Runaways

1 I knew it when I met you


Notas iniciais
A história foi originalmente escrita como presente de aniversário para minha amiga, Lady Rakuen, dona da personagem feminina apresentada aqui. Como explicado nas notas, nossos personagens seriam um casal em uma fanfic interativa dos Vingadores no Spirit, porém, ela fracassou antes mesmo que eles aparecessem, então, quis dar pelo menos um final aos nossos queridinhos. Espero que gostem.

Tudo parecia ser tão mais fácil no início. Éramos apenas jovens revoltados querendo um assento melhor no fim do mundo, mas eu sabia que as coisas mudariam a partir do momento em que a vi. Não que a abstinência fosse algo bom, é só que, naquele momento, foi. Ainda não acredito que um cigarro mudou toda a minha vida. E, então, a garota misteriosa invadiu minha mente. Não como poderes, eu só não conseguia parar de pensar nela um minuto sequer. Quase explodi a oficina, maldita hora para mexer no meu equipamento, deveria ter aceitado o primeiro choque como um aviso para parar. Mas ela entrou pela porta assim que retomei o foco e eu simplesmente esqueci de tudo. De novo. Foi então que decidi: a chamaria para um café, se ela dissesse não, seguiria em frente. Ela aceitou. Agora eu devia minha vida a um cigarro e uma xícara de café. Era incrível como coisas tão pequenas podiam causar tanta alegria. Acho que posso dizer que passamos direto da parte da “amizade”, não estávamos lá para fazer amigos, mas não pudemos evitar de nos aproximar. Foi algo bem repentino. Eu nunca me imaginei com alguém até conhecê-la. Depois daquele dia no café, tudo aconteceu bem rápido. Foram precisos apenas um encontro e nosso primeiro beijo para o medo de perdê-la me consumir. Nosso ramo de trabalho não era o mais tranquilo, muito menos o mais seguro, não podíamos nos dar ao luxo de “distrações” do tipo, mas era como se não existíssemos mais sem o outro. Quando as coisas começaram a complicar, eu pedi para que fugisse comigo. E estamos correndo desde então. Na noite de sexta-feira em que ela me disse que estava grávida de um filho nosso, a pedi em casamento. Me lembrei de quando ela contou o sonho que tinha desde que se entendia por gente: casar em Las Vegas. Eu fico feliz por termos realizado isso juntos apenas um dia depois. Levou alguns dias, mas encontramos essa casa próxima à praia e moramos lá já tem alguns meses.

— Fico feliz por vocês – o homem à minha frente disse-me com um esboço de sorriso no rosto. Nos encontrávamos há algum tempo nesse bar, mas era a primeira vez que lhe contava sobre a minha vida. – Mas eu ainda não consegui entender uma coisa: com tudo isso, por que está aqui, conversando com um velho rabugento, ao invés de estar ao lado da mulher que ama e que está carregando seu filho? – Sua questão me fez refletir. Talvez por isso eu gostasse tanto de sua companhia, ele era bom em te fazer pensar nas coisas com um pouco mais de clareza.

Não fui capaz de lhe dar a resposta por ainda não conhecê-la. Conversamos um pouco mais e segui calmamente para casa. Meu corpo estava no modo automático, mas minha mente não parou por nenhum minuto sobre como era possível eu a amar tanto, porém, parecer fugir. Geralmente as coisas são ao contrário, não? Você ama alguém e quer estar sempre ao seu lado. Será que eu já estava me tornando ele? Eu criei essa tendência de sair quando as coisas ficavam difíceis, estava no meu sangue. Mas era a última coisa que eu queria.

Exceto pela varanda, as luzes estavam apagadas, já passava da meia-noite e não havia mais ninguém na rua. Por sorte, meus vizinhos já conheciam meu hábito de caminhar à noite e não me confundiam mais com um ladrão. Pendurei meu casaco atrás da porta e deixei as chaves sobre a cômoda ao lado da entrada. Ergui meu olhar para a fotografia pendurada, a foto que um casal pediu para tirar no dia do nosso casamento. Não era nada muito extravagante, afinal, éramos só nós dois. Estávamos sentados um de frente para o outro na beira da fonte, enquanto ela despetalava as rosas brancas de seu buquê. Ela trajava um lindo vestido branco e tinha aquele sorriso perfeito que eu tanto amava nos lábios. Seus cabelos balançaram com a brisa de verão. Era a melhor visão do mundo para mim. Era a visão do meu mundo.

Deixei um longo suspiro escapar pela minha garganta e encarei as escadas, a única coisa que me separava do meu amor no momento. Sentia falta de ficarmos acordados até o amanhecer, olhando para as estrelas e confessando nossos sonhos. Costumávamos rir de tudo, mas agora, depois de tanto tempo evitando, nós só brigamos. “Culpe os hormônios”, é o que Alexandr costuma dizer. A culpa pode ser deles, mas, no fim do dia, é pelas minhas palavras que ela chora.

Abri a porta do quarto devagar e me sentei ao lado de Victoria. Passei meus dedos levemente por seus cabelos e depositei um beijo em sua testa. É fácil esquecer o tamanho da minha sorte quando nos estressamos, mas, se tem uma coisa da qual eu tenho certeza que não mudaria em minhas escolhas, é ter oferecido um cigarro para aquela morena de mãos ansiosas parada alguns metros à minha frente. No final, tudo havia me levado àquele momento.

— Kris? – Sua voz saiu baixa, transparecendo seu cansaço. Fiz sinal para que não se levantasse.

— Eu te amo, querida – sussurrei em seu ouvido e pude ouvir seu sorriso.

— Eu também te amo, meu amor – murmurou e voltou a fechar seus olhos. Eu era sortudo por tê-la, disso eu tinha certeza.

Pus a mão sobre sua barriga já esbanjando seus sete meses e senti nosso bebê se mexer. Uma sensação estranha no início, mas que passou a preencher meu peito com uma alegria que jamais imaginei. Pensando bem, talvez meu problema fosse o meu medo de falhar com a minha família do mesmo jeito que o meu pai falhou com a dele. Eu acabava não reparando que fazia como ele, é uma questão à qual irei me atentar, minhas garotas não merecem isso. Eu prometo a vocês que tomarei conta de nós três da melhor maneira possível, começando agora. Porque eu soube quando lhe vi que não lhe deixaria partir.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!