Rádio Cupido
6 Pra sonhar
Notas iniciais
[...] Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?[...]
~Pra sonhar
Mais uma vantagem de ser um observador onipotente: não há limites ou barreiras. Assim podemos saber de tudo o que se passa a qualquer momento e em qualquer lugar. E quando digo qualquer lugar é, literalmente, qualquer lugar. Vamos a um exemplo.
A mente de um ser humano é o que eles consideram ser a coisa mais segura do mundo. Lá, eles se sentem seguros, não há segredos. Entretanto quando envolve o amor, ela se torna um livro aberto para mim. Benefícios do meu trabalho. Mas devo mencionar que sou bastante ético e respeitoso nesse quesito, então não espere segredos confidenciais saindo da minha boca. O que quero lhes mostrar é apenas um sonho. O sonho de Leone naquela noite de Quinta.
Ele estava de terno escuro com uma gravata vermelha. Ele parecia ansioso. A gravata, de tempos em tempos, sufocava-o levemente. A multidão, sentada nos bancos à sua frente, olhava fixamente para ele como se ele fosse o elemento mais importante daquele lugar. E ele era mesmo.
Um som melodioso saía dos longos tubos de metal de um órgão. Isso fez Leone ficar mais nervoso ainda. Um nervosismo que aos poucos foram dando lugar a uma enorme alegria. A alegria se transformou em uma pequena lágrima de emoção e desceu pelo rosto dele contornando o sorriso.
E a atenção foi dirigida ao verdadeiro motivo. Com passos lentos e em um vestido branco, lá vinha o motivo da felicidade de Leone.
Lamentavelmente, sonhos tem uma péssima noção de tempo e costumam interromper o clímax das histórias. Mas Leone não precisava de um final. Ele tinha visto tudo que queria ver. Ele se viu no próprio casamento à espera de Bianca.
O despertador fazia um barulho desesperado, mas ele não estava ligando se ia ou não se atrasar para o trabalho. Ele abriria mão de tudo que conquistou se pudesse ter a chance de tornar aquele sonho realidade.
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