Runaways

15 Isso é um GPS


Notas iniciais
Capítulo bem comprido e cheio de Puckerman.. :P
Obrigada pelos comentários :DD
Boa leitura!
Músicas mencionadas no capítulo:
All Around the World Oasis
One and Only Adele
Shake it Out Florence and the Machine
Uncharted Sara Bareilles
Here I go Again White Snake

"Oh, Quinn, você atendeu!"

"A-aconteceu alguma coisa?" Não era como se Quinn não conversasse com sua mãe, mas desde que havia se mudado para NY, suas conversas eram restritas a e-mails e telefonemas eram coisas muito raras e ocasionais.

"Não, eu só.. Sinto saudades e é quase Natal. Uma mãe não pode falar com sua filha de vez em quando?"

"Pode, eu acho.." Quinn suspirou. "Eu também sinto sua falta mãe." Ela realmente sentia. Já fazia quase dois anos que não via seus pais ou sua irmã pessoalmente.

"Como está a faculdade? Suas aulas já acabaram?"

"Sim, essa é a ultima semana para entregar os trabalhos, mas as aulas não são mais presenciais." Ela se escorou na parede e deslizou até sentar no chão. "E as suas?"

"Oh, faz duas semanas que estamos paralisados por causa do frio. É pra fazer -33 graus na noite de Natal."

"Muita neve?" Quinn sorriu, lembrando dos primeiros invernos que passou em Minnesota.

"Sim, seu pai e Glenn passaram a manhã enterrados até a cintura em gelo tentando pendurar luzinhas de Natal..." A loira ouviu sua mãe rir levemente.

"Vocês voltaram a decorar a casa?" Os Fabrays haviam parado de decorar o exterior da casa quando sua irmã, Reese, entrara na faculdade.

"Bem, não exatamente, é só que sua irmã e Glenn chegaram ontem e Vince tem 4 anos. Estamos colocando as luzinhas para ele..."

"Ele já tem 4 anos?" Algumas pessoas saíram do auditório e pularam por cima de suas pernas estendidas.

"Ele está tão grande e esperto, Quinnie, você tem que ver!" Ela fez uma pausa e falou alguma coisa com alguém do seu lado da linha. "Você tem algum plano para o Natal?"

"Nada de muito especial. Os pais da minha colega de quarto tem um cruzeiro e ela vai ficar por aqui, então tínhamos combinado de passar o Natal e o ano novo juntas em algum hotel, já que os dormitórios vão estar fechados durante os feriados..." A cabeça de Rachel apareceu na porta do auditório e a morena a olhou com curiosidade.

"Tudo bem?" A cantora perguntou silenciosamente e Quinn fez que sim.

"Você não devia passar o Natal sozinha de novo querida. Não quando tem uma casa para onde voltar..."

"Eu não vou estar sozinha e não acho que Russel ficaria muito feliz em me ver."

Puck e Rachel se juntaram a ela no corredor, Noah sentou ao seu lado e a morena ficou em pé, mexendo em seu próprio telefone enquanto a loira continuava a falar.

"Na verdade, eu venho conversando com o seu pai sobre isso e.. Bem, nós dois sentimos a sua falta, querida."

"O que você quer dizer com isso?" Ela perguntou, um pouco alarmada.

"Eu gostaria tanto que você voltasse para casa, pelo menos por alguns dias..."

"Mãe..."

"Isso não é sobre o seu pai, Quinn, é sobre mim. Você não pode descontar em mim pelos erros que ele cometeu com você." Ela fez uma pausa, esperando por uma resposta de sua filha, que não veio. "Quinn? Você ainda está ai?"

"Sim, sim, estou aqui."

"Eu.. É por isso que eu estou te ligando... Sei que é em cima da hora, mas gostaria tanto que você passasse o Natal aqui..."

"Eu não sei, mãe... Já tenho planos com a Rachel..." Ela lançou um olhar para a morena, que olhou em sua direção ao ouvir seu nome ser mencionado.

"Traga ela com você! Eu não conheço nenhum dos seus amigos de Nova York e essa menina, como é mesmo o nome dela?"

"Rachel."

"Isso, vocês moram juntas e eu nem sei como ela se parece. Ela é legal com você? Vocês são muito próximas?"

