Rule The World
15 The same roller coaster
Notas iniciais
Pov. Ally
– Está mesmo dizendo que não queria fazer um programa educacional ? — Austin perguntou, parecendo surpreso. Ou extremamente espantado.
Não era nenhum tipo de novidade eu ter sido uma boa aluna a minha vida toda, tirado as melhores notas e todas essas coisas. Eu me orgulhava disso. Só não imaginava que minha mãe tinha planejado uma "excursão educacional" por Paris. Mas isso deveria ser algo como "não quero vocês dois trancados num quarto o dia todo", mas eu não falei nada. Então, quando a senhorita Reaser deixou um recado na portaria do hotel sobre precisarmos encontrar ela as 10 horas da manhã em uma praça perto de onde estamos hospedados, fiquei confusa. Então liguei para a minha mãe e ela me explicou, afinal.
Que maravilha.
– Não nas férias — falei, depois de algum tempo. Estávamos sentados em um muro baixo perto da onde o resto do grupo se reunia. Já tínhamos caminhado por umas 4 horas ouvindo histórias chatas.
Austin franziu a testa.
– Mas você queria visitar todos aqueles museus de histórias velhas, lembra ?
– Não estamos visitando museus aqui, estamos ouvindo histórias chatas. E a próxima parada é um filme sobre a história do país em alguns instituto ou algo. Não prefere outra coisa ?
Ele estava olhando para a frente, sem se focar em nada, apenas com a sua pose desdeixada de sempre. Não sei se ele fazia isso de propósito, já que ficava um pouco atraente. Ou muito.
– Você ainda não está de ressaca ? — Perguntou, de repente. Eu havia passado o dia interior com dor no estômago, na cabeça e vomitando. Não foi nem de longe um dos meus melhores momentos. Mas Austin ficou do meu lado a cada segundo, sempre me ajudando. Era um pouco irritante, sendo que eu queria ficar pelo menos um pouco brava com ele.
Nenhum de nós falou nada sobre o beijo. Mas obviamente algo tinha mudado desde então. Tínhamos acabado de subir na mesma montanha-russa de sempre. Eu não sabia como tinha certeza disso, mas parecia presente até no jeito como nos movíamos, sem a cautela de antes.
– Não — murmurei, sem querer me lembrar dos detalhes desastrosos. — Fiquei o dia todo assim ontem.
– Foi a primeira vez que você bebeu na vida, poderia até ter ficado pior. — Grunhiu, quase como se estivesse zangado comigo.
Abri a boca em um perfeito "o", como se estivesse surpresa.
– Gostaria que eu estivesse pior ? — Perguntei, falando mais baixo, já que algumas das outras pessoas que faziam parte daquela excursão maravilhosa sobre educação e cultura estavam conversando a pouca distância de nós.
– Não. — Falou, rápido. — Mas você tem essa mania de querer provar as coisas, Ally. Isso não é muito bom.
– Não tenho não — falei, convicta.
– Sim, você tem. Não gosta que as pessoas te subestimem, e acha que precisa provar do que é capaz. Mas você não precisa. Não precisa provar nada, você sabe o que pode ou não pode fazer, isso é o bastante. — Falou, como se estivesse recitando um poema decorado, tinha a expressão séria, sem o mesmo jeito brincalhão de sempre.
Quando ele falava desse jeito, me fazia sentir como uma criança birrenta que precisava ser contida. E eu odiava isso porque na maioria das vezes, eu sempre era a única a ter razão.
Balancei a cabeça.
– Talvez eu faça isso. — Falei, me rendendo. — Mas não queria provar nada naquele dia, só queria ...
– Esquecer ? — Perguntou, gentilmente, finalmente olhando pra mim. — Queria esquecer do que tinha acontecido antes ? — E então eu sabia que aquela jamais poderia ser uma conversa normal. Austin estava se referindo ao beijo, o qual eu não queria esquecer, nem nada assim. Mas aquilo pesava na minha cabeça como se fosse errado, mesmo eu sabendo que não era. E eu queria. Queria muito.
– Não queria esquecer de nada. — Eu disse, escolhendo bem as palavras, sabendo que ele poderia se chatear por qualquer coisa que eu dissesse, — Queria que minhas ações não tivessem nenhum peso. Nenhuma consequência.
– Bom, — ele riu sem humor -, o jeito que você ficou ontem foi uma boa consequência. — Eu sabia disso, e até desejava que eu não tivesse bebido tanto e ficasse como uma louca cujo as ações não são medidas e agora que eu estava lúcida, me deixavam com uma tremenda vergonha. — Mas acho que foi a primeira coisa que você fez sem pensar no que aconteceria depois. Foi bom, para variar.
A senhorita Reaser fez um sinal nos chamando, e percebi que o resto do grupo já estava mais afastado. Todos voltando a caminhada, e agora iríamos assistir o tal filme. Me levantei de mau gosto, puxando Austin pela mão, já que ele provavelmente estava mais sem vontade do que eu de continuar com o passeio.
