Notas iniciais
Desculpa a demora, estou super sem tempo pra sentar e escrever. Mas prometo que assim que chegarem as férias vai ser capítulo novo quase todo dia!! Boa leitura.

Anteriormente...

Uma parte dela queria ligar pra ele e conversar a noite toda, assim como nos velhos tempos, mas a outra parte só queria se esconder debaixo das cobertas, dormir e rezar para acordar com amnésia, e foi o que ela fez, ignorando essa última mensagem de Ian. Porque afinal não era mais os velhos tempo, eles não eram mais melhores amigos, muito havia mudado desde a última vez que se viram e por mais que ambos quisessem, eles não podiam simplesmente agir como se todos esses anos separados não existissem e retomar a amizade de onde haviam deixado e foi pensando nisso que Lucy pegou no sono.

Na manhã seguinte, Lucy acordou com o som do seu despertador e uma baita dor de cabeça. Ela rolou na até alcançar o celular na mesinha ao seu lado. Sete e meia, precisava estar no set às nove.

Após se espreguiçar, Lucy levantou e andou até o banheiro, trancando a porta atrás de si. Se xingou mentalmente ao ver que sua maça do rosto havia assumido uma coloração arroxeada. Respirando fundo, se despiu e entrou no banho, todas as lembranças da noite passada –que tanto tentava esconder- voltaram à tona e Lucy sentiu o nó na garganta se formar, como um aviso que lágrimas se aproximavam. Depois de uns consideráveis 40 minutos, Lucy já havia acabado o banho e passado uma boa quantidade de maquiagem a fim de esconder quaisquer vestígios da noite passada.

Voltou até o quarto e pegou novamente o celular, dessa vez para checar as mensagens. A maioria era de Jake, havia até uma ligação perdida do mesmo, mas Lucy nem pensou duas vezes antes de apaga-las. Ian também havia lhe mandado uma mensagem.

“Bom dia Goose, adivinha quem conseguiu o papel!!! Te vejo mais tarde. Xx Ian.”

Algo dentro de Lucy deu pulinhos, finalmente alguma notícia boa.

“Yeeeeeey, parabéns!! Até mais tarde ♥”, respondeu ela.

Com essa felicidade repentina, Lucy levantou da cama, pegou uma calça jeans, uma blusinha de caveiras que havia comprado recentemente, calçou seu par de All-star favorito e saiu de casa com um sorriso no rosto, prendendo-se somente ao sentimento que invadia seu peito ao pensar que finalmente poderia ter uma conversa de verdade com seu melhor amigo de infância.