"Sim, ela é... minha melhor amiga."

"Por favor, filha. São só alguns dias e sua amiga pode vir também. Seu pai vai se comportar... Seria tão bom ter minhas duas filhas comigo para os feriados... Será que é pedir muito? Que eu possa passar o Natal com as minhas meninas?"

A loira passou uma mão pelo rosto. Chantagem emocional. Ela havia esquecido o quanto sua mãe era boa nisso.

"Não sei..."

"Por favor, Quinnie. Eu sinto tanta saudade..." A voz dela soava chorosa e rouca.

"Está bem." Quinn concordou, sem pensar muito no que fazia.

"Está bem? Você vai vir?"

"Sim..."

"Oh, minha querida!" Judy riu. "Você precisa de dinheiro para as passagens?"

A loira olhou para Noah, que a encarava atentamente. Provavelmente ele já tinha entendido o que estava se passando na conversa. "Não, eu me viro..."

"Eu mal posso esperar para te ver de novo, Quinnie! Eu te amo tanto!"

"Eu também te amo mãe..." Ela sorriu um pouquinho. "Escuta, eu tenho que ir agora... Mas te ligo mais tarde, ok?"

"Quem era?" Perguntou Rachel quando ela desligou o telefone.

"Minha mãe."

"Está tudo bem? Você está mais pálida do que o normal..." A morena lhe ofereceu uma mão, ajudando-a a se levantar.

"Eu acabei de concordar em voltar pra casa no Natal." Ela falou baixinho, olhando para a frente, como se percebesse pela primeira vez o que havia acabado de fazer.

"Pra casa? Mas nós não tínhamos –"

"Eu sei, mas aparentemente, você também está convidada..."

"Eu?!" Rachel arqueou as sobrancelhas.

"Minha mãe quer te conhecer."

"E você acha que é uma boa ideia?"

"Não sei se é uma boa ideia, mas eu ficaria feliz se você estivesse comigo." Quinn falou suavemente, passando uma mão pelos cabelos castanhos que Rachel havia soltado.

"Isso vai ser estranho, não vai?" A cantora perguntou, mordendo o lábio.

"Provavelmente."

Rachel suspirou. "E como a gente vai ir até lá?"

Quinn sorriu. "Isso significa que você vai?"

A morena fez que sim e ganhou um beijo estralado nos lábios.

"Será que vamos conseguir passagens nessa época?"

"Nós não vamos de avião."

...

22 de dezembro de 2013 – 4 da madrugada

"Eu ainda não entendo por que temos que sair tão cedo..." Bocejou Rachel, estendendo sua mala de rodinhas para que Noah a guardasse no porta malas.

"São 24 horas de viagem e temos que aproveitar o tempo bom antes que comece a nevar..." Ele respondeu, jogando a mala dentro do carro e fazendo a morena estremecer com o barulho.

"Está fazendo menos 10 graus, você chama isso de bom tempo?" Ela perguntou, esfregando uma mão enluvada na outra antes de ajustar seus protetores de ouvido. Suas palavras se transformavam em fumaça sob a luz dos postes que iluminavam o estacionamento dos dormitórios.

"Você não sabe o que é frio," Começou ele, sua cabeça escondida dentro do porta malas enquanto ajeitava as bagagens para que a que Quinn trazia pudesse caber também. "até ter passado um natal em Minnesota." Ele se endireitou e pôs as mãos na cintura, olhando para o prédio e esperando que sua amiga aparecesse.

"Eu vou buscar os travesseiros..." Murmurou Rachel, enfiando as mãos nos bolsos e correndo para dentro, passando por Quinn e sua mala no meio do corredor. "Posso trancar a porta?" Ela questionou quando se encontraram.

"Pode... Não esqueceu nada?"

"Acho que não..." Ela parou para pensar, mas era cedo demais, até mesmo para o seu cérebro, que estava acostumado a acordar nas primeiras horas da manhã. "Quer que eu pegue a ovelhinha?"

"Por favor." Sorriu Quinn.

Rachel fez que sim com a cabeça e desapareceu pela porta do 102.

...

