Run The World
4 Capítulo quatro
Notas iniciais
- Demorou, hein — disse Magali, segurando a porta, dando passagem para Mônica.
- Me desculpa, tinha esquecido de vir e demorei um pouco para arrumar tudo. — Colocou sua bolsa no chão, e para sua surpresa, todas já haviam chegado.
- Oi, Mô — falou Cascuda, namorada de Cascão, um de seus melhores amigos.
Depois de algumas palavras ditas, Carmen pediu para que começasse logo. Então, sem mais delongas, todas as meninas começaram a fazer tudo que garotas fazem nas festas de pijamas.
Isso incluía: hidratação de cabelo, manicure, pedicure e hidratação de pele. Mônica achava meio que estranho estarem todas reunidas de novo, mesmo depois de longos dois anos que se passaram.
- Meninas, — chamou Denise. — Atenção, por favor.
Todas as cabeças se viraram para ela quase que automaticamente, porque todas — ou quase todas — sabiam que ela ia dizer algo de extrema importância.
- Nós temos que homenagear nossa coleguinha aqui, Mônica, por ter ganhado um beijo do Do Contra, né pessoal? — e começou o escândalo das garotas solteiras.
Mônica nunca sentiu-se daquele jeito. Suspirou. Talvez por nunca fosse tratada de modo especial de como foi tratada com DC. Não falava, mas em seu íntimo, sorria por ter sido privilegiada.
- Mas isso não é nada. — Resmungou Carmen. — Toda vez quando eu passo pela sala 2B ou 1H eu escuto umas respirações pesadas e até gemidos.
- É, isso mesmo. — falou Isadora. — Olha, Mônica, não é querendo dizer para você não gostar do Do Contra, nem afastá-lo, mas olha só. Desde que você foi embora ele ficou com várias garotas. Nós não sabemos o porquê disso e nem tentamos entender, para falar a verdade. Você só tem que tomar cuidado com ele. Ele... Mônica, o Dc não tem sentimentos quando se fala sobre amor ou paixão. Ele só quer ficar com garotas por diversão. E entre nós, meninas, esse é o pior tipo de garoto.
- Pois é, Mônica. — replicou Marina, com um tipo diferente de brilho nos olhos, que foi muito suspeito para Mônica. — Não é querendo dizer para se afastar dele, mas por favor, toma cuidado.
- Não queremos nenhuma menina reclamando de um coração quebrado igual á dois anos atrás. — falou Carmen, sorrindo ironicamente para Mônica.
- Há-há — riu Mônica, falsamente. — Tá legal, eu sei. Todas nós sabemos o jeito que eu era pelo Cebola. Agora podemos esquecer tudo que eu fiz, por favor?
- Mônica — Magali pôs a mão em seu ombro e sorriu amigavelmente. — Nós nunca vamos esquecer o jeito que você era, porque isso, minha amiga, é impossível. Seu temperamento era muito forte naquela época.
- É! — gritou Maria Mello. — Eu lembro do jeito que você ficava irada por causa que o Cebola conversava com a Irene.
- Agora a culpa é minha? — Irene perguntou, franzindo o cenho.
- Não, Irene. — Mônica respondeu. — Peço desculpas por ter criado conflitos entre você e eu. Eu realmente estava enganada naqueles dias em que eu achava que você era a culpada.
- Olha só — Denise piscou o olho para as meninas. — Quem diria que a amor aqui iria ficar mais amadurecida depois da tal viagem para o Japão?
As garotas realmente notaram isso em Mônica. Ela andava mais calma, relaxada, fazendo o ambiente ficar mais leve. Sua postura tinha melhorado muito, e andava com mais leveza com passos mais lentos.
- Conheceu algum bonitinho por lá? — perguntou Carmen, claramente entediada.
- Não — Mônica sorriu por alguns instantes, revelando o que queria esconder.
- Nós vimos esse sorriso! — Gritou Magali, rindo até seus pulmões faltarem ar. — Qual o nome do garoto?
- Na verdade... — ela podia contar, certo? Era só um garoto. — Conheci várias pessoas lá. E tinha um garoto... Se me lembro bem de seu nome, era... Markus.
- Markus? — Denise arqueou as sobrancelhas. — Esse nome é japonês?
- Não, de fato, ele é americano. — riu baixinho. — Mas ele não era normal.
- Como ele era? — Carmen perguntou, mais por interesse do que por gosto.
- Ah, ele era um Deus grego! — Mônica assustou a todas, usando adjetivos que ela nunca tinha usado para nomear ninguém. — Tinhas uns 1,86 de altura, cabelos loiros e olhos azuis. Confesso que quando o vi, pensei ter visto um anjo.
- Anjo? — Isadora cruzou os braços — Tipo o Ângelo?
- Não. — Ela falou. — Ele era... Demais.
- E você ficou com ele? — Magali se mostrou presente, já sabendo a resposta.
- Lógico. — as garotas arregalaram os olhos e quando já iam começar á comentar. — Que não, né gente?
