Notas iniciais
Hello todo mundo!!! Depois de uma demora fora do comum eu estou de volta uahsauhsuahs, desculpa mesmo gente, a faculdade e o trabalho estão acabando do meu tempo livre, por isso não deu pra postar tão rápido. Mas pra compensar esse cap está enorme, é praticamente um capitulo duplo, com a maior parte das respostas e revelações que estamos esperando faz tempo (ehhhhh) Espero que gostem. Boa leitura!

Derek estava dirigindo o camaro, os dedos fechados contra o volante, enquanto sua mente vagava longe.

Tinha acabado de se separar do tio, deixando Peter seguir para a clínica veterinária de Deaton, enquanto Derek partia para a casa de Crystal.

Estava preocupado, não só por tudo estar acontecendo rápido demais e por estarem fazendo uma reunião as três da madrugada, mas o fato de Peter ter ligado para Deaton e o veterinário ter voltado imediatamente para a cidade era um indicativo de que algo ruim estava por vir.

Tinha perguntado para o tio qual era o problema. Mas o homem disse que não perderia tempo contando tudo para Derek, sendo que teria que contar tudo de novo durante a reunião. Então deixou o jovem Hale sem respostas e entrou em seu próprio carro.

Aquilo também deixava Derek desconfiado, a falta de informações e aquela reunião misteriosa podiam ser uma emboscada para Crystal.

Talvez ela fosse algo terrível e estavam planejando uma armadilha para derrotá-la. Talvez o silêncio de Peter fosse porque Derek estava comprometido... Assim como tinha acontecido com Kate.

Quando parou o carro na frente da casa dos Green estava decido a não deixar a história se repetir, se Crystal fosse um problema, ele mesmo garantira que a garota pagasse por isso.

Pegou o celular e encontrou o número dela na agenda, fez a ligação, mas ninguém atendeu, na verdade, quando apurou sua audição, sequer ouviu o aparelho vibrando dentro da casa.

— Está no mudo... — Constatou com desgosto. — Pra quê as pessoas tem essas merdas se vai ficar no mudo?

Desceu do carro, nada contente com a decisão que tinha acabado de tomar, correu pela calçada e em um impulso só pulou até a janela de Crystal, apoiando no telhado da varanda pra isso.

A janela estava trancada, mas Derek pode ver a garota dormindo, enrolada em uma infinidade de cobertas, com o gato amarelado deitado sobre ela.

Não entrava na cabeça de Derek que uma garota que dorme como um neném fosse uma pessoa ruim. Mas ele já tinha errado ao julgar a índole de mulheres antes, então o melhor a fazer era não tirar conclusão alguma.

Bateu no vidro três vezes, de modo sutil para que mais ninguém na casa acordasse, mas Crystal sequer se moveu. Felizmente o Senhor Bigodes despertou, e sua reação exagerada ao ver Derek ali foi o bastante para acordar Crystal.

— Minha nossa, Senhor Bigodes, está de madrugada, onde estão seus modos? — Ela não reparou em Derek na janela de imediato, puxando o gato para debaixo das cobertas e fazendo menção de voltar a dormir.

Derek revirou os olhos para a desatenção a garota e bateu mais uma vez. Obviamente Crystal levou um susto, até se dar conta de quem era.

Franziu as sobrancelhas sem entender o que estava acontecendo, olhando o celular para verificar as horas e esfregando os olhos pra se certificar que não era nenhum sonho.

Derek teve que apontar a tranca da janela, impaciente com a demora da garota de tomar uma atitude. Ela finalmente jogou as cobertas para lado e se colocou de pé.

Derek desviou os olhos e engoliu em seco, as palavras "fofa" e "sensual" nunca tinham feito nenhum sentido juntas até que ele viu Crystal Green com aquele pijama.

Ela vestia um shorts de algodão indecentemente curto e uma camiseta simples com a frase "I Love Cats" estampada, tudo em um tom de rosa pastel.

— O que você está fazendo aqui essa hora? — Crystal perguntou aos sussurros, logo depois de destravar a janela. — Entra logo antes que alguém te veja.

Puxou Derek pra dentro e ele soube que aquilo era um erro. Tentou focar no que realmente estava fazendo ali.

— Meu tio está na cidade. Ele tem respostas e quer te ver — explicou em um folego só, focando em qualquer coisa que não fosse em Crystal.

— Ele sabe o que eu sou? Ele te contou? Sou uma bruxa, não é? — Ela soou empolgada.

— Eu não sei. Vamos logo e você vai saber. — Derek fez menção de sair pela janela outra vez.

— 'Tá, espera, eu vou me trocar. — Ela avisou, saindo correndo para o closet e fechando a porta do lugar atrás de si.

Derek desistiu de pular, ficou parado no mesmo lugar, tentando não pensar no que estava acontecendo dentro daquele closet, embora pudesse ouvir perfeitamente os movimentos de Crystal.

Felizmente ela não demorou muito, e usava calça e manga cumprida quando voltou. Derek agradeceu mentalmente por isso.

— Vem, vamos sair pela porta dessa vez, meus avós estão dormindo. — A garota sugeriu, depois de arrumar alguns travesseiros na cama de modo a parecer que ainda estava deitada.

Senhor Bigodes não ficou nada satisfeito em ser descoberto e encarar Derek. Soltou um silvo ameaçador e todos os seus pelos se ergueram, até que Crystal o acalmasse e o cobrisse de novo.

— Meu gato não gosta de você — comentou, enquanto seguia para a porta do quarto.

— Gatos não gostam de lobisomens — Derek explicou neutro, mas segurou o braço de Crystal antes que ela colocasse os pés para fora.

— Eles estão na sala — avisou, se referindo aos avós de Crystal, que ele podia ouvir ressonando levemente lá em baixo, com a TV ainda ligada.