"Ninguém esqueceu nada? Não vai mesmo levar o Celo, Q?" Puck perguntou, prestes a fechar o porta malas definitivamente.

"Não, tenho um em casa e acho que seria desconfortável viajar com ele no colo..."

"Rachel?"

"O que?" Ela perguntou, um pouco desnorteada por causa do sono. "Ah, não, sim, não, não esqueci nada. Fiz várias listas pra confirmar..." Ela murmurou, tirando alguns post its amarelos e cor de rosa de dentro do bolso.

"Ok, então vamos lá." Ele sorriu e baixou a tampa antes de estender a chave do carro para a morena.

"Por que você está me dando isso?" Ela perguntou, sem se movimentar para pegar o molho que ele lhe entregava.

"Por que são 24 horas de viagem," Ele chacoalhou as chaves. "e você vai começar dirigindo."

"Por que eu?" Ela perguntou, arregalando os olhos. "São quatro da manhã, eu não estou atenta o suficiente para dirigir..."

"Eu também não, Baby.."

Rachel tentou olhar para Quinn em busca de apoio, mas a loira já havia entrado no carro e sua fronha de bolinhas tapava a janela traseira.

"Em algum momento você teria que dirigir e eu acho que é melhor que seja enquanto ainda estamos em território conhecido e sem neve." Ele proclamou, jogando a chave em sua direção e não lhe dando escolha a não ser pegar (do chão, por que ela não estava preparada para um arremesso).

Ela bufou, fazendo com que uma nuvem saísse de seus lábios. Ele sorriu, ajeitando a touca na cabeça e deu a volta no carro, se acomodando no lado do passageiro.

Rachel bateu o pé e revirou os olhos antes de sentar atrás do volante e ajustar o banco todo para frente.

"Tem como ajustar isso também?" Ela perguntou, tateando em volta do volante, que estava alto demais.

"Primeiro liga o carro." Comandou Noah.

Ela lhe lançou um olhar homicida.

"Não faz essa cara! A gente precisa de luz e seria bom aquecer o motor, se não ele não vai sair do lugar..."

"E ar condicionado." Quinn resmungou do banco de trás. "Por favor."

Rachel deu a partida e Puck acendeu a luz acima deles, apertando algo atrás do volante que o fez descer.

"Melhor agora?"

"Muito." Ela pôs o cinto e regulou os espelhos cuidadosamente. "Quinn, você pode tirar o meu travesseiro lá de trás?"

A loira fez uma manobra de contorcionismo com o braço e puxou o travesseiro da morena para baixo, abraçando-o contra o peito e fechando os olhos novamente.

"E coloca o cinto."

Quinn obedeceu sem abrir os olhos e enterrou o rosto no travesseiro lilás da cantora, respirando profundamente.

Noah colocou o GPS que havia programado em seu devido lugar e o aparelhinho começou a dar instruções. Ele escorou a cabeça no encosto e fechou os olhos também.

"Você vai dormir?" Perguntou Rachel, saindo do campus da universidade e entrando nas ruas movimentadas de NY (que continuavam a pleno vapor, apesar de serem 4 da manhã).

"O que você acha?"

"Mas e se eu me perder?"

Ele abriu um olho e depois o outro. "Isso se chama GPS." Ele apontou para o aparelhinho no console.

"Eu sei, mas –"

"É só obedecer a mulherzinha irritante, você não vai se perder."

Ela bufou mais uma vez. "Posso pelo menos ouvir música?"

Noah abriu o porta luvas e jogou seu celular com o cabo auxiliar em cima dela quando eles pararam em uma sinaleira. "Seja feliz. Agora me deixa dormir."

...

08:30 da manhã

"Noah.." Rachel cutucou seu amigo algumas vezes. "Noah!"

"Hu? O que?" Ele perguntou se endireitando no banco e olhando em volta, desorientado. O sol já havia nascido e ele olhou o relógio, era 8:30.

"Eu acho que não sei onde estamos." A morena falou, arregalando os olhos e mordendo o lábio.

Ele percebeu que o carro estava parado em frente a um portão escrito 'propriedade privada' e olhou para o GPS, que mostrava uma tela branca com o ponto vermelho do carro perdido no meio. "Você não seguiu as instruções do GPS?"

