Rune's Quest
15 Guirlanda Congelada Pierrot Separados
Notas iniciais
A neve caía silenciosamente lá fora. A terra já estava completamente branca e os corais bem agasalhados cantavam cantigas aconchegantes e animadoras nas ruas intransitáveis.
–Ernest, coloca esse enfeite naquela viga. — Alli pediu — Eu não alcanço.
–Ninguém vai ver se ficar ali. — Ernest aconselhou — Coloca num parapeito ou sei lá. — e voltou para sua parte da decoração. Usar sua magia para criar bonecos de gelo que ilustrariam cenas do Natal tinha sido uma ideia de Rune, mas Ernest aceitou sem confusão.
Enquanto Ernest terminava uma cena sobre a luz estelar que protegeu São Ptolomeu ao nascer, Alli descobriu uma família de ratos debaixo da árvore.
–Ernest, tira, tira, tira! — ela gritava e pulava — Eles não podem ficar aí.
–Calma, eu vou tirar. — Ernest respondeu. Pegou os ratos e fez uma cama de gelo longe da árvore e a forrou com uma manta — Longe da árvore, mas não estão mortos.
–E se eles insistirem em ficar na árvore? — Alli perguntou descendo da cadeira que tinha subido sem nem notar de tanto medo.
–Faz um campo de força neles. — Ernest respondeu e voltou às suas esculturas.
Rune passou pela porta coberto de neve. A família de ratos tinha tirado a atenção dos Pierrot da janela. A neve simples e silenciosa tinha se transformado numa poderosa nevasca. A brancura tinha engolido tudo lá fora.
–Ainda bem que conseguimos pagar por esse chalé. — Rune argumentou — Eu poderia ter congelado lá fora.
–Achou uma saída? — Alli perguntou.
O que os Pierrot, e Rune, mais queriam era sair daquele vilarejo o mais rápido possível, mas o período de festas aumentou o número de visitantes já que o vilarejo tinha um dos melhores espetáculos. E comida. Muita comida.
–Sim, achei, mas vamos ter que esperar as festas e o período de neve acabar. — Rune anunciou — O bom é que vamos conseguir sair.
–Agora vamos voltar as decorações. — Alli pediu — Ernest coloca essas esculturas em outro lugar, essa lareira vai ficar com a Guirlanda.
–Nada disso. — Ernest protestou barrando a irmã de encostar nas esculturas — Você enfeitou a casa toda e ficou linda, agora, esta lareira é toda minha. — um vapor de gelo começou a se formar nas mãos de Ernest.
–Se acalme, Ernest. — Rune avisou — Não faça nada de que se arrependa.
–Deixa eu colocar a guirlanda aí, Ernest! — Alli insistiu.
–Não! — Ernest gritou e congelou a guirlanda, o que assustou Alli que derrubou a guirlanda fazendo-a se espatifar no chão — Alli... Eu...
–Ótimo! — Alli disse — Não brinco mais! Vou procurar uma casa que aceite minha decoração. — Alli projetou um escudo, abriu a porta e saiu na nevasca.
Rune não disse nada. Apenas observou os sintomas de "Fiz Besteira" se concretizarem em Ernest. Primeiro, Ernest ficou pasmo e encarou a porta por longos seis minutos. Depois, ele começou a entrar em pânico, repetindo que aquilo não estava acontecendo. Em seguida ele se bateu na cara e foi até à porta, abriu-a e disse:
–Se eu não voltar antes da ceia, é porque você precisa achar outros aprendizes. — E partiu para a neve.
Ao contrário do que ele próprio imaginava, Ernest não possuía poder algum sobre a neve. Apenas gelo. Claro que ele poderia aguentar a temperatura baixíssima da neve sem problema nenhum, mas a neve estava por todo lado e ele não estava com a roupa apropriada, o que o atrasou muito.
Quando estava quase desistindo, Ernest ouviu um pedido de socorro. Não era de Alli, mas ele sabia que aonde estivesse um necessitado, Alli estaria lá a qualquer momento. Ele seguiu o som da angústia por vários metros mas suas pantufas estavam encharcadas de neve derretida.
Viu um círculo estranho no céu e várias linhas tremeluzindo saindo dele partindo ao chão. Imaginou que a vítima seria de um feiticeiro ladrão ou algo do gênero. Correu mais rápido que antes, mas quando chegou lá, viu Rune atrás das barras luminosas.
–Rune? — Ernest espantou-se — Como você...
–Eu não sei.- Rune respondeu — Estava comendo um biscoito de aveia e quando pisquei estava aqui fora.
–Porque não saiu? — Ernest perguntou.
–Ah, porque aqui tá um clima natalino pra caraca. — Rune ironizou — Não tente enfiar a mão pra me tirar, vai se queimar.
–A Alli não tá aqui? — Ernest se surpreendeu de novo — Ela nunca nega ajuda a alguém em perigo...
–Ela está perdida. — Rune disse e parou por um instante — E eu não pedi socorro, Ernest. Você está no lugar errado.
Ernest ignorou qualquer outra frase dita naquele momento e seguiu na neve por um quilômetro e meio até encontrar Alli arquejando no chão.
–Alli! — Ernest chegou e amenizou a temperatura corporal de sua irmã — Vai ficar tudo bem.
–Quem estava pedindo... Socorro... — Alli disse soluçando e espirrando — Era eu... Sabia que você ia vir...
–Claro que eu viria... — Ernest respondeu e abraçou Alli.
Enquanto faziam o caminho de volta, Ernest contou a Alli sobre Rune estar preso. E os dois começaram a pensar em como o soltariam. Alli sugeriu usar seu escudo mágico para danificar as linhas mágicas, mas eles não sabiam que tipo de magia era aquela.
Ernest pensou em pegar um espelho e refletir a luz, mas também não sabiam se era apenas luz. Rune havia dito que se queimariam se encostassem. As opções estavam se esgotando e estava quase na hora da ceia que não tinha sido feita ainda.
–Finalmente! — Rune reclamou — Voar cansa sabia?
–Ainda não sabemos como te tirar daí, Rune. — Ernest admitiu.
–Imaginei. — Rune disse — Acho que sei como. Tudo indica que isso é um feitiço temporal, seja lá quem lançou não sabia que ele tem tempo para acabar. — Rune riu e olhou para cima — Essa representação de relógio de sol diz que faltam vinte e três minutos e quarenta e sete segundos. Quarenta e seis.
–É o quanto falta para a ceia!- Alli disse preocupada.
–Não comemos em casa hoje. Vamos procurar comida por aí. — Ernest sugeriu — Comemos quando Rune sair.
E assim fizeram. Depois de comer, foram esperar a neve baixar e as festas acabarem para escapar do vilarejo.
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