Runaways
12 Talvez fosse a Febre
Notas iniciais
Eu vou viajar e não terei acesso a internet entre o di dia 11...
Só voltarei a atualizar essa história quando voltar. Acho que o momento onde essa história parou teve um timing certo, depois daqui veremos o modo como elas lidam com o desenvolvimento da amizade para algo mais sério... Teremos mais uma aparição da Santana (Em NY), a audição da Rachel, um momento delas com o Puck, uma aparição do Russel e todo o clã Fabray, Natal, brigas, sexo, Kurt, muitos momentos meigos, entre outras coisas...
Enfim, obrigada por comentarem até aqui e espero que vocês continuem comigo no dia 11 de janeiro...
Ah, esperem o capítulo de Novos Começos para amanhã ou depois... :)
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13 de dezembro – sexta-feira
Rachel acordou sentindo-se um pouco melhor. Ela podia sentir o corpo de Quinn contra suas costas e se lembrou da noite em que a loira havia lhe contado sobre sua família e como elas haviam acordado abraçadas na manhã seguinte. Ela desejou que Quinn a estivesse segurando naquele momento, mas as mãos de sua amiga se encontravam seguras embaixo do travesseiro. A morena se permitiu alguns minutos de contato antes de se impulsionar em um cotovelo e levantar da cama.
"O que?!" Quinn sentou abruptamente quando a cama mexeu, parecendo confusa e assustada. "Rachel, o que? Você está mal? Aconteceu alguma coisa?"
Rachel abriu a boca para responder, virando-se para sua amiga que sentava na beira da cama, como se estivesse pronta para entrar em ação a qualquer momento. Ela queria fazer algum comentário sobre a ansiedade da loira, mas sua voz se recusava a sair. Ela apenas chacoalhou a cabeça silenciosamente e alcançou pelo by DealDropDown\" href=\"http://www.fanfiction.net/s/8801510/12/Runaways\">Ipad no chão para conferir a hora.
9:20, indicava o visor. Ela mostrou-o para Quinn antes de abrir o bloco de notas.
Ainda não consigo falar...
Escreveu ela, mostrando para a loira.
"Você não está passando mal?" Perguntou a violoncelista, esfregando os olhos em uma tentativa de clarear sua visão.
Rachel fez que não com a cabeça.
"Então por que levantou?" A loira questionou, como se não conseguisse entender o que a morena estava fazendo acordada.
A cantora voltou a digitar no Ipad e Quinn esperou pacientemente.
Não pretendo atrasar minha rotina matinal só por que estou sem voz. E temos que apresentar um by DealDropDown\" href=\"http://www.fanfiction.net/s/8801510/12/Runaways\">trabalho hoje de tarde, caso você tenha esquecido.
"Só sem voz? Rachel! Você estava com febre e mal conseguia se mexer ontem..." Protestou a violoncelista.
Ontem. Mas hoje eu estou melhor!
"Eu não vou te deixar ir pra aula! O médico mandou você repousar e te deu atestado... E como você pretende apresentar um trabalho se não consegue falar?" Quinn arqueou uma sobrancelha e Rachel suspirou, percebendo que a loira tinha razão. "E não adianta discutir comigo, Rach, você não vai sair desse quarto até estar cem por cento bem."
A morena começou a digitar novamente, mas Quinn tirou o Ipad das mãos dela.
"Sem discussão, Berry." Ela colocou o aparelho em uma prateleira alta no armário, longe do alcance de sua amiga. Seu celular apitou em cima da escrivaninha alguns segundos depois.
Rach: É extremamente grosseiro roubar a voz de uma pessoa que não consegue falar, Fabray!
Quinn revirou os olhos.
Quinn: Pode reclamar o quanto quiser...
"Abre a boca." Disse a loira, largando seu telefone de volta no lugar e destampando o termômetro.
A morena cruzou os braços e fez que não com a cabeça. Quinn gargalhou, jogando a cabeça para trás.
"Quantos anos você tem? 4?"
Rachel fechou ainda mais a cara e trincou os dentes.
Quinn fez um som estranho de frustração com a garganta e se aproximou de sua amiga, colocando uma mão em sua testa e a outra em sua nuca para tentar determinar a temperatura. "Você está quente, Rach... Coloca o termômetro..." Pediu ela, estendendo o aparelhinho para a morena, que acabou aceitando-o e colocando-o entre os lábios.