Ele passou um dos braços pelos meus ombros. E aquilo era normal. Mais um sinal inevitável. Ficamos caminhando o mais longe possível do resto do grupo. Observei um cartaz sobre teatro de rua inspirado em Shakespeare e pensei em como deveria ser mais interessante do que o que estávamos fazendo agora.
– Teatro de rua ? — Austin perguntou, erguendo uma sobrancelha. — Parece bom. — Imaginei se poderíamos dar uma fugida rápida para ir ver, mas senhorita Reaser mantinha os olhos fixos em nós constantemente. Como uma ameaça ou um aviso. — Por que ela fica olhando tanto pra gente ?
– Ela é uma das melhores amigas da minha mãe. Lá de Los Angeles. — Suspirei, em uma breve pausa. — Ela é tia do Elliot.
Por incrível que pareça, ele riu.
– Isso não deixa de ser estranho. — Falou, com o ar divertido.
– Não sei por que seria. — Eu disse, dando de ombros. — Não a via desde o aniversário de 17 anos do Elliot.
Não parecia grande coisa lembrar disso agora. Era como uma parte muito boa da minha vida que tinha ficado para trás. Como um capítulo de um livro, e eu não poderia ficar passando pelo mesmo capítulo para sempre.
– Quanto tempo vocês namoraram ?
– Um ano e meio, acho. — Eu não achava, eu tinha certeza. Não iria me esquecer disso, mas mesmo assim falei com desdém como se não tivesse importância nenhuma.
Austin não falou nada em resposta. Parecia sem atenção, e eu tinha a impressão de que estávamos cada vez mais para trás, cada vez caminhando mais devagar. Por isso mesmo até me assustei quando ele parou de andar e parou na minha frente.
– O que foi ? — Perguntei, confusa.
Sua resposta foi um beijo. Me supreendeu no início, mas não deixei de retribuir. Chegava a ser estranho o modo como nossos lábios se encaixavam, com aquela confortável familiaridade e cada vez mais desejo. Diferente do nosso beijo na boate, esse tinha sido completamente calmo, simples. Me fazia querer mais. E isso era como uma tortura. Suas mãos apertavam minha cintura de leve, me causando arrepios justamente por ser assim. Não tinha percebido que tinha sentido falta até mesmo de brincar com os fios louros de seu cabelo na nuca.
Quando nos afastamos, eu já tinha completamente esquecido que estávamos praticamente no meio da rua, que provavelmente tinha pessoas nos encarando, e que até a mesmo a senhorita Reaser já deveria estar procurando por nós.
– Podemos por favor fugir desse passeio chato ? — Ele pediu, e eu ri.
– Não podemos simplesmente sair — falei, ainda sorrindo. Era meio ridículo. — Temos que pelo menos arrumar uma desculpa.
E aquilo pareceu a ideia perfeita. Ele sorriu, pegando na minha mão e me puxando mais para a frente, praticamente corremos no meio do resto do grupo até conseguir alcançar a senhorita Reaser. No meio do caminho, Austin sussurrou alguma coisa pra mim como "finja estar mal".
– Austin, Ally — Senhorita Reaser disse exibindo um sorriso quando chegamos até ela, parou para nos avaliar. Ela realmente deveria fazer algum tipo de lista e mandar para a minha mãe ou algo assim. — Tudo bem ?
A essa hora, eu já estava com a cara fechada, tentando a deixar retorcida, contendo a vontade de rir.
– Na verdade, não. — Austin disse, o mais sério possível. — Ally está passando mal.
– Mesmo ? — A mulher perguntou, parecendo preocupada. — O que você está sentindo, querida ?
– Eu ... Eu estou com dor no estômago — falei depressa, esquecendo por um segundo de parecer mesmo com dor.
– Será que não foi algo que pode ter comido ? — Ela perguntou, murmurei um "talvez", com a mão na minha barriga, a apertando com força. — Está muito forte ? Não trouxe nenhum remédio ?
– Muito forte. E não tenho nenhum remédio aqui. — Percebi que estava pelo menos sendo convincente a ela, Austin me olhava curioso, quase surpreso com a minha maravilhosa atuação. — E agora que voltamos a caminhar, estou me sentindo um pouco tonta ...
Deixei a frase se perder, diminuindo a minha voz e pondo minha mão agora na minha testa.
– Talvez fosse melhor voltarmos para o hotel. — Austin disse. — Ally precisa descansar.
Ela nos olhou por um instante mas logo concordou, e nos deixou voltar. Acho que ela deve ter ficado nos observando até finalmente atravessarmos a rua e ficar fora de vista. E quando finalmente ficamos, soltei um gritinho animado.
– Você foi perfeita! — Austin exclamou, beijando minha cabeça. — Merecia um prêmio por isso.
– Eu sei, talvez eu tenha melhorado nisso. — Eu disse, orgulhosa já que á algum tempo eu provavelmente não teria conseguido fingir assim sem começar a gaguejar e suar frio.
– E agora, aonde quer ir ? — Ele perguntou.
Fingi pensar um pouco. Mas depois percebi que não me importava muito, se ele estaria comigo, estaria perfeito.
– Qualquer lugar — exclamei, rindo.
E isso sim parecia exatamente como costumava ser.
A mesma montanha-russa.
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