Rule The World
21 Am I a bad person ?
Notas iniciais
Pov. Ally
Austin me deixou em casa depois daquele momento estranho. Eu sabia que ele havia percebido o quanto eu estava diferente; sabia que ele entendeu que tinha algo errado. Durante nosso curto trajeto, implorei na minha própria mente para que ele não perguntasse nada e ele não perguntou.
Austin apenas me deixou lá, com um abraço e um selinho demorado. O loiro me conhecia bem o suficiente para saber quando eu precisava de espaço. E acho que finalmente estávamos dando certo, fazendo as coisas certas dessa vez.
Bom, isso não diminuía a angústia que eu estava sentindo.
Passei o resto da noite cuidando de meu irmãozinho, Gabe, enquanto meus pais tinham algum tipo de jantar romântico. Não era mais estranho vê-los felizes juntos, só era um pouco estranho quando eu sentia que estava segurando vela.
Minhas melhores conversas eram com Gabe. Digo, meu irmão tem dois meses e obviamente não fala, mesmo assim, era confortável falar com ele, mesmo sabendo que o bebê não entendia nada e que talvez só quisesse me mandar calar a boca para deixá-lo dormir em paz.
Minha mãe tentou falar comigo, mas eu acho que tinha me fechado demais para aceitar uma de suas conversas. Eu tinha ligado para Trish, que ainda estava viajando com sua mãe, aproveitando suas férias, falei com ela por alguns minutos mas quando tentei explicar sobre a minha conversa com Nick e falar do quanto aquilo me atingia, ela apenas disse:
– Deve ter um motivo pra você pensar tanto nisso e se sentir culpada. Você se importa demais.
– É claro que me importo, ele é meu amigo — falei, como se fosse óbvio.
– Não. Deve ter algo mais. — A linha ficou silenciosa por alguns instantes e eu já estava pensando em contrariá–la quando a mesma deu um risinho. — Vocês são tipo a melhor novela do mundo. Só que são reais e fazem suas cenas quase na minha frente. Só me avise sobre o próximo roteiro, está bem ? Não quero perder nenhum detalhe.
Depois disso, apenas rimos juntas. Eu sentia falta dela e do seu humor irônico inconfundível. Foi bom me distrair um pouco mas não acho que tenha ajudado. Afinal, depois de desligar o telefone, minha breve conversa com Nick voltava á minha mente e eu sentia calafrios.
" — Você deveria ir falar com ele — Austin disse. O olhei, claramente estranhando aquilo, mas não o bastante para falar algo. Eu podia sentir minhas mãos tremendo, era exatamente por esse tipo de coisa que eu não queria passar. O loiro sorriu, me passando um pouco de confiança e aliviando aquela tensão esquisita. — É sério. Vai.
Só podíamos estar em um mundo paralelo. Eu até já me sentia um pouco tonta. Austin queria mesmo que eu fosse falar com Nick ? Se eu não estivesse tão nervosa, teria sorrido, ou simplesmente o beijado por tentar fazer as coisas certas dessa vez. Estávamos juntos e era isso. O olhei de novo, apenas para confirmar. Austin assentiu.
Caminhei em direção a Nick e Emma em passos demorados. Eu estava me sentindo culpada. Nick me olhava como se estivesse desapontado e ele estava certo em fazer isso. Naquele momento, o moreno parecia outra pessoa. O brilho em seus olhos tinha desaparecido. Estremeci.
Emma deu de ombros, arrogante e desinteressada, enquanto ia para onde meu namorado estava, nos deixando a sós.
Imaginei que Nick iria falar alguma coisa, me xingar, talvez. Era díficil imaginá-lo zangado, não acho que já tenha o visto assim, nem de longe. Aquilo devia ser o mais próximo de raiva que já o vi senti. Suspirei, sentindo o peso do silêncio que havia se instalado entre nós.
– Por favor, diz alguma coisa — murmurei.
Eu sabia que iria encontrá-lo assim que voltasse para Miami, sabia que teria que tentar lhe explicar o que tinha acontecido. Mas o que eu poderia dizer ? Desejei que ele nunca tivesse começado a sentir algo por mim.
– O que você quer que eu diga ? Que está tudo bem ? — Nick ingadou. Ele não parecia mais o meu amigo fofo e tímido agora. Parecia alguém ... machucado. E era minha culpa. — Pra você, deve estar. Mas não pra mim.