- Eu realmente não entendo a Mônica! — Carmen explodiu. — Você tem TODOS os garotos que você quiser na palma de sua mão! Escolhe um e deixa logo os outros tirarem essa ideia da cabeça!
- Todos?
- Sim! — as garotas responderam. — Felipe, Cebola, DC, Toni!
- Esses são todos os garotos? — Mônica se confundiu. — Não tinham mais?
- Acho que todos os outros já estão quietinhos com a namorada deles. — Keika disse.
- Perdi muita coisa nesses dois anos. — choramingou. — Se eu soubesse que essas coisas iriam acontecer, eu teria ligado ou... Sei lá, viajado pra cá só para ver!
- Não precisa chorar pelo leite derramado, honey — disse Denise.
- É, Mônica. — Maria incentivou. — Aproveita o tempo que você tem agora e se divirta, porque o tempo não volta.
- Gente, vamos fazer perguntas, igual fazíamos nas festas antes da Mônica ir embora? — alguém perguntou.
- Vamos, era super divertido. — Magali sorriu, lembrando de como tudo era divertido antes da Mônica ter ido embora.
- Então tá. Perguntas leves, pessoal. O que dissermos aqui, morre aqui. — disse Isadora. — Eu começo. Magali, você já traiu o Quim?
- Bem... — sua bochechas ficaram rubras de vergonha. — Na verdade... Foi só uma vez, eu juro!
Mônica arregalou os olhos, não sabia que sua amiga tinha feito esse tipo de coisa. Era como se Mônica estivesse se sentindo menor em termos românticos comparada com suas amigas.
- Foi no meio do ano passado. — Cada palavra que Magali falava ia fazendo-a ficar mais corada. — Tinha um carinha que sempre me irritava. Colocava os braços na minha cintura ou ombro, bagunçava os meus cabelos e fazia um monte de coisas para me irritar. Um dia, estávamos passando por um beco escuro um dia, e ele me agarrou, me beijou e me disse o quanto me desejava.
- E o que você fez? — perguntou Isadora, tão entretida como as garotas á seu lado, como se todas estivessem vendo uma criminosa confessando seu crime.
- Olha só, — Magali explicou, com seu rosto em chamas. — Não era como que eu quisesse mesmo ficar com ele. Ele me beijou e eu correspondi. Foi só isso, tá legal suas pervertidas?
- Mas você contou para o Quim? — Mônica sibilou.
Todas riram. Era inédito para as meninas. Que garota iria contar para o próprio namorado que ficou se agarrando com alguém no beco? Era o mesmo que perguntar para a Morte que horas eram.
- Não, né. — Magali disse, ainda rindo. — Tá legal, minha vez de perguntar.
Todas ficaram tensas. Talvez fosse porquê a Magali sabia exatamente uma pergunta para todas as garotas, ou porquê ela já sabia as respostas dessas perguntas.
- Eu escolho... — ela apontou para Denise. Mas logo pensou direito e apontou para Irene. — Irene, o que você acha do Cebola? Quero dizer, vamos esclarecer isso de uma vez por todas, gente.
- Olha... — Irene abaixou o rosto, com vergonha. — Mônica, quando você ficava com ciúmes, se lembra desses dias?
- Como iria me esquecer? — "do idiota que me fez ir até o fundo do poço" — O que tem?
- Nós já ficamos, Mônica. — Irene confessou, e ela arregalou os olhos. Todas esperavam um grito da Mônica, ou até choro.
- Ahhh~~ — suspirou Mônica, olhando com pesar para Irene. — Eu não me importo, Irene. Olha, realmente não tem problema você ficar com o Cebola. E também não me importo se ele ficou com você quando eu estava aqui, ou quando eu estava no Japão.
Ninguém esperava por essa atitude dela. Nem mesmo Magali, sua querida melhor amiga de infância de Mônica achava que ela tinha adquirido essa calma, essa... Maturidade mental e física.
- Então, 'bora esquentar o negócio? — Denise sorriu maliciosa, tirando da bolsa uma garrafa de 51, grande, mas cheia. — É o seguinte, façam um círculo e vamos jogar. O fundo da garrafa pergunta e o bico responde. Essas são as regras, e perguntem o que quiserem, e se alguma quiser arriscar um desafio, cuidado. Lembrem do que houve comigo.
- O que houve com ela? — depois do silêncio mortal e consentimento de todas, Mônica perguntou.
- Mandaram-na dar um chupão no Xaveco. — Magali respondeu baixinho, só para Mônica escutar. — Mas pelo menos depois disso eles ficaram juntos.
É. Um lado bom dessa brincadeira, pensou Mônica. Nunca tinha jogado esse jogo, então seria uma ótima oportunidade para ficar dentro das novidades que perdeu nesses dois anos.
A garrafa girou. Respirações cessaram. Depois de parada, algumas meninas suspiraram.
- Ótimo. — disse Carmen. -Quer verdade ou consequência?