— Droga, dormiram na sala outra vez! — Ela resmungou dando um passo para trás e fechando a porta novamente.

Não tinha como explicar que estava saindo de casa as três da manhã e, tampouco, que estava saindo de casa as três da manhã acompanhada de um homem.

— Vamos sair pela janela — Derek sugeriu, caminhando naquela direção como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— 'Tá louco? — Crystal o seguiu. — São mais de três metros daqui até o chão.

— E daí? — Ele pulou usando uma habilidade impressionante.

Chegou ao solo sem dificuldades, fazendo um gesto para que Crystal o seguisse.

— E daí, que eu não tenho metade da sua habilidade, bonitão... — Ela resmungou pra si mesma em um tom muito baixo, colocando os pés pra fora do vidro e alcançando o telhado.

Olhou Derek lá embaixo e ele tinha um olhar entediado, levantou uma das sobrancelhas e Crystal entendeu o que significava.

— Você pode me ouvir? — Ela perguntou no mesmo tom de antes, um que qualquer pessoa normal jamais ouviria, Derek assentiu. — Deus, você e seus superpoderes são irritantes! Se eu cair desse telhado e quebrar uma perna ou morrer a culpa vai ser sua.

Ela foi se arrastando pelo telhado da varanda devagar, tentando não pisar em falso, mas foi em vão, escorregou em uma das telhas e despencou direto para o chão.

Mas não chegou a sentir o impacto, Derek a segurou antes disso.

Crystal sentiu os pés tocarem o solo gentilmente, enquanto a mão de Derek permanecia em sua cintura, tocando sua pele diretamente, já que sua blusa havia subido o suficiente pra isso.

Estavam perto o bastante para que Crystal pudesse sentir o calor que emanava de Derek. Presos naquele momento como se nada mais houvesse ao redor deles.

Crystal sorriu, suas bochechas ficando rosadas, enquanto seus olhos verdes lutavam para escapar dos de Derek Hale.

— Quase o Superman, então... — Ela desconversou em um tom bem-humorado e Derek a soltou.

Sentiu que havia um vazio em seus braços, quase como se a única coisa que se encaixasse ali fosse Crystal.

Caminham para o carro depois disso, e foi impossível para os dois não se lembrarem do que quase tinha ocorrido ali horas antes, mas seguiram calados, cada um perdido em suas próprias perguntas. Crystal ansiosa pelas respostas que receberia e Derek temendo ter deixado seu julgamento ligá-lo a garota errada outra vez...

Quando Derek estacionou o camaro na frente da clínica veterinária, Crystal se sentia eufórica, prestes a entrar em uma grande aventura, era quase como se estivesse se transformando em uma super-heroína.

Achou o lugar curioso pra ser o QG dos lobisomens, mas não podia deixar de admitir que uma clínica veterinária era bastante apropriado.

Derek entrou primeiro, passaram pela pequena recepção e logo entraram no cômodo em que todos já esperavam.

Crystal olhou ao redor e ficou surpresa com quem viu ali.

— Isso é algum tipo de intervenção anti-drogas. — Brincou, apontando os quatro colegas de escola que estavam em um dos cantos. — O que vocês estão fazendo aqui?

— Longa história... — Mason fez um gesto amplo com a mão.

Ele e Corey tinham chegado há pouco tempo, apenas o bastante para ficarem a par da situação. Depois de tanta coisa que os jovens tinham passado nenhum deles ficou realmente surpreso por Crystal ser algo mais que apenas uma humana.

— Sério, Derek? Você não contou pra ela sobre nada nem ninguém? — Um homem que Crystal ainda não conhecia foi o primeiro a se pronunciar. Ele era alto, meia ideia, olhos claros e tinha um sorriso entre o debochado e o assassino.

— Eu não sabia se podia confiar nela... — Derek deu de ombros, como se não fosse grande coisa.

Crystal voltou os olhos para o moreno, nada contente.

— Pensei que tínhamos passado dessa fase — devolveu contrariada, mas ninguém pareceu se importar.

— Eu sou Deaton, é um prazer Crystal. — Um homem negro e careca, deu um passo para frente e estendeu a mão direita, que Crystal, ainda atordoada com a falta de informação, aceitou. — Você parece bastante com a sua mãe.

— Você a conheceu? — Crystal sentiu o coração acelerar, sentia que estava muito perto de respostas e a cada segundo tinha mais perguntas.

— O que sabe sobre ela e sobre Beacon Hills, Crystal? — Deaton perguntou em uma voz calma que inspirava confiança.

Mesmo assim a primeira reação da garota foi olhar para Derek, quase como se estivesse pedindo algum tipo de confirmação se realmente podia dizer a verdade, afinal seus amigos de escola estavam ali e Crystal não conseguia entender essa parte.

Derek moveu a cabeça sutilmente, incentivando a garota a falar.

— Tudo mundo aqui esta envolvido com o sobrenatural de alguma forma. — Ele deu de ombros novamente, contrariado. Não era segredo que Derek não achava Scott a pessoa mais seletiva do mundo, quando se tratava de escolher membros da alcateia, mas com o tempo ele tinha se acostumado, depois de Stiles, Mason nem era um grande problema.

Crystal assentiu, ainda confusa.

— Ela morreu em um acidente, que parece ser o mesmo acidente que matou a família Hale. Eu recebi uma caixa misteriosa de presente de aniversário. Um garoto se matou e o Derek aparentemente ainda acha que a culpa é minha, e ele é um lobisomem. — Ela explicou o básico do que sabia.

Theo e os outros garotos tinham uma expressão neutra, como se nada daquilo os surpreendesse.

