Ruptura

11 Quando o mundo desmorona


Notas iniciais
Olá!! Postando tarde da noite porque foi o único horário que consegui hoje, me desculpem por isso xD Espero que gostem do capítulo de hoje ♥ Anna: Anna não tem muito a dizer e ao mesmo tempo tem muito entalado dentro de si. Vivendo uma vida comum e mediana, no meio de pessoas comuns e medianas, Anna é movida por vozes na sua cabeça a pular do prédio de sua escola. Só não esperava ser interrompida por um chamado familiar vindo de um desconhecido. Harian: Harian chegou ao topo com sua força. Não há quem a enfrente, a governante veio de uma figura feminina inesperada. No meio do caos e da destruição do mundo, Harian surgiu com seu exército para tomar o poder. Mas algo deu errado e agora ela precisa consertar isso antes que todos os universos sejam destruídos. Boa leitura!!

Anna era uma garota de segredos. Escondia tudo de todos, seus sentimentos, vontades, pensamentos, guardava todos dentro de si. Ninguém sabia o que se passava dentro dela. Por isso, quando a voz surgiu na sua cabeça, lhe dizendo sobre oportunidades para viver uma nova vida, ela viu nisso uma chance de ser melhor, mesmo que o preço fosse pular de um prédio.

Mas agora, frente a frente ao seu outro eu, Anna percebeu que a situação em que estava era bem maior do que os seus segredos. Talvez não devesse ter subido para o terraço.

— Temos que ir. Não temos tempo — foi o que disse.

Anna apenas estava em choque, olhando para a garota igual a si, em roupas diferentes e com até mesmo uma postura diferente. Se perguntava quando sua ambição havia a levado para isso.

Lá embaixo, os alunos da escola ainda estavam no intervalo, fazendo barulho, comendo e conversando normalmente, sem saber do que se passava acima de suas cabeças.

— Rápido! Vamos! — A pessoa estendeu uma mão para Anna, com uma expressão urgente.

O cachorro ainda estava ali, nos seus pés, e quando viu a outra garota pareceu confuso, olhando de uma para outra como se tentasse decidir qual era a verdadeira. Para ser sincera, agora nem Anna sabia mais.

— Eu não… — Anna balançou a cabeça negativamente, recuando alguns passos para trás. — Eu… Eu preciso ir…

— Espera! — Antes que pudesse impedi-la de ir embora, um trovão soou alto acima daquela escola, assustando as duas. A garota olhou para cima preocupada, sabendo que aquilo era um sinal ruim e, quando voltou o olhar para frente, Anna já havia sumido.

Anna corria pelos corredores vazios da escola, tentando escapar de algo que nem ela sabia o que era. Corria apavorada, sem saber para onde ia, mas com medo demais para voltar e enfrentar o que ela havia criado quando aceitou a voz dentro da sua cabeça.

Já era tarde demais.

Quando olhou para trás, o piso e as paredes estavam se desfazendo. Tudo estava sumindo, caindo na escuridão infinita, levando todo o universo que conhecia. Anna só podia correr para se salvar enquanto o seu mundo desmoronava, pedaço por pedaço.

E quando estava prestes a ser engolida, foi puxada para cima. Dessa vez, uma mão a salvou.

Seus pés pousaram em um asfalto, uma estrada deserta, coberta pelas folhas que caíam das árvores ao redor e onde chovia. Anna levou um susto quando sentiu as gotas caindo sobre ela e o choque térmico pela mudança de clima repentina.

Não teve tempo para ficar parada ali quando aquela mesma mão a puxou, correndo com ela pela estrada. Era a mesma garota que havia visto antes, aquela que se parecia consigo, e a vendo correr de costas para si, Anna pensou que se a tivesse visto assim não acharia que eram a mesma pessoa. Percebeu que talvez fossem bem diferentes.

Anna não viu onde e nem como, mas as duas caíram novamente, parando novamente em um lugar diferente. Dessa vez não chovia, no entanto aquele lugar parecia ser bem mais frio do que a estrada. O chão abaixo de si era de pedra e as casas ao seu redor eram de aparência rústica, porém o mais peculiar era o rio que cortava o lugar, bem ao seu lado, com barcos de madeira velhos e objetos jogados ali. Aquela cidade inteira parecia abandonada, como se estivesse assombrada.