"Segui!"

"Tem certeza?"

"Tenho!"

"Como a gente pode ter parado aqui se você seguiu as instruções?" Perguntou ele, pegando o aparelho na mão e tentando recalcular a rota.

"Eu não sei! Acho que esse negócio mentiu pra mim!" Ela exclamou, ligando o limpador de para-brisa para afastar um pouco da neve que havia começado a cair. "Eu disse que isso ia acontecer! Eu nunca dirigi fora da cidade antes!"

"Calma..." Disse ele, recolocando o GPS no lugar. "Já arrumei de novo. É só dar a volta e voltar pra estrada..."

"Eu não vou mais dirigir." Ela cruzou os braços.

"Ah, vai sim. Ainda está na sua vez até as 10 horas."

"Quem foi que criou esse esquema de horários e por que ninguém me falou sobre ele antes?"

"Eu criei. Na minha cabeça. Ontem de noite."

Ela lhe lançou um olhar incrédulo. "Eu não vou mais dirigir."

"Rachel..."

"Eu estou estressada, com sono, com fome e muito irritada com você no momento." Ela disse, tirando o sinto e colocando a mão na maçaneta. "E também preciso fazer xixi."

"Pelo menos dirige até um posto de gasolina, ai a gente pode ir no banheiro e tomar café da manhã e a Quinn pode te substituir..." Ele sugeriu.

Rachel respirou profundamente pelo nariz. Ela já tinha aberto a porta e estava pronta para se juntar a loira no banco de trás.

"Por favor?" Noah pediu. "Eu vou ter que passar a noite dirigindo enquanto vocês dormem..."

Ela desviou os olhos dele e cobriu o rosto com uma mão. "Tá..." A porta se fechou e a morena recolocou o cinto. "Mas só até o posto de gasolina. E você vai ficar acordado!"

...

Posto de Gasolina

"Como você conseguiu dormir durante 5 horas de viagem sem acordar nem uma vezinha?" Rachel perguntou, passando os dedos pelos cabelos de Quinn em uma tentativa de abaixar o lado esquerdo, que estava todo amassado por causa do travesseiro. "Você não ouviu a minha discussão com o Noah?"

"É a Quinn, Rachel..." Noah comentou, dando a volta no carro e parando ao lado delas. "Ela não dorme, ela apaga..."

A loira bocejou, as mãos de Rachel em seus cabelos a estavam deixando sonolenta de novo. "Por que vocês discutiram?"

"Por que a tua namorada conseguiu confundir o GPS." Puck falou secamente.

"O GPS é que mentiu pra mim!"

Noah fez que não com a cabeça. "Você deve ter mexido em alguma coisa..."

"Eu nem encostei nele! Uma hora dizia vire a esquerda e no segundo seguinte, a tela ficou branca!"

"Tanto faz! Você não precisava ter ficado toda estressada por causa daquilo..."

"Eu não –"

"Como foi que eu acabei presa em um posto de gasolina no meio do nada com duas crianças de 5 anos?" Quinn perguntou baixinho, apoiando uma mão na testa. Noah e Rachel pararam de discutir e olharam para a loira. "Sério, vocês são piores do que eu e minha irmã quando éramos crianças..."

"Eu não quero mais discutir." Rachel proclamou, entrelaçando seus dedos aos de Quinn e puxando-a em direção a lanchonete do posto. "Só quero comer alguma coisa e chegar logo na sua casa."

Eles entraram na lanchonete e olharam em volta. O lugar não parecia muito agradável e estava longe de ser considerado limpo, mas os três bateram a neve de seus ombros e sentaram em uma mesa na janela.

"Vocês tem alguma coisa vegan?" Rachel perguntou para a garçonete enquanto seus olhos percorriam o cardápio.

"Salada." Respondeu a mulher de meia idade com um ar irritado.

"Salada as nove da manhã?" Falou Quinn, franzindo as sobrancelhas.

"Eu não controlo o tempo, queridinha..."

"Não tem alguma coisa no menu de café da manhã que não tenha–" Recomeçou a morena.

"Isso é um posto de gasolina. As pessoas normalmente param aqui pra abastecer, não pra exigir pratos insossos de café da manhã." A mulher rebateu antes que ela pudesse terminar, fazendo com que Rachel apertasse os lábios.

