Running with the Wolves
27 Último Sacrifício - parte I
Notas iniciais

Quando Crystal Green abriu os olhos aquela manhã, estava envolta em um fino lençol cinza, deitada em uma cama de casal confortável. Sorriu calmamente e encarou o lugar vazio ao seu lado.
Derek não estava na cama, mas a julgar pelo cheiro de bacon se espalhando pelo loft, não era difícil deduzir onde o moreno estava.
Crystal se espreguiçou sobre os lençóis frios e encarou o teto cinzento. O loft de Derek era um lugar gelado, não só em temperatura, tudo ali possuía cores frias e discretas. Era um contraste interessante com o jardim na cobertura.
Ela se lembrou do lugar e voltou a sorrir, revivendo tudo que tinha acontecido na noite anterior... Sempre quis que sua primeira fosse especial, mas nunca imaginou que seria tão mágica daquela forma.
Reviveu cada detalhe em sua mente, percebendo logo que sequer sentira dor ou desconforto e entendendo que Derek usara seus dons para evitar isso.
Ele é perfeito, ela pensou antes de jogar o lençol para o lado e se colocar de pé. Vestia uma das camisetas de Derek, já que suas roupas estavam ensopadas da noite anterior.
Seguiu o delicioso aroma de bacon pé ante pé, pretendendo surpreender Derek.
Chegou a cozinha sem fazer barulho, e passou a observar a figura masculina, Derek usava uma regata branca e calças de moletom, tinha a atenção no que fazia no fogão e Crystal pensou que estava na vantagem...
— Bom dia. — Ele cumprimentou ainda de costas, antes mesmo que a jovem desse outro passo.
— Isso é injusto, eu nunca vou conseguir te surpreender. — Ela jogou as mãos para o ar, frustrada e Derek deu-lhe uma boa olhada dos pés à cabeça.
— Bom, eu discordo. — Ele sorriu de canto, reparando em como sua camiseta ficava bem em Crystal.
Ela sorriu também, segurando os lábios inferiores com os dentes e enrolando uma mecha de cabelo loiro no indicador.
Derek colocou alguns pratos na mesa.
— Com fome? — Ele questionou, servindo ovos, bacon, torradas e suco de laranja.
Parecia tudo muito fresco, suculento e caseiro...
— Você cozinha... — Crystal constatou um tanto surpresa.
— Eu moro sozinho, quem você pensou que cozinhava? — Ele franziu um pouco as sobrancelhas, sem entender aquela reação da jovem.
— Alguém, em algum restaurante... — Ela encolheu os ombros. — Então você ligaria e faria o pedido.
Derek riu de canto, um sorriso tão bonito que tirava o fôlego de Crystal.
— Eu não gosto de fazer ligações, nem de pedir coisas. — Ele respondeu neutro. — Mas eu gosto de cozinhar.
Crystal se encostou na bancada de mármore e mediu seu Alfa por alguns momentos.
— Você é tão antiquado que parece mais um vampiro que um lobisomem. — Brincou sorridente e recebeu um revirar de olhos de volta.
Ele tirou algumas coisas da geladeira e a encarou dos pés à cabeça novamente.
— Eu coloquei suas roupas na secadora, já devem estar secas agora. — Avisou, movendo-se em direção a mesa.
— Isso é você me mandando tirar sua camiseta? — Crystal sorriu de canto de um jeito gracioso e insinuativo.
Derek caminhou até ela com o olhar predatório.
— Parece uma boa ideia. — Insinuou, segurando a cintura da jovem e a sentando sobre a bancada, encaixando-se entre as pernas dela.
— Achei que estava com fome. — Crystal riu quando sentiu a barba de Derek lhe arranhar a pele, conforme ele depositava alguns beijos no pescoço dela.
— Eu estou... — Ele respondeu em um tom libidinoso e Crystal soube que aquilo nada tinha a ver com o café da manhã na mesa...
✶ ✶ ✶ ✶ ✶
Não muito longe dali, Theo Raeken tinha os olhos abertos, fixos no jovem a seu lado que dormia pacificamente. Liam parecia ainda mais novo com aquela expressão calma e respiração lenta.
