Rurouni Kenshin: A Sombra do Retalhador.
12 Declaração de Guerra. O fim dos 2 meses de recuperação
Notas iniciais
Os 3 companheiros de Hiro aguardavam no esconderijo.
—Droga, onde o Hiro se meteu ?
Akira questionava impaciente.
—Faz 1 mês e meio que ele desapareceu e não tivemos notícia alguma dele...
—O Hiro sempre fez uso das conexões que conseguimos no submundo para fazer contato quando não podia se mostrar.
Ban disse em resposta, o que deixou Akira irritado.
—E ?!
Akira esbravejou.
—Curiosidades sobre o que vocês fazem desde antes de eu me juntar a vocês são um tanto inúteis, não acha?
O lutador respira fundo e suspira.
—Ainda temo o dia que vá dizer que vocês já se pegaram.
Disse num tom sarcástico.
—Eu estou querendo dizer que ele deve estar numa situação especialmente difícil para não termos recebido uma mensagem sequer.
—Vocês duvidam demais do líder de vocês, não...?
Hijikata disse casualmente. Ele parecia estar completamente tranquilo com a situação.
—Se estivesse morto, saberíamos...
—Não que você seja o melhor exemplo disso...
Akira disse cruzando os braços.
—Droga...Odeio ter que ficar esperando. Ele me prometeu lutas contras caras realmente fortes.
—Vocês, lutadores...
Disse Ban com divertimento.
—Só pensam nisso mesmo.
—O que um cara recusado pela Onmitsu Oniwabanshu pode dizer de mim ?
Akira provocou, mal vendo quando Ban sacou sua nodachi, apontando-a para seu pescoço, perigosamente perto.
—Não se esqueça que basta ser da minha vontade e eu seria capaz de arrancar sua cabeça.
O clima ficou inexplicavelmente pesado e os dois fitaram Hijikata ao mesmo tempo.
—Se as duas crianças não calarem logo a boca, serão as cabeças DOS DOIS a serem arrancadas.
Akira e Ban suaram frio. A reputação de Hijikata Toshizo não era a toa.
O silêncio na sala foi quebrado pelos passos apressados de alguém que parou na frente da porta do esconderijo, batendo 3 vezes na mesma, fazendo um pausa e batendo uma quarta vez.
—Um mensageiro...
Ban concluiu, dirigindo-se até a porta.
A luz do sol matutino entrou no escuro covil quando Ban abriu a porta.
Um menino que aparentava ter em torno de 10 anos de idade estava olhando de um lado para o outro e depois para cima, olhando para Ban. O garoto entrega um envelope para o mascarado e vai embora correndo.
Ban fecha a porta ao voltar para dentro e lê o conteúdo da mensagem.
—Okay, temos notícias.
Ele disse aos companheiros.
—--No Aoi Ya, durante a tarde---
Sanosuke estava de frente para uma árvore, treinando socos com a mão esquerda e chutes com ambas as pernas.
—Poupando a mão direita ?
Yahiko perguntou.
O garoto estava com um par de muletas, pois sua perna ainda estava se recuperando da noite em que Hiro atacara o Aoi Ya.
Sanosuke parou por alguns momentos, pensativo. Ele estava relembrando a conversa que teve com Megumi após ter acordado e conversado com Kenshin.
—Se continuar utilizando assim o Duplo Extremo, sua mão direita ficará inutilizada.
Dizia Megumi.
—Sua última luta deixou seu corpo todo quebrado, mas sua mão...
Silêncio.
—Se tem algo a mais a dizer sobre a situação dela, diga logo.
Sanosuke a incentivou.
—Não gosto que fiquem enrolando.
—Sano, a situação da sua mão direita é tão preocupante que, devo dizer, nenhuma das fraturas que você sofreu na luta contra Hiroshi Kazumi conseguiram ser piores do que as que você tem na sua mão.
Megumi demonstrava real preocupação. A situação era séria.
—Suas lutas desde que aprendeu o Duplo Extremo tem colocado pressão demais em sua mão direita, que sempre está sendo levada ao limite em suas batalhas, quase sempre sofrendo fraturas muito sérias que poderiam incapacitar para sempre a mão de uma pessoa normal...
—Está dizendo que se eu continuar usando o Duplo Extremo, eu logo não poderei mais usar a minha mão direita ?
—Sim.
Megumi passou alguns segundos olhando fixamente para a mão direita de Sanosuke.
—Examinei sua mão após a luta contra Shishio e novamente após cuidar de seus ferimentos da luta com Hiro. Se seus ossos forem esmagados uma vez mais, talvez seja a última vez que você conseguirá usar o duplo extremo em batalha...
—E depois disso minha mão estará inutilizada...?
—Sim.
—Ei, Sano ! Não tá me ouvindo ?!
