Ruptura

5 Onde as duas faces batalham


Notas iniciais
Olá!! Desculpem pelo atraso por postar, mas hj o dia tava cheio e só acabei lembrando agora tarde da noite ;-; perdão, gente. Mas cheguei com um novo capítulo e uma nova personagem sendo apresentada, espero que curtam :D Boa leitura!!

O mundo está em guerra, dividido em dois lados, há tempos a população não conhece dias de paz. Tropas são enviadas constantemente em batalhas, cada uma defendendo sua própria ideologia. No meio de brigas e mortes, há pequenas cidades abrigando refugiados que estão tentando sobreviver.

Em uma dessas cidades, vive Helena, uma garota de modos peculiares e passos desengonçados. Morando apenas com a mãe rabugenta e vivendo em condições precárias, não era um modelo de vida invejável, mas pensava que já era melhor do que morrer no meio das guerras. Pelo menos, ela tinha acesso à esperança de uma vida melhor.

Frequentava a única escola da cidade, que foi feita às pressas e não contava com muitos professores realmente licenciados, porém era o que podiam oferecer em meio às dificuldades. Se as crianças tivessem uma boa educação, os pais conseguiriam respirar um pouco mais aliviados.

— Mãe, eu estou indo à aula! — gritou para a mulher que estava na cozinha e apenas soltou um som de concordância, sem se importar muito.

No caminho até a pequena escola improvisada, Helena se deparava com pessoas na mesma situação que a dela. Casas que já estavam velhas, algumas caindo aos pedaços, homens e mulheres que não esboçavam um único sorriso no rosto, preocupados demais em conseguir comida para sobreviver. Eram os homens de poder que guerreavam, mas, no final, quem pagava o preço das batalhas eram os de vida comum.

A polarização foi capaz de afetar tanto assim a vida do povo, o que começou como algo pequeno, acabou por tomar proporções enormes e saindo do controle. Um dia as ideologias já tiveram um significado sobre o qual pensar, mas agora eram apenas desculpas para matar sem peso na consciência.

Helena sabia, conhecia as verdadeiras intenções nos corações dos homens, ela conseguia ver com clareza para qual caminho estavam sendo levados. Pessoas que eram movidas por ódio moviam outros junto com elas, criando um ciclo sem fim. Porém não é como se alguém realmente prestasse atenção no que Helena tinha para dizer, afinal, para todos ali, ela era apenas “louca”.

Não fazia ideia de quando esse adjetivo havia surgido para ela, apenas sabia que se espalharam, entre seus colegas de escola, rumores sobre ela que não eram verdade. Mas ninguém queria saber do que era verídico, não perguntavam a ela o seu lado da história, ao invés disso a evitavam, lançando cochichos sobre a “garota com uma doença mental”.

Bem, Helena não se importava mesmo. Poderiam falar o que quisessem, ela continuaria a não se importar.

— …vai revolucionar o mundo, foi o que o meu pai disse. — Helena virou para trás quando ouviu, sem querer, parte de uma conversa entre duas colegas de sala. — Dizem que vai resolver todos os problemas, vão acabar com as guerras e com a fome. Daqui há uns anos não vamos mais precisar morar aqui.

— Vamos poder ir para as cidades grandes? — indagou a outra parecendo maravilhada. — E vamos estudar em uma escola de verdade?

— Estudar, você só pensa nisso? — debochou com um revirar de olhos. — Nós não vamos mais precisar ir para escola nenhuma, vamos ter tudo na nossa mão, sem um único esforço.

As duas garotas perceberam que Helena estava as encarando e ouvindo a conversa, então a menina de face arrogante disse:

— O que você está olhando? Não estamos falando contigo!

— Eu só fiquei curiosa — respondeu Helena. — Do que você estava falando?

A garota soltou uma risada, apesar de antes ter sido grossa, ela parecia gostar de ter atenção e curiosidade voltadas para ela.

— É uma nova tecnologia que vai surgir. Você provavelmente não sabe o que é isso, né? Mas vai revolucionar o mundo, você vai ver — ela falava enquanto enrolava as pontas do cabelo com os dedos.

Helena assentiu com surpresa.

— Como você sabe tanto sobre isso?

— Meu pai disse. Não sei se sabe, mas ele é alguém muito importante, ao contrário do seu — disse com orgulho, a amiga apenas concordando com tudo o que saia de sua boca.

— Meu pai está morto — informou Helena.

— Eu sei, por isso eu disse que ele não é importante. — Essa garota realmente não media o grau de suas palavras.

“Você se gaba tanto, mas ainda está aqui, junto comigo”, foi o que Helena pensou e não verbalizou, achando melhor só virar as costas e evitar uma discussão desnecessária.

De qualquer forma, ela não estava tão errada, havia realmente algo grande vindo pela frente, mas não podia dizer que seria tão benéfico como estava achando. Helena via a enorme sombra se aproximando, cobrindo o mundo friamente, podia sentir que estava muito próximo. Mas ninguém acreditaria se dissesse isso.