— Impressionante, até o zé ninguém ali sabe de mais coisas. Parabéns Derek, você é um fracasso. — O homem, que Crystal ainda não sabia quem, era apontou Mason enquanto falava. — 'Tá bom, menina, história curta. Eu sou Peter Hale. Derek, eu e o baixinho ali... — Apontou Liam. — Somos lobisomens, eu sou o mais poderoso. Deaton aqui é um Druida, ele era conselheiro da Talia e sua mãe estava na alcateia dela. Os dois ali... — Mostrou Theo e Corey. — São quimeras, experiências cientificas... eu nem sei bem o que são, na verdade, mas Scott tem mania de escolher os desgarrados. Tipo esse humano... — Jogou a mão na direção de Mason. — Que eu nem sei por que está aqui. E esse é o Argent, um caçador de lobisomens. — Apontou o outro homem mais velho, que até aquele momento estava apenas encostado em um canto de braços cruzados.

— Está confundindo a garota, Peter. Por que não deixa alguém menos idiota falar? — O caçador de lobisomens se pronunciou, dando um passo para frente.

Crystal sentiu a cabeça rodar, era muita coisa pra processar de uma vez só. Liam também era um lobisomem, Theo e Corey eram "quimeras", algo que Crystal não fazia ideia do que significava, assim como também não sabia o que era um Druida e tampouco quem era o tal Scott, mas o pior de tudo era que tinha um caçador de lobisomens bem ali no meio dos lobisomens.

Isso é muito confuso... Ela tentou guardar todas as informações na cabeça, mas sentiu que precisava de um curso intensivo.

— Eu sei que parece complicado agora, Crystal, mas você vai entender aos poucos, tudo bem? — Deaton tomou a frente novamente, fazendo Peter Hale revirar os olhos.

Crystal assentiu vagamente, encarando Theo por um tempo, mas o garoto apenas deu de ombros como quem diz "que?". Por fim ela resolveu focar em sua maior dúvida primeiro.

— Então... Eu sou uma bruxa? — Perguntou finalmente, arrancado uma risada de Peter e um resmungo cansado de Derek.

— O que te faz pensar que é uma bruxa? — Deaton continuou, sendo extremamente paciente, e Crystal imaginou que o veterinário lidava com jovens confusos o tempo todo.

Decidiu que gostava dele, mas não sabia se podia dizer o mesmo de Peter Hale, ao passo que o caçador seguia sendo uma incógnita.

— O livro é claro, o que veio dentro do baú — respondeu, mesmo um tanto incerta, ali no meio de todo mundo, aquela coisa de bruxa começou a parecer um pouco ridícula.

— Eu montei aquele baú pra sua mãe esconder e proteger o livro. Mas não Crystal, você não é uma bruxa. Chegaremos nessa parte... — Deaton explicou.

Crystal se sentiu um tanto frustrada por não ser uma bruxa, mas saber que o homem tinha construído o baú era a certeza de que teria respostas concretas sobre todo aquele mistério.

Talvez eu seja algo melhor que uma bruxa... pontuou mentalmente.

— O que ela é então? — Derek se mostrou impaciente.

— Você é muito idiota, Derek. Achei que fosse mais esperto. — Peter debochou. — Não sente o cheiro?

Instantaneamente Crystal puxou o próprio cabelo e cheirou, não sentiu odor algum, a não ser o do shampoo de sempre, estava pronta para dizer isso quando Liam se pronunciou pela primeira vez:

— Isso! O cheiro de panquecas pela manhã! — O garoto foi enérgico, finalmente alguém mais tinha sentido.

— Pra mim está mais pra sangue, o cheiro característico da morte de um bom Alfa. — Peter devolveu um tanto mórbido e Crystal deu um passo para trás assustada.

— Eu não sinto nada. — Corey deu de ombros.

— Aposto que é diferente pra você, não é, Derek? — Peter Hale estreitou os olhos na direção do sobrinho e automaticamente todos na sala focaram a atenção em Derek.

Ele tentou manter a postura, nunca diria em voz alta os efeitos que Crystal provocava nele, mas seus olhos seguiram para os da garota que parecia interessada na resposta.

— É diferente pra cada lobisomem, na verdade. — Deaton assumiu a fala, fazendo Derek ficar grato por isso. — Depende do que cada um deles precisa pra se acalmar...

Crystal se sentiu estranha com aquela informação, e tentou buscar na mente algo que batesse com aquela descrição, mas nada lhe ocorreu.

— Bom, Corey não é um lobo, isso explica porque ele não sente, mas eu não sinto nada também e sou parte lobisomem. — Theo rebateu de braços cruzados, mesmo que parecesse desinteressado do assunto.

Crystal se sentiu totalmente de fora da conversa, mesmo que ela mesma fosse o assunto.

— Acredito que os Dread Doctors falharam em reproduzir as partes mais místicas da natureza de um lobisomem, assim como a tramazeira não afeta as quimeras, Crystal também não afeta. O que ela é está estritamente ligado aos lobos. — Deaton expôs sua teoria e aquela última frase despertou a mente de Derek

Ele voltou os olhos para Crystal e finalmente se deu conta.... fazia todo o sentido afinal.

— Espera ela é uma...? — Apontou ainda atordoado. — Achei que estivessem extintas.

Peter assumiu uma postura superior e Crystal começou a ficar irritada com aquele mistério e meias palavras.

— Mas que merda! Parem de falar por enigmas e digam logo! — Ela ordenou, aumentando consideravelmente o tom da voz e isso pegou todos na sala de surpresa.

Crystal era a única mulher ali, a menor de todos e a mais delicadinha, no entanto, obviamente, sabia se impor muito bem. Chris Argent deixou um sorriso saudoso escapar de seus lábios, porque a garota lhe lembrou de Alisson.

Deaton resolveu acabar com o mistério:

— Existem nomes diferentes para o que você é, dependendo da cultura. Aqui, entre as matilhas da América do Norte, o termo que usamos é "Delta".

