Rule The World
2 "You still believe that ?"
Notas iniciais
Pov. Ally
Gabe se remexia no berço. Ele tinha apenas pouco mais de 1 mês de vida. Maria, (que costumava ser nossa empregada, mas que agora era mais como uma amiga da família que nos visitava ás vezes) tinha ficado com ele enquanto estávamos na cerimônia.
Ela tinha acabado de ir embora, assim que nós chegamos. Desde então, vim até o quarto do meu irmãozinho e meus pais parecem estarem conversando sobre a tal surpresa/presente no quarto deles. Quarto que é extremamente colado nesse, tipo, de verdade, só tem uma porta que os separa. Tudo isso para poderem ficar mais perto do bebê.
Mas eu podia ouvir o que eles falavam agora. Me perguntei se os dois não tinham se dado conta disso.
– Ser um bebê deve ser bem mais fácil, não é ? — Indaguei. Eu não estava esperando que um recém-nascido fosse me responder ou alguma coisa assim, mas ele balançou as mãozinhas de um jeito tão fofo, e no momento, parecia mesmo como se ele estivesse concordando comigo. Acabei rindo.
Juro que tentei não me concentrar na conversa dos meus pais, mas era quase impossível. Meu pai parecia zangado com alguma coisa, e na maioria das vezes, tudo que era audível eram as risadas da minha mãe.
Tentando não ser muito intrometida (mas já sendo, de qualquer jeito), me levantei da poltrona aonde estava sentada e encostei o ouvido na porta, tentando entender o que eles tanto sussurravam.
– Você está sendo ridículo, — minha mãe falava — acha mesmo que ela não sabe se cuidar ? Ally já tem 18 anos, conversamos muito sobre tudo, e ela sabe exatamente o que fazer ou não. Confio nela. — Ela então parou, e suas palavras me deixaram completamente perdida. — Não confia na sua filha, Lester ?
Tive vontade de rir. Sabia que ela estava tentando convencê-lo de algo, e estava usando sua trapaça suja. Eu gostava disso.
– Nunca pensei que essa fase da vida ia ser tão difícil ... — Meu pai reclamava e pude ouvir as gargalhadas da minha mãe.
– Está reclamando do fato dela estar crescendo ?
– Talvez. Quando ela era pequena não tinha nada disso.
– Disso o que ?
– Garotos, dramas, garotos, bailes, formatura, garotos ...
– Por que está falando tanto em garotos ? — Minha mãe perguntou á ele. — O que você esperava ? Que ela brincasse de boneca ainda ?
– Seria bem mais fácil. — Lester resmungou.
Houve um silêncio mortal.
Mortal porque minha mãe poderia ser considerada uma maluca, e quando ela queria alguma coisa, ela queria alguma coisa. E ninguém tiraria isso dela. Segurei minhas risadas e voltei para a poltrona, antes que eles me descobrissem.
Imaginei que minha mãe estaria tramando alguma coisa muito grande e especial. A formatura é tudo isso pra ela mesmo.
– Ally ? — Ela chamou, passando pela porta que separava os quartos e parando na minha frente. Sorrindo e parecendo ansiosa. Meu pai no entanto, parou ao seu lado com uma cara feia.
– O que foi ? — Perguntei, como se eu não tivesse ouvido nada. Como se nem mesmo me importasse.
– Estamos orgulhosos de você. — Ela disse, sorrindo, e tive quase certeza que seus olhos estavam cheios de lágrimas de novo, como estavam na formatura. — Você sempre foi tão dedicada e esperta ... Não acredito que já tenha se formado. — Ela parou, deu um meio sorriso e balançou as mãos de um jeito nervoso. — Queríamos te dar um presente especial, mas não fazíamos a menor ideia do quê. E ...
– Você vai começar a chorar de novo ? — Perguntei. Não gostava de ver minha mãe chorando, nem que fosse de felicidade ou emoção.
– Desculpe. — Ela murmurou. — Sabemos que você ainda tem decisões importantes pra tomar sobre seu futuro e não queremos pressioná-la em nada.
– Por isso mesmo sua mãe teve a ideia estúpida de ...