Tinham passado a noite no carro, como tantas vezes Theo fizera, a diferença é que estavam no carro e Liam, jogados no banco da frente do melhor jeito possível.
Theo sempre considerou dormir no carro uma grande merda, mas com Liam tinha sido o contrário disso...
Haviam passado a noite juntos, fazendo descobertas sobre seus próprios corpos e desejos, respeitando seus limites e explorando coisas novas, como se estivessem em um outro mundo, outra realidade...
— O que? — A voz de Liam, se espalhando pelo carro, pegou Theo de surpresa.
O mais novo ainda tinha os olhos fechados, mas abriu um sorriso que podia dizer muitas coisas.
— O que, o que? — Theo devolveu em um tom um tanto rude.
— Você está me encarando faz um tempão, o que foi? — Liam finalmente abriu os olhos, piscando ligeiramente para se acostumar com a claridade.
— Eu só estou reparando nessa sua cara feia... — Theo cruzou os braços e arrumou a postura no banco, desviando o olhar do mais novo.
— Uma cara feia que você gosta muito. — Liam retrucou todo cheio de si e aquele excesso de confiança certamente surpreendeu Theo.
— Quem disse? — A pergunta veio em um tom indignado.
— Eu disse. — Liam apontou para o próprio peito, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia de todas.
— Desde quando você ficou tão convencido? — Theo revirou os olhos e moveu os lábios em uma careta de desgosto que nada tinha de verdadeira.
— Aprendi com você... — Liam deu de ombros naturalmente.
Se espreguiçou no banco do motorista e esfregou os olhos, breves momentos que Theo aproveitou para observar sua figura novamente. Sorriu por algum motivo que o fez se sentir estúpido, mas ao mesmo tempo incrivelmente bem.
— Com fome? — Liam questionou, ligando o carro.
— Graças a Deus, pensei que a gente ficaria aqui pra sempre! — Theo retrucou e ambos sorriram para si mesmos.
Aquela dinâmica ácida e competitiva certamente não era usual da maioria dos casais, porém funcionava bem para Liam e Theo, eles estavam felizes, isso era tudo que importava...
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Para Jordan Parrish o dia não tinha começado tão bem quanto o de seus amigos. Na verdade, a noite já não tinha sido boa, havia uma ligação perdida de Rachel Turner em seu celular. Tentara retornar, mas nada.
Pensou que fosse a hora, então, logo quando amanheceu tentou ligar novamente, afinal Rachel acordava muito cedo para ir ao consultório...
Quando as dezenas de tentativas deram em nenhuma resposta, Parrish ligou direto para o consultório.
A secretária fora bastante simpática, mas disse que Rachel não estava na cidade, ela tinha feito uma viagem de última hora para Beacon Hills.
Aquilo foi o bastante para que todos os alarmes soassem dentro da cabeça de Parrish.
Depois disso não foi difícil conseguir o nome do hotel onde Rachel estaria hospedada. Parrish dirigiu até lá ainda na parte da manhã, mas tudo que conseguiu foi a informação de que Rachel não era vista desde a noite anterior.
Era cerca de dez horas, e Parrish já tinha despejado todas as informações de uma vez só para a única pessoa que ele achou que podia ajudá-lo naquela busca: Lydia Martin.
Stiles tinha vindo a tiracolo, mas naquele momento toda ajuda era bem-vinda. No entanto era uma aposta arriscada, afinal se Lydia realmente pudesse ajudar isso significaria que Rachel estava muito encrencada, ou pior que isso: Morta.
— Não... Nada. — A ruiva declarou, depois de se concentrar incontáveis segundos, esperando qualquer sinal de seu lado banshee.
— Isso quer dizer que ela está bem, não é? — Parrish suspirou um tanto aliviado.
Lydia assentiu um tanto incerta, a verdade é que seus poderes andavam muito estranhos, havia um sentimento constante de perigo e morte dentro de sua cabeça, mas a banshee não sabia distinguir se era apenas preocupação ou se eram realmente seus dons avisando de algo terrível...