Para os quatro adolescentes na sala, assim como para a própria Crystal, a palavra não significava nada, mas para os mais velhos, mesmo para Argent, aquilo explicou muita coisa. Derek tinha acertado em seu palpite.

— Eu sou uma asa delta? — Crystal questionou confusa e isso arrancou gargalhadas de Liam e Theo.

Deaton deu um sorriso compassivo, mas prosseguiu com a explicação:

— As lendas de Portugal, chamam de "Peeira", enquanto na América do Sul sua espécie é conhecida como "Fada dos Lobos".

Crystal deu um grito interno de empolgação, era muito melhor que uma bruxa.

— Eu sou uma fada então? Tipo uma Winx? — Questionou elétrica, tão feliz que podia sair pulando por aí.

— É só um termo, tem a ver com a sua conexão com a natureza e claro, os lobos. — Peter respondeu quase entediado. — Você não solta pozinho pelas mãos ou tem asas.

Crystal sentiu toda sua alegria minguar, até seus ombros caíram um pouco.

— Ah... — resmungou decepcionada — O que eu faço então?

Ela cruzou os braços e se encostou em um dos móveis, por um segundo tinha pensando que realizaria seu sonho de infância e seria a Flora ou a Stella, mas pelo visto não era nada disso. Sentiu que nada do que Deaton falasse seria empolgante.

— Eu vou te explicar desde o começo pra que você entenda melhor, Crystal. — Ele retomou a palavra. — As lendas dizem que a primeira Peeira surgiu quando foi convocada pelo uivo de seu lobo predestinado, tal lenda está ligada diretamente a crença que lobos teriam pares, alma gêmeas, nesse sentido ele poderia convocar essa alma-gêmea com um uivo e ela se tornaria uma Peeira.

Por algum motivo o interesse de Crystal foi renovado, histórias de amor eram sempre as melhores, então aquela lhe pareceu uma das boas.

— No entanto, não existe qualquer registro de uma Peeira convocada dessa forma, por isso, essa parte da lenda foi esquecida. — Deaton colocou alguns arquivos, que havia separado antes, em cima da mesa cirúrgica e todos se aproximaram para olhar. — A informação difundida entre as Alcateias, foi que a primeira Peeira era a sétima filha mulher de um casal, assim como o primeiro Lobisomem seria o sétimo filho homem. Depois disso, o sangue de uma Peeira era passado de geração em geração, sempre para as mulheres, que tinham o primeiro indicio de seus dons aos dezoito anos.

Todo o interesse se esvaiu de Crystal novamente, não era uma bruxa, não era uma Winx, e nem tinha uma história de amor por trás de sua origem.

Deaton mostrou algumas árvores genealógicas, que para a jovem não fizeram sentido nenhum.

— Foi assim que sua mãe se tornou uma Peeira, os Rivens são uma linhagem famosa até, mas como Derek bem disse, extinta... — O veterinário prosseguiu, apontando o Hale mais jovem. — Sua mãe foi a última Peeira da qual tivemos notícias aqui na América do Norte.

Crystal e Derek trocaram um olhar, ele entendendo um pouco melhor o que lhe atraia tanto na garota e a jovem, por sua vez, tentando absorver cada pequena informação que Deaton despejava.

— Passando para a próxima parte da lenda, e o motivo das Peeiras serem conhecidas como Deltas: apenas um lobisomem pode reconhecer uma Peeira, dessa forma, o primeiro indicio de seus dons é sempre o cheiro calmante. Assim, a Peeira é encontrada e integrada a uma alcateia. Quando recebida por um Alfa, e só depois que eles fazem essa conexão, a Peeira tem acesso aos seus poderes... — A explicação continuou, e naquela altura Crystal já se sentia confiante o bastante para definir Deaton como um ancião.

Ele parecia ter todo o conhecimento, a jovem Green não sabia o que era um Druida, mas teve quase certeza que eram como aquele Mago de Caverna dos Dragões.

No entanto, apesar das explicações claras e de ter percebido que era realmente uma criatura especial, praticamente a última de sua espécie, Crystal se sentia objetificada, não no sentido sexual da palavra, mas lhe pareceu que os lobisomens tratavam as Peeiras, Deltas, ou seja lá qual fosse o nome, como meros objetos, quase como uma fonte de poder...

Deaton pegou um objeto e colocou sobre a mesa, era uma enorme moeda, e Crystal reconheceu imediatamente o símbolo entalhado nela. O mesmo símbolo que estava no baú de sua mãe.

— O triskelion representa bem a formação de uma alcateia com uma Peeira. Alfa, Beta, Ômega e Delta. — Ele foi mostrando cada ponta do triskelion, apontando o centro para indicar as Peeiras. — As Deltas são o coração de uma alcateia, a presença delas aumenta o poder do bando. Por isso a alcateia Hale era tão poderosa e temida. Rosalyn conectava todos eles, em uma batalha era como se fossem um só. Isso os tornava imbatíveis.

Crystal entendeu porque a trava do baú era exatamente o centro do triskelion, mas isso não amenizou em nada sua indignação crescente.

— Então eu sou basicamente uma bateria de lobisomens, só isso? — Ela cruzou os braços, emburrada, sem se preocupar que isso a faria parecer uma garotinha mimada.

— Você também é um chá de camomila ambulante, pelo que parece... — Theo retrucou com um sorrisinho irônico e ela revirou os olhos para ele.

Derek bufou em seu próprio canto, fazendo uma expressão de puro desdém antes que Deaton retomasse a fala:

— Não se menospreze. Sua mãe era muito especial, e ninguém além de Talia sabia a extensão total do poder dela. As Deltas podem até não ter velocidade, força e os sentidos físicos apurados como os Lobisomens, mas elas também têm suas peculiaridades... — Ele reforçou, e Crystal só conseguiu enumerar a porção de coisas que não podia fazer.

