Ryans Tales
6 Sexto Conto - O conto final.
#Sexto Conto#: O Conto Final.
#Flash Back (Brend)
Brendon Boyd Urie estava radiante. Tinha sido aceito em Harvard e iria poder voltar a vê seu Ryan novamente todos os dias. Iam dormir abraçados um com o outro, comer na mesma mesa... Coisa que qualquer casal comum faz normalmente que para eles era raridade até então.
O ano tinha passado ridiculamente lento, porém a recompensa era grande. Maior do que ele se achava merecedor, devo ressaltar. Ross, por sua vez, estava um poço de ansiedade. Queria ver o seu namorado, mas seus atos não lhe deixavam em paz e era até bom que fosse assim, diga-se de passagem.
Brendon vencia pouco a pouco os limites daquela universidade gigantesca. Fez questão de ser trazido pelo seu pai, porque se contentaria com o carro de Ryan. Aliás, estar sem carro nunca foi um problema para Brendon. Ele tinha um sorriso tolo no rosto. Um sorriso apaixonado, diga-se de passagem. Era uma vitória enorme para ele estar ali. Finalmente, entre tantos rostos, Brend achou o rosto delicado que queria ver, porém parecia – apenas parecia – não estar esperando por ele, pois seus braços estavam envoltos em uma loira que tentava – cuidadosamente – tocar os lábios de Ryan. As mãos dela seguravam seu rosto e ele, visivelmente, tentava se desvencilhar.
Estava sóbrio e por isso, não ia conseguir se deixar levar por outros lábios.
- Oh, shit! – Exclamou Brendon. Por um momento, pensou em desistir de tudo, mas seu pai já não estava mais perto dele. Não tinha mais como desistir. Isso piorou quando ela conseguiu selar demoradamente os lábios deles, porém o que seus olhos turvos de lágrimas não conseguiram captar foi a reprovação instantânea que atingiu Ryan depois daquilo.
Urie andou até Ryan em passos lentos e pôs a mão em seu ombro, fazendo Ross ficar em um misto de felicidade e culpa, porém sorriu grandemente ao se virar para abraçar o namorado, mas o estado de tristeza de Urie, fez ooutro perder o sorriso.
Com algumas manobras, Ross conseguiu levar Urie para seu alojamento. Ali poderiam conversar decentemente sobre aquela menina. Que Ryan nunca tinha o esquecido e que esperava o namorado a cada minuto daquele ano longo. O alojamento não era grande, não estava arrumado e aquilo deixou Brendon meio deslocado e Ross com vergonha, a final, não era de hoje que ele era maníaco por limpeza. Porém a medicina lhe tomava todo o tempo.
Ryan apontou a cama cheia de roupas e Brendon se sentou. Em seguida, ergueu um sutiã que piorou o estado do menor. Ross apenas murmurou um ‘essa não é minha cama’ e o outro torceu os lábios, mas logo isso se desfez em um sorriso pequeno e singelo.
- Explique-se. – Na verdade, Brendon tentava ser firme sem muito sucesso. Ele sabia que tinha algo errado e, na realidade, não esperava um ‘Olha, Brendon, eu estou apaixonado pela loira e não conseguia te dizer por telefone’. Boyd queria se encolher nos braços de George e dizer o quanto o amava. – E comece logo antes que eu surte e comece a te socar.
- Deixa de ser ciumento, seu bobo.– Disse Ryan com um sorriso no canto dos lábios. Puxou a cadeira da escrivaninha e sentou-se na frente de Brendon com os braços cruzados.– É minha amiga. Apenas isso.
- Ela te beijou, Ryan. Na boca. – Brendon mexeu na corrente que ainda estava com ele, levando o pingente de um lado para o outro, como um brinquedo e para conter os ciúmes. – E se é tua amiga, como eu nunca ouvi falar dela?
- Mas eu te falei sobre ela.– Ross deu de ombros – Foi ela que me deu essa corrente no teu pescoço.
- Ah, foi, é? – Brendon pareceu ficar mais irritado que já estava, mas dessa vez, Ross teve um ataque de risos e Bden acabou acompanhando a risada do outro. Em seguida esticou a mão e Ryro a segurou fazendo com que o menor o puxasse. Ross acabou indo parar, bruscamente, sentado no colo de Brend.
- Ai. – Resmungou Ryan e depois começou a pôr os fios escuros de Brendon atrás da orelha, bem delicadamente – Estou pesando muito, não?
- Deixa de ser idiota, RyRo. Você só tem osso!
- Okay, okay, seu cachorro vira-latas. – Ross disse divertidamente, sem nenhuma intenção de ofender. As brincadeiras começaram a dar lugar para os beijos apaixonados e a saudade foi sendo morta aos poucos, sem pressa de acabar. Aquele dia, Ross não ligou se ia perder uma aula importante ou não, bastava estar com Brendon.