Decidiu não preocupar Parrish mais ainda. Esperaria e se algo mais concreto surgisse, então ela diria.
— Talvez a gente deva pedir reforços. — Stiles declarou, se curvando para frente e colocando sua cabeça entre Lydia e Parrish. — Reforços de alguém que possa encontrar pessoal vivas.
Estavam os três sentados dentro do carro de Parrish, Stiles no banco traseiro. Lydia trocou um olhar com o namorado e entendeu a sugestão dele.
— Eu não posso envolver a delegacia se ainda não foi dada uma queixa de desaparecimento. — Parrish suspirou um tanto vencido.
— Quem falou alguma coisa de delegacia? — Lydia devolveu, abrindo um sorriso e teclando uma mensagem em seu aparelho celular.
✶ ✶ ✶ ✶ ✶
Scott estava deitado, olhando para o teto de seu antigo quarto, quando o telefone de Malia apitou.
Ela estava deitada ao lado dele, fazendo-lhe companhia, ou melhor vigiando sua recuperação.
O confronto de Scott com a criatura misteriosa de Bradley tinha resultado em efeitos colaterais inesperados, ele estava fisicamente bem, no entanto não conseguia usar seus poderes, suas garras sequer se manifestavam corretamente.
Embora sentisse que ficava mais forte a cada momento, a recuperação de seus dons era lenta demais.
Algo parecido estava acontecendo com Peter, mas o Hale mais velho sequer tinha perdido todos os poderes, já que seu contato com a criatura fora muito curto.
Já tinha ficado claro para Scott que aos poucos ele recuperaria seus poderes lupinos, mas a espera era uma tortura.
Olhou para Malia quando ela resmungou alguma coisa inteligível.
— Algo errado? — Perguntou, movendo-se na cama, para se apoiar no próprio braço e encarar a namorada.
— Stiles e Lydia querem a minha ajuda para achar uma garota. Parece que é uma crush do Parrish e sumiu desde ontem à noite... — Ela não virou a cabeça para encará-lo, e tinha aquele tom que lhe era muito usual. — Vou dizer que não posso ir.
— Mas você devia ir. — Scott aconselhou, tirando o celular de Malia antes que ela tivesse tempo de responder. — Se um amigo precisa de ajuda, a gente ajuda, lembra?
— Mas eu estou aqui ajudando você agora. — Ela bufou de insatisfação.
Malia tinha ficado realmente assustada com o estado inicial de Scott, nunca pensou que se importasse tanto, até que realmente correu o risco de perdê-lo, então não queria se afastar de seu Alfa novamente, até que ele tivesse força total para enfrentar qualquer inimigo.
Com bruxos, Berserkers e criaturas misteriosas à solta deixá-lo era arriscado.
— Me ajudando em quê? — Scott riu daquele jeito despreocupado. — Eu estou bem, Malia. Logo vou estar com todos os meus poderes de novo. Vá ajudá-los.
Ela não gostou do que ouviu, se sentou na cama e cruzou os braços, franzindo as sobrancelhas de um jeito contrariado.
— É só uma garota que resolveu passar a noite fora, não é nada sobrenatural... — Tentou argumentar.
Obviamente se lembrava de dizer a mesma coisa sobre os ratos mortos sob a cidade, quando teve que ajudar Mason e Liam, e no fim era tudo sobrenatural mesmo, mas cada caso era um caso, certo?
— Você não sabe disso. — Scott também se sentou, usando aquele tom calmo e compreensivo, o mesmo que ele tinha usado quando queria que Malia ficasse na cidade. O mesmo que tinha feito com que ela se apaixonasse por ele. — Além do que, em Beacon Hills a chance é que sempre seja algo sobrenatural.
Ela não podia contra argumentar, naquela cidade bizarra realmente tudo acabava sendo sobrenatural.
Sentia saudades de Paris, mas em Paris não tinha Scott...
— 'Tá bom. — Ela revirou os olhos, mas se colocou de pé, mesmo que a contragosto. — Eu vou.
Pegou a bolsa sobre a poltrona, deu um beijo em Scott e deixou a casa dos McCall em passos nada suaves, passando tão rápido que sequer reparou em Melissa na sala.
