O jogo tinha acabado.

Nós seríamos libertados dali? Estamos livres dos nossos crimes? Será que poderei viver em paz, agora?

Acredito que não.

Com cara de desgosto a delegada se aproximou da mesa e me olhou fixamente, como se estivesse procurando algo em mim.

Mas nada encontrou, porque virou os olhos para cada um de nós quatro. Ela estava desse jeito porque o jogo não aconteceu do jeito que ela esperava. Houve um suícidio ao acaso ali, e não era bem o que ela queria, pelo que pude perceber.

— Bom... como vocês perceberam, condenados, o jogo acabou antes da hora. Não era o esperado, não sem um conhecer ao outro mas como aconteceu, falo à vocês o por quê de estarem aqui, nesta sessão de extermínio.

Sessão? Extermínio? Isso não era um interrogatório brutal? Como eu todos os olhares chocados se direcionaram à delegada.

— Chocados? não é a primeira vez. — Ela se distanciou e pegou uma cadeira que estava no canto escuro da sala e se sentou. Senti que ela ia falar muitas coisas, explicar até demais. — Vocês, como todos. São experiencias. À partir de seus atos queriamos ver como agiriam, sem saber onde estavam, mas sabendo o porquê de estarem ali. A partir dos seus olhares vimos os seus arrependimentos e as culpas de vocês. Há câmeras, bem aqui em cima. Vocês estão sendo visualizados por um batalhão de novos soldados. O modo como pensam... tudo isso tá sendo analisado por eles. Agora, como não posso dar mais informações, deixarei vocês aqui, para serem assistidos. Boa sorte, queridinhos.

Queridinhos. Como ela ousa nos chamar de queridinhos? Ela quer brincar com nós, mas não me atinge. Eu gostei dessa mulher, do jeito que ela desafia aos outros, afinal, é uma delegada.

Quando ela se levantou da cadeira pude perceber que um sorriso estava se formando aos poucos, em sua boca, ao se virar, quando já não poderia mais visualizar o seu rosto, ouvi apenas uma palavra saindo de sua boca:

— Atirar! — gritou ela. E, como se já soubessem o que iria acontecer, os soldados começaram a atirar freneticamente nos corpos dos três restantes além de mim. Muito sangue jorrava na sala e todos se divertiam com isso. De alguma forma eu não estava abalado com aquilo. Quando me virei do banho de sangue e dos tiros que ecoavam pela sala para ver a delegada ela já não estava ali do lado.

E foi então que senti um cano gelado sobre a minha cabeça, e a minha vida passou pelos meus olhos. Tudo ficou preto, e pude ver todas as atrocidades que cometi. Isso pareceu segundos. Em segundos eu vi tudo se passar. A saraivada de balas acabou, haviam cinco corpos naquela sala, eu era um criminoso e estava sob julgamento. Um teste de julgamento. Levantei a cabeça e sorri para a delegada. Inusitadamente ela também sorriu. Abaixei a minha cabeça, fechei os meus olhos e o meu mundo, enquanto eu só pude ouvir três palavras ditas por uma voz feminina:

— Bons sonhos, queridinho. — disse a delegada. E, enfim, atirou.

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