"De acordo com isso, você tem que tomar esse aqui de manhã antes de comer." Quinn chacoalhou um potinho azul marinho transparente enquanto desvendava a receita médica.
O termômetro apitou. 38,2.
Os olhos da loira se suavizaram e ela encarou a cantora, acariciando seus cabelos desgrenhados carinhosamente. "Viu, você ainda não está bem, Rachel. Me deixa cuidar de ti..."
Rachel suspirou, seus olhos se fecharam involuntariamente com o toque.
"Você tem que descansar." A loira umedeceu os lábios. "Eu já estou sentindo falta da sua voz e ela tem que voltar logo... Antes do dia 20 pelo menos..."
Os olhos da morena se abriram de repente e ela teve um micro ataque de pânico. Ela tinha uma audição para uma peça off Broadway no dia 20. Deus como ela pode esquecer?
"Você tinha esquecido?" Perguntou Quinn, realmente surpresa ao ler a expressão no rosto dela. Rachel não costumava esquecer coisas desse tipo, especialmente uma audição tão importante como aquela.
Rachel alcançou pelo seu celular e se apressou em digitar uma mensagem.
Rach: Quais são as chances de eu estar desenvolvendo Alzheimer prematuramente?
Quinn não conseguiu conter a risada que se formou em sua garganta.
Rach: Não é engraçado! É sério! Primeiro eu esqueço o Chanukah e agora isso!
"Pessoas esquecem coisas às vezes, Rachel..."
Rach: Será que eu consigo o telefone de um neurologista se for pedir na enfermaria?
Quinn chacoalhou a cabeça. "É só o stress das provas e trabalhos e audições, você vai ficar bem..."
A diva digitava freneticamente, deixando o auto corretor corrigir seus erros e esperando que ele não trocasse as palavras.
Rach: Eu tenho uma audição em 7 dias e estou completamente sem voz! Quinn! E se minha voz não voltar até o dia 20? E se eu perder minha chance? Foi tão difícil conseguir uma audição com aquele diretor! O que eu vou fazer?
"Se você fizer o que o médico mandou e descansar, tenho certeza que vai estar normal ainda antes do seu aniversário."
Rachel respirou pesadamente.
Rach: Mas ai eu só vou ter dois dias para praticar!
"Você é Rachel Berry, sei que consegue." Sorriu a loira, sua voz era suave, mas carregada de certeza. "Agora, a senhora vai tomar esses remédios e voltar para a cama. Eu vou tomar um banho e quando sair quero te ver descansando, entendeu?"
Rachel fez uma careta. Ela não se sentia cansada, mas sabia que Quinn tinha razão. Pelo bem de sua carreira, ela tinha que descansar.
...
Depois do banho Quinn havia tido mais uma conversa com a diva, tentando convence-la de que tudo ficaria bem. Rachel estava agitada, ela não conseguia dormir e ficava se revirando em sua cama (ela havia voltado para a parte de cima do beliche). Ela não estava cansada e a febre lhe causava um desconforto tremendo. Ela não sabia se estava com frio ou calor e nenhuma posição parecia confortável.
A loira saiu do quarto com um pouco de receio por volta das onze horas, ela tinha que encontrar um colega de psicologia para finalizar um trabalho que deveria ter sido entregue ainda no dia anterior. Ela se despediu da morena e pediu mais uma vez que ela tentasse descansar.
Ao meio dia, Puck apareceu no quarto, entrando sem bater e encontrando Rachel sentada na escrivaninha enrolada no edredom da cama de Quinn enquanto assistia vídeos no computador.
"Essa é você?" Perguntou ele, parando atrás dela e largando a sacola de papel que trazia em cima da mesa.
Rachel fez que sim e apontou para a tela, silenciosamente pedindo que ele prestasse atenção. E foi o que ele fez, em parte por que era impossível não prestar atenção na voz da pequena morena sentada a sua frente e em parte por causa das meninas que dançavam em volta dela.
O vídeo acabou e saiu do modo de tela inteira, permitindo que ele lesse o título.
"Humm, então esse é o seu glee club... Vocês até que eram bons." Ela lançou um olhar escuro para ele, fazendo-o sorrir. "Ok, ok, vocês eram muito bons, mas por que assistir isso agora?"