As conseqüências seriam medidas depois.
#Fim do Flash Back#
Charles dormia tranquilamente enquanto Ross estava desesperado atrás de uma agência de empregos. Sem Brendon sua vida pessoal estava de cabeça para baixo e ele não tinha noção do que fazer para consertar. E o pior disso tudo era que seu filho só estava comendo porcarias prontas: lanches, miojos, cup noodles, bolachas, refrigerantes ou coisas relativas a isso.
Charles Ross estava mais magro que o comum, mais sonolento, mais indisposto e reclamando de muitas dores no estômago. Ross falou com vários pediatras antes de deixá-los examinar seu filho. Saiu da pediatria, recebendo um comunicado de Brendon. Ao chegar em sua sala, encontrou Boyd e o filho com expressões preocupadas no rosto e a mulher, Grace Urie, segurando a mão do filho.
- Olá, Srs. Urie. – Disse formalmente o jovem neurologista, enquanto tomava seu lugar atrás da mesa. Quis ser o mais profissional possível, mesmo que aquela família fizesse parte de sua vida – Qual o problema?
Brendon, decidiu levar a mulher para passear. Aquela conversa não faria bem para ele e muito menos para sua mãe. Além do que, os exames a serem feitos eram bem simples, mas mesmo assim o diagnóstico não tinha como ser cem por cento preciso. Eles tinham a suspeita, só não queriam crer. Era cruel demais até mesmo para uma mulher errônea como Grace Urie.
- Brendon andou lendo alguns livros e... Ele só quer que você confirme suas suspeitas. Nós, Brendon e eu, não comentamos nada com Grace. Consideramos Mal de Alzheimer, mas queremos ter uma opinião de especialista. Ela anda esquecendo coisas grandes e tem chamado o Brendon por meu nome. Acha que temos dinheiro e temos sempre que vigiá-la para não sair gastando o que não temos com coisas caras.
- Mas é muito precoce.– Disse Ryan – Ela tem o quê? Cinqüenta?
- É, é... Se não me engano, ela tem só cinqüenta e três anos.
Ryan recostou-se na cadeira desacreditado. Por mais que odiasse Grace e achasse que ela merecia mesmo um castigo severo da vida era um destino cruel demais. Uma demência sem cura, sem retardamento, sem chances de resolução. [i]Ryan teve pena dela[/i], mesmo sem dar um diagnóstico positivo. Seu coração doeu porque Brendon não merecia ver a mãe morrer daquele jeito, da forma dolorida e louca, literalmente, que viria acontecer se o mal de Alzheimer fosse realmente constatado. Brendon trouxe a mãe e Ryan começou a fazer os exames necessários.
Eram rápidos e pouco eficazes. Nunca se tem a certeza de uma demência como Mal de Alzheimer com uma pessoa viva, mas podem se dar grandes porcentagens de precisão. [n/a: a entrevista de um neurologista sobre esse mal de Alzheimer foi realmente útil na escrita dessa cena. Obrigada, Jô Soares *-* ]
Ele teria que confirmar, infelizmente. Talvez fosse isso que viesse a dar mais valor ao amor que recebia. Na realidade, Ryan estava confuso. Não sabia se ria por ser Grace Urie, ou se chorava de pena. Novamente dizia a si mesmo: “Talvez fosse necessário alguma doença assim para ele entender seu amor, Ryan.”
- Eu realmente sinto muito, Brendon e Boyd.– Disse Ross, mecanicamente. – Ela realmente tem Mal de Alzheimer e está muito avançado, devo dizer-lhes.
- Fuck! – Exclamou Brendon – E agora, RyRo? Como eu procedo? Como o meu pai procede? – Os olhos de Brendon encheram-se de lágrimas, cortando em pequenos pedaços o já destruído coração de Ryan Ross.
- Brend. – Ryan segurou a mão dele, esquecendo-se completamente a postura profissional e em seguida, olhou para Boyd e disse: — Olha, eu posso ser o especialista para cuidar dela caso vocês queiram, como eu tenho feito esses anos todos com o Brendon, mesmo tendo certeza que ela não vai colaborar comigo até ela deixar de me reconhecer. E eu serei franco porque eu gosto de vocês... Daqui para frente só tende a piorar. Ela é um caso raro na medicina e provavelmente isso vem da família dela. Não existe como curar um indivíduo com Alzheimer, a única coisa que eu lhes peço é para não forçar a memória dela, porque não vai adiantar. Raramente há pequenos momentos que ela voltará a si, lembrando-se subitamente de tudo, mas ela vai voltar a esquecer momentos depois. Infelizmente, Boyd, ela fará o processo oposto ao Bden e é bom que ele cuide melhor da memória dele, porque como eu lhes disse, essa demência é transmitida por genética.