"Ok..." Puck jogou o cardápio na mesa. "O que você sugere pra gente então?"

"Torradas. E café preto." Ela fez uma pausa. "Acreditem, vocês não vão querer experimentar qualquer outra coisa."

"Pode trazer isso pra três então." Noah solicitou, se recostando no banco.

Rachel fez uma careta. "Todos os lugares da estrada são assim?"

"Não todos, mas uma boa parte." Respondeu Puck. "Se você tivesse dirigido mais uma hora, nós poderíamos ter parado em um lugar bem melhor que fica há uns 30 km daqui."

"Para com isso, Puckerman!" Quinn defendeu a morena, irritada de repente. "Ela não conhece o trajeto, você e eu deveríamos ser os motoristas aqui."

"Eu só estava querendo nos poupar, você sabe como é cansativo dirigir todo esse caminho."

"E eu já tinha te dado uma sugestão quanto a isso." A loira respondeu, fazendo um aviãozinho de papel com um panfleto que estava em cima da mesa.

"Passar a noite em um motel de beira de estrada não é uma boa sugestão." Ele respondeu seriamente.

"Era o que você teria que fazer se estivesse viajando sozinho." Ela jogou o aviãozinho que atingiu o peito dele e caiu embaixo da mesa.

A garçonete reapareceu carregando uma bandeja e jogou um prato de torradas na mesa. "Mel ou geleia de morango? Se fosse vocês, ficaria com o mel."

"Pode... ser?" Rachel respondeu em tom de pergunta e a mulher colocou um pote de mel na sua frente antes de ir buscar o café.

"Depois desse café da manhã, acho que não faria mal sair um pouco da rota e parar em Cleveland para almoçar..." Quinn comentou, mastigando a torrada seca e tomando um gole do café que, surpreendentemente, não era ruim.

"Você vai dirigir?"

...

Depois do almoço

"Para, para, para." Rachel abraçou o encosto do banco de Noah. "Volta uma música!"

"Se eu voltar você vai começar a cantar?" Ele perguntou, olhando para ela pelo canto do olho.

"Eu sempre canto em viagens assim com os meus pais..."

"Volta a música, Puckerman." Quinn murmurou, sem desviar os olhos da estrada. "Eu gosto de Oasis também." Ela começou a tamborilar os dedos no volante antes de aumentar o volume.

Rachel começou a cantarolar no banco de trás e Puck apoiou o cotovelo na janela, contando o tempo até que sua amiga começasse a cantar. Surpreendentemente, ela se conteve até o refrão.

All around the world, you gotta spread the word..

Tell them what you heard..

Ele não se importava que ela cantasse, e também adorava Oasis, mas uma parte dele, por algum motivo, adorava comprar brigas com a morena. Apesar de não conhece-la a tanto tempo e nem tão bem quanto Quinn, ele via a pequena diva como uma irmã mais nova e a tratava exatamente como trataria Megan (sua irmã) se ela estivesse por perto.

Take me away, cos I just don't wanna stay..

And the lies you make me say, are getting deeper everyday..

Quinn começou a cantar também e ele lançou um olhar para a loira. Fazia tanto tempo que ele não a via tão feliz... Pensando bem, Noah não lembrava de ter visto a violoncelista assim em nenhum momento, nem mesmo antes de Beth, nem quando era líder de torcida. O sorriso no rosto dela só servia para fazer com que ele gostasse ainda mais de Rachel.

Na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na, na...

Ele sorriu consigo mesmo e suspirou, chacoalhando a cabeça e finalmente se juntando a elas no refrão.

All around the world, you've gotta spread the word..

Tell'em what you've heard, you know it's gonna be ok..

Quinn sorriu para ele e olhou para Rachel através do espelho retrovisor. Ela cantava com um sorriso no rosto e seus olhos escuros brilharam ao entrar em contato com os seus pelo espelho. De repente, o coração da loira vacilou uma batida, sua boca ficou seca e o ar escapou de seus pulmões. E ela descobriu que, apesar de estranho, gostava de sentir o que sentia, gostava de todas essas reações que somente os olhos de Rachel podiam lhe causar.

