Runaways
2 Queen
Notas iniciais
Enfim, Angel, espero não te desapontar... A relação com a musíca vai aparecer só depois da metade da fic. :)
Monica! Eu lembrei de ti escrevendo esse capítulo por que bocejos são contagiosos... haha
Boa leitura! Comentem! Até amanhã?
(Capítulo não revisado, desculpem erros aleatórios!)
"Você não come carne?! Cara, já é um sacrifício pra mim não comer bacon!" Exclamou Puck seguindo Rachel até a mesa aonde Quinn já esperava com seu sanduiche. "E sem leite e queijo... Cara! Como tu aguenta?"
"Questão de costume eu acho... Faz anos que estou sem, então não sinto tanta vontade..." Ela respondeu, sentindo-se um pouco desconfortável com a expansividade de seu novo amigo.
"É por isso que você é tão pequena, não come direito!" Ele largou sua bandeja sobre a mesa, derramando um pouco de coca por cima da comida.
"Minha altura não tem nada a ver com meus hábitos alimentares, é uma questão genética..." Ela estava começando a se irritar com ele, mas lançou um sorriso para Quinn e roubou uma batata frita de seu prato.
"Genética... Sim, então você deve ser filha de um hobbit com uma anã..." Ele falou com a boca cheia.
"Eu não sou tão baixa assim!" Ela se recostou na cadeira e cruzou os braços sobre o peito.
"Você é sim..."
"Não sou não.."
"É sim..."
"Isso é ridículo!"
"Baixinha..."
"Para!"
"É sim..."
"Pelo menos eu não uso um moicano para esconder o inicio de uma calvície eminente." Bufou a morena.
"Do que você está falando?"
"Você definitivamente vai perder todo o cabelo nos próximos anos..."
"Não vou não!"
A discussão continuou e Quinn revirou os olhos sorrindo. Ela podia ver uma amizade se formando rapidamente entre seu melhor amigo e sua nova colega de quarto.
==/==
"Então, como vocês se conhecem?" Perguntou Rachel enquanto se distraia enfiando um canudinho dentro do outro.
"Ensino Médio." Respondeu a loira.
"Bons tempos..." Murmurou Puck. "... mais ou menos."
"De onde vocês são?" Perguntou a morena.
"Minnesota." Ele respondeu. Um sorriso fácil chegou aos seus olhos.
"Saint Paul mais especificamente." Quinn também sorriu. "Mas só nos tornamos amigos de verdade nos últimos anos. Ele era simplesmente insuportável antes disso."
"Você é que–" Ele começou, mas ela levantou uma mão para que ele parasse de falar.
Ele fechou a cara em resposta.
"E você, Rach?" Ela perguntou antes que Noah tentasse falar mais alguma bobagem. "Posso te chamar de Rach?"
"Pode e eu sou de Ohio..." Ela deu um nó no canudinho e o jogou dentro do copo plástico despedaçado na frente de Quinn.
"Eu nasci em Ohio." Comentou a loira. "Morei lá até os 8 anos."
"Sério?"
"Mhum. Meu pai é militar e foi transferido pra Washington, e depois para Minnesota quando eu tinha 14." Explicou ela.
"E de qual você gosta mais?"
"Daqui..." Quinn passou uma mão pelos cabelos, fazendo com que mechas loiras caíssem em seus olhos. "Eu sinto que não preciso me preocupar em agradar as pessoas aqui..."
"Eu entendo." Respondeu Rachel, se inclinando para frente em seu acento e apoiando o queixo na mão, seus dedos tamborilaram contra sua bochecha. "Eu gostava de Ohio, mas não pertenço àquele lugar, era muito pequeno para mim..."
"Diz a pessoa de um metro e meio." Resmungou Puck.
As duas reviraram os olhos.
"Tanto faz... Vocês podem ficar tagarelando por aqui, eu vou dar um giro. Aquela Ruiva no bar fica olhando pra cá." Disse ele, levantando e vestindo sua jaqueta de couro. "Fabray, amanhã à noite. Te pego as nove."
Ela fez que sim e seus olhos dourados o seguiram até o bar.
"O que vai ter amanhã as nove?"
"A festa de boas vindas do curso dele." Respondeu a loira. "E ele tem uma teoria ridícula de que atrai mais garotas quando está acompanhado..."
"Qual o curso dele?" Perguntou a morena, tentando imaginar o que combinava com Noah.
"Acredite se quiser, ele está estudando para ser advogado algum dia..."
Quinn cobriu sua risada com a mão quando os cantos da boca de Rachel se viraram para baixo e suas sobrancelhas se arquearam em incredulidade.
"Eu sei... Eu sempre achei que ele ia acabar largando a escola para abrir um bar ou algo assim." Mais uma vez a mão da loira percorreu seus cabelos, Rachel acompanhou o gesto, ela já estava se acostumando com ele. "Na verdade," continuou Quinn, "Eu não sei como ele conseguiu ser aceito pela NYU, a média dele no colégio era deprimente."
"É, ele não parece muito esforçado..." Comentou a cantora.
"Eu tive que dar aulas particulares no ultimo ano, ele estava praticamente reprovado..."