A mulher tinha sido levada por uma enfermeira, voltou e George imediatamente parou de falar e soltou a mão do garoto. Soltou um sorriso pequeno no canto dos lábios que alguns leriam como profissional, mas a possibilidade de Brendon entender o amor que ele sentia, refrigerava sua alma cansada. Os olhos não dela se encheram de ódio ao ver a figura de Ryan Ross e, pela primeira vez na vida, lhe sorriu amistosamente e principalmente foi um sorriso doce.
- O que faz aqui, George? Você sempre odiou ficar de branco. – Perguntou e Ryan sabia que ela achava ser seu pai. – Aliás, o que você está fazendo em uma clínica?
- Sou George Ryan Terceiro, Grace. Filho do George que odeia branco e que é engenheiro. Eu sou neurologista e ex-namorado do seu filho, Brendon.
E como doeu pronunciar ‘ex-namorado’. Apesar da recaída que tiveram, da insistência de Ryan com um beijo ou outro, todos negados por Brendon. Eles continuavam separados e doeu em Brendon também. Doeu porque ele sabia que era o culpado da separação.
- Ah, é você.– Disse com desdém. O desdém de sempre, devo dizer.– Por que eu estou me consultando contigo? Pelo que eu me lembre, o que vem de você não é confiável.
- Sabe, Grace. Eu preciso extrapolar e que se dane o que vai acontecer depois disso.Tá tudo entalado na minha garganta há anos, pelo menos doze anos, mas agora eu vou ter que quebrar meu protocolo. Dane-se por um minuto o que o Telles vai pensar ou fazer comigo depois disso. Você tem mal de Alzheimer. Eu não queria, mesmo, que o meu Brendon passasse por metade das coisas que ele vai passar por tua culpa. Porque eu o conheço muito melhor que você, eu o tive e ele me tem. Eu sei que ele não vai conseguir sozinho. Ao contrário de você, Grace Urie, eu o conheço. Conheço, respeito, gosto, não influencio suas escolhas. Não corri atrás dele quando você o tirou de mim, mesmo sendo eu quem salvou a vida do seu filho por inúmeras vezes durante três anos inteiros. Quando você fazia besteira, eu saia correndo para consertar só pro teu filho não odiar você...!
- Cala a boca, Ryan! — Brendon gritou com todas as forças que tinha. Boyd estava incapaz de dizer algo, porque ele estava do lado de Ryan naquela história. Grace precisava ser acordada por alguém. Grace estava encabulada com tudo o que Ross dizia, aliás, certas coisas nem faziam sentido por causa da doença que já lhe tinha consumido parte da memória. Grace não conseguia se defender. – Ela é tua paciente! Respeite-a!
- Só por um momento, Brendon, fica quieto. – Disse Ryan, encarando vibrantemente os olhos da mulher que tinha as mãos seguradas pelo marido – Eu não suportava mais ficar com isso entalado, e fico muito triste porque ela vai esquecer isso e eu vou ter que segurar isso tudo de novo. E, pelo amor de Deus, eu não sou confiável o suficiente para tratá-la. Vou passar o fardo para outro neurologista.
Percebendo que Ryan e Brendon precisavam ficar sozinhos e também, seria crueldade demais – tanto com Ryan quanto com Grace deixar a mulher ali. Ryan precisava extrapolar mesmo, porém se ela continuasse ali, Ryan ia acabar por bater na mulher.Então, Boyd a levou para casa e falando que depois ligaria para Ryan pra saber em quem buscar ajuda. George tinha razão, ele teria problemas grandes com a Grace se a tratasse.
Quando Boyd e a mulher deixaram a sala de Ryan, Brendon ficou encarando o rosto baixo de Ryan. Rosto cansado, castigado pelo sofrimento, expressões dolorosas de sua face. Ross estava visivelmente mais magro e com as linhas expressivas do rosto mais profundas. Tinha olheiras enormes e imponentes embaixo dos olhos.
- Eu confio em você. Antigamente isso valia. – Brendon murmurou, fazendo o outro levantar a cabeça e encarar o menor. Em seguida, soltou uma gargalhada irritada. Novamente Brendon soava como piada.
- Me diz só uma coisa... Eu já estou suficientemente recuperado para você?
Brendon não conseguiu responder. Talvez porque finalmente tinha percebido o quanto fazia falta para o maior. O quanto ele era o suporte, a fonte de força, o motivo real de sua vida. As palavras fugiam do menor assim como o seu fôlego também sumia. Não era para ser assim. A única coisa que Brendon conseguiu fazer foi trancar a porta e estender infantilmente os braços, como um filho pedindo um abraço ao seu pai. Ross entendeu o recado, mas não se moveu. Não conseguia, então, Brendon caminhou até Ross, mesmo ignorado e o abraçou por trás. Enlaçou seu corpo com as mãos. Esticou-se o máximo que pôde para pôr seu queixo no ombro de Ryan que virou seu rosto, ficando a milímetros dos grossos lábios de Brendon que infantilmente se equilibrava na ponta dos pés.
