Rude Passion

1 Cabelos Curtos


Notas iniciais
Então, sejam bem-vindos! Espero que gostem da fic, e comentem por favor *-*

Após a longa batalha contra o Akuma nível quatro, a ordem negra passava por momentos difíceis. Komui Lee via a base sendo restaurada, os sobreviventes sendo tratados e sua queria irmã caçula treinando árduamente para estar preparada para a verdadeira batalha contra o Conde do Milênio.

Allen Walker estava como de costume sendo seguido por Howard Link para todos os lugares. Era algo um pouco desconfortável, fazer as coisas enquanto havia uma sombra logo atrás, observando tudo, desconfiado. Mas o Exorcista de cabelos cinzentos estava até gostando da companhia de Link, ele era legal até, diferente daquele japonês mal educado que atendia por "Kanda". Esse era desprezível, um grosso de marca maior, irritante, miserável, implicante até a última gota. E agora que sua Innocence estava devolta, parecia ainda mais insuportável!

Lá estava ele, comendo no refeitório, como se nada tivesse ocorrido com a base. Sempre com a tigela de soba na mesa, despreocupadamente e longe de tudo e todos. Não haviam mesas vagas, então Allen Walker teve de levar a montanha de comida para a mesa de Kanda, que não ficou nenhum pouco satisfeito.

— Baka Moyashi! O que pensa que está fazendo?! — Indagou com uma veia saltando.

— Estou me sentando aqui, BaKanda estúpido! Algumas mesas estão destruídas, só tem esse lugar pra eu sentar! — Berrou com aquela voz irritante de tão fina e infantil. — E é Allen! ALLEN!

— Tch. — Resmungou, deixando de lado o Soba. Havia perdido a fome só de olhar para aquele Moyashi.

Kanda levantou-se de forma grosseira, e saiu andando para fora. Iria treinar próximo a floresta do lado de fora, com sua Mugen. Os exorcistas não estavam mais saindo como antes em busca de Innocences. Mas estavam fora os exorcistas Marie, e Miranda. Kanda ainda não entendia o por que de não poder ir em missão, detestava ficar de bobeira na Ordem. Nada o agradava lá, apenas o Soba.

Ele caminhou para dentro da floresta, certo de que logo chegaria em um rio onde poderia sentar e vislumbrar o céu azul daquela tarde. Gostava de estar sozinho, sem a perturbação das outras pessoas. As brincadeiras de Lavi eram insuportáveis, a voz de Allen era pavorosa, Komui era extremamente ridículo, Lenalee um pouco sentimental demais, a tal Miranda era louca, e ainda havia aquele homem meio-vampiro o qual não lembrava do nome. Se não bastasse, ainda havia aquele outro novato, Chaoji.

Pelo caminho, sacou sua Mugen ao ouvir ruídos por perto. Imaginando ser um Akuma, ele disparou na direção do barulho. Mas não eram passos, era... Choro? De mulher ainda por cima. Decepcionado, ele encontrou Lenalee Lee ajoelhada em frente ao Lago, chorando pelo ocorrido na ordem. É claro que tinha sido algo pavoroso, mas havia passado, e não havia a necessidade de chorar.

— Lenalee? — Indagou o nada sensível Kanda.

— Ka-kanda? — Ela assustou-se, mirando a face do companheiro exorcista. — O que está fazendo aqui?

— Eu é que pergunto. — Afirmou seco, aproximando-se mais da menina.

Agora que ele reparou um pouco mais na garota. Ela estava com os cabelos curtíssimos, diferente do comum. Ela estava assim desde a batalha da arca, mas ele não teve tempo para reparar. Agora sim, estava sem missões a cumprir. Sentou-se ao lado da jovem, desviando o olhar.

— Kanda ... — Chamou-o baixinho.

— O que é? — Foi rude.

— O-obrigada. — Ela disse.

— Pelo que? — Estava impaciente, detestava meninas choronas.

— Você sabe... Protegeu o meu nii-sama, naquela hora. — Ela fungou.

Um silêncio incômodo instalou-se, mas que era sempre quebrado pelo choro baixinho da menina, que ela tentava inutilmente esconder do Japonês.

— Tch. Dá pra parar?! — Berrou Kanda.

— K-Kan-Kanda.. — Ela estava assustada agora. Ele poderia sacar a Mugen e matá-la, da forma como ele é.

— Que droga. Para de chorar.

Novamente o silêncio.

— O que está fazendo aqui, Lenalee? — Indagou novamente.

— Eu vim...

— Chorar. — Interrompeu-a. — Chorar não vai trazer quem foi embora devolta. Nada vai trazê-los.

