Rádio Cupido
4 Meu erro
Notas iniciais
[...] Você diz não saber o que houve de errado
E o meu erro foi crer que estar ao seu lado, bastaria[...]
~Meu Erro
Agora que você sabe o significado da entrega daquela rosa e os motivos que levaram Bianca a praticar aquele ato, podemos ir para a Quarta-feira. De outro modo, não entenderíamos o que vem a seguir.
O sorriso daquela jovem ficou marcado na memória de Leone. Estaria ele apaixonado? Não, pelo menos não ainda. O gesto da entrega da rosa o surpreendera, como surpreenderia qualquer um que passasse pela mesma situação. Infelizmente, não é comum vermos formas simples de afeto entre as pessoas de hoje em dia.
Bianca entregou flores para diversas pessoas aleatórias. Não escolhera ninguém em especial, apenas entregava. Por isso seria difícil ela ter prestado muita atenção em Leone. Ela tinha apenas uma vaga lembrança do rapaz que retribuíra o bom dia.
O Meio-dia daquela quarta feira teria sido igual ao outros para ambos, se o destino não tivesse arquitetado encontros inesperados que escreveriam mais uma página de uma história de amor. O primeiro desses encontros aconteceu no local de trabalho de Bianca. Uma pequena confeitaria.
— O que você faz aqui? — Disse Bianca, enquanto ou redemoinho de lembranças voltava à sua mente.
— Calma, estou aqui apenas para comprar um bolo. — Respondeu Thomas.
Discretamente, ela limpou uma lágrima na camisa e respirou fundo.
— Certo. Vai levar algum desses ou prefere fazer uma encomenda. — Bianca falou da maneira mais profissional possível.
— Acho que vou levar esse mesmo. — Thomas apontou para um bolo simples com cobertura azul. — Quanto custa?
— Quarenta e cinco reais.
Ela entregou o bolo em uma caixa e estava pegando o troco quando Thomas falou.
— Bianca, eu queria conversar com você. Sabe, o que aconteceu naquele dia...
— Aqui está o troco. — Ela respondeu secamente. Ela sabia como isso ia acabar.
A mão dele demorou um pouco na dela. Ela se odiava por ainda sentir alguma coisa por ele. Tentou puxar a mão de volta, mas ele a segurou.
— Por favor, me solte ou eu vou gritar. — Disse ela, com um tom sério.
— Não seja infantil. Você sabe que...
— Que o que? Não foi culpa sua? Que ela era uma prima? Que ela que te agarrou. — Ela conseguiu libertar a mão. — Não preciso mais ouvir isso. Sr. Álvaro, já está no horário do meu almoço. Estou indo.
Ela tirou o avental e o colocou no balcão. Uma moça mais jovem que ela surgiu de uma porta que dava acesso à cozinha e ocupou o lugar de Bianca.
Bianca andava a passos largos. Entretanto Thomas ainda não desistiu. Ele a acompanhou e quando alcançou ela a segurou mais forte.
— Eu sei o que você sente por mim. Eu não vou conseguir viver sem você. Eu posso mudar.
Ele ainda tinha uma arma secreta. O típico pensamento machista de Thomas não ia aceitar ser rejeitado. Ele sentia que Bianca ainda estava por ele e essa seria sua cartada final. O beijo. Mesmo contra sua vontade, o corpo de Bianca cedeu. As cenas boas do relacionamento antigo voltavam em flashs, mas então o último flash despertou o lado racional dela. Ela desferiu uma tapa na cara dele e ele recuou um pouco.
— Mas eu não preciso mais de você. — Mentiu. — Não há nada de novo. Você ainda é o mesmo. Eu pensei que me entregar inteiramente bastaria, mas parece que pra você não foi o suficiente. Não venha me fazer promessas que eu sei que não vão ser cumpridas.
O segundo encontro inesperado aconteceu no momento em que Thomas forçou novamente mais um beijo. Coincidentemente havia alguém passando por lá exatamente naquele momento. Alguém que percebeu que a jovem estava sendo forçada a isso. E esse alguém estava disposto a impedir isso.
O soco na cara de Thomas afastou definitivamente os dois.
Fale com o autor