Scott continuou no quarto, deitou-se novamente e tornou a encarar o teto, sua mente voltou para a criatura que tinha enfrentado, aquela coisa que podia assumir a forma dos mortos...
Ver Allison novamente o tinha feito lembrar de algo importante. Não era invencível, podia perder a qualquer momento. Tinha que cuidar melhor de sua alcateia. E, para isso, precisava recuperar seus poderes logo.
Ouviu a sutil batida no batente de sua porta e baixou os olhos para ver a mãe parada ali.
— Malia não parecia muito feliz quando saiu, está tudo bem? — Questionou. Melissa era sempre muito direta e Scott já tinha se acostumado com isso.
— Ela não ficou muito satisfeita em me deixar sozinho... — Ele se sentou na cama enquanto respondia. — Mas Parrish e Lydia precisavam de ajuda em um assunto.
— Ela se importa com você. — Melissa encolheu os ombros como se isso fosse óbvio. — Isso é tão ruim assim?
Scott sorriu e Melissa quase esqueceu que ele já era um homem feito, porque para ela sempre seria apenas seu menininho, pouco importava que fosse um Alfa muito poderoso e corajoso.
— Não, com certeza não é. — Respondeu e ela soube que ele estava feliz. — Eu me importo com ela também.
— Eu sei... — Melissa sorriu para a declaração óbvia do filho. — A gente se apaixona mais de uma vez, lembra?
Ela puxou uma conversa que os dois tinham compartilhado há muito tempo, logo depois da morte de Allison.
— E vai ser tão incrível e extraordinário quanto da primeira vez. — Scott repetiu, porque se lembrava daquele dia com clareza. — Você estava certa.
— Eu estou sempre certa, eu sou a mãe aqui. — Ela apontou para se mesma e riu.
Então entrou no quarto, colocou a mão na testa do filho para checar sua temperatura, como se ele ainda fosse um garotinho frágil que precisava de cuidados.
— Como você está? — Perguntou, examinando o rosto dele com atenção em busca de algo errado.
— Mais forte do que ontem e ainda assim mais fraco do que eu gostaria de estar. Aquela coisa... — Ele parou, pensar no que tinha sentido quando a criatura lhe tocou ainda causava arrepios. — Não importa, vamos dar um jeito. Sempre damos.
Melissa assentiu, tinha confiança no filho e em todos aqueles garotos inconsequentes que enfrentavam o sobrenatural com bravura, mesmo quando ainda nem sabiam de nada da vida e tinham que se preocupar com provas do colégio.
— Como está o Argent? — Scott perguntou em seguida.
Deaton ainda estava internado, por causa da localização delicada e da profundidade do ferimento. Mas o estado de Chris Argent não era tão grave, ele estava em casa.
— Bom, minhas nove ervas não conseguiram ajudar ninguém dessa vez... — Melissa não parecia muito satisfeita. — Mas ele vai se recuperar, está descansando agora. Tive que assinar um termo de responsabilidade pra trazer o teimoso pra casa, ele se recusou a ficar no hospital.
— Talvez a teimosia seja coisa de família. — Scott riu saudoso ao se lembrar de Allison.
— Talvez... — Melissa deu de ombros com um suspiro. — Eu vou fazer alguma coisa pra vocês comerem antes de eu ir para o trabalho.
Deu uma palmadinha no ombro do filho e se virou.
— Mãe? — Ele chamou antes que ela saísse e ela voltou a encará-lo. — Eu estou feliz por você.
Melissa sorriu.
— Eu também estou feliz por mim. — Admitiu, deixando o cômodo logo em seguida.
Ainda passou em seu próprio quarto para dar uma olhada em Chris, ele dormia, o peito coberto por um grande curativo. Melissa ainda lembrava perfeitamente do terror ao encontrá-lo desacordado em uma poça do próprio sangue, do medo de não ser capaz de ajudá-lo e da felicidade de vê-lo abrir os olhos no hospital.
Já devia estar costumada naquela altura, não era a primeira vez afinal, mas sempre se surpreendia com o quanto Chris Argent era forte.
