Rule The World
4 Meetings & Messaging
Notas iniciais
Pov. Ally
Não era normal.
Não era normal eu ficar olhando para a tela do meu celular praticamente a cada 5 minutos esperando uma mensagem. Mas eu ficava. Desde quando acordei essa manhã e cometi a burrice e estupidez de mandar uma mensagem pra ele. Só perguntei se estava tudo bem.
Tão clichê.
Como se eu não tivesse mil e uma perguntas pra fazer, mas não tivesse coragem pra fazer isso. Eu era tão covarde. Ou talvez ele também seja. Por que estamos agindo como dois estranhos depois de tudo ?
Toda vez que eu me perguntava isso, simplesmente tentava esquecer, tentava me focar em qualquer outra coisa. Mas eu não conseguia mais. Cada dia que passava,era mais tempo, isso levava á mais saudade.
Agora, eu estava caminhando pela rua ainda com os olhos vidrados no celular. Talvez fosse perigoso, eu podia ser atropelada ou até mesmo roubada. Mas enquanto esperava a resposta que parecia nunca vir, tive que contar pra Trish como eu estava. Mais uma tentativa de distração ? Talvez. Mais alguém pra me falar que eu estava mesmo enlouquecendo também.
Estava digitando alguma coisa sobre como eu sou idiota, quando tive a prova concreta disso.
Eu acabei esbarrando em uma garota. Ironicamente, ela também olhava fixamente para o celular, como se sua vida dependesse daquilo. Mas talvez, meu nível de loucura ainda fosse maior.
Eu tinha praticamente batido no seu ombro, já que ela era um pouco mais alta do que eu. A garota passou as mãos nos cabelos ruivos como se estivesse aliviada e acabou por bagunçar um pouco da sua franja.
Nos olhamos assustadas, as duas completamente distraídas.
– Ai meu Deus, me desculpe! — Exclamei, por mais que ela também tivesse um pouco de culpa naquilo, mas parecia que a ruiva não iria falar nada.
– Tudo bem. — Falou rápido, como se precisasse fugir dali.
– Sinto muito mesmo, eu estava distraída e ...
– Já disse que tudo bem, ok ? — Ela disse,me fuzilando com seus olhos escuros.
Me encarou por um momento como se me achasse familiar, e eu juro que ela parecia mais com um cachorro farejando alguém, depois só pigarreou e saiu andando.
Me virei para vê-la atravessar a rua correndo enquanto ainda ficava assustada com a maluca.
Tirei meu celular do bolso aonde tinha o guardado e havia mais uma mensagem de Trish. E nenhuma de Austin. Suspirei, cansada. E voltei a caminhar com passos largos.
– Ei — Alguém disse, colocando a mão em meu ombro. Levei um susto novamente, mas era só o Nick. — Calma, sou eu. — Ele riu. — O que houve ?
– Nada — murmurei.
Na verdade era muito estranho eu estar ansiando tanto para falar com Austin novamente enquanto estava na companhia do Nick, porque eu sabia exatamente o que ele sentia por mim e talvez — só talvez — , eu não achasse isso tão ruim.
– Não parece nada.
– Estou um pouco estressada hoje, só isso. — Eu disse.
– Por que ?
O olhei pelo canto do olho. Ele parecia sempre tão verdadeiro. Disposto a me ajudar em qualquer coisa e era mesmo a definição de um bom amigo. Durante esses meses, eu já tinha falado sobre o loiro pra ele, e Nick parecia incomodado com isso mas não me negava ajuda, nem mais se afastou de mim.
Mas ao longo do tempo, sempre parecia que avançávamos um passo e isso sim me assustava. Acho que ainda mais do que a ruiva maluca me olhando daquele jeito meio assassino.
– Tem a viagem ... Eu não sei como vai ser, está me deixando nervosa. — Eu estava empolgada para ir pra Paris, só era estranho eu ir sozinha.
– Pensei que tivesse ficado feliz.
– E eu fiquei, eu estou. Tipo, é a Cidade do Amor, é tão bonito por fotos, deve ser incrível pessoalmente, todas aquelas luzes, a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo ... A cultura, as pessoas ...
– Geralmente, a Torre Eiffel é sempre o principal ponto turístico, mas eu sempre gostei mais da história do Arco do Triunfo. — Ele falou.
– Napoleão Bonaparte. — Eu disse, e ele riu. — Nunca gostei dele, mas o monumento parece ser lindo.
– Tenho certeza que é.
Nós paramos na frente da mesma lancheria aonde nos beijamos daquela vez aonde eu era, praticamente, uma idiota querendo fazer ciúmes no Austin.
Gostaria que algumas coisas que eu já fiz fossem simplesmente esquecidas. Mas infelizmente não era possível. Não era assim que as coisas funcionavam.
– Quer comer um lanche ? — Nick perguntou, sorrindo.
– Acho que não posso. Meus pais vão sair essa noite e eu preciso cuidar do Gabe.
– Tudo bem, então, acho que a gente se vê por aí de novo. — Falou, meio tímido.
Nick se aproximou de mim, me dando um beijo na bochecha, o que fazia com frequência. Seu rosto perto demais do meu era meio estranho, mas eu estava sentindo algo no estômago que parecia muito com nervosismo.
E ele me beijou. Na frente da mesma lancheria, mas dessa vez, não era relacionada com alguma cena ridícula que eu precisava fazer.
Pov. Emma
Quando abri a porta de casa, Tommy estava jogando um daqueles video games idiotas aonde todo mundo se mata. Ele não deu a mínima pra minha presença, o que era comum.
– Você viu a mamãe ? — Perguntei, mas ele nem mesmo pensou em me responder.
– Tommy — o chamei justamente assim porque era algo que ele odiava. E eu amava fazer isso. Seu nome de verdade era Tomás.
Ele pausou o jogo e me olhou com o canto do olho, bravo demais para um garoto de 10 anos.
– Não sou um cachorro pra você me chamar assim. — Ele disse, e logo voltou a jogar, ainda com a cara fechada.
– Engraçado. Pois ás vezes você realmente parece um.
Ele me ignorou. O que era inteligente demais pra ele. Revirei os olhos para meu irmão e agarrei meu celular.
Pensei na garota que tinha esbarrado em mim. Seria coincidência demais se fosse mesmo ela.
A letra "A" era fácil de se achar já que era a primeira do alfabeto. Cliquei no ícone de mensagem ao lado do nome e dei um sorriso maligno pensando nas palavras que eu deveria usar.
"Acho que acabei de conhecer sua ex-namorada."
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