Suspirei. Não estava tudo bem pra mim naquele momento, tendo que encarar seus olhos azuis e ver que agora estavam vazios e quase frios. Mas estava tudo bem enquanto eu estava em Paris, não estava ? Enquanto eu estava aproveitando minhas férias com o loiro. Enquanto Nick me esperava aqui.
– Nick, eu sinto muito, eu sei que prometi ...
– Não fala nada — me interrompeu. A voz baixa. — Eu entendo. — Mas ele não entendia. Ele só queria sair dali para não ter que olhar pra mim. Meus pensamentos foram interrompidos por seu riso triste. — Mas não ache que eu desisti. Eu nunca vou desistir de você."
Ele parecia tão ... determinado. Queria gritar para que o mesmo parasse de perder tempo comigo, que isso não iria adiantar nada. Mas acredito que nem mesmo isso funcionaria.
Agora, só o que me restava era olhar para as paredes do meu quarto enquanto o sono não vinha. E eu já estava desistindo disso mesmo, já se passavam das duas da manhã. Sono era uma coisa que eu não tinha e nem iria ter tão cedo. Coragem e uma boa solução para o meu "problema" também não. Coragem para confrontar meu amigo e seus confusos sentimentos por mim; uma boa solução para poder sair disso sem o magoá-lo. Pelo menos não mais.
Me revirei na cama. Pensei no que Austin estaria fazendo agora. Dormindo, é claro. Ele tinha comentado que iria ver algum filme com Dez hoje á noite enquanto voltávamos pra casa, mas eu estava ocupada demais em meu próprio torpor para entender. Agora, parecia mais claro.
Tão claro quanto as batidas na porta da minha varanda. Levantei da cama no mesmo instante, temendo quem estivesse ali. Mas se fosse um ladrão ou algo assim, provavelmente não teria batido.
Poderia ser apenas uma pessoa e eu sabia quem.
Por isso mesmo, não fiquei nem um pouco surpresa em encontrar um par de olhos castanhos me encarando quando abri a porta.
– O que está fazendo aqui ? — Mordi os lábios ao olhar para Austin, reprimindo um sorriso. De alguma forma, a única coisa que podia me distrair era ele.
– Eu sabia que você ia estar acordada — ele falou, entrando em meu quarto e fechando a porta atrás de si. — Você perde o sono quando está preocupada.
Tentei conter o sorriso bobo. Austin me conhecia melhor do que ninguém. E ele era o único pra mim, isso eu podia ter certeza de que não iria mudar. O puxei para um beijo, entrelaçando minhas mãos em sua nuca e ele me segurava forte pela cintura. Eu podia sentir as mesmas coisas e isso me fez sorrir, com sua boca ainda colada a minha. Eu era grata apenas por me sentir daquele jeito.
– Me desculpa por hoje — falei, brincando com sua camiseta, suas mãos ainda me seguravam.
– Não foi nada — ele disse, acariciando minha bochecha. — Você está melhor agora ?
Assenti, não tendo certeza se era verdade e talvez ele tivesse percebido isso, mas deixou pra lá. Eu me sentia outra pessoa quando estava com Austin, me sentia mais viva. Eu não tinha palavras pra descrever o quanto gostava daquilo. Nós dois estávamos perfeitos desse jeito — do nosso jeito -, nada poderia mudar aquilo.
– Eu te amo — sussurrei, sabendo que aquela era a única coisa da qual eu podia ter certeza. O loiro sorriu para mim, distribuindo beijos em todo o meu rosto. — E preciso que você faça algo pra mim. — Ele arqueou as sobrancelhas. — Me abraça até eu dormir ?
Austin sorriu, me pegando no colo. Dei um gritinho infantil mas tapando minha boca logo em seguida. Precisava me lembrar que era de madrugada e meus pais estavam dormindo praticamente ao nosso lado.
Ele passou os braços ao meu redor, apoiei minha cabeça em seu peito. Aquilo era tão confortável e com certeza melhor do que passar a noite toda me revirando sozinha. Sorri enquanto sentia uma de suas mãos brincando com meu cabelo. Agora sim eu tinha certeza que conseguiria dormir.
Depois de alguns minutos, minhas pálpebras já estavam ficando pesadas, eu estava finalmente ficando sonolenta. Agradeci mentalmente ao loiro por isso. Mesmo assim, senti aquela faísca de culpa dentro de mim. Caí no sono enquanto me perguntava se eu era mesmo uma péssima pessoa.
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