Runeterra: Lar dos Campeões

1 O Convite de Caitlyn


Notas iniciais
[...]Pequena Anna, não deixe o rouxinol,ele é sua família e há de ser teu sol,mas a garota era ingênua, o sorriso era formol,e agora descansarás sobre o eterno lençol.Pequena Anna, poderia viver então,mesmo quando proferida a maldição,sua vida estava salva, mas ao custo de um proleste era seu amigo, o pequeno rouxinol.

Caitlyn postava-se confortavelmente sobre sua poltrona com seu rifle a tiracolo. Seu semblante parecia excepcionalmente pálido e preocupado com os problemas do escritório, uma vez que a xerife tivesse sido encarregada de cuidar da onda de crimes que assolava Piltover, a sua Cidade do Progresso.

Havia começado com uma trilha de assassinatos que instigavam a anarquização de valores, do mesmo tipo que Caitlyn repudiava e nunca permitiria que se espalhasse pela cidade. À princípio, chegou a pensar que estes crimes teriam sido cometidos pela única pessoa que já escapara de suas mãos, o fiel inimigo que jurou pegar, mas convenceu-se de que se tratava de um novo e desprezível alvo.

Os seus métodos eram extremamente parecidos com os de "C", e quando dizia isso referia-se à forma que espreitava as ruas de forma discreta e ainda criminosa. Com a semelhança no modus operandi, concluiu que não poderia se tratar de uma reles coincidência.

Em meio aos seus pensamentos, não ouviu as batidas à porta de seu escritório. Depois de um intervalo apressado, as batidas repetiram-se bruscamente numa segunda tentativa. Sem resposta. A porta se abriu e Caitlyn não hesitou em apontar o rifle para a figura em frente à porta.

— Bom te ver também, cupcake.

Era Vi, a oficial de Piltover admirada por Caitlyn. Apesar da tensão na relação destas duas, havia um respeito mútuo e uma estranha e forte amizade.

— Vi... — diz Caitlyn, num suspiro de alívio — Oficial. O que te traz à minha sala?

— Sem formalidades ou burocracia hoje, docinho. Eu vim requisitar sua permissão para...
— Permissão negada.

Vi suspirou e repousou seus braços mecânicos sobre a mesa de Caitlyn.

— Eu não estou brincando, Caitlyn. Eu posso ter uma pista conclusiva neste caso e eu não vou tolerar que sua visão pessoal do caso interfira no lado pessoal.

Caitlyn procurou seu distintivo e colocou-o sobre a mesa com uma expressão rígida em sua face, pouco preocupando-se com a clara oposição de sua companheira.

— Eu sou a xerife e minha resposta é não. Eu não vou te colocar numa investigação onde...

— Você tem medo, não é? — Vi murmurou, fazendo a xerife engolir em seco — A questão é: medo de perder sua oficial de ouro ou de me perder? É a Caitlyn falando ou a xerife?

Vi arremessou na parede o distintivo posto sobre a mesa, retomando a fala.

— Independentemente, vá se foder. Eu não sou mais uma criança e tampouco sua responsabilidade.

Caitlyn retirou seu chapéu ao ouvir o estalido da porta às suas costas, e de dentro dele uma antiga fotografia. Nesta, seus pais sorriam num jardim gramado que nostalgicamente lembrava-na da sua infância. Às vezes a frieza de seu trabalho mantinha-na distante do seu verdadeiro eu, e mesmo a própria Caitlyn reconhecia essa fraqueza.

Pouco mais tarde no mesmo dia, Caitlyn recebeu uma inusitada ligação. A voz do outro lado da linha era feminina e calma, um sotaque zauniano contido.

— Saudações, xerife. Pretendo lhe relatar fatos e apenas fatos. Não se precipite ou preocupe-se em tentar deduzir nada de imediato, mas não hei de influenciar em vossas conclusões. O que há de tirar disto é de sua conta e de mais ninguém.

Anna voltava cedo pra casa naquele dia, para seu gramado alegre e feliz onde seu rouxinol lhe aguardava, mas as migalhas diurnas não haviam sido postas naquele dia, e o que lhe aguardava...

O telefone desligou. Caitlyn sentiu seu coração palpitar como se sinalizasse uma fuga de emergência. Aquele trecho de história era muito bem conhecido por ela, e ela sabia o que acontecia em seguida com a garota Anna. Ela soube a ameaça que aquilo significava.

A xerife deixou seu escritório às pressas, e mesmo sabendo que sua casa não estava longe, acelerou em sua moto policial como se estivesse em uma perseguição. Ela não poderia cometer o erro da Pequena Anna.

Uma grande multidão se dirigia à região oposta da cidade numa massa inesperada. Qualquer irregularidade como aquelas não poderia ser ignorada por uma xerife em qualquer outro dia. Mas Caitlyn não poderia se dar ao luxo de conferir. Não quando sua família estava em risco.

Estacionou numa freada súbita em frente à casa e abriu a porta num baque. A casa estava do mesmo jeito que havia sido deixada. Nem um sinal de violação. Foi neste momento que Caitlyn ouviu.

O som ensurdecedor e o ar caloroso que se espreitou por toda Piltover. Um atentado, talvez. Uma grande explosão que vinha de não muito longe dali. Quando se recuperou, Caitlyn tomou nota de um bilhete pregado sob sua grande mesa de estar.

"Pequena Cait, lamento por isso, mas você errou! O rouxinol estava logo ao sol... e agora era eterno seu sorriso de formol."

Lembrou-se então do Edifício Solar. Um frio percorreu seu corpo quando a fadiga e o mal estar superaram todo e qualquer esforço que ainda estivesse proferindo para continuar em pé. Aquele modesto local era também a casa de Vi.