Ela abriu um documento no Word e começou a digitar.
Eu tenho uma audição semana que vem e preciso decidir qual musica apresentar. Normalmente os produtores que realizam os testes dão dicas sobre o estilo que esperam da gente, mas dessa vez eles deram liberdade total, tanto para o monologo, para a dança e para a canção. Eu estava revisando minhas grandes performances passadas a fim de escolher aquela que melhor realça a pureza da minha voz.
"Wow..." Ele arqueou as sobrancelhas para o pequeno texto. "E encontrou alguma que... faça esse negocio ai que você quer?" Noah perguntou, abrindo a sacola de papel distraidamente e tirando dois sanduiches de dentro, colocando o menor ao lado do computador e abrindo o maior para si próprio.
Ainda não tenho certeza, a minha escolha obvia seria Don't Rain on my Parade, mas tive uma experiência desagradável da ultima vez que cantei essa musica em público, talvez seja melhor ir com It's All Coming Back, foi com ela que eu entrei na NYU afinal... Mas como é quase Natal, talvez eles esperem por algo temático. Talvez eu deva fazer My Favorite Things... Eu não sei... O que você acha?
"Você está pedindo a minha opinião?" Ele perguntou surpreso, com a boca cheia e um pouco de katchup escorrendo pelo queixo.
Ela olhou para ele seriamente e fez que sim com a cabeça.
"Eu não sei, cara... Eu faço Direito, essas coisas não..." Ele limpou a boca com a manga da jaqueta. "Sobre o que é essa peça?" Puck acabou perguntando, sentando na cama de Quinn. A morena parou no meio do caminho de abrir seu sanduiche (havia um selo dizendo que era vegan, então ela não se preocupou em perguntar sobre o conteúdo).
É sobre um casal de adolescentes que enfrentam seus pais para poder ficar juntos e acabam fugindo quando proibidos. A peça mostra o caminho que eles percorrem até finalmente voltarem a cidade de onde saíram e encarar suas famílias em favor do amor que sentem um pelo outro.
"Humm... E por que você precisa fazer uma musica que já cantou antes?"
Por que se a minha voz não voltar eu não vou ter tempo para ensaiar algo novo. Eu quero muito o papel da Dominique e a audição deve ser perfeita!
"Dominique é a principal?" Ela fez que sim. "Olha, cara, eu acho que você deveria fazer algo diferente, talvez meio Rock 'n' Roll, sabe? Tipo Stones ou Aerosmith! Showtunes são legais e tudo o mais, mas não tem muito a ver com essa história."
Eu não me sinto muito confortável com esse gênero e não vou ter tempo para realmente praticar, Noah. Entendo o seu ponto, mas não sei se será possível fazer isso.
"Rock é tão emocional quanto baladas da Broadway, você iria detonar total se tentasse." Os olhos dele brilharam e ele sentou mais perto da beirada da cama. "Eu já to te vendo usando calças de couro e jaqueta combinando. Super sexy e- EI!" Ele parou de falar quando um pen drive cor de rosa atingiu sua testa. "O que foi isso?" Ele esfregou sua cabeça e lançou um olhar para a morena, que o observava de braços cruzados e com um pequeno sorriso maligno no rosto.
Suas fantasias a meu respeito são desnecessária, Noah.
"Por que? Medo que a Q sinta ciúmes?" Ele perguntou, chacoalhando as sobrancelhas e jogando o pen drive de volta para ela. A morena abaixou a cabeça e o pequeno dispositivo atingiu a janela fechada antes de cair no chão.
Não sei do que você está falando.
"Ah, qual é, Berry! Vocês dormem no mesmo quarto, passam o tempo todo juntas e eu sei que essa calça que você está usando não é sua... Certo que tem alguma coisa ai." Ele falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo e ela corou, se apressando em digitar uma resposta.
Nós dividimos um quarto por que não temos escolha. E somos amigas! Eu ainda não sei sobre o que você está falando.
"Você gosta dela e sabe disso." Ele falou em tom de provocação. "Ela gosta de você também." Sua voz se suavizou na ultima parte.
Sim, eu gosto dela e ela de mim, como amigas. Somos AMIGAS!