— Kanda ...

— E esse cabelo?! Trate de deixá-lo crescer. — Ele disse, enquanto jogava no lago uma pedra, que "quicou" cinco vezes. Ela riu. — Do que está rindo?

— Nada, Kanda. — Ela respondeu sorridente. — E obrigada por cumprir aquela promessa, Kanda. Você venceu o Skin, você voltou no final...

— Baka, eu sempre cumpro as promessas que faço. — Afirmou, desviando o olhar para ela.

Ela deixou-o com a cara no chão, porque logo após ter dito isso, ela desabou no choro novamente.

— Ei! O que é agora? — Indagou sem paciência.

— Eu sentiria sua falta... — Ela começou, mas foi cortada.

— Baka. Eu não morrerei. Ficarei vivo. — Suspirou, completando com um "tch".

— Acha que... Estou feia assim? — Ela perguntou para ele, apontando para os cabelos curtos.

— Não. Só era mais bonita antes. — Ele disse francamente, levantando-se.

— Onde vai? — Ela arregalou os olhos.

— Treinar, é óbvio.

— Eu posso ir também? — Ela levantou-se junto, parecendo recuperada da crise de sofrimento anterior

— É melhor não, o Komui estava te procurando. — Afirmou seco.

— E daí? Meu nii-sama pode esperar! — Ela sorriu, começando a seguir o outro exorcista.

Enquanto isso, na sede da Ordem Negra, estavam Lavi, Krory e Allen conversando na enfermaria — Krory ainda não podia sair de lá. Os três conversavam amigavelmente, contavam ao exorcista vampiresco a batalha que travaram contra um Akuma nível 4. O exorcista tremia de medo, só de pensar que estava dormindo quando tudo aquilo aconteceu.

— Por Eliade! Eu perdi tudo isso? — Ele perguntou assustado.

— Pode crer. — Disse o ruivo.

— Ainda bem. Ufa. — Suspirou o exorcista, fazendo os outros dois rirem. — E onde é que Lenalee está?

— E por falar nisso, não a vejo desde de manhã. — Suspirou Lavi, fazendo cara de sofrimento.

— E o Kanda? — Krory tremeu só falar o nome daquele exorcista assustador.

— Sei lá, o BaKanda ficou extressado na hora do almoço, e saiu por aí. — Allen fez pouco caso.

— ATCHIM! — Espirrou Kanda, com um olhar mortal.

— Está gripado, Kanda?! — Lenalee preocupou-se.

— Hm, aposto que aquele Moyashi estava falando de mim. — Resmungou.

— Vocês dois.. — Ela riu, tampando a boca com as mãos.

— Tá rindo de que? — Não viu a graça.

— Vocês dois, são muito engraçados. Vivem brigando atoa, mas aposto que se preocupam um com o outro. — Ela afirmou. Estava sendo corajosa, para dizer isso ao Kanda.

— Tch. — Mas ele não pareceu querer brigar com ela.

— Kanda, que tal quando tudo acabar, irmos para a praia aproveitar? — Ela sorriu graciosa, fazendo-o parar de caminhar para fitá-la. — Ía ser engraçado... Allen e você tentando se afogar na água, o Lavi de olhos nas meninas... O Bookman puxando a orelha dele. Nii-sama de olho em mim... A Miranda e o Krory... O Chaoji! Todo mundo se divertindo...

— Lenalee. — Ele chamou-a para a realidade.

— O que?

— Pare de imaginar coisas que não podem se concretizar. — Ele foi duro com as palavras.

Mas ela não começou a chorar como Kanda pensou que faria. Ela se aproximou, e "paft", deu-lhe um tapa na bochecha esquerda que o fez virar o rosto. A mão forte, ardeu. Mas ele não teve reação, apenas assustou-se. Nunca pensou que alguém teria tanta coragem.

— Pare com essa visão pessimista! O que tem de errado em querer que tudo isso acabe?!

— Lena...

— Não fale mais nada! É mesmo um ranzinza! — E ela simplesmente saiu correndo, rápida mesmo sem ativar a Innocence.

Deixou-o sozinho em meio a floresta, ainda abobalhado pelo tapa.
Ele ficou calado assim que ela desapareceu, e logo após um tempo, começou a caminhar para ir treinar logo. Não poderia perder tempo com besteiras.

— Eu odeio! Odeio, odeio, odeio! — Berrava Lenalee enquanto voltava para a Ordem. Os olhos cheios de lágrimas, e a mão dolorida pelo tapa. Sim, estava dolorida. Aliás, estava começando a achar que tinha doído mais