Quando Scott nasceu, Melissa ainda era muito nova, acreditava em amor e todas essas coisas de adolescente, depois veio a vida e o divórcio... Passou a ver relacionamentos como algo mais prático, era adulta afinal.
Um namorado era algo com o qual podia lidar, mas alguém entrando em sua vida, como Chris entrou, se infiltrando em sua rotina aos poucos e tão naturalmente, não era algo que Melissa acreditava que aconteceria novamente.
Então o viu naquela poça de sangue e a realidade lhe atingiu como um martelo: amava aquele homem. Não tinha planejado aquilo, sequer esperava que pudesse acontecer de novo... mas aconteceu.
Perceber a magnitude daquele sentimento foi assustador. Mais assustador do que saber de todo o sobrenatural que cercava Beacon Hills.
Fechou a porta silenciosamente e desceu as escadas ainda com esses pensamentos na cabeça, estava tão distraída com isso que mal notou a movimentação do lado de fora de sua casa...
Do outro lado da rua, duas figuras observavam atentamente a fachada da residência McCall.
— Me diz outra vez porque estamos fazendo isso? — Kate Argent perguntou com uma voz contrariada.
Bradley suspirou, revirando os olhos, estava começando a ficar entediado daquela mulher.
— Trazer a Malvina de volta com o sacrifício de um Alfa vai ser um grande gesto e eu resolvo dois problemas com uma só solução. — Ele respondeu em um tom rude, estava cansado de ser questionado.
— Mas você não precisa dele, pode escolher qualquer criança estúpida e vulnerável na rua, não precisa chamar tanta a atenção. — Kate expressou sua opinião.
Atacar Scott não parecia uma boa ideia, fazer as coisas com mais cautela era garantia que dessem certo, mexer com a matilha do Alfa Genuíno era comprar uma briga desnecessária.
Kate só queria que tudo aquilo acabasse, receberia sua humanidade de volta como fora acordado, e então deixaria a maldita Beacon Hills, voltaria a ser caçadora daquelas pragas sobrenaturais em outro lugar.
— Você tem ambições muito pequenas, Kate Argent. — Bradley declarou em um tom enfadonho. — Agora, os Berserkers, por favor.
Kate revirou os olhos, mas fez um gesto com a mão esquerda e cinco Berserkers saíram de entre as árvores.
Melissa olhou pela janela no momento em que os inimigos atravessavam a rua. Notou o perigo imediatamente e correu para a porta que se abriu com violência depois de um leve gesto da mão direita de Bradley.
Antes que qualquer um deles pudesse colocar o pé para dentro da casa, Melissa pegou um pote de vidro que ficava ali ao lado, a fácil acesso, e jogou as cinzas negras no chão.
— Muito esperto... — Bradley Blackwood elogiou, parado aos pés da porta, encarando as cinzas que o impediam de entrar.
— Eu não sei o que você quer aqui. Mas você não vai conseguir. — Melissa foi firme, sabia que estava segura ali dentro.
— Tem uma coisa que você realmente precisa saber, querida. — O bruxou abriu um sorriso maligno. — Eu sempre consigo o que eu quero.
Melissa deu um passo para trás e nesse instante Scott já descia as escadas correndo. Ele entendeu o que estava acontecendo imediatamente e seus olhos seguiram para Bradley.
— E aí está ele... — O bruxo abriu os braços em um gesto teatral. — O grande e poderoso Alfa Genuíno.
Scott colocou as garras para fora, porém foi traído por seu próprio lado lupino e por mais que quisesse seus olhos vermelhos não se acenderam.
— Você não parece tão poderoso agora, Scott. — Bradley debochou.
Olhou para mãe e filho por um segundo, então sorriu calmamente, colocando as mãos atrás das costas, parecendo perfeitamente confiante, como se as cinzas o impedindo de entrar na casa em nada mudassem seu plano.
— Aqui vai o acordo: você vem comigo para ser meu último sacrifício e eu não faço o fogo consumir sua casa. — Descruzou as mãos e apontou para Scott, fazendo uma chama aparecer em sua palma. — Fogo é fogo, as cinzas da montanha não podem detê-lo. E talvez você resista, mas e sua mãe humana, vai resistir também?