Naquele momento ela percebeu o quanto realmente amava a pequena morena e pediu silenciosamente a um Deus com quem já não falava a algum tempo, que esse amor pudesse ser correspondido.

...

22:00

"Noah Puckerman!" Quinn gritou, fazendo Rachel acordar de repente.

"O que?" Murmurou a morena, esfregando os olhos e sendo totalmente ignorada.

"Para o carro!"

"Eu não vou.."

"Para a droga do carro, Puckerman!"

Rachel arregalou os olhos, ela nunca tinha ouvido Quinn usar aquela voz antes e era um pouco assustador.. Mas também eficiente, uma vez que Noah revirou os olhos e parou em um acostamento.

"O que aconteceu?" A morena tentou novamente, olhando para fora da janela e só vendo escuridão e neve.

"O que aconteceu é que estamos no meio de uma nevasca, as estradas provavelmente vão ser interditadas a qualquer momento e o imbecil atrás do volante continua dirigindo a 100 por hora!" A voz da loira estava rouca, provavelmente por causa do grito que acordara a pequena diva.

"Eu sei dirigir, Quinn..." Ele falou, soando irritado.

"Eu sei disso, mas nós acabamos de derrapar! E a neve está forte de mais, não tem visibilidade nenhuma!"

"E o que você quer que eu faça? Mande parar de nevar?"

"Eu quero que você use um pouco do cérebro que eu sei que existe ai dentro!" Ela encostou um dedo na testa dele. "Não é seguro dirigir nessas condições, milhões de acidentes poderiam acontecer e eu gostaria de chegar viva em casa, nem que a gente tenha que atrasar um pouco a nossa chegada!"

"Faltam só oito horas –"

"Você quer passar as próximas oito horas dirigindo na neve sem conseguir ver nada?" O vermelho de seu rosto começou a desaparecer e ela começou a se acalmar.

"Você está sugerindo que eu fique aqui parado até a neve diminuir?"

"Não, eu estou dizendo que a gente passou por um hotel a mais ou menos um quilometro e que ele parecia decente o suficiente pra passar a noite."

"Tu sabe que eu queria ir direto, nós já tínhamos falado sobre isso, Quinn."

"Sim, mas a gente não tinha considerado tanta neve, Puck..."

"Eu acho que a Quinn tem razão, Noah." A morena interviu e ganhou um olhar fechado do motorista.

Ele resmungou, mas fez o retorno, sabendo que suas amigas tinham mesmo razão. "Mas você vai pagar pela hospedagem, Q."

...

Hotel

"Ah, nem é tão ruim assim..." Quinn murmurou de seu lugar na cama, sentada ao lado de Rachel.

"Não é você que vai dormir na poltrona." Noah respondeu, tirando calças de abrigo e uma camiseta branca de dentro da mala.

"Pelo menos a calefação funciona." Apontou Rachel, feliz em poder tirar as camadas de roupa que estava usando dentro do carro.

"Ótimo, por que a TV não." Ele resmungou, jogando o controle remoto de volta no lugar.

"Para de reclamar e vem escolher alguma coisa pra comer..." Quinn folheava o cardápio do restaurante coreano que ficava no primeiro andar do hotel.

Eles decidiram o que queriam e a loira desceu para pegar, deixando Rachel e Puck sozinhos. A morena pulou da cama para procurar pelo pijama dentro da mala, sorriu para seu amigo e entrou no banheiro.

"I dare you to let me be..." Ela cantarolava enquanto se vestia e Noah se aproximou da porta.

"Eu detesto Adele, dá pra trocar de música?"

A morena não respondeu, apenas fez o que ele disse. "Regrets collect like old friends.."

Ele arqueou as sobrancelhas e ficou encarando a porta até ela sair.

"It's always darkest before the..." Ela parou de cantar quando viu que estava sendo observada. "O que? Você tem algum problema com Florence and the Machine?"

"Isso foi muito estranho..."

"O que?" Ela perguntou, olhando para trás, como se esperasse encontrar o 'algo estranho' parado às suas costas.

"Da pra fazer de novo?"

"O que?"

"Trocar de música..."