"Milagres acontecem?" Sugeriu Rachel.
"Pois é... Mas eu estou feliz que ele esteja aqui comigo. Nossa amizade funciona..."
"Vocês parecem confortáveis juntos." Concordou a morena.
"É..." Quinn mordeu o lábio. Ela e Puck tinham história, mas Rachel não precisava saber disso ainda...
As conversas aleatórias continuaram por mais de uma hora, como se elas estivessem tentando conhecer tudo sobre a vida da outra no primeiro dia de convivência.
Rachel descobriu que a mãe de Quinn era professora de teologia e dava aula em uma faculdade em Minnesota e que sua irmã era uma agente imobiliária por lá também.
Quinn aprendeu sobre os dois pais da morena e uma mulher chamada Shelby que entrava e saia de sua vida esporadicamente.
Os tópicos giraram principalmente em torno de família e já era quase meia noite quando o primeiro bocejo se fez presente. Quinn cobriu a boca com a mão e Rachel a imitou involuntariamente, pescando seu celular na bolsa para ver a hora e arqueando as sobrancelhas.
"Você tem algo planejado pra hoje à noite?" Ela perguntou sem levantar os olhos da tela.
"Dormir?" Disse a loira, passando a mão pelos cabelos. "Você?"
"Cama também. Na verdade, eu deveria ter praticado um pouco e ido refazer minha matricula na academia, mas acho que nenhuma das duas coisas daria muito certo a essa hora..."
"Humm..." Quinn bocejou de novo.
Rachel bocejou também. "Por que será que bocejos são contagiosos?"
"Alguém me disse uma vez que tinha a ver com neurônios espelho, mas não lembro direito..." Explicou a loira. Seus olhos estavam mais brilhantes do que o normal por causa do sono e Rachel se demorou olhando dentro deles. Quinn parecia tão familiar...
Elas voltaram aos dormitórios em um silêncio confortável.
"Acho que você deveria usar o banheiro primeiro, eu tenho uma rotina muito específica de cuidados noturnos e ela tende a demorar um pouco." Sugeriu a morena, parando no meio do caminho até o banheiro.
Quinn olhou para ela com a testa franzida. "Ok..." Ela murmurou, pegando uma toalha de banho dentro do armário, junto com uma bolsa branca com bolinhas verdes e pijamas. "Até daqui a pouco?" Soou como uma pergunta e Rachel concordou com a cabeça, vendo sua nova amiga desaparecer pela porta.
O barulho de água corrente preencheu o aposento e a cantora sentou na cama de Quinn. Ela alisou a fronha amarela antes de pegar a ovelhinha de pelúcia que descansava sobre o travesseiro com as duas mãos. Ela encarou o bichinho sorridente.
"Olá..." Murmurou ela. "Você parece fofinho..." Rachel o abraçou contra o peito, quase que involuntariamente. Ele exalava um cheiro suave de sabonete. Provavelmente o mesmo cheiro que Quinn teria, caso ela tivesse chegado perto o suficiente para cheirar sua colega de quarto. O que talvez parecesse um pouco estranho... Pensou a morena, inspirando mais uma vez e se sentindo ainda mais sonolenta.
Ela tomou cuidado para reposicionar a ovelhinha no travesseiro antes de se levantar e caminhar em direção ao violoncelo que repousava contra a parede. O estojo de couro estava um pouco surrado devido às viagens que devia ter feito para sabe-se lá aonde, Rachel o examinou, procurando por adesivos ou alguma marca que o remetesse a Quinn. Acabou encontrando, bordado em vermelho no bolso de fora, o nome: Quinn Fabray, ao lado de um botton do Queen. Ela se perguntou se seria uma piada ou se a loira realmente gostava da banda.
Depois de mais alguns minutos examinando os livros que a violoncelista havia colocado sobre a escrivaninha, Rachel decidiu que não era muito normal ficar mexendo nas coisas dos outros e, com o rosto vermelho de constrangimento, foi separar sua toalha e seus produtos de higiene. Ela estava com a cabeça enfiada dentro do armário quando a porta do banheiro se abriu.
"Pronto." Disse a voz de Quinn. O som de seus pés descalços grudando no chão se afastou até as camas. "Espero não ter demorado muito..." Ela acendeu um abajur na escrivaninha e Rachel se virou. Seus olhos escuros percorreram o corpo da mulher a sua frente. Ela usava uma regata amarela e um short repleto de florzinhas vermelhas, seus cabelos dourados estavam desordenados e úmidos e grudando contra suas bochechas. Por algum motivo, Rachel sentiu seu rosto esquentar novamente.
Olhos esverdeados se levantaram da pilha de livros e a cantora piscou algumas vezes. "Sim, não, eu... er... vou usar o banheiro agora." Ela olhou para o chão e se apressou para dentro do banheiro.
Quinn escolheu um livro de sua pilha de recém adquiridos. Ela sempre fazia isso, no começo de todos os semestres, ela pegava seus livros antigos e mais alguns dólares, escolhia algum sebo em algum canto obscuro da cidade e realizava trocas. A maioria dos livros que encontrava eram clássicos, mas ela tentava fugir desses em busca de literaturas alternativas.