Yahiko gritou, tirando Sanosuke do transe.
—Ah...
Ele suspira.
—Não é inteligente para alguém como eu, que luta apenas com o próprio corpo, depender unicamente da mão direita, certo ?
—Acho que você está certo...
—Certamente estou.
Sanosuke respondeu presunçoso.
O barulho de madeira batendo em madeira pôde ser ouvido no pátio.
Kenshin encarava Aoshi.
Os dois estavam num treinamento que visava reabilitar Kenshin o quanto antes.
Na mão direita, Kenshin empunhava uma bokutô e Aoshi tinha em ambas as mãos kodates de madeira.
—Ainda está lento...
Comentou Aoshi.
—Sim.
Kenshin concordou.
—Este servo está longe de seu máximo...
—Se não mudar logo isso, não será capaz de resgatar Kaoru e você sabe disso.
Kenshin sorriu tristemente.
—Vai conseguir !
Yahiko exclamou.
Aoshi e Kenshin voltaram-se para ele.
—O Kenshin sempre consegue !
—O garoto tá certo, Kenshin.
Sanosuke, colocando a mão no obro de Yahiko.
—Você não vai decepcionar a donzela, vai ?
A tristeza no rosto de Kenshin sumira.
—Este servo fará seu melhor.
—--Casa de Ni'itsu Kakunoshin---
Naquela tarde, Seijuro Hiko acordou com um estrondo do lado de fora de sua pequena casa.
Quando tentou se levantar, o mestre do estilo Hiten Mitsurugi levou a mão a cabeça enquanto grunhia.
—Droga, devo ter bebido demais...
Após algum tempo sentado, Seijuro levantou-se e foi até o lado de fora, onde pegou um tanto de água do poço e bebeu, sentindo o imediato efeito de melhora.
Seus olhos moveram-se pelos arredores, procurando o homem que fora seu hóspede no último mês.
De pé sobre uma árvore tombada estava Hiro, seu ex-discípulo.
—Bom dia, mestre.
—Eu gostava dessa árvore....
—Que tal mostrar alguma surpresa por eu já conseguir derrubar uma árvore dessas com a espada ?
Hiro questiona com um sorriso presunçoso.
—Muito bom...
Disse Seijuro, mostrando o polegar erguido, o que fez o sorriso de Hiro alongar-se.
—Mas árvore não revida.
Ao completar a frase, Seijuro inverteu a posição da mão, voltando o polegar para baixo.
O sorriso de Hiro torceu-se numa carranca irada e o jovem avançou contra Seijuro com ambas suas espadas em punho.
—ESTILO HITEN MITSURUGI-NITTOU... !
O jovem exclamou, mal vendo quando Seijuro reagiu.
—Estilo Hiten Mitsurugi.
Seijuro saltou, ficando bem acima de Hiro, que, ao olhar para o alto tentou executar seu ataque, mas logo notou o erro em sua pressa.
—DROGA !
O jovem exclamou quando seu ombro direito estalou e uma dor aguda tomou seu corpo. Ele não conseguiria cortar de baixo para cima e Seijuro possuía toda a vantagem de forma irrevogável.
—FULGOR DO MARTELO DO DRAGÃO !
Seijuro exclamou, cortando de cima para baixo com tudo, forçando Hiro a improvisar uma frágil defesa ao cruzar suas espadas acima de sua cabeça aparando a espada de Seijuro.
Hiro saltou para trás e assim que seus músculos relaxaram, suas espadas caíram no chão. Suas mãos não eram capazes de empunhá-las naquela situação. Seus ombros haviam sido deslocados pelo impacto.
—Merda...
O jovem rosnou enquanto tentava controlar a dor que crescia em seus braços.
Seijuro Hiko tinha um sorriso satisfeito em seu rosto.
—Pode até ser um espadachim de primeira linha, mas lembre-se que...
Seijuro pareceu viajar por alguns instantes, afinal, aquelas palavras poderiam ser ditas para ambos seus aprendizes.
—Mas sempre tem algo novo para se aprender.
—...
Hiro ficou em silêncio. Estava irritado, mas sabia que as palavras de Seijuro eram um valioso ensinamento e, após remoer sobre, finalmente concordou.
—Sim, mestre...
Mais meio mês se passou com ambos os lados se recuperando das batalhas travadas naquela caótica noite.
Com a passagem dos dois meses, uma mensagem chegou ao Aoi Ya, entregue por uma criança.
"Veterano Kenshin.
Encontre-me na casa de nosso mestre. Leve quem você quiser, afinal, também estarei acompanhado. Lá iremos acertar as condições para o último confronto entre nós pelo direito de ser o verdadeiro sucessor de nosso mestre. Ass. Hiroshi Kazumi."
Recuperados, Kenshin, Sanosuke e Aoshi se dirigem até a morada de Seijuro.
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