Ela deu de ombros. "I'm going down, follow if you wanna won't just hang around…" Rachel cantarolou enquanto dobrava suas roupas.

"Algo que não seja de menina. Da pra mudar pra algo da minha lista?" Ele perguntou, se escorando na parede.

Ela lhe lançou um olhar de estranhamento, mas imediatamente mudou para uma das musicas que mais havia gostado. "I don't know where I'm going..But I sure know where I've been.."

"Eu adoro essa música." Sorriu ele.

"Here I go again.. Here I go again.."

Rachel continuou cantando.

"Cause I know what it means, to walk along the lonely street of dreams.."

Puck deu um pulo e se juntou a ela no refrão, fazendo uma careta que a fez rir.

"And here I go again on my own.. Going down the only road I've ever known.." Ela também começou a dançar e pular e os dois cantavam a plenos pulmões. Foi isso que Quinn encontrou quando voltou com a comida.

"Ok, o que eu perdi..?" Ela perguntou, congelando com a porta aberta e vendo Rachel balançar em cima da cama e Puck levantar do chão.

"Cara, tua namorada é como um Ipod!" Ele exclamou, fechando a porta e tirando a sacola das mãos dela. "Só que melhor, por que o comando de voz realmente funciona..."

"Ok.." Ela falou devagar, olhando para Rachel em confusão.

"Nós estávamos cantando." A morena falou com um sorriso, ficando na ponta dos pés e beijando sua boca rapidamente.

"Eu percebi..."

"Deus!" Exclamou Noah, cuspindo a comida que havia acabado de mastigar em um guardanapo. "Isso é horrível!"

...

"Eu vou tomar banho. Não façam nada inapropriado sem mim.." Disse Puck, piscando e se levantando da cama.

Quinn abriu os olhos apenas para revirá-los antes de fechar novamente. Ela estava com a cabeça no colo de Rachel e a morena brincava distraidamente com seus cabelos. Ela sentiu os dedos da diva percorrerem seu pescoço, seu peito e pousarem em cima da mão que descansava em seu abdômen.

A cantora ergueu sua mão e começou a traçar as linhas de sua palma.

"Eu sempre quis te perguntar como você fez essa cicatriz..." Ela acariciou a marca do corte no meio da palma da loira com o indicador.

"Humm, eu cai enquanto escalava uma árvore quando era criança." Quinn respondeu sem abrir os olhos.

"Não sabia que você subia em árvores."

"Eu não subo." Ela sorriu. "Foi um evento isolado que acabou em tragédia..."

Rachel riu pelo nariz e a loira abriu um olho, rindo também. A morena pressionou um beijinho na cicatriz e soltou a mão, voltando a acariciar os cabelos dourados.

"Você está nervosa?"

"Com o que?"

"Voltar pra casa.." Rachel observou a testa da loira tencionar de repente. "Quero dizer, faz tempo que você não vê a sua família, então..."

"Não, não estou nervosa. Acho que apreensiva talvez, mas não nervosa." Ela respondeu, piscando algumas vezes.

"Humm.. Você acha que eu devo ficar nervosa?"

"Talvez..." Um pequeno sorriso se formou em seus lábios. "Provavelmente..."

Rachel bateu em seu ombro.

"Ouch!"

"Eu estou falando sério, Quinn!" Ela tentou esconder o sorriso na própria voz, sem muito sucesso.

"Eu não sei, Rach.. Faz tanto tempo que não os vejo pessoalmente que realmente não sei o que esperar..."

"Será que eles vão me odiar?"

"Por que eles iriam te odiar?"

"Não sei.. Por que eu sou judia? Por que eu tenho dois pais gays?" Ela se inclinou um pouco para baixo e continuou em um tom conspiratório. "Por que eu corrompi a filha deles ao lesbianismo?"

"Acho que a culpada pelo corrompimento sou eu, não você..." Riu Quinn.

"Você acha que eles acreditariam na sua versão?" Rachel mordeu o lábio.

"Provavelmente não." Suspirou a loira, dobrando um braço para tirar a mão de Rachel de seus cabelos e leva-la aos lábios. "Mas você não precisa se preocupar, ok? Se acontecer qualquer coisa que te deixar inconfortável, eu prometo que voltamos imediatamente pra NY.."