"Eu vejo o modo como vocês se olham. Você não pode dizer que não sente absolutamente nada por ela." Ele insistiu e ela não respondeu. "Sabe, Quinn beija muito bem. E tu já viu o corpo dela? Aquele piercing no mamilo..."
Um som engasgado saiu da garganta da cantora quando ela tentou falar e suas bochechas se esquentaram, fazendo Noah rir.
"Você não quer experimentar? Nem um pouquinho? Saber se eu estou falando a verdade?" Ele amaçou a embalagem de seu sanduiche e jogou para a lixeira, errando por milímetros e fazendo uma careta quando a bolinha de papel caiu no chão. "Por que eu tenho certeza que a minha Q adoraria se você pegasse ela e–"
"Noah!" A voz dela saiu como um sussurro rasgado e ela ficou de pé, colocando as mãos na cintura.
"Ela gosta de você, Rachel! De verdade!" Ele exclamou, apoiando as mãos nos ombros dela. "E você gosta dela de volta."
Ela abaixou a cabeça e fez que não. Ela realmente sentia algo por Quinn, mas por algum motivo, não conseguia acreditar que o sentimento pudesse ser recíproco.
"Vê se faz alguma coisa sobre isso antes que alguém apareça entre vocês." Ele a aperou antes de soltar e pegar sua mochila do chão. "Eu tenho que ir agora, mas sério, Berry. Faz alguma coisa." Ele abriu a porta para sair, mas parou no meio do caminho. "Ah, e tome seus remédios e veja a temperatura. Foi Quinn quem me mandou dizer isso. Você deveria mandar uma mensagem para ela..." Ele deu um passo para frente, parando mais uma vez. "Ela se importa com você. E eu vou te mandar uma lista de musicas por e-mail para a sua audição, acho que qualquer coisa Rock vai te dar o papel. Fui!"
E com isso ele foi embora, deixando uma Rachel pensativa e confusa parada no meio do quarto.
...
"Posso sentar aqui?"
As costas da loira se endireitaram ao ouvir a voz e ela desviou os olhos de seu amigo Edwin para encontrar Nicole parada ao seu lado. A morena colocava suas coisas no lugar que normalmente era ocupado por Rachel e não esperou que Quinn respondesse para se sentar.
"Não me olha assim, eu só quero conversar."
"Não acho que a sala de aula seja um bom lugar para isso, Nicole." Quinn virou para frente e observou seu professor guardar o atestado de Rachel em seu caderno antes de chamar a atenção da turma.
"É apresentação de trabalhos, ninguém mais tem vontade de prestar atenção." Nicole falou baixinho, se inclinando um pouco na direção da violoncelista. "Eu sinto sua falta, Quinn."
A loira respirou fundo. Ela também sentia falta de Nicole. Elas eram amigas afinal e Quinn gostava da companhia dela.
"Eu sei que agora você tem a Rachel e eu não vou entrar no meio de vocês, mas o semestre está acabando e eu não quero voltar para casa sem ter resolvido isso com você."
Uma parte da loira queria corrigir Nicole e dizer que ela e Rachel não estavam juntas, mas a outra parte, a maior delas, gostava da ideia de que as pessoas pensassem nelas como um casal, então ela apenas ficou em silencio, encontrando os olhos verdes com os seus.
"Eu queria tanto a minha amiga de volta, aquela que eu conheci no primeiro dia de aula e me perguntou por que meu dedo estava quebrado, aquela que tentou diversas vezes me mostrar o quanto meu namorado era idiota, mas ainda assim me apoiou na decisão de continuar com ele... E eu gostaria que pudesse haver algo mais entre nós, mas sei que, por enquanto, perdi minha chance e que a Rachel te faz feliz." Ela parou e engoliu em seco. Ela não tinha real certeza sobre o novo relacionamento de Quinn, mas podia ver como os olhos da loira se iluminavam sempre que encontravam os da diva e como seu sorriso sempre crescia um pouquinho mais quando a via. Ela sentia ciúmes, por que em certo momento, os olhares e os sorrisos da violoncelista se dirigiram a ela, mas ela não podia estragar suas chances de ter Quinn em sua vida novamente. "Eu não quero que você me odeie, Quinn..." Ela murmurou.
Isso pareceu motivar a loira a falar. "Eu não te odeio Nic... Você me magoou muito e eu não sei mais se confio em você, mas não te odeio." Ela mordeu o lábio e colocou uma mão no ombro da morena. "Eu também sinto falta de ser tua amiga."