E sorriu. Sorriu como há muito tempo não fazia. Ross não se importou com a separação deles, muito menos com os motivos da mesma naquele momento. A felicidade de estar nos braços de Brendon. Uma pequena lágrima banhou o rosto do neurologista, fazendo o menor torcer os lábios, apertando mais o abraço e, por fim, Brendon deixou um beijo no rosto de Ryan.
Os dispositivos eletrônicos de ambos tocaram. Juntos. Os médicos se entreolharam, ignorando a chamada. Brendon voltou a apertar o abraço e Ryan virou-se de frente para Brendon e o beijou, porém seus pages incomodaram novamente, os fazendo atender o chamado. Saíram correndo, desesperado. Doutor Telles, dessa vez, seria imponente. Segurou-os pela mão e exigiu que ambos tirassem folga. Charles era o paciente. Tinha desmaiado. Ryan sabia que se tratava da má alimentação. Anemia profunda.
Ross teve que aceitar as férias. Só que ele não saiu do hospital. Ficou ali, hora após hora ao lado de Charles. Porém Brendon saiu em busca de café e comida. Charles se preocupava com a alimentação do pai – que não era das melhores – e esquecia de se preocupar com a própria. Aproveitou para pôr-se para refletir sobre toda aquela situação. Sobre sua situação, na realidade. Quanto tempo Ryan tinha velado por sua saúde? Quanto tempo tinha velado por sua vida? Quantas vezes Brendon agradeceu? Não, ele nunca agradeceu.
Entrou em uma lanchonete e pediu um bolo de chocolate, sabia que Ross adorava, e dois cafés expressos, fortes e sem açúcar. Voltando a clinica, voltou às reflexões sobre sua situação. O quanto estava sendo ingrato, injusto, incapaz de se maravilhar com as demonstrações de amor vindas de Ross. Ainda que ele nunca tivesse dito a frase que mais demonstraria isso. “Eu te amo, Ryan”, pensou Brendon. Ao que voltou para o quarto em que Charles encontrou com Ryan encarando o filho, se culpando por não saber cozinhar ou coisas assim. Brendon adentrou ao quarto, estendendo o café e o bolo para Ryan.
- Come. – Praticamente ordenou, pondo o bolo e o café na mão do maior que lhe olhou meio encabulado, então Brendon explicou – Charles sempre se preocupou com sua alimentação. Come por ele. Come por mim. – Falou a última frase mais baixa, mas Ross entendeu, pegou o bolo e levou-o a boca e comeu porque Brendon pediu, porque Charles gostaria que ele comesse.
Brendon sorriu de leve ao ver Ryan comendo e voltou o olhar para o menino na maca. Culpou-se novamente por tê-lo deixado sozinho, por deixá-lo com o pai que não sabia cuidar de si mesmo sem seu suporte. Culpou-se pelas olheiras do maior, pelo cabelo mal cortado, pela magreza excessiva. Não que Ryan fosse gordo com ele, mas não era assim. Ele tinha um pouco mais de corpo, não soava como sem saúde.Ali, na frente de Charles Ross Urie, Brendon começou a chorar baixinho, arrancando de Ryan um olhar preocupado, franziu o cenho e deu a última mordida no bolo de chocolate.
- O que há, Brend? – Ao perguntar, Brendon conseguiu sorrir ao ver aquele rosto sofrido, infantilmente lambuzado de chocolate. – Breeend!
- Acho que eu percebi o quão idiota tenho sido. – Ross não discordou, apenas sorriu, chamando com o olhar Brendon para sentar-se perto dele e o menino o fez sem demora.
- Me dê apenas um motivo concreto para ter saído da minha vida. – O neurologista disse, fazendo o interno se calar imediatamente e então Ross complementou: — Tudo bem, eu entendo.
- Eu me lembrei do acidente. — Ross sentiu um frio correr sua espinha e se arrepiou com a informação. Ele então se encolheu com a forma cuspida que Brendon dava das palavras. – Não estava em Seattle, mas já em Las Vegas.
- O que exatamente se lembrou? – Ryan perguntou temeroso e foi a vez de Brendon se encolher na poltrona – O motivo? A briga? O porquê de ser minha culpa?
- Foi um acidente, RyRo. – Brendon suspirou – Não há culpados, mas sim, eu me lembrei da briga, me lembrei do bar, do atropelamento e é aí que tudo fica vago.