Elas ficaram em silencio por um momento, a morena olhando para frente e Quinn olhando para o queixo da cantora. Sua mente começou a trabalhar e acabou voltando ao momento no carro em que seu coração parara de bater.

"Rachel.. Tem uma coisa que eu queria te perguntar..."

"Humm?" A morena perguntou distraidamente.

"Você é minha namorada ?"

Rachel parou de mover as mãos e olhou para baixo em surpresa, encontrando os olhos esverdeados com os seus.

"Eu... Você quer que eu seja?"

Quinn desviou o olhar para o teto e umedeceu os lábios.

"Você quer ser?" Ela perguntou, sentindo-se ansiosa de repente. "Minha namorada?"

O queixo da morena tremeu e um sorriso se materializou em seu rosto.

"Eu ficaria feliz com isso..."

Quinn sorriu também e voltou a olhar nos olhos da diva. "É mesmo?"

"Sim..." Rachel se sentia tremer de felicidade. Ela não estava esperando por aquilo. Claro que ela já se considerava namorada de Quinn, mas era bom ouvir aquilo em voz alta.

"Então nós estamos namorando?" Seus olhos revolviam em cores, mais verdes e mais dourados do que nunca.

"Acho que sim."

"E eu posso te chamar de namorada?"

Rachel riu. "Pode."

"E eu posso beijar a minha namorada?" Quinn perguntou, virando de barriga para baixo e ficando de joelhos na cama.

"Não precisa pedir permissão para isso."

Ela segurou a nuca da morena com uma mão e afastou os cabelos do rosto dela com a outra. "Eu sei, mas gostei de te chamar de namorada."

Seus lábios se encontraram minimamente. "É mesmo?"

"Huhum..." Quinn selou o beijo que começou gentil, mas foi se tornando cada vez mais intenso. Ela subiu no colo da morena, que foi se deitando a medida que a loira se inclinava sobre ela.

Os dedos da morena se infiltraram por baixo de sua camisa e entraram em contato com sua pele superaquecida. Um pequeno gemido pode ser ouvido, mas Quinn não sabia dizer se era seu ou de Rachel. Suas línguas se moviam preguiçosamente e o beijo se tornava cada vez mais profundo. Nenhuma delas queria se afastar para respirar, mas a loira acabou cedendo à falta de ar, capturando o lábio da diva entre os dentes e movendo as pequenas mordidas para seu queixo e pescoço.

"Mmmm.."

"O que vocês estão fazendo?" A voz abafada de Puck veio do banheiro. "Ouço gemidos... Posso entrar ai?"

"Aahh–Ahh.." Fez Rachel, perdendo o folego quando a perna de Quinn se acomodou inesperadamente entre a suas e a coxa dela pressionou o ponto que pulsava em seu centro.

"Ok, eu vou entrar agoraa!" Avisou Noah.

"Pode entrar, estamos só conversando..." Falou Quinn, beijando sua namorada mais uma vez e rindo contra os lábios dela.

"Sei..." Respondeu ele, saindo do banheiro ao mesmo tempo em que a loira rolava para o lado, saindo de cima da cantora e descansando a cabeça em seu ombro. Noah analisou o sorriso no rosto de Quinn e o modo como o peito de Rachel subia e descia de forma irregular e seus rostos vermelhos. "Vocês podem continuar se quiserem, eu não me importo em assistir..."

"Noah!" Exclamou Rachel, ao mesmo tempo em que um travesseiro atravessava o quarto para acertar a cabeça de seu amigo.

"Oh, ótimo, agora vocês me agridem em sincronia também..." Resmungou ele, jogando o travesseiro de volta e fazendo as duas rirem.

Quinn dobrou os joelhos, beijou o pescoço da diva e lhe ofereceu um sorriso preguiçoso antes de murmurar: "Boa noite, minha namorada..."

Notas finais
Vou me ausentar da cidade de sábado a terça e amanhã vou atualizar alguma história, provavelmente Vale uma Vida, e essa aqui volta na terça :)
Espero que tenham gostado do capitulo.. Se sim, por favor deixe um comentário!
Bem, comentem!
Abraços e até o próximo o/