"Será que a gente pode tentar de novo?"
"Acho que sim, mas devagar." Quinn falou, sentindo-se um pouco desconfortável, mas feliz.
"Eu não quero forçar as coisas..."
A loira ia responder quando o professor chamou seu nome para apresentar o trabalho. Ela apenas sorriu fracamente para Nicole antes de se encaminhar para frente da sala.
...
Quinn voltou para o quarto no final da tarde e encontrou Rachel falando no Skype com Kurt. Ela acenou para ele e se certificou que sua amiga tivesse tomado todos os remédios, conferindo também sua temperatura (36,5) antes de sugerir que elas fossem preparar alguma coisa para jantar na cozinha. Rachel concordou, feliz por poder sair um pouco do quarto.
A morena ajudou a loira a cozinhar e elas comeram em silencio junto com mais alguns alunos que se encontravam por lá. Rachel não conseguia tirar os olhos de Quinn e a loira corava todas as vezes que percebia a intensidade do olhar que sua colega de quarto lhe direcionava. Ela estava distraída pensando sobre Rachel e Nicole e tentando comparar o que sentia pela pequena diva com aquilo que sentira pela outra morena no ano anterior. Ela não queria realmente comparar, só queria entender e talvez dar um nome definitivo aos seus sentimentos.
Elas voltaram para o quarto e foram deitar cedo. Rachel voltou a dormir na parte de cima do beliche, mas Quinn permitiu que ela ficasse com sua ovelhinha. A loira estava quase dormindo quando ouviu a cama de cima ranger. Os rangidos vinham do canto perto da escada e ela acendeu a luz.
Rachel apareceu em sua frente, o lado direito de seu cabelo estava em pé e ela segurava a ovelhinha de pelúcia embaixo do braço. Quinn deslizou para trás até que suas costas encontraram a parede e levantou as cobertas com a mão direita. A cantora não disse nada, apenas deitou no espaço livre e descansou a cabeça no travesseiro da loira, suspirando suavemente.
A violoncelista apagou a luz e tentou relaxar, sua mão pairou por cima do tronco da diva, querendo envolve-la em um abraço, mas desistindo no ultimo segundo, indo parar no pequeno espaço que havia entre elas.
...
Rachel acordou no meio da noite sentindo muito frio. Ela puxou as cobertas mais para perto do próprio corpo e se encolheu em si mesma, indo um pouco para trás na cama. Suas costas encontraram algo macio e quente ao invés da parede e ela lembrou que havia mudado de cama algumas horas atrás. Quinn dormia profundamente atrás dela e emanava um calor tão bom...
A morena se moveu um pouco mais para trás, pressionando suas costas na fronte da loira e sorrindo contentemente ao absorver o calor. Um arrepio que não tinha nada a ver com a febre percorreu seu corpo quando o braço de sua amiga a envolveu, puxando-a ainda mais para perto. Ela respirou fundo e seu corpo relaxou completamente.
...
Rachel acordou de novo uma hora mais tarde. Estava tão frio, mesmo com o calor de Quinn e de todas as cobertas sobre elas. Seu corpo começou a tremer e ela se encolheu ainda mais contra a loira, apertando a ovelhinha de pelúcia em seu peito.
"Rachel?" Quinn murmurou sonolenta, acordando com os movimentos estranhos em sua cama. Ela abriu os olhos para os cabelos castanhos e sua mão apertou a lateral da diva. "Você está suando." Declarou ela, sentindo a umidade transpirar através do pijama da cantora.
"Frio." Disse Rachel, sua voz saindo em um sussurro quebradiço. Ela puxou o braço de Quinn, fazendo com que sua amiga a abraçasse com mais força.
A loira a segurou por um minuto antes de puxar sua mão de volta e mover os cabelos de Rachel para trás, sentindo a temperatura de sua testa e nuca. Uma fina camada de suor fazia com que os fios castanhos grudassem na pele bronzeada. Rachel sentiu Quinn se mover, uma mão envolver as suas e lábios gentis sendo pressionados contra sua têmpora.
