Rune's Quest
2 Estalactites
Notas iniciais
-Ernest, você não anda mais rápido do que isso?- Rune gritava enquanto Ernest tentava correr na areia da praia.
-Não interessa! — Ernest respondeu, bufando — Areia de praia afunda quando a gente pisa!
-Não acho difícil. — Rune continuava incentivando-o — Se não quiser terminar, não vai terminar.
-Eu quero terminar... Só pra jogar esse tronco na sua cabeça! — O tronco pesava quase seis quilos e Ernest não conseguia respirar enquanto levava-o nos ombros — O que isso tem a ver com meus poderes de gelo?
-A intenção era que você congelasse o chão pra não afundar. — A cara de Ernest se transformou num rosto de decepção — Não é problema meu se você não pensou nisso.
-Seu imbecil! — Ernest atirou o tronco sem ver que uma afiada ponta de gelo havia se formado numa das extremidades.
-Ernest!- Alli gritou enquanto um escudo transluzente surgiu na frente de Rune, destruindo a ponta de gelo e derrubando o tronco.
Rune olhou para Ernest, depois para Alli. Aí olhou para o tronco. Para Alli de novo. E por fim, para Ernest.
-Os dois evoluíram muito hoje. -Rune se virou para Ernest — Sua raiva infantil e desejo incontrolável de me assassinar, fez com que uma ponta de gelo simplesmente brotasse no tronco, que estava seco. -Agora para Alli — Você queria me proteger da morte iminente, então uma aura de escudo brotou no meio do vento. — Rune parou de voar e sentou se na areia fofa da praia — A questão é; vocês dois, movidos pelo calor do momento, liberaram seus poderes. Vocês não são mais amebas, passaram para o nível "Cupim" do Rank de Aprendizagem de Rune Salazar.
-Somos cupins? Devia ter jogado aquela porcaria mais rápido. — Ernest disse enquanto se sentava na traumática areia.
-Tem um ranking? Qual o último nível? -Alli quis saber sem se importar com mais nada — Conta!
-O último nível... -Algo tentava vir à mente de Rune — É o Ultra-Pégaso-Robô-Ninja-Dourado-Cospe-Fogo-Imortal. Aposto que quer ser um desses. — Ao que ela balançou a cabeça — Acho que os cupins estão prontos para sua primeira missão especial.
-Estamos! — Ernest deixou a zanga de lado e voltou a sua personalidade irreparavelmente alegre — Pode falar, qual é!
-Você, Ernest, vai entrar uma caverna sinistra e pegar um colar de platina pra que eu possa fazer um encantamento e elevá-los a um novo patamar no ranking -A mão levantada e agoniada de Alli chamou a atenção de Rune — que é Vespa Moribunda.
-Eu vou arriscar minha vida pra pegar um colar idiota? — Rune explicou-o que ele iria correr por entre as estalagmites até chegar ao colar — Certo, mas e as de cima? O que eu faço? Não dá pra saber quando elas vão cair.
-É aí que a Cupim Nº2 entra. Alli vai proteger sua cabeça com os escudos fraquejados dela, já que a vontade de proteger a pessoa é maior que tudo o que ela tem. -Rune volta a flutuar e faz um olhar enigmático — Os dois de acordo?
-Por mim tudo bem, e você, Ernest? — Alli disse e ficou esperando por uma resposta positiva de seu irmão. Tudo o que ela mais queria, é que ele ficasse orgulhoso dela. E que maneira melhor do que salvando sua vida?
-Ok, mas espero que saiba o que está fazendo, irmãzinha.
Os três foram até uma caverna que tinha uma forma, um pouco distorcida, de um gato. A boca do gato estava fechada, e Ernest se perguntou por onde iria entrar, já que não havia entrada alguma.
-Pelo bumbum. — Rune respondeu apático — Brincadeira. Tem um encanto mágico que pode abrir a boca desse bichano. Afeto e Contradição, Vanguarda e Inspiração, Selo Mágico, se rompa ao som do trovão!
E assim foi feito, um grande estrondo foi lançado nos céus e o gato de pedra realmente abriu a boca.
-Ernest, apenas vá correndo, pegue o colar, e volte. Alli, materialize um escudo em cima dele.
-Não é uma escolha minha. -Alli disse com uma voz desapontadora e triste -Só quando eu realmente quero proteger, meus poderes saem.
-Entendi... — Rune golpeou uma estalactite que caiu em cima de Ernest, mas ele foi salvo por Alli que estava tremendo -É assim que vai ser. Ernest, vê aquele pontinho prateado no fim do "túnel"? É o colar. -Ele deu um sopapo em Ernest que ele saiu cambaleando até ter que se apoiar numas pedras empilhadas -Vai, garoto.
-Beleza! -Ernest recuperou o foco e começou a correr em direção à luz.
Do lado de fora da caverna, Alli ficava de olho para proteger seu irmão das armadilhas de pedra. Não demorou muito para ver a primeira pontiaguda rocha se desprender do teto.
-Hiiiya! — E um escudo protegeu a cabeça de Ernest por pouco.
Após quase quarenta minutos, Ernest chegou ao colar e o arrancou da pedra aonde estava e voltou correndo. Várias estalactites tinham caído e ele prosseguiu sem medo de nada. Ao som, ele fugia, sem perceber que Alli não estava mais o protegendo.
-Alli! Você tem que se concentrar! -Rune estava eufórico pela falta de atenção de Alli — Você derrubou aquela estalactite! E se ele não tivesse esquivado?
-Desculpa, Rune, quanto mais perto ele chega, mais difícil fica de enxergar direito. — Alli espreitava para enxergar até que viu seu irmão bem mais perto, e desistiu de tentar — Oi, Ernest. Você foi muito bem.
-Sim, Ernest foi muito bem. Passou de Cupim para Vespa Moribunda. — Ernest deu socos no ar e comemorou — Alli, por ter se desconcentrado e quase tirado a vida de seu irmão, você continua sendo Cupim.
-Mas que droga! -Alli fez birra mas não teve jeito, continuava sendo um cupim.
-Tem que aprender a ter responsabilidade, irmãzinha. -Ao mexer a mão, o colar se soltou e Ernest o seguiu com os olhos até estourar quando chocou-se com uma rocha — Opa...
-Tem que ter o quê, mesmo, cérebro?- Alli pôs as mãos na cintura e sorriu sarcasticamente.
-Ernest, está de volta ao nível Cupim. — Os olhos de Rune pareciam em chamas — Eu odeio vocês dois.
-Ele fala isso pra nos incentivar, Alli. -Ernest tentava aliviar a realidade.
-NÃO É, NÃO! — A voz de Rune estava alta — EU QUERO QUE VOCÊS SAIBAM QUE CADA DIA VAI SER PIOR DO QUE O OUTRO A PARTIR DE AGORA, CUPINS!
O sorriso da doce e inocente Alli acalmou Rune. Ele apenas os convidou a sair da caverna-gato, que fechava sua boca até então escancarada, atrás deles.
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