ah, tem mesmo! E eu vou te cobrar isso, Grissom!
—Vai? — Me encostei a parede do farol e puxei Sara para junto de mim, enlaçando sua cintura com meus braços.
—Vou! E quando faltar assim uns dois meses para o meu aniversário já vou começar até te lembrar. E eu vou te infernizar pra preparar algo especial pra mim. E se você não preparar nada eu arrebento sua cara. — Ela bateu de leve no meu peito e eu caí de risada. _ Ah, não tá levando a sério?
—Pior que eu tô.
—Então por que tá rindo?
—Por muitos motivos. Mas o principal deles é: porque estou feliz demais por estar aqui com você. E não se preocupe que eu vou preparar uma retribuição perfeita pra você no seu aniversário.
—Quero só vê!
—E você verá!
Por iniciativa minha a gente se beijou ali. Foi demorado, intenso e apaixonado. Se não fosse pela necessidade de respirar e pelo meu celular que tocou, a gente ainda ficaria um bom tempo naquele beijo.
Apanhei o aparelho do bolso da calça. Era a minha mãe ligando.
—Oi, mãe!
Ela parecia com a voz tão triste quando me respondeu do outro outro lado da linha. Perguntou como tinha sido o meu dia. Eu contei como foi omitindo é claro a minha comemoração íntima com Sara, porque não sabia se minha namorada ia gostar que eu contasse aquilo a minha mãe. E finalizei falando onde estávamos.
—Aqui é incrível, mãe. Você ia gostar de jantar nesse lugar. E o Phil?
—Ele tava aqui em casa me fazendo companhia há bem pouco tempo, mas já foi.
—Hum...
—Bom, querido, não quero atrapalhar mais a sua noite. Só liguei pra saber como foi seu dia e ouvir sua voz antes de ir dormir.
—Mãe, a senhora não atrapalhou nada.
—Boa noite, filho. Já tô morrendo de saudades de você.
—E eu da senhora.
—Um beijo, querido.
—Outro pra senhora, mãe.
A chamada foi encerrada depois disso.
—Que foi? Por que essa cara?
—Minha mãe tava triste, Sara. Eu senti na voz dela.
—É porque você passou seu aniversário aqui e longe dela, não é?
—Ela não vai admitir, mas eu sei que é por isso. Foi a primeira vez que não passamos o meu aniversário juntos.
—Você se arrependeu de ter vindo?
—Não, eu queria mesmo vir e passar o meu aniversário com você. Só que também não queria que ela ficasse triste desse jeito. E tenho certeza que no Natal vai ser igual.
Suspirei triste pela minha mãe. Detestava quando ela ficava triste e por minha culpa mais ainda.
—Você gostaria que ela viesse passar o Natal com a gente?
—Adoraria. — Sorri com aquela idéia. _E não só ela como o Phil também. Mas ela não pode por causa da galeria. Vai ter uma exposição três dias depois do Natal e você sabe que quando tem exposição lá, ela é exigida mais ainda no trabalho. E o Phil acho que prefere passar com a filha, a neta e o genro dele, não aqui.
Ia ser tão incrível se tanto a minha mãe quanto o Phil pudessem vir passar o Natal aqui. Teria reunida a minha família e a da Sara. Mas não era possível. Quem sabe num próximo Natal.
—Vamos voltar? Senão é capaz do meu pai vir atrás da gente.
—Vamos!
...
—Que bom que chegaram. Vou nessa, que a gata já tá me esperando. Boa noite, gente! Fui!
Carl saiu as carreiras da recepção.
—Eu não sabia que ele tinha namorada.
Nunca o via comentar que tivesse uma.
—Ele não tem. Deve ser alguma ficante dele. — Sara explicou rindo.
—Bom, já tá tarde então vamos dormir.
—Otávio, eu queria te agradecer por ter me levado pra comemorar meu aniversário naquele restaurante incrível. Obrigado mesmo!
Agradeci e estendi a mão pra ele.
Otávio olhou pra minha mão e dando um sorriso fraco segurou-a.
—Não tem de quê, rapaz!
—Vamos subir, Otávio. Sara, você fecha tudo aí. Grissom, você pode ajudá-la?
—Claro, Laura.
—Então boa noite aos dois. Vem, Otávio.
—A gente vai deixar os dois sozinhos aqui em baixo tarde da noite?
—Otávio não é tão tarde assim e nem eles são crianças. Vamos.
Meu sogro bufou, nos desejou boa noite e disse pra não ficarmos até mais tarde sozinhos, depois subiu as escadas resmungando algo incompreensível pra esposa.
—Seu pai não consegue ficar mais de uma hora sem implicar com nosso namoro.
—Definitivamente não!
—Vamos fechar aqui como a sua mãe pediu.
Trancamos a porta de entrada e fechamos as janelas.
—Você já tá com sono?
—Não. E você?
—Também, não!
—Então vem comigo!
Sara me levou até os fundos da pousada e acomodados numa espreguiçadeira nós ficamos por quase uma hora observando o céu e namorando. Depois entramos e cada um tomou o rumo do seu quarto.
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