"Você está fervendo!" Exclamou Quinn, acendendo a luz e soando incrivelmente preocupada. Rachel virou na cama, escondendo o seu rosto na lateral do corpo de sua amiga, tentando fugir da luz. Quinn tirou as cobertas de cima delas.
"Não.." A morena mais gemeu do que falou, tentando puxar o cobertor de volta.
"Rachel, sua temperatura deve estar alta demais. Todas essas cobertas só vão fazer a febre piorar..." Quinn sentou e engatinhou por cima dela, saindo da cama e pegando o termômetro. Ela cobriu Rachel com um lençol e o cobertor mais leve enquanto media sua temperatura. "39,3! Eu vou te levar de volta para a enfermaria!" Exclamou a loira.
A cantora segurou seu pulso e fez que não com a cabeça, ir para a enfermaria não iria adiantar nada. Ela tinha todos os remédios que precisava no quarto e o medico só iria receita-los novamente e dizer para ela repousar. Rachel apontou para a bolsinha com os remédios que estava em cima da escrivaninha e Quinn pareceu entender o que ela quis dizer.
A loira lhe alcançou um antitérmico e uma garrafa d'água. Rachel tomou o remédio com uma careta, sua garganta estava um pouquinho melhor, mas ainda doía. Ela colocou a garrafa no chão e deu espaço para que Quinn voltasse para a cama antes de apagar a luz.
Assim que deitou, a violoncelista puxou a morena para um abraço, fazendo a cabeça dela descansar em seu peito. "Se você não melhorar eu vou te levar de volta para o médico."
Rachel fez que sim preguiçosamente e Quinn deslizou mais para baixo, deitando totalmente e virando de lado, ficando de frente para a cantora. Seu braço esquerdo a envolvia, mantendo-a aquecida, e sua mão direita percorria sua testa gentilmente, afastando alguns cabelos e acariciando sua sobrancelha.
A loira havia deixado a luz da escrivaninha acesa e Rachel observou os traços sombreados do rosto de sua amiga e o modo como os olhos dourados a analisavam com tanta preocupação e carinho. Seus olhos se encontraram e o tempo parou ao redor delas. Um sorriso iluminou as feições da violoncelista e ela se inclinou para a frente, beijando a testa da morena.
"Eu me preocupo tanto com você, Rach..." Ela sussurrou antes de mover o beijo para sua têmpora e depois para sua bochecha.
Rachel fechou os olhos involuntariamente e se focou na sensação dos lábios de Quinn contra sua pele. Um calor repentino a envolveu e ela foi levada de volta àquela noite em Lima quando havia beijado a loira sem que ela soubesse. Seus olhos se abriram e Rachel olhou para aqueles lábios, imaginando como seria senti-los contra os seus mais uma vez.
E talvez ela estivesse delirando por que a próxima coisa que sentiu foi exatamente isso. A boca de Quinn cobriu a sua gentilmente e ela esqueceu como se fazia para respirar ou se mover, mas algo pareceu despertar dentro dela quando sua amiga começou a se afastar e esse algo a impulsionou um tantinho para a frente, mantendo seus lábios conectados.
E talvez fosse a febre, por que ela nunca havia se sentido assim antes, não com apenas um beijo, e não nunca. Era como entrar em combustão espontânea, queimar de dentro para fora. E provavelmente fosse mesmo a febre e nesse caso, talvez fosse contagioso, pois Quinn se sentia da mesma maneira.
O peito da loira queimava cada vez mais a medida em que ela registrava o quanto aqueles lábios eram macios e o modo como eles se moviam em perfeita sincronia com os seus. Ela respirou tremulamente, puxando Rachel mais para perto e acariciando sua bochecha com o polegar. Suas pernas se entrelaçaram sem que elas percebessem e a morena passou uma mão pelos cabelos loiros.
Foi um beijo profundo sem que línguas e dentes estivessem envolvidos. Os sentimentos que aquele beijo transmitia eram carregados de profundidade. Uma profundidade da qual nenhuma das meninas estava ciente ainda. O simples conectar de seus lábios parecia um gesto mais intimo do que qualquer outro que elas já tivessem experienciado e seria muito fácil se assustar com essa ideia, mas naquele momento, nada mais importava. E tudo fora daquele quarto – daquela cama – desapareceu pelo resto da noite.
...
Notas finais
Por favor, comentem se tiverem gostado...
Abraços e feliz 2013!
A.
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