- Você chegou aqui tendo convulsões graves, me fazendo tomar atitudes graves para um interno, mas eu tinha ligado pro meu superior e ele me autorizou acomeçar os procedimentos em ti. Foi a primeira vez, Brendon, que eu provei do que era capaz por você. Enfim, horas de operações e eu comecei a evitar sua família. Dizendo que você estava ‘estável’, sem dizer o que era exatamente o que era ‘estável’. – Ross praticamente murmurava, também estava encolhido na poltrona desconfortável. Era doloroso, porém necessário. – Até que eu tive que enfrentar seus pais, contar-lhes que só um milagre salvaria você. Um milagre que eu passei a implorar toda noite, todo dia, o tempo todo durante três anos. Eu perdi as contas de quantas vezes implorei, sem medo de me humilhar, para deixarem você viver. Perdi as contas de quantos papéis de doação de órgãos eu já rasguei quando a sua mãe ia contra as minhas ordens.
Urie arregalou os olhos. Não imaginava isso de seu namorado. Não imaginava essa capacidade de amar integralmente sem esperar nada em troca. Algumas poucas lágrimas caíram pelo rosto delicado do homem menor e se perdiam na pouca barba do mesmo. Ryan deu um sorriso triste e um beijo no topo da cabeça de Urie. Envolveu-lhe protetoramente com seus braços, pondo a cabeça do menor em seu ombro. Não queria vê-lo chorando.
Grace Urie teve que voltar a clínica junto com Boyd – e em seguida, George e Sandra -, por causa do pequeno Charles. O menino ia ficar bem, era só uma questão de tratar da anemia antes que ela evoluísse para algo mais sério. Quando descobriram – Grace e Boyd – aonde era o quarto do pequeno Charles, correram para lá. Havia uma pequena fresta aberta aonde eles puderam contemplar Urie nos braços de Ross. Boyd, o pai, sorriu grandemente ao ver que as coisas se acertavam aos poucos, mas a mãe de Brendon fez menção em entrar, logo sendo impedida por seu marido que lhe abraçava por sua cintura. Da fresta, ela olhou para Ryan. Olhou-o pondo a cabeça de seu filho nos ombros, acariciando-a protetoramente enquanto o seu garoto chorava baixinho. Ela parou para olhar Ryan com os olhos sensatos do marido e ficou mais um pouco, ouvindo os consolos de Ross ao pé do ouvido de Brendon.
- Não... Por favor, Brendon, não chora.
A mulher percebeu que não podia lutar contra o que eles sentiam um pelo outro e então, ela chorou. Não foi um choro emocionado ou de arrependimento, foi um choro triste, doloroso, amargo por não ter conseguido separar definitivamente os dois. Não conseguia acabar com aquela coisa imprópria e – supostamente – suja.Boyd então, conseguiu puxá-la da porta, deixando os dois a sós novamente.
- Eu não sei o que dizer, RyRo. – Ryan voltou a sorrir quando Brendon retomou o assunto que haviam deixado ‘morrer’ para ouvir o som do choro de Brendon.
- Só me diz por que me deixou. Eu quero muito entender.
- Dois meses antes de irmos a Seattle, seus pais foram ao chalé. Me jogaram na cara a nossa história, um pouco distorcida da que hoje eu lembro, e eu, sem lembranças, acreditei no que diziam. Depois comecei a me encontrar com Ashley que me contou do seu jeito no trabalho, do seu jeito mal-humorado. Eu me analisei como sanguessuga e não gostei do posto que tinha, mesmo eu gostando de estar contigo, me afastei.
- Tolice. – Resmungou Ryan baixinho, fazendo o outro se sentir ainda pior. – E houve mais alguma coisa que eu não sei?
- É, houve. – Disse baixinho enquanto ronronava. Brendon parecia ter mesmo agarrado a oportunidade para falar tudo o que sentia, tudo o que realmente tinha acontecido.– Seu pai me ofereceu uma quantia considerável de dinheiro para eu sair da sua vida, mas eu não aceitei. Em Seattle eu descobri que você era promiscuo. E você me confirmou que me traiu.
Ryan arregalou os olhos e olhou bem para o ex-namorado que torceu os lábios, formando um bico grosso e infantil, além de muito manhoso.
- Eu não sou promiscuo. – Resmungou em seguida, torcendo a ponta do nariz – Eu nunca fui promiscuo. Eu traí você uma vez, mas nós conversamos sobre isso, tínhamos deixado tudo muito claro, apesar de eu ainda ter a consciência bastante pesada por isso.Sua mãe sempre quis separar a gente – Ryan fingiu não ter ouvido sobre o pai, mas depois iria resolver aquilo. Precisava falar umas coisinhas para teu pai e colocá-lo em seu devido lugar e entreabriu os lábios para continuar o que queria, mas fora interrompido por Telles:
- O que fazem aqui, no quarto de Charles, ainda com seus jalecos de trabalho? - Dr. Telles disse.
- Qual é o interno suficientemente louco para pedir a Ryan Ross que saia do quarto do próprio filho?- Telles arqueou a sobrancelha e riu em seguida. Ryan era tão duro com as pessoas que elas tinham medo dele. Apenas quem o conhecia fora do hospital, conhecia o verdadeiro Ryan Ross.