— Tipo o que? — Ela devolveu pouco interessada, quase com um tom de desafio.

— Eu só posso descrever sua mãe como alguém dotada de capacidades psíquicas notáveis, ela tinha uma conexão com qualquer um da alcateia, as vezes era como se estivesse dentro da minha mente... — Peter Hale respondeu, apontando a própria cabeça, e usando um tom que fez Crystal notar que, as capacidades de sua mãe incomodavam o homem. — Talvez fosse algum tipo de sexto sentido, mas com a Talia era ainda mais impressionante, era como se pudessem ouvir a mente uma da outra.

Theo deu uma risadinha irônica que atraiu a atenção de Crystal.

— Pelo visto você é um rádio transmissor também. — Ele debochou e arrancou uma expressão entediada dela, mas no fundo a jovem concordou.

— Então deixa eu ver se entendi... — Ela descruzou os braços e deu um passo para frente. — Eu sou uma Peeira, Delta, ou fada sei lá do que, que na verdade não é fada coisa nenhuma, certo? Mas se eu não estiver conectada a esse tal Alfa eu não tenho utilidade... E mesmo que eu dê uma de aparelho bluetooth, ainda assim, não sou grande merda.

— Não foi isso que eu disse. — Deaton se apressou em responder, mas Theo não deixou barato novamente.

— Você é uma bateria, se não tiver carro, você não serve pra nada — ironizou, recebendo olhares nada amigáveis dos mais velhos. — Apenas verdades...

— Mas se ela é "inútil", com todo o respeito. — Liam apontou para Crystal. — Por que todo mundo tinha que estar aqui?

— E o que isso tem a ver com a morte do garoto? — Derek resolveu se pronunciar também.

Até aquele momento não havia nada que parecesse errado com Crystal, na verdade, com a história explicada, até aquela atração ridícula começou a fazer sentido... Quer dizer, mesmo que ninguém mais parecesse sentir o mesmo, Derek achou mais fácil colocar toda a culpa naquele ponto, do que admitir que realmente tinha qualquer tipo de atração por uma garota anos mais nova.

— Eu acredito que tudo esteja conectado. — Deaton afirmou. — Começando pelo fato de que Crystal nunca devia ter desenvolvido poderes.

— Por que? — Mason esteirou os olhos. — Você disse que é uma coisa passada através do sangue.

A mesma pergunta havia passado pela mente de Crystal e ela esperou ansiosa pela resposta.

— Por que Rosalyn abriu mão dos poderes dela para vencer a guerra sobrenatural de Beacon Hills anos atrás, antes mesmo do Derek nascer. — Peter respondeu, aprontando o sobrinho.

— Guerra contra quem? — Chris Argent, se pronunciou dando um passo para frente, finalmente entendo porque estavam todos ali reunidos.

— Bruxas... — Deaton revelou em um tom mórbido, que fez cada um naquela sala sentirem a seriedade do que estava por vir.

— Sabia que tinha bruxas nessa história, não falei! — Crystal não conseguiu se conter, praticamente deu um pulo, arrancando olhares muito sérios de Derek. — Desculpa.

— Minha mãe me disse que não existe essa coisa de bruxas. — O jovem Hale retrucou muito seguro de si.

— Não. Ela disse que você nunca precisaria se preocupar com as bruxas. Isso porque a gente venceu a guerra. — Peter devolveu superior. Adorava aquelas oportunidades de esfregar na cara do sobrinho que ele não sabia de nada.

— E por que eu nunca soube nada sobre essa tal guerra? — Derek não se deu por vencido e questionou, erguendo uma das sobrancelhas.

— E por que nunca teve sinais de Bruxas em nenhuma outra parte? — Chris também se intrometeu, nunca tivera nenhum relato de bruxas ou nada parecido nem entre os Argents, nem em qualquer outra família de caçadores.

— Já vi que a gente vai se ferrar de novo... — Corey revirou os olhos e lançou um suspiro cansado. Realmente tinha pensado que terminaria aquele ano letivo sem nenhum incidente sobrenatural, mas era Beacon Hills, o bizarro de verdade naquela cidade eram os meses de calmaria que tinham acontecido.

Crystal ainda estava tão frenética com as revelações que não conseguiu pensar com clareza no que aquilo significava.

Deaton tomou fôlego, era uma longa história, e se tinha que olhar pelo lado bom, ao menos ele podia transmitir seu conhecimento, na época de Talia, ela e Rosalyn demoraram muito pra descobrir todos os detalhes. Tinham sido tempos difíceis...

— A lenda diz que no começo dos tempos as bruxas povoavam a terra, elas foram os primeiros seres sobrenaturais, e a partir daí, de seus feitiços e maldições, todos os outros seres sobrenaturais foram sendo criados. Não é à toa que a licantropia é tida como uma maldição... — Ele começou, tentando colocar todos os eventos em uma linha cronológica que tornasse mais fácil para os jovens assimilar. — Por castigo, capricho, tédio ou brincadeira, elas amaldiçoavam e enfeitiçavam os humanos ao redor do mundo, e assim essas maldições se transferiam de família para família...

Mason, assentiu em concordância, sempre tinha se perguntado sobre o princípio de tudo, e aquela parecia uma boa história de origem.

Crystal, por sua vez, se sentia em um filme de aventura, ainda deslumbrada demais com toda aquela realidade, para se dar conta da gravidade do que estava por vir.