— Também não é aqui — resmungou a garota que ainda segurava a sua mão.

— Para onde estamos indo? — perguntou Anna.

— Eu preciso encontrar alguém, eu deixei ela esperando, mas não consigo chegar até lá. — Ela estava ficando nervosa com a situação, pensando que havia estragado tudo. — Vamos continuar.

— Espera! — Anna puxou a mão dela para que parasse. — Quem é você?

— Harian — respondeu. — Eu fui até você porque ouvi você gritar. Você estava pedindo ajuda, não estava?

Anna ficou confusa, aquilo não era exatamente uma resposta explicativa.

— É, acho que sim — murmurou incerta. — Meu nome é Anna, talvez não saiba.

Harian se virou para ela, segurando suas duas mãos e a encarando com firmeza.

— Escuta, Anna, você pode não entender o que está acontecendo, mas estamos em perigo, todos nós. — Anna a olhou assustada. — Precisamos encontrar um lugar seguro, por isso eu estou pedindo que venha comigo.

Sem saber o que fazer, apenas assentiu em concordância. Também não era como se quisesse ficar ali, naquela cidade sombria. Aquele lugar lhe causava arrepios.

Harian olhou para os lados, mais uma vez com aquela expressão preocupada, como se algo ainda mais sombrio que aquela cidade abandonada as rondasse. Anna não saberia dizer, não conseguia enxergar a mesma coisa que ela via, mas Harian sabia que estavam em perigo.

— Nós temos que… — Foi interrompida quando o chão tremeu de repente, como se um pequeno terremoto estivesse acontecendo. Anna imediatamente grudou no braço de Harian como um gato assustado.

Rachaduras surgiram no chão de pedra, se estendendo até abaixo dos pés das duas garotas e se alargando cada vez mais. Harian puxou Anna, caminhando com ela para trás até que encontrasse um espaço seguro. Quando o tremor parou, sombras começaram a se esgueirar para fora das rachaduras, como mãos fantasmagóricas tentando escapar da prisão na terra.

Anna, que respirava pesadamente, se virou alarmada para Harian e disse:

— Nos tire daqui, rápido! Precisamos sair!

Mas Harian não conseguia, talvez fosse o próprio pânico que se instalava no seu peito ou talvez algo estivesse bloqueando as passagens. Por isso seu primeiro instinto foi segurar o braço de Anna com firmeza e correr.

Não conheciam nada daquela cidade, por isso não sabiam exatamente para onde ir. Passavam por casas sombrias e ruas escuras, torcendo para não acabar em um beco sem saída e para não cair na água que parecia bem suspeita.

— Ali! — Harian apontou. Anna nem olhou muito para onde ia, apenas pensava em fugir, por isso seguiu o que a outra disse sem hesitar e entraram no lugar.

Fecharam as portas com um estrondo, ficando apenas as duas no silencioso escuro, ouvindo apenas as trovoadas do lado de fora. Quase fez parecer que estavam em segurança.

— Onde estamos? — sussurrou Anna, com medo até de fazer algum barulho alto demais.

Depois de tatear muito no escuro, Harian conseguiu encontrar uma lamparina, mas não tinha fogo para acendê-la.

— Por acaso você não teria um isqueiro, teria? — brincou.

Anna tateou os bolsos do casaco do uniforme escolar, até encontrar um objeto e estender para Harian, que expressou surpresa.

— Você tem mesmo um isqueiro. — Acendeu a lamparina, iluminando um pouco mais o lugar, o que não adiantava muito, afinal a escuridão ali parecia ser tão densa que uma única fonte de luz não era suficiente.

Vagando um pouco mais ao redor, Harian presumiu que aquele lugar havia sido uma espécie de hospedaria, onde agora só moravam aranhas e possivelmente ratos. Não era agradável e muito menos convidativo para passar sequer uma noite ali, mas por enquanto era o melhor que poderiam ter.