- Tem razão, Urie. – Telles disse rindo – Bem, vou lhes contar o que o seu filho tem, mas antes, o que o Charles tem comido?
- Uhm... – Não queria responder, mas precisava – Miojo, cup noodles, comida chinesa... Coisas do tipo.
- Ryan não sabe cozinhar.– Afirmou Brendon enfaticamente, fazendo Ryan corar furiosamente.
- Percebi. Charles tem, como você esperava Ryan, uma anemia profunda e, além disso, o nível de ácido no estômago do menino está muito alto, o que dificulta a digestão dos alimentos e causa pequenas ânsias de vômito. Eu vou deixá-lo internado aqui até se recuperar completamente e você achar uma empregada, okay?
Ryan assentiu, se encolhendo mais um pouco na poltrona enquanto Brendon o acolhia. Dr. Telles sentou-se ao lado deles, agora como amigo, e sorriu os abraçando. Sabia que precisavam se acertar. Que viveram momentos difíceis e que um precisava do outro como se o um fosse o oxigênio do outro.
- Ryan. – Resmungou baixinho – Eu estou com saudades de Joshua e Alec.
Na realidade, Brendon tinha se lembrado de tudo, só queria confirmar o que estava pensando. Telles sabia bem quem eram Joshua e Alec. Ross tinha comentado com ele os métodos que usava para estimular a memória de Brendon e decidiu ficar para ouvir. Brendon aninhou Ryan mais uma vez em seus braços e o último suspirou baixinho, pensando em que contar.
- Okay, vamos ao começo da história. Quando Alec conhece Joshua, o último não lhe deu muita bola, sabe? Ele estava meio temeroso, mas seus pensamentos lhe traiam e Alec sabia disso. Sabia que o encontro dos dois, vez ou outra na empresa do pai de Alec, ficavam em sua cabeça. Tudo o que Alec não queria era ter uma vida parecida com a do pai, mas andava por aquele caminho porque não conhecia outras saídas.
Alec tinha ido a empresa de novo ver se encontrava Josh e estacionou o seu carro. Ficou ali na frente da empresa até que, por fim, o motoboy apareceu. Te digo, Brend, que não foi muito fácil para eles se aproximarem, porque Alec era ‘bruto’ e Joshua tinha uma mágoa dele, mas aquele dia era diferente.Quando Josh passou pelo outro, Alec lhe segurou pelo braço fortemente.
- Me solta, Alec! – Josh disse firme e Alec sorriu.
- Acalme-se! Eu só quero conversar...
- Hey, Ryan... – George parou de falar imediatamente – Eu conheço o Josh e o Alec?
- Conhece. – Disse Ross com um pequeno sorriso nos lábios finos- Você não se lembra deles?
- Não. – Mentiu fazendo um pequeno bico e vendo a tristeza invadir os olhos do maior, decidiu dar-lhe a deixa para que ele contasse a verdade – Mas essa história se parece muito com... a nossa.
- É a nossa. – Ryan disse com um sorriso grande no rosto, fazendo Brendon entreabrir os lábios fingindo surpresa – Foi o jeito que eu arranjei para você se lembrar do seu passado sem eu te forçar. – Telles deu um beijo em cada uma das testas antes de sair e lhes deixar sozinhos, encontrando a mãe de Brendon do lado de fora ainda mergulhada em um choro intenso e Boyd com um sorriso aliviado nos lábios.
- Brendon soube dos contos. – Telles disse e Boyd agigantou o sorriso. Sandra e George desacreditaram, e sabiam que se fosse verdade, algo ruim aconteceria a eles. Brendon estava totalmente de volta e com certeza, voltaria para os braços do namorado.
- Ross. – disse Brendon – Você mudou muito.
- Eu sei, Brend. Aprendi muito quando você estava em coma e dominei minha mesquinhez.
- Hm. – Brendon olhou por cima do ombro de Ryan e viu Charles abrir os olhos – Ryro, ele acordou.
Ryan e Brendon foram para o lado do filho, mas tinha algo que incomodava. Algo que precisava resolver, mas não agora. Iria curtir o filho um pouco junto com Brendon.
#Dias depois#
George Ryan Terceiro terminou de acariciar o rosto do filho e deu um beijo na testa do adormecido Brendon Urie. Cobriu-lhe carinhosamente com um cobertor e saiu. Ele ainda não tinha pedido ao namorado para voltar para ele, talvez por medo ou só porque queria todos os impedimentos desfeitos antes de se jogar de vez nos braços de seu amado. Ao chegar a empresa de seu pai, andou desesperadamente até a sala da presidência aonde entrou raivoso e encarou com nojo os olhos do pai.
- Olá, George! – disse por fim – Vamos conversar.
- Sobre o quê? Acho que eu não te devo satisfações. – Perguntou omais velho com frieza. – Devo?
- Sobre o Brendon, oras. – Ryan fechou a porta da sala e deu passos firmes até a mesa – Eu soube, papai. – Disse a última palavra com ironia, cruzando os braços manhosamente.