— Então os humanos se uniram com essas criaturas amaldiçoadas e caçaram todas as bruxas, banindo a perversidade delas da terra. Essa época originou o que é conhecido na história como o período de "Caça as bruxas". Porém, uma última bruxa restou, Malvina, a mais poderosa e maligna de todas, dizem que o poder dela era tão grande que ela foi capaz de transformar três homens em algo totalmente diferente. — Deaton prosseguiu, sentido todos interessados em sua narrativa, menos Peter, afinal ele participara daquelas descobertas.

— Transformou em que? — Derek perguntou. Não gostava de saber que a mãe tinha omitido coisas dele, não gostava de se sentir despreparado, odiava aqueles segredos e pensou que a alcateia dos Hale fosse transparente, honesta, já era ruim que escondessem coisas do mundo humano, não era certo esconderem coisas uns dos outros.

Esconder sua relação com Kate Argent tinha sido o que colocara tudo a perder. Segredos eram perigosos, principalmente dentro de uma Alcateia.

— Não se sabe... — O veterinário e Druida respondeu. — A única coisa dita nas lendas é que eles levavam destruição e caos aonde quer que iam, a humanidade daquela época os chamava de demônios... Eu não sei se era apenas modo de dizer, ou se era literal...

Mason e Liam trocaram um olhar preocupado. Demônios e Bruxas. Era uma péssima hora para Scott e os outros estarem fora da cidade.

— Então a Bruxa e seus três demônios, foram caçados por muitos anos, até que foram encurralados em uma pequena cidade. — A história continuava a ser contada. — Malvina pensou que a humanidade jamais poderia vencê-la, e ela estava certa, ninguém tinha poder bastante para isso. Porém ela não imaginava que seus inimigos tinham um trunfo, uma outra bruxa, uma que foi mantida viva por Caleb, o homem no comando da caçada.

Ninguém na clínica veterinária falava, todos atentos aos relatos de Deaton, mesmo Peter Hale se mantinha calado, ele, melhor que ninguém, sabia as merdas que aquela história tinha gerado.

— Não era apenas uma bruxa, era a irmã gêmea de Malvina, Celeste. Caleb e Celeste se apaixonaram, foi por isso que ele a manteve viva e foi por isso que ela sacrificou tudo por ele. Celeste deu a vida para fazer um feitiço que prenderia a irmã e seus três demônios na pequena cidade, e assim os quatro foram derrotados, enterrados nessa cidade, ao passo que as bruxas foram extintas para sempre, já que Celeste também morreu pra finalizar o feitiço. — Deaton explicou, resumindo o máximo que podia, mas sem omitir as informações que tinha.

Crystal, embora tenha achado a coisa toda bem interessante, não conseguia entender a ligação entre os fatos e sua vida atual.

— E o que isso tem a ver com a minha mãe? — Questionou, recebendo olhares de concordância de alguns na sala. — Você mesmo disse que isso aconteceu há anos e anos atrás...

Deaton encarou a garota por alguns minutos. Havia uma diferença crucial entre Crystal e Rosalyn: a mais nova era totalmente crua naquela vida, ao passo que Rosalyn tinha sido criada nela, os Rivens eram muito orgulhosos de sua tradição, de forma que mesmo os homens da família eram criados sabendo dela, prontos para instruírem suas filhas. Ser uma Delta era um orgulho, Rosalyn sempre honrou suas origens.

Peter e Derek não sabiam, mas Talia Hale só se tornara uma Alfa tão respeitada e poderosa, por causa de Rosalyn. Não era só o poder de uma Delta, era o que Rosalyn estava disposta a fazer por Talia...

— Acontece que a pequena cidade onde Malvina e os seus três demônios foram presos e enterrados é Beacon Hills. Eventualmente através dos tempos, Malvina, mesmo morta, corrompia o coração de um bom homem ou mulher e lhes concedia uma parte seus poderes. Mas o feitiço feito pelo sacrifico de Celeste permanece, e assim, nenhum desses homens ou mulheres conseguia ter poderes fora da cidade. Por isso ninguém mais ouviu falar de bruxas. — Deaton explicou, arrancando alguns olhares surpresos dos mais novos. — Há uns vinte e tantos anos, uma família inteira foi corrompida, fizeram um pacto com essa bruxa morta, e se tornaram bruxos também. Espalharam o caos em Beacon Hills, eles mataram muita gente. Então entramos em guerra com eles.

— E o que tudo isso tem a ver comigo? — Crystal Green continuou com dúvidas. Bruxas, guerras sobrenaturais, tudo isso parecia coisa de filme, e ela ainda não conseguia ver como sua mãe tinha se encaixado naquela situação.

— Foi a sua mãe quem encontrou um jeito de vencer a guerra. — Foi Peter quem respondeu, e aquela afirmação pegou Crystal de surpresa.

Não tinha achado aquela coisa de ser uma Delta nada importante, não comparado com bruxas e lobisomens superpoderosos... Mas pelo visto a mãe era mais especial do que a jovem Green imaginara.

— Ela conseguiu um aliado dentro do clã das bruxas, alguém que falou que havia um jeito de parar tudo. — Deaton completou, após concordar com a afirmação de Peter. — Então Rosalyn, Talia e esse aliado misterioso, fizerem um feitiço, algo parecido com o que Celeste fez, eles conectaram o poder de Malvina e do clã a um elemento místico dentro de Beacon Hills, algo que não podia ser destruído, afinal no mundo da magia nada se destrói, tudo se transforma, mas esse elemento místico podia ser cortado, dessa forma, a conexão de Malvina com o clã de bruxos também seria e eles ficarem impossibilitados de usar os poderes, assim como Malvina ficaria impossibilitada de fazer a conexão com qualquer outra pessoa...

— Já que seus poderes ainda estão conectados a esse elemento místico... — Mason completou, ligando todas as peças, com um olhar um tanto deslumbrado.