Se virou para Anna, que permanecia parada no mesmo lugar, com medo de mover até mesmo um centímetro. Percebendo como estava tensa, decidiu conversar um pouco mais com ela:

— Por que você tem um isqueiro no seu bolso? — Sem nenhuma resposta, um pensamento que veio à sua mente fez Harian parar de repente. — Espera, você fuma?

— Não é um crime, é? — Anna deu de ombros.

Harian fez uma careta.

— Talvez eu pareça muito “velha” por dizer isso, mas alguém tão jovem como você não deveria fumar.

— Meus pais não ligam, então eu também não ligo. — Anna continuava com uma expressão desinteressada. A forma indiferente como ela falava sobre aquilo deixava Harian assustada. — Vai me dizer que nunca fez coisas assim na juventude?

— Nunca conheci meus pais, eu vivia em orfanatos ou na rua e, enquanto isso, no meu mundo a guerra contra as bruxas tomava proporções cada vez maiores. — Harian sentou em uma das cadeiras empoeiradas que estavam jogadas ali, ela rangeu um pouco, mas felizmente não cedeu sob seu peso. — Eu não tinha tempo para essas coisas, nunca tive. Passei metade da minha vida tentando sobreviver e a outra metade tentando proteger os outros.

— Ah.

Não havia muito para Anna dizer, então quando abriu a boca tudo o que saiu dela foi “ah”.

— Mas não pense muito sobre isso. Eu não penso. — Harian ofereceu um sorriso singelo e, em seguida, se lembrou de algo. — Você deve estar muito confusa agora, talvez queira algumas explicações.

— Acho que nem tão confusa. Surpresa, chocada e assustada seriam palavras melhores — disse Anna, esfregando as mãos uma na outra em sinal de nervosismo. — Sabe, antes daquilo tudo acontecer, eu tinha… Eu tinha uma espécie de voz na cabeça.

Harian ia comentar algo, mas achou melhor ficar quieta e continuar ouvindo.

— E ela me disse algumas coisas que agora eu acho que fazem sentido. Coisas sobre uma porta se abrindo para um novo mundo, com novas oportunidades. — Quando pensava sobre isso melhor, Anna não sabia como havia ficado com aquela loucura na cabeça por tanto tempo. — Também me disse algo sobre uma revolução que as pessoas nunca haviam visto antes e que seria necessário sacrifícios para isso acontecer.

Para Harian, tudo se encaixava mais e mais, como um quebra-cabeças complexo que agora estava fazendo sentido. As bruxas precisavam consumir toda a energia negativa que vinha dos humanos, para então criar forças e crescerem, assim dominando todos os universos.

“Mas… E então? O que fariam depois?”, pensou, tentando achar as últimas peças que faltavam.

— Te falaram mais alguma coisa? — perguntou Harian. — Talvez sobre as passagens entre os universos?

— Passagens entre universos? — Anna refletiu. — É por onde nós viemos, não é? Nós passamos por elas, certo? — Mexeu a mão, indicando todo o lugar ao seu redor. — Essa cidade, a estrada em que estávamos antes, não são apenas lugares diferentes, são outros universos, certo? E você — apontou para ela — é o meu eu que veio de um universo diferente.

Harian soltou o ar, como um riso curto.

— Você entende as coisas rápido. Sim, estamos em outro universo, e aqueles monstros de antes, também a voz na sua cabeça, eram as bruxas, elas estão nos caçando. Por isso precisamos tomar cuidado.

— Por quê? — Anna franziu a testa. — Por que vir atrás de nós? O que fizemos de tão errado?

— Não sei, talvez estejamos atrapalhando o caminho delas. — Harian se levantou, puxando a espada que estava presa na sua cintura. — Se lembrar de alguma coisa importante, por favor, me avise. Enquanto isso, eu vou lá fora checar se é seguro.

Anna arregalou os olhos, correndo até Harian antes que saísse pela porta.

— Espera, não me deixe sozinha, por favor! Eu não sei me defender!

— Você vai estar mais segura aqui dentro. Não se preocupe, eu volto logo. — Harian, parou por um momento, dando uma respirada funda, e murmurou: — Pelo menos, é o que eu espero.