- Do quê? – Manteve-se frio, fazendo Ryan odiá-lo mais – Olha que indelicadeza a minha... Quer charuto? São ótimos, cubanos. E, ah... Eu tenho uma reunião importante daqui a pouco, seja breve.
- Quanto eu valho para você, hein?
- Você é meu filho, Ryan. Só quero fazer você entender o quão errado você anda estando.
- Errado? C’mon, pai. Eu sempre fui independente de você, mas nunca joguei tão baixo para conseguir o que eu quero. Uma grana para o Brendon, seguido de fatos distorcidos. Por quê? Para eu ser engenheiro. Errou de novo, papai. Eu já sou médico neurologista.
- Ryan, acalme-se agora! – Exigiu ao ver os olhos do filho inebriados pelo ódio. Ryan suspirou e sentou-se na cadeira apontada pelo pai. – Acredite nisso porque eu só vou dizer uma única vez. Eu fui um pai distante, isso foi um erro, eu não criei você. Você melhor que ninguém sabe o quanto o Brendon te faz mal, te influencia nas escolhas, na forma de criar o Charles e até aonde morar. Meu filho, você é pai. Agora você deve entender porque me culpo tanto por não ser presente e por tentar proteger você mesmo depois de homem feito.
- Olha que comovente. – Ryan usou de sarcasmo enquanto o homem falava a verdade – Só que agora papai, eu já estou criado. A vida me ensinou a ser quem eu sou, a amar como eu amo. Eu te conheço, conheço os alicerces ilegais dessa empresa e eu te juro que coloco você no olho da rua, dependendo de mim pra sobreviver, se você tentar mais uma vez me tirar do Brendon.
- Você não compreende, não é? – George tentou dizer. – Eu queria que você fosse engenheiro e, bem, você tinha concordado, mas eu estava desistindo quando comecei a ver suas notas em matemática. Não eram ruins, você sempre foi um ótimo aluno, mas você era muito melhor em biologia. – George queria comover o filho, mesmo que para isso usasse uma mentira, mas Ross o conhecia bem. – Eu queria você aqui, para ficar perto de mim, desenvolvendo uma ambição que eu sei que você tem. O desejo de dar o melhor para teu filho, uma casa maior, um quarto melhor, uma escola a altura das que você estudou.
- Eu sou neurologista, George. Eu ganho uma grana muito boa e só não comprei uma casa maior porque nunca achei necessário e eu sei me cuidar sozinho. Você já perdeu a chance de ser pai. Acabou.E eu acho bom você não querer me ter como inimigo.
O médico virou de costas para o engenheiro e saiu. Voltou para a clínica e tinha um sorriso aliviado no rosto, pronto para viver uma nova fase de suas vidas. Com as duas pessoas mais importantes de sua vida. Faltava apenas Charles melhorar para a sua vida ficar completa.
Bem, se vocês pensam que as coisas realmente melhoravam, que devido a convivência praticamente diária que Brendon tinha com Ryan e o fato de Brendon cuidar mais dele que vice-versa o fez voltar? Não. Brendon parecia querer mais um pouco de Ryan. Esperar um pouco mais, esperar até ele ter mais certeza do que ele poderia ter.
Boyd acabou fazendo o mesmo que Alex fez. Internou a mulher em um hospital de repouso e começou do zero. A conhecê-la, a conquistá-la, amá-la novamente. Brendon ia ver a mãe diariamente. Ia ver o jeito que ele a tratava e começou a pôr-se no lugar de seus pais. Ryan como o Boyd e ele mesmo como sua mãe. Cuidando da mãe, acompanhando o tratamento passo a passo, Brendon compreendeu que um ‘Eu te amo’, não era necessário para provar um amor. Ryan estampava isso o tempo todo em cada ato.
E ele precisava retribuir.
#Seis meses depois#
- Brendon, doçura, pega a caixa de brinquedos de Charles e desce pra mim? Eu preciso pagar a construtora.
- Okay, Ryro. – disse Brendon, procurando a caixa e quando a achou, fez o que o seu namorado, agora já de volta, pediu.
Ross e Urie estavam se mudando para uma casa um pouco maior que tinham construído ao lado do chalé, no mesmo terreno. Não que eles não gostassem do pequeno lugar em que viveram sua vida toda, mas decidiram ter um quarto maior e, quem sabe, adotar outra criança.
Charles finalmente sairia do hospital e tudo tinha que estar pronto. Era aniversário dele, a única vez que as duas famílias – Ross e Urie – conseguiam conviver harmoniosamente. Eu preciso lhes contar que os dois juntos ainda incomodavam muita gente, mas essa é outra história.