— Isso ainda não explica o que Crystal tem a ver com isso. — Theo apontou e pela primeira vez não havia qualquer tom de deboche em sua voz.

— O elemento místico usado no feitiço de ligação foi o Nemeton. — Peter revelou, focando na filha de Rosalyn Riven por alguns segundos. — Então para dar tudo certo eles tinham que cortá-lo. Mas é o Nemeton, a árvore mais poderosa de Beacon Hills, não foi fácil fazer isso, a força para cortar o Nemeton exigia um sacrifício, e já que Talia não queria usar alguém vivo, Rosalyn sacrificou seus dons, ou seja, o feitiço usado pra cortar o Nemeton só aconteceu por causa dela. Esse aliado, que Talia nunca contou com era, entregou o livro de feitiços de Malvina e Rosalyn ficou responsável por proteger o grimório de mãos erradas, ela deixou a cidade, afinal era só uma humana, com um leve cheiro de Delta, mas apenas uma humana. Mesmo assim Talia fazia questão que ela viesse para as reuniões anuais da alcateia.

Crystal entendeu porque os pais iam para Beacon Hills esporadicamente, e se perguntou se o pai sabia de todo aquele mundo sobrenatural.

— Minha teoria é que a chegada de Crystal na cidade despertou o Nemeton, já que ela e a mãe tem o mesmo sangue e os mesmos dons. — Deaton apontou, finalmente dizendo o motivo de tudo girar em torno da garota. — Então o clã voltou, pra fazer o que eles não fizeram da última vez...

— Conquistar essa cidade de merda? — Theo soou um tanto incrédulo. Beacon Hills não era exatamente um oásis.

— Trazer Malvina de volta. — Mason corrigiu. — É meio obvio, ué...

Os jovens se entreolharam, fazia todo o sentido uma bruxa superpoderosa querer reaver seu reinado na terra, isso explicava tudo.

— E deixa eu adivinhar, eles precisam do livro pra isso? — Derek apontou, satisfeito por tudo ter se encaixado, embora a chegada de Crystal tivesse iniciado o problema, ela em si não era uma ameaça, isso o deixava aliviado. Mesmo que houvesse um inimigo solto pela cidade.

— Provavelmente. — Peter assentiu.

— Se eles queriam trazer Malvina de volta, porque não fizeram isso das outras vezes? — Liam questionou, percebendo que toda aquela história era ainda mais complicada que caçadores descontrolados e todo o resto que tinham passado.

— Não conseguiram, não sabiam como, cada geração do clã fez suas tentativas e falhou... — Deaton respondeu, recolhendo todas as coisas da mesa. — Mas o aliado que Rosalyn conseguiu, revelou que eles finalmente tinham descoberto uma forma, então eles também devem saber agora. Tudo que eu tenho certeza é que começa com as mortes.

Derek e Chris trocaram um olhar preocupado, já tinha acontecido a primeira morte misteriosa, ou seja, o inimigo já estava agindo.

— Apenas Talia e Rosalyn sabiam exatamente como o clã planejava trazer Malvina de volta, e elas não compartilharam seus segredinhos com o resto da alcateia. — Peter completou com certo desgosto, não ficava confortável em admitir que não fazia parte do círculo de confiança da irmã.

— Mas se eles precisam do livro, e se foram os dons da Crystal que acordaram o Nemeton, se ela deixar Beacon Hills tudo acaba, não é? — Derek tentou achar uma solução prática para a tempestade que ele via se aproximando no horizonte.

Crystal o encarou contrariada, odiava ser mandada, ainda mais por um cara que tinha acabado de conhecer. Derek podia ser um deus grego, mas isso não dava a ele direito de mandar em sua vida... Mas, ao mesmo tempo, ela soube que, se sua partida mantivesse a paz na cidade, então o melhor a fazer era voltar para o Maine.

— Partir com o livro seria sim uma boa ideia, mas o Nemeton já foi acordado, mesmo que Crystal vá embora agora, isso não vai mudar. O poder de Malvina está correndo por Beacon Hills outra vez... — Deaton respondeu, apoiando suas duas mãos na mesa, então encarou Crystal de modo muito sério: — Se você quiser ir, ninguém vai te impedir. Mas a verdade é que você pode ser nosso único trunfo, Crystal...

A jovem tremeu, começou a entender que aquela situação era muito séria.

Liam e Theo deram de ombros um para o outro, não tinham entendido no que a garota podia ajudar.

— Você mesmo disse que a única coisa que uma Delta faz é aumentar o poder de uma alcateia. Já lidamos com muita merda, podemos lidar com isso também. — Liam se pronunciou, não era nada contra Crystal especificamente, na verdade era o contrário, manter alguém sem preparo algum longe da confusão era um meio de proteção.

— Eu não disse que é a única coisa... — Deaton negou, dando alguns passos para trás. — Como eu disse, a maior parte dos seres sobrenaturais foram criados por maldição ou feitiço, os lobisomens são o exemplo clássico disso. Nesse caso, todos vocês são altamente vulneráveis a qualquer tipo de magia... Ataques diretos, feitiços e principalmente o controle mental, que era o mais usado pelo clã na época de Talia, vocês são vulneráveis a isso, como qualquer humano. Bruxas são o ponto fraco dos lobisomens.

Derek não gostou do que ouviu, a cada segundo a coisa ficava ainda pior, percebeu o olhar de Crystal sobre si e pela primeira vez soube exatamente o que ela estava sentindo, mesmo que não pudesse sentir o cheiro de suas emoções: ela estava com medo.

— E por que Crystal é um trunfo? — Theo verbalizou a pergunta que estava na cabeça da maioria.