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Ao chegar no set Lucy quase teve uma parada cardíaca, Jake estava encostado em um muro perto da entrada. Seu cabelo estava desarrumado, e usava a mesma roupa que havia usado na última vez que o vira -uma blusa azul lisa e jeans surrados- e olhando para seu rosto era visível que passara a noite toda acordado, provavelmente tentando falar com ela. Lucy olhou desesperadamente para todos os lados procurando ajuda ou outra entrada por onde não precisasse passar por ele. Um sentimento de pânico invadiu seu peito ao perceber que estava praticamente sozinha com ele ali, a única exceção era algumas pessoas que passavam longe demais para poderem escutar seus gritos por socorro.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa seus olhos se encontraram com os de Jake e um leve sorriso se formou na boca dele enquanto andava em sua direção. Lucy queria correr, sair dali o mais rápido possível, mas suas pernas se recusavam a obedece-la, era como se estivessem grudadas no asfalto. “Lucy, não grita!” falou ele chegando cada vez mais perto. A expressão de Lucy devia estar realmente bizarra, porque ele tentava segurar o riso ao olhar em direção a ela. “Eu sinto muito por ontem, eu não sei o que deu em mim, me perdoa. Por favor, amor!” disse ele. Conforme ele falava Lucy viu todo aquele pânico se transformar em raiva. Ele realmente achava que ela era idiota? “Pra que Jake? Pra que na primeira oportunidade que você tiver você me chamar de vadia, puta, traidora e ainda por cima levantar a mão pra mim?” assim que Lucy disse tudo aquilo, a expressão de Jake mudou repentinamente, parecia quase culpado, mas essa expressão sumiu com a mesma rapidez que havia aparecido. “Você entendeu tudo errado...” falou ele calmamente, mas Lucy podia ver uma chama de ódio se formando em seus olhos. “Ah entendi? Então me explica Jake, me explica o que eu entendi de errado!” gritou Lucy. “Você está aumentando as coisas!” Lucy gargalhou ao ouvir ele falar aquilo. “Eu estou aumentando as coisas? Jake meu rosto tá roxo por SUA culpa!” Jake chegou mais perto dela e tentou pegar sua mão, mas Lucy foi mais rápida. “Não encosta em mim!” Ela podia sentira as lágrimas queimando nos seus olhos. Ele devia ser a pessoa que a conforta, que faz com que ela se sinta segura apesar de todas as circunstâncias e não uma das únicas pessoas que ela tinha medo. “Eu preciso ir para o trabalho. Me deixa passar Jake!” falou Lucy tentando soar o mais autoritária possível. “Não, você falou o que tinha que falar agora é a minha vez.” Lucy sentiu um calafrio passar por todo seu corpo ao ouvir seu tom de voz. Ele avançou em sua direção e com uma força descomunal agarrou seus pulsos. “Me solta!” gritou Lucy, o medo dominava cada célula do seu corpo. “Fala pra mim que você não sente nada por aquele cara. Diz pra mim que você não estava me traindo. Olha nos meus olhos e fala isso!” gritou ele, Lucy sentiu a primeira lágrima escorrer pela sua bochecha “Você é doente e precisa urgentemente de ajuda.” Falou ela com toda a força que lhe restava. Jake soltou seus pulsos e levantou a mão na ameaça de lhe dar outro tapa, mas uma figura entrou na sua frente bloqueando o golpe e a visão que tinha sobre Jake. “Qual o seu problema!” Gritou a figura que havia a salvado e Lucy reconheceu a voz imediatamente. Ian. “Que palhaçada é essa?!” gritou Jake apontando em direção ao Ian “Chamou o namoradinho pra ajudar foi?” falou ele agora se direcionando a Lucy que se encolheu involuntariamente. “Do que você tá falado?” perguntou Ian. “Não banca o desentendido. Eu sei que vocês tão transando, sei que ela é uma vadia...” Nessa mesma hora, Ian deu um soco em Jake que se desequilibrou e quase acabou no chão. Ian olhou em direção a Lucy querendo se certificar de que estava tudo bem com ela. “IAN!” gritou ela e Ian virou bem a tempo de desviar do golpe de Jake, mas Jake pensou rápido e Ian não conseguiu escapar do segundo golpe que o fez desabar de joelhos no chão. “Você é um psicopata!” gritou Ian arfando enquanto se levantava. Jake tentou dar outros golpes em Ian, mas não obteve sucesso nenhum, Ian era rápido e parecia prever exatamente o que Jake ia fazer. Ian o empurrou na parede e falou algo baixo demais para que os ouvidos de Lucy, que estava em choque por tudo que tinha acabado de acontecer na sua frente, assimilassem as palavras. Depois disso, Jake apenas lançou um olha ameaçador em direção a Lucy e saiu em andando em direção ao seu carro sem olhar para trás.

Ian, ainda meio bambo pela briga, andou em direção a Lucy e a puxou para um abraço. “Você tá bem?” perguntou ele mexendo com algumas mechas de seu cabelo, Lucy não emitiu nenhum som, apenas balançou a cabeça negando. “Vem cá, acho melhor a gente entrar antes que esse maluco resolva volta.”

Eles caminharam calmamente até o estúdio, nenhum dos dois ousou quebrar o silêncio que pairava ali. Lucy sabia que tinha que agradecer por ele ter lhe ajudado, mas sabia que se abrisse a boca ia começar a chorar e não queria fazer isso na frente dele.

Lucy agradeceu mentalmente ao perceber que havia somente umas cinco pessoas da equipe técnica ali, e entre elas Marlene que assim que os avistou abriu um sorriso e começou a caminhar em direção a eles. “Olha quem chegou!” falou ela “Mas, o que diabos aconteceu com você?” perguntou olhando pra Ian. A blusa de Ian estava completamente amassada e havia um leve corte na sua sobrancelha esquerda. “Tentativa de assalto.” Mentiu ele e Lucy soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. “Ai meu Deus, você tá bem? Precisa de alguma coisa?” perguntou Marlene preocupada. “Não, está tudo bem. Só preciso sentar um pouco, se não se importa.” Falou ele com um sorrisinho tímido no rosto. “Claro, vou levar vocês até os respectivos camarins.”

Os camarins ficavam lado a lado e assim que Marlene sumiu de vista, Lucy entrou no dela e trancou a porta, sem ao menos olhar em direção ao Ian. Lá dentro Lucy sentiu as pernas fraquejarem e permitiu que seu corpo, lentamente, escorresse pela porta até encontrar o chão frio. Perdida em pensamentos, ela nem imaginava que Ian havia feito a mesma coisa na porta ao lado.

Notas finais
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