E saiu, deixando Anna sozinha na hospedaria abandonada e sombria, com apenas a companhia dos insetos e teias de aranha.

Não sabia quanto tempo havia se passado, talvez 2o minutos ou mais, mas havia ficado bastante tempo ali, no hall de entrada, sentada em uma cadeira olhando para o nada. Acendeu mais algumas lamparinas e velas que havia encontrado por ali, apenas para não ficar tão no escuro, e só. Não tinha coragem de se mover para outro lugar, nem para descobrir o que havia nos corredores daquele lugar.

Nunca teve um espírito de aventureira, nem mesmo um tiquinho de curiosidade para movê-la do lugar, então poderia passar bastante tempo ali, esperando.

E foi exatamente isso o que fez, esperou e esperou, o suficiente para deixar suas pernas dormentes e suas costas cansadas. Naquele ponto, nem sabia mais quanto tempo havia se passado, começava a pensar que talvez Harian não voltasse mesmo.

Finalmente cansou, reuniu toda a coragem dentro de si e se levantou da cadeira. Decidida a fazer alguma coisa, pegou a lamparina em cima da mesa e saiu da hospedaria, caminhando lentamente, com todos os sentidos aguçados, por aquelas ruas sombrias.

Usando apenas o uniforme escolar, não estava muito confortável naquele clima invernal, mas o medo de morrer era tão maior que nem conseguia sentir o frio direito. Haviam prioridades mais urgentes para se prezar naquele momento, como, por exemplo, a estranha sensação de estar sendo vigiada pelas casas fechadas.

Quer dizer, prestando atenção agora, Anna notou que não estavam apenas fechadas, mas completamente seladas, com portas e janelas firmemente trancadas, sem espaço nem para espiar o que havia dentro delas.

Pensando na hospedaria em que estava antes, Anna percebeu que era um dos únicos lugares que estavam abertos, e isso a fez pensar que talvez fosse porque era mais seguro lá. Estremeceu com um arrepio pelo seu corpo.

Não fazia ideia de para onde estava indo, não lembrava nem qual caminho haviam percorrido quando chegaram, então apenas continuou andando, cuidadosamente, tentando encontrar ao menos um resquício de Harian.

Enquanto fazia o seu percurso, pensava em mil possibilidades, imaginando quais segredos aquela cidade escondia, sua mente vagava entre criaturas horripilantes, fantasmas, até mesmo uma seita sangrenta que iria oferecê-la em sacrifício para algum deus. Porém não encontrou nada e nem ninguém, as ruas continuavam na mesma calmaria, mas, para ser sincera, Anna não ficava mais tranquila com isso.

O vento frio ficou mais intenso, chacoalhando a placa de madeira de um estabelecimento daquela rua. Distraída pelo rangido da placa balançando, Anna acabou por não prestar atenção no caminho e tropeçou em algo.

— Merda — resmungou, limpando as mãos que ficaram cheias de terra quando caiu no chão. Os joelhos agora ardiam por terem se ralado, mas felizmente a lamparina estava intacta. Desde que não ficasse no escuro, estava tudo bem.

Enquanto olhava para os joelhos machucados, sentada naquela calçada de pedra, Anna notou algo no seu campo de visão. Olhava com curiosidade para o rio, percebendo, através das águas escuras, que havia algo no fundo dele. Aproximou mais e mais o rosto, tentando enxergar melhor e distinguir o estranho objeto.

Quanto mais aproximava o rosto, mais ele ganhava forma, se apresentando como um objeto redondo irregular, como uma pedra grande. Mas não era uma pedra, havia um pouco de vermelho e algo escuro nele, até mesmo…

BAM!

Anna deu um sobressalto quando ouviu o barulho, que pareceu soar de dentro de uma das casas. Sem pensar duas vezes, pegou a lamparina e correu dali. Precisava achar uma maneira de ir embora daquela cidade.

Notas finais
E agora, o que será de Anna? E o que aconteceu com Harian? Só saberemos nos próximos capítulos :D O que acharam? Críticas são sempre bem aceitas ♥ Até o próximo!! =^.^=