- Pergunta — respondeu rapidamente, com medo das consequências.
- Eu pergunto para Cascuda. — falou Carmen, com um sorrisinho. — Cascuda, o Cascão é bom de cama?
Mônica ficou em chamas! Que tipo de pergunta era aquela? Por acaso Carmen tinha enlouquecido?
- Sim. — respondeu Cascuda, com orgulho. — Ele é mais do que bom, ele é... Super-hiper-mega...
- Tá legal, já entendemos, agora gira essa garrafa! — Disse Maria Mello um pouco constrangida.
Cascuda girou e parou em Denise pergunta para Mônica.
- Mônica, pergunta ou consequência? — Denise abriu um sorriso que faria o tal gato de Alice ficar com inveja.
Mônica ponderou as duas opções. Não queria responder as essas perguntas eróticas! Era terrível ter que responder tais coisas. Mas ainda era melhor que consequência.
- Quero pergunta.
O sorriso de Denise aumentou [como se fosse possível~~].
- Okay, então... Com quem você quer perder a virgindade, meu amore? — depois da pergunta, o silêncio se instalou no local.
Mônica abaixou a cabeça. Como que Denise havia descoberto isso tão rapidamente? Estava tão na cara que Mônica nunca tinha feito nada daquele tipo na vida?
- Não precisa responder essa, Mônica. — Disse sua amiga Magali, que olhou feio para Denise.
- Não, n-não... Precisa Magali. — Mônica engoliu em seco. Podia ser corajosa e teimosa por tudo, mas quando chegava a hora de responder essas perguntas, travava. Juntou o restinho de dignidade que ainda tinha e disse: — Tem que ser com alguém que eu ame muito.
- Mas então, quem você ama muito, Mônica? — Denise se postou á responder.
- A pergunta que você fez eu já respondi. — sorriu. — Agora eu giro.
Quando girou, deu em: Isadora pergunta para Carmen. Mônica sorriu. Carmen também deveria ser igual á ela, pois Mônica nunca tinha visto Carmen ficando com nenhum garoto.
- Pergunta, né? — disse Isa, e Carmen consentiu. — Então... Quando você perdeu a virgindade?
O queixo de Mônica caiu. Por acaso elas tinham enlouquecido? Todas ali tinha 15! 15!
- Hm... — Carmen contou algumas vezes, o que fez Mônica ficar ainda mais assustada. — Acho que dois meses atrás.
- Espera! — Mônica se levantou, fazendo cara de birra. — Quantas de vocês aqui são virgens?! Levantem a mão!
Maria Mello, Isadora, Magali, Denise, Marina e Keika levantaram a mão. Mônica se sentiu melhor. Não era a única.
A garrafa girou mais algumas vezes e tiveram algumas faces constrangidas e respostas tímidas. E, por fim, o bico da garrafa parou em Mônica, arrancando risos de Magali e Denise.
- Pergunta ou consequência? — perguntou Marina, sorrindo.
NÃO! Não queria responder á aquelas perguntas de novo! Era suicídio social!
- Quero consequência. — falou trêmula, mas decidida.
- Ótimo. — Marina teve uma crise de risos extremamente malignos, deixando as outras rindo também. — Quero que, amanhã, você faça uma cena muito bonita com o Cebola.
- Mas O QUÊ? — E aí estava o que todas estava esperando. O grito que podia ser ouvido pelo bairro todo. — Você só pode estar BRINCANDO COMIGO!
- Não, não estou querida. — Marina sorriu. — Qual é, Mônica, você pediu, agora aceita!
- Ah não! — Mônica cruzou os braços e todas tiveram um lampejo de lembranças. Aquela era a Mônica que todas conheciam! — Isso não é justo, Marina! Eu não gosto do Cebola!
- O que você vai fazer é isso: Se declarar na frente dele. Só isso. Depois nós falamos para ele que é só brincadeira!
- Ou.. — Mônica ainda estava contra tudo isso.
- Ou... — Marina pensou. — Ou você come o bolo que está na minha geladeira, que eu fiz com a ajuda do meu namorado, o Franja.
- Bolo... Com a ajuda do Franja? — Mônica sentiu seu estômago se revirar. — Aff! Tudo bem, eu faço! 'Tá ok?
- Então, amanhã, hein? — Marina sorriu.
- Tudo bem se não conseguir fazer, tá bom Mônica? — Magali tocou no ombro de Mônica, mas rapidamente a soltou. Ela nunca viu a Mônica com aquela expressão. — Mônica... Você está bem?
- Sim, estou. — Um sorriso limpo e bonito apareceu em vez daquela expressão. — Tudo bem, vou me "declarar" amanhã para o Cebola.
- Tudo bem... Mesmo? — Magali estava estranhando Mônica.
- Sim, eu escolhi meu próprio inferno, então... — Todas se assustaram com a aura de Mônica. — Eu vou dar meu melhor nesse trabalho!
Notas finais
Bjooooos, vejo vcs na próxima.
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