– Silêncio. — Penny silenciou Lester. Ele murmurou alguma coisa e se virou para o berço. — Achamos que você merece ter suas opções, que merece descobrir o que quer de verdade. E sabemos sobre um lugar que você sempre quis conhecer ... Para você pensar, pra aproveitas as férias e tomar suas decisões.
– Vocês vão me dar uma viagem ? — Perguntei, não deixando de aumentar o tom da minha voz. A ansiedade já bem presente.
– Sim. — Ela concordou, sorrindo exuberante. — Vamos te dar um viagem para Paris!
Arregalei os olhos e escancarei minha boca. Uma viagem para Paris ? Levantei da poltrona no mesmo instante e abracei minha mãe. Ela começou a chorar de novo. Suspirei, mas nem me incomodei com isso já que visitaria um dos lugares mais bonitos do mundo na minha lista. (E sim, eu tenho uma lista.)
Acontece que cada lugar tem uma cultura diferente, pessoas diferentes e muita coisa para explorar. Paris era só o primeiro. Mentalmente já imaginei todos os pontos turísticos e lugares que eu poderia visitar, já pensei na culinária, na língua ... E só em tão me dei conta de que também estava abraçando meu pai, que parecia feliz por essa parte da surpresa (que parecia não ter acabado) mas que estava incomodado com alguma coisa.
Me afastei dos dois, ainda sorrindo.
– Espera, eu vou ir sozinha ? — Perguntei.
Lester assumiu sua expressão carrancuda de novo e Penny sorriu, misteriosa.
– Quem sabe, não é ? — Indagou minha mãe, deixando bem claro que ainda tinha sim mais uma coisa no meio disso.
( ... )
Pensei que talvez eu poderia começar a arrumar minhas coisas. Talvez fosse um pouco cedo demais, mas eu não podia negar que estava ansiosa.
E agora, tinha outra parte que me deixava ansiosa e curiosa. Essa parte então que me levou a estar com o celular na mão e até mesmo o número já discado, brilhando na tela enquanto eu o encarava.
Já fazia mais de duas semanas que eu não falava com ele. E talvez eu seja muito idiota, mas tinha esperanças de vê-lo em breve. Tinha esperanças de que o loiro poderia ser a segunda parte da surpresa. O que faz sentido, já que meu pai não gostava da ideia.
Mas minha mãe estava mantendo sigilo.
Olhei para o ursinho de pelúcia que Austin tinha me deixado quando foi embora. Todas as lembranças ficaram guardadas ali. Eu as fiz se calarem, mas ainda era difícil. Durante esse ano, mudei de opinião muitas vezes. Primeiro, logo quando ele foi embora, pensei que seria uma droga todo esse tempo e que nada seria fácil. Depois pensei que talvez tudo fosse melhorar, que eu seguiria em frente e que em algum momento nem me lembraria o porquê já fui apaixonada por ele. Mas agora, acho que esse tempo ainda é uma droga, que foi difícil e que eu não tinha superado nada. Tinha só silenciado essa parte. Mas nada tinha mudado. Eu ainda me sentia a mesma garota que ficou chorando no aeroporto.
Apaguei o número da tela do celular.
No mesmo instante em que fiz isso, a tela brilhou e o aparelho vibrou com uma mensagem. Quase não acreditei que era mesmo ele, mas então me dei conta de que não era um delírio. Estávamos pensando um no outro exatamente no mesmo momento.
Abri a mensagem.
"Você se lembra do que eu te disse quando estávamos no aeroporto ?"
É claro que eu lembrava.
E aquela era a primeira vez em muitos meses que algum de nós citava esse dia, ou o que aconteceu aqui em Miami e todo o resto. Digitei o que me lembrava: Ele havia me lembrado de que iria voltar.
Um minuto depois, outra mensagem:
"Você ainda acredita nisso ?"
Demorei um pouco mais para responder.
Droga, é claro que eu acreditava nisso. Eu o amo. E isso é uma droga e eu não queria mesmo que eu continuasse tendo os mesmos sentimentos como uma adolescente idiota e apaixonada.
Mas relutante, digitei que sim. Eu ainda acreditava naquilo.
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