Brendon tinha feito um belo bolo de chocolate e decorado a nova casa com balões azuis e pratas. Grace estava ajudando de bom grado, porque achava que o aniversário era de seu filho, Brendon. Além de achar que Brendon era, na realidade, Boyd. Porém nem tudo aquele dia eram flores. Uma notícia arrasou Ryan: Alex tinha morrido.
Choroso ele abraçou Brendon que não entendeu nada. Os ‘amiguinhos’ da escola de Charles começaram a chegar e a serem recepcionados pela mãe de Brendon que logo em seguida levou Ryan para o quarto, acariciando-lhe o rosto com doçura:
- O que houve?
- Não, nada.– disse Ryan – Eu estou com um pouquinho de dor de cabeça. Pode descer, eu já vou. – Brendon arqueou a sobrancelha, selou os lábios aos do namorado e saiu. Charles chegou em casa, ampliando o sorriso de ver que as pessoas se lembraram de seu aniversário, mas estranhou que Ryan não estivesse ali. Ele abraçou Brendon e murmurou um ‘Aqui sim é teu lugar, papai’ e sorriu.
Ryan desceu pouco depois e sentiu o menino lhe agarrar pelas pernas. Aquilo era motivo mais do que suficiente para ele sorrir. No colo de Brendon, Charles perguntou baixinho para ele:
- O que há com o papai? Achei que ele ia estar feliz.
- Ele está, Charles. Só está com dores de cabeça. – Repetiu a mentira, sabendo que nem ele, nem Charles estavam acreditando nisso. Desceu do colo do pai e foi brincar enquanto os outros adultos se entrosavam, conversavam, entre outras coisas. Ryan agarrou Brendon como se ele fosse sua pelúcia favorita. Passou a festa toda assim, distante.
A festa acabou e cada qual foi para sua casa. Charles então aproximou-se dos pais e perguntou para Ryan:
- O que houve, papai? Eu sei que não é só dor de cabeça.
- Eu concordo com o menino. – Brendon se manifestou, roçando o nariz pelos cabelos castanhos do maior – Pode ir falando.
- Não é nada... Só...O Alex... Ele... Faleceu. – Ryan disse e Charles ficou boquiaberto com a informação. Ele conheceu o Alex, gostava dele demais.
- Quem é ele? – Brendon perguntou, seguido por um sorriso triste. Ryan murmurou um ‘meu melhor amigo’.
Os três foram ao enterro. Após o fechamento da lápide, Ross ficou lá, falando com o túmulo. Falando sobre Brendon e Charles, que eles agora estavam felizes:
- Então eu disse pro Brendon assim: ‘Eu preciso de ti para viver, acho que você não entendeu isso ainda. Brend, o que você quer de mim?’, e ele dizia que nada do que eu já não tinha oferecido. Sim, é fácil para ele falar, mas aí, eu disse ‘Por favor, Bden... Volta pra mim. Me faz feliz de novo’, acho que ele se comoveu, porque estamos juntos. – Isso seguiu de um sorriso fraco – Eu não acredito que... Eu não sei o que vai ser de mim sem seus conselhos.
Olhou o túmulo da senhora McWay ao seu lado. Sorriu e a cumprimentou com doçura, deixando uma rosa para ela. Depois disso, levantou-se e foi encontrar-se com Brendon e Charles, com um sorriso confortado no rosto. Agarrou Brendon por trás e deu um beijo em seu pescoço enquanto Charles segurava a mão de Brendon e se direcionavam ao carro.
- Papais, eu quero um Mclanche feliz. – Bden olhou para Ryan em desaprovação e Ryan disse em seguida:
- Se o papai Brendon deixar, você come quantos quiser.
E tudo voltou ao seu curso normal. Ryan tinha aprendido uma lição importante. Ele era um ser humano melhor. Ele tratava as pessoas melhor. Tinha aprendido a virtude da paciência e esperar as coisas acontecerem em seu devido tempo, sem forçá-las. Brendon, por sua vez, deixava sua ingenuidade de lado e não se deixaria ser induzido por nada nem por ninguém.
Ryan entrou no banco do motorista e Brendon ajeitou Charles na cadeirinha antes de ir para o banco do carona. Apesar da perda de Alex, Ryan sorria muito.
- Brendon eu... Nunca te disse isso, mas... Eu te amo.
- Eu também te amo. – Brendon selou os lábios deles e Charles cruzou os braços na altura do peito.
- Ei, gente. Ninguém me ama não? – Após as palavras de Charles, todos riram alto e Ryan rumar a casa.
O amor quando é real, não tem impedimentos e, muitas vezes, é comparado a loucura. Existem pessoas que não conseguem desistir e outras que desistem muito fácil, mas todas elas continuam sendo pessoas e pessoas não são imunes a um grande amor. Pessoas que estão propensas a saber, diariamente, em quantos pedaços um coração pode ser quebrado e continuar a bater.
Os contos do Ryan mostraram que quanto mais quebrado somos, mais fortes permanecemos.
FIM
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