Scott tremeu de raiva, sabia que Bradley não estava blefando. Atrás do bruxo Kate e os Berserkers tornavam a ameaça ainda pior.
Foi quando ouviu o som de uma arma engatilhando e então o tiro cortou o ar. Argent estava aos pés da escada e tinha acabado de mandar uma bala certeira na direção de Bradley.
Chris sentiu o recuo violento da arma, mais do que sentiria normalmente, afinal estava fraco e ferido. Gemeu de dor, sentindo que os pontos haviam aberto e colocando a mão sobre o peito, mas não se importou com isso, se o tiro acertasse o bruxo valeria a pena.
Mas Bradley Blackwood apenas teve que erguer dois dedos e então o projetil parou no ar, a meio centímetro de seu rosto, logo depois de atravessar as cinzas da montanha.
— Patético... — Ele debochou revirando os olhos e Chris Argent soube que tentar um outro disparo seria inútil.
Melissa observou o bruxo mover os dedos e o projetil mudar de direção, Bradley estava prestes a lançá-lo de volta para Chris... Ela não sabia se a mágica manteria a bala na direção certa, mesmo depois de atravessar as cinzas, mas sabia em seu coração que não podia arriscar.
— Eu vou com você! — Gritou, se colocando um passo para frente, antes que Bradley lançasse a bala de volta.
— Mãe! — Scott tentou segurar o braço dela, mas Melissa já tinha dado um passo para fora, atravessando as cinzas.
— E por que eu escolheria você? — Bradley olhou a mulher dos pés à cabeça, mas não pareceu impressionado.
— Eu sou tão boa quanto qualquer um para um sacrifício. — Melissa ergueu a cabeça, reunindo toda a sua coragem.
Scott e Chris não teriam chances naquela luta, então o mínimo que ela podia fazer era ganhar tempo para que os dois conseguissem reunir os outros.
Se eles fariam isso a tempo de salvá-la foi um risco que não calculou naquele momento.
— Se você fizer isso, eu vou te perseguir até no inferno. — Scott ameaçou o bruxo, que encarava Melissa um pouco mais interessado.
Bradley tomou aquela ameaça como desafio e sorriu, decidindo-se finalmente.
— Nós vemos no inferno então... — Ele segurou Melissa pelo braço e a empurrou para Kate.
Chris já tinha engatilhado sua arma de novo e caminhava para a saída.
— Kate, não faz isso... — Pediu em tom de aviso antes de atirar, mas o olhar da irmã ficou no ar quando Bradley ergueu a mão e todos eles sumiram em meio a uma nuvem de fumaça.
Melissa sentiu a vertigem vir em ondas, mas durou apenas um segundo, em seguida seus pés bateram em terra firme.
Estavam em uma casa mal iluminada que Melissa não conhecia, sua cabeça ainda rodava quando notou que havia uma jovem amarrada e amordaçada ali no chão.
— Achei que você queria o Alfa. — Kate resmungou, empurrando Melissa para um lugar qualquer e cruzando os braços.
Bradley não pareceu afetado pela irritação de sua aliada.
— Você tinha razão, eu não preciso dele. A mãe vai me servir tão bem quanto qualquer um. — Fez um gesto banal com a mão. — Era um desperdício desnecessário de forças trazer o Alfa, deixe que ele venha até nós, Malvina vai adorar conhecê-lo.
Melissa tentou correr até a porta, mas cordas envolveram seus pés magicamente e logo ela estava tão amarrada quando a outra mulher, que lhe olhava com pavor no olhar.
Bradley olhou as duas de cima por um momento e pareceu totalmente satisfeito.
— Essa noite, a lua cheia vai brilhar no céu e tudo vai mudar. — Declarou abrindo os braços. — Será uma nova era e vocês duas vão ajudar isso a se concretizar.
Sorriu malignamente para as duas reféns e então saiu do cômodo, deixando Kate para trás como se ela não fosse importante...
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