— Deltas, talvez por causa das habilidades psíquicas, são praticamente invulneráveis a magia. — Peter respondeu, se aproximando da mesa, para ficar mais perto de Crystal e encará-la de frente. — Você pode ter meio metro, não ter a força nem a velocidade de ninguém aqui, docinho, mas sua mente... — Ele bateu o indicador na lateral da testa. — É mais forte do que a de qualquer um aqui.

Crystal engoliu em seco, dando um passo para trás, o jeito como Peter Hale lhe olhava, causa arrepios.

— Então sim, você é uma bateria e um radio transmissor... — O tio de Derek continuou, apontando de Crystal para Theo, já que tinha acabado de citar os dois. — Mas você também é um escudo bastante poderoso. E se vamos enfrentar essas malditas bruxas outra vez, vamos precisas de você, senhorita Riven.

— É Green. — Crystal respondeu no reflexo e Peter riu.

— Você devia ter vergonha de usar o sobrenome do seu pai humano e inútil, ele era só um tapa buraco... — Peter deu de ombros, como se tivesse falando de uma coisa totalmente sem importância.

— Minha mãe amava o meu pai! — A jovem foi ainda mais categórica, tinha até certa raiva em sua voz.

Peter Hale alternou o olhar entre Crystal e Derek, segurando o que estava prestes a dizer, apenas meneou a cabeça e deixou como estava.

— Mas se o poder de uma Delta só desperta quando ela está conectada a um Alfa... — Mason colocou seus pensamentos em voz alta.

— E não temos Alfa nenhum em Beacon Hills agora... — Corey completou, pegando o fio da meada.

— Isso significa que devemos avisar o... — Liam continuou e estava prestes a terminar, mas foi interrompido por Chris Argent:

— Espera. Uma morte isolada, podemos controlar isso ainda. — O caçador deu um passo para frente e Crystal notou que ele parecia preocupado.

Chris não desconfiava da capacidade de Scott para lidar com tudo aquilo, mas se havia qualquer chance de manter o filho de Melissa na faculdade, então eles tinham que tentar...

Um burburinho começou naquele momento, um do qual Crystal acabou ficando de fora, mas pelo que ela pode entender era sobre o tal Alfa, o que ela entendeu se chamar Scott, embora nomes como Malia, Lydia e Stiles também tenham sido citados.

Sua cabeça dava voltas e voltas, tentando colocar todas as informações no lugar, era muita coisa para processar. Alfas, Deltas, Druidas, Quimeras, Lobisomens, Demônios e Bruxas, e por algum motivo Crystal sabia que aquilo era apenas o começo.

Foi nesse momento que um dos telefones celulares apitou. Automaticamente todos os presentes na sala verificaram seus aparelhos.

— É o meu. — Chris Argent ergueu a mão e após olhar a tela por alguns segundos não pareceu nada satisfeito. — Eu coloquei um alerta pra suicídio depois do garoto.

Argent colocou o celular sobre a mesa, mostrando o link que tinha acabado de abrir. Um vídeo começou a rodar, o jornal local estava transmitindo um plantão de notícias.

Vários carros de polícia e uma ambulância podiam ser vistos ao fundo. Crystal achou o local familiar, mas não lhe ocorreu de imediato onde era, não até que a mulher no vídeo começou a falar.

— Estamos ao vivo aqui do bosque de Beacon, local bastante conhecido pelos jovens por ser tão próximo a famosa casa noturna Sinema...

Crystal e Derek trocaram um olhar, era o mesmo lugar onde Derek tinha perseguido a figura encapuzada. Voltaram a prestar atenção no vídeo.

— Um garoto foi encontrado morto momentos atrás, ele estava pendurado ali naquela árvore. Aparentemente foi um suicido, o segundo em Beacon Hills apenas esse mês. O xerife está no local e vamos tentar conseguir uma declaração.

A câmera seguiu a mulher por entre as pessoas do local, até que focasse no Xerife Stilinski e Parrish que escoltavam o corpo coberto por um lençol junto com os paramédicos.

A mulher tentou fazer algumas perguntas, mas o Xerife se esquivou sem maiores explicações. O corpo já estava sendo colocado dentro da ambulância, quando o braço escorregou para fora da maca e a câmera focou nele.

Havia uma estrela de cinco pontas invertida recém gravada na carne do garoto morto.

Crystal levou as duas mãos aos lábios pra conter o horror que a cena lhe causou.

— É hora de ligar para o Scott, precisamos do Alfa na cidade... — Deaton declarou seriamente e daquela vez ninguém discordou.

Crystal tremeu, um pressentimento horrível percorrendo seu corpo. Não era mais divertido, não se sentia especial ou uma heroína, não parecia mais um filme de aventura, ou um desenho sobre fadas. Estava assustada. Pessoas estavam morrendo e a culpa podia ser toda dela...

Notas finais
Delta é a quarta letra do alfabeto grego, mas toda a mitologia que envolve esse termo foi criada por mim, pra se encaixar na mitologia de TW Peeira é realmente uma lenda portuguesa, mas eu fiz algumas pequenas modificações pra se encaixar na fic. Bom mistério sobre a Crystal desvendado, e sim ela ficou bem decepcionada por não ser "a fodona" uahsaushuahs mas lembremos que ninguém dava nada pela Lydia tbm e ela se tornou uma das personagens mais fantásticas da série. E siiim teremos bruxas!!! (E uma versão de demônios também) Aqui foi dito o basico sobre tudo, ainda teremos algumas revelações, mas isso é pra ser trabalhado durante o plot mesmo. Mas caso tenha ficado dúvidas eu vou ficar feliz em responder *-* E agora é que são elas e que toda a treta começa, e sim o pack original vai começar a voltar pra cidade, provavelmente já teremos uma cena com o Scott no proximo, além da Crystal descobrindo mais sobre o mundo sobrenatural onde jogaram a coitada uashaushauhs Assim que possível eu estou de volta! Bjss e até!