A loira deitou na cama, abriu sua copia relativamente gasta de 'Risíveis Amores' e começou a ler o primeiro conto quando a voz de Rachel atingiu seus ouvidos.
"Every breath you take, every move you make…"
(Cada inspiração sua, cada movimento seu…)
Em um primeiro momento, ela sentiu vontade de rir. Era obvio que Rachel cantava no chuveiro. Ela sorriu consigo mesma e abaixou o livro contra o peito, olhando para o estrado da cama de cima e ouvindo com atenção.
"Oh can't you see.. You belong to me.. how my poor heart aches… with every breath you take…"
(Como você não consegue ver… Você pertence a mim… Como meu pobre coração dói... Com cada inspiração sua...)
"Wow…" Ela respirou. A voz da morena era muito melhor do que ela havia imaginado que seria. Seu coração acelerou e ela perdeu o folego quando um arrepio percorreu sua espinha. Ela amava as sensações que somente a música podia lhe causar, mas não tinha certeza se seu corpo estava reagindo à música ou à Rachel.
"Every move you make, every vow you break…"
(Cada movimento seu, cada voto que você quebra...)
"I'll be watching you…" (Eu vou estar te observando) Ela cantarolou sem perceber o que fazia.
A água parou de correr e Quinn chacoalhou a cabeça levemente. Mordendo o lábio, ela voltou sua atenção para o livro.
Rachel surgiu na porta do banheiro uns vinte minutos depois, seus cabelos estavam secos e presos em uma trança solta que descansava em seu ombro. Ela se deparou com Quinn lendo seu livro e abraçando a ovelha de pelúcia com um braço.
"Hey.." Sorriu a loira, levantando os olhos do papel.
"Oi..."
Quinn fechou o livro e o guardou em baixo do travesseiro enquanto Rachel subia a escada para sua cama.
"Posso apagar a luz?" Pergunto a violoncelista depois de alguns instantes.
"Pode. Boa noite, Quinn."
"Boa noite, Rach." Ela apertou o interruptor acima de sua cabeça e elas mergulharam em uma semi escuridão. Ainda havia luz dos postes do lado de fora e essa luz pálida se infiltrava pelas frestas da janela, iluminando o quarto fracamente.
"Boa primeira noite..." Murmurou a cantora.
Quinn riu e apertou sua ovelha contra o peito. "Boa primeira noite, Rachel. Sonhe com os anjinhos."
"Você também..."
Elas ficaram em silêncio. Quinn virou de lado e fechou os olhos enquanto os de Rachel permaneciam bem abertos e fixos no teto. Era estranho estar tão próxima dele. Ela levantou um braço, mas ainda faltavam alguns palmos para que seus dedos encontrassem o gesso branco.
"Quinn?" Ela perguntou baixinho.
"Hmmm..."
"Você está acordada?"
Olhos dourados se abriram em fendas no escuro e ela também virou de barriga para cima. "Mhumm.."
"Você acha que... Isso... Não parece muito seguro..." Começou a morena.
"Isso o que?" A voz da loira estava rouca e não passava de um sussurro.
"Essa cama de dois andares." Ela esperou por uma resposta que não veio. "Quinn?"
"Hmmm?"
"Você ainda está acordada?"
"Sim, Rachel..."
"Não é possível que isso desmorone, não é? Quero dizer, a minha cama não vai cair em cima da sua no meio da noite, né?"
Quinn sorriu preguiçosamente. "Acho que nunca vi isso acontecer..."
"Eu não quero te machucar, nem me machucar. E eu nunca dormi em um beliche antes e é estranho ver o teto desse ângulo e eu tenho medo de olhar pra baixo." Ela falou rapidamente.
"Não precisa se preocupar, acho que deve ser seguro. A menos que você pese mais de 150 quilos, ai eu não sei..." A loira passou uma mão pelos olhos.
"Eu obviamente não sou tão pesada..." Comentou a morena.
"Obviamente."
"Não vai cair, né?"
"Não, Rachel." Bocejou ela.
"Ok..."
"Boa noite."
"Boa noite."
Rachel fechou os olhos e respirou profundamente algumas vezes.
"Quinn?"
"Hmmm?" A loira sentiu seus olhos pesarem.
"Você gosta de Queen?" Perguntou Rachel. Ela estava curiosa afinal.
"Você tocou no meu violoncelo?"
"Talvez?" Respondeu a morena depois de alguns segundos. "Você não gosta que toquem nele?"
"Não.. Quero dizer, não me importo... Você pode tocar nele se quiser." Ela riu baixinho. "E sim, eu gosto de Queen. É uma das minhas bandas favoritas."
"Eu gosto deles também. Freddie Mercury tinha um alcance vocal fantástico." Ela fez uma pausa. "Eu adoraria ter visto ele ao vivo..."
"Hmhum." Concordou Quinn.
"Quinn?"
"Humm?"
"Você está muito cansada?"
"Hmmmm."
"Isso é um sim?"
"Boa noite, Rach..."
"Boa noite, Quinn."
==/==
Notas finais
Troco atualização por comentários ;)
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