Passava os seus dias assim, vivendo normalmente, com uma expressão despreocupada. Porém, por dentro, estava sendo aterrorizada pelas visões que se tornavam cada vez mais constantes.

Às vezes não era algo importante, via algumas paisagens bonitas ou pessoas vivendo sua rotina na cidade – como deveria ser antes da guerra. No entanto, haviam aqueles momentos em que olhava mais a fundo, sem cuidado, e acabava enxergando o que não devia. A que mais lhe apavorava e causava pesadelos só de lembrar era aquela em que segurava uma espada com ódio no coração e atacava com um poder lacerante.

Haviam também pequenos avisos que eram deixados para ela, mas que não entendia muito bem, dizendo-a para se preparar e que logo chegaria o fim. O fim de que exatamente? Helena nunca descobriu.

Então continuou a sua vida como se nada estivesse acontecendo, fingindo que não havia aquela preocupação insistente cutucando seu coração. Pensava que até seria melhor assim, não seria bom se causasse algum tipo de pânico por algo incerto. Afinal, ela não tinha provas concretas do que dizia, eram apenas visões.

Mas, enquanto estava na escola, tentando prestar atenção na aula, Helena começou a se sentir sonolenta. Nunca sentiu tanto sono na sua vida e nem tinha motivo para isso, afinal sempre dormia muito bem. Porém o sono a atingiu com força, chegando a fazê-la tombar a cabeça para a frente, encostando na carteira, e dormir.

No momento em que seus olhos se fecharam, Helena entrou no mundo dos sonhos.

Estava em um lugar deserto, abaixo de seus pés havia apenas o que parecia ser uma areia negra e acima de sua cabeça havia um céu pintado de cores que variavam entre o rosa e o vermelho. Aquele lugar ela nunca havia visto antes. Ficou curiosa e por isso decidiu andar demais, mas não encontrou nada mais interessante.

“O que eu estou fazendo aqui?”, pensou.

Helena até cogitou se sentar ali no chão mesmo enquanto esperava a hora de acordar. O cenário era incrível e enchia os olhos, mas ele passava a não ser tão interessante quando se passava muito tempo o observando.

Você deveria tomar cuidado.

Helena virou para trás, assustada. Aquela voz inesperada ecoou por todo o deserto, mas não havia ninguém ali.

Você sabe o que vai acontecer.

“Ela está falando comigo?”, pensou confusa. Decidiu que era melhor não responder, até porque essa outra pessoa misteriosa não parecia estar esperando que ela falasse algo.

Vai matar a todos nós, sem exceções.

Helena não fazia ideia do que se tratava, mas aquele assunto estava começando a deixá-la mal. Aquela preocupação que tentava esconder havia voltado com força, fazendo até mesmo seu coração se sentir fraco.

Bem, não importa, eu não vou deixar você fazer isso.

Aquela voz era estranhamente familiar para Helena, familiar até demais. Se tivesse feito um pouco mais de esforço, talvez até se recordasse de onde a ouviu antes, porém não teve tempo para isso, já que foi bruscamente puxada desse sonho bizarro.

Quando abriu os olhos, tonta, e fitou todo o lugar, concluiu que, sim, estava de volta no mundo real. Ainda estava na sala de aula, que continuava a mesma, exceto pelo fato dela estar sozinha.

“Não acredito que o intervalo já chegou e eu ainda estou aqui”, reclamou consigo mesma, se espreguiçando e coçando a cabeça, ainda sentindo resquícios do sono.

Saiu da sala em direção ao refeitório, achando que lá acharia os outros alunos. E, de novo, se enganou, lá estava vazio também.

“Estranho. Será que todos já foram embora?”, pensou.

Mas, parando para prestar mais atenção, estava tudo silencioso. Não, estava realmente silencioso, não era possível ouvir nem ao menos o barulho da rua, a não ser pelo vento que balançava as folhas das árvores.

Pensando numa possibilidade extrema, Helena saiu correndo para fora da escola, tentando encontrar uma única alma viva que fosse. Andou por todo canto da cidade, parecia um caso de desaparecimento em massa. Não haviam pessoas na rua ou dentro das casas, nem mesmo os pássaros cantavam e os cachorros da rua sumiram com todos eles.

Nada. Helena estava sozinha na cidade de refugiados.

Em um momento parou em uma das ruas sujas, o coração batendo como um tambor contra seus ouvidos. Não adiantava, haviam todos desaparecido e, por algum motivo, apenas ela foi deixada para trás. E agora?

Helena precisava de respostas e, em seu íntimo, já sabia onde as encontrar.

Notas finais
Chegamos ao fim de mais um capítulo, e aí, o que acharam? Teorias? Como vocês podem ver, Helena é um pouco diferente das outras garotas, mas essas diferenças só irão entender mais nós próximos capítulos :D Até!! =^.^=