Runaway
1 Prólogo
The Runaway: 人生の意味
“Questi la caccerà per ogne villa,
fin che l’avrà rimessa ne lo ’nferno,
là onde ’nvidia prima dipartilla.”
DANTE ALIGHIERI, A Divina Comédia, Inferno: Canto I
Tudo pode acontecer num piscar de olhos. Tudo mesmo.
Um.
Dois.
Três.
Piscada.
Em um momento uma garota está feliz, rindo com suas amigas.
No outro, rasgando as entranhas da terra, se abre uma cratera e dela surge uma carruagem negra vinda do próprio inferno, puxado por cavalos tão negros quanto a própria noite.
Antes que alguém possa gritar algum aviso, antes que aquela garota pudesse virar e correr, um homem inclina-se da carruagem infernal e a agarra pela cintura. E seu grito é a única coisa que prevalece depois que a carruagem junto com o homem que a raptou é engolida novamente pela terra.
Mas você não precisa se preocupar com essa garota. Pois Perséfone — este era seu nome -, mesmo tendo sido seqüestrada pelo deus do mundo inferior, não passa de uma personagem mitológica criada pelos gregos para explicar a mudança das estações do ano.
Se há alguns meses atrás você tivesse me contado sobre uma garota que teve de ir morar com um cara num palácio subterrâneo pela metade do ano, eu teria sentido pena de sua pobre alma. Agora não posso evitar pensar de como ela foi sortuda. Porque ela teve alguém para resgatá-la, sua mãe, deusa da agricultura. Perséfone não teve problemas de verdade.
Eu tenho problemas de verdade.
E ninguém da minha família pode por em risco a sobrevivência da humanidade ao ponto do Soberano do Olímpio intervir na minha situação... Ou talvez até tenha. Minha irmã mais nova pode ser muito perigosa quando quer, mas duvido que ela possa fazer a terra infértil, trazendo fome e miséria para todos os homens.
Então acho que se alguém merece sua complacência, esse alguém seria eu, Hinata Hyuga: a garota que morreu e retornou a vida.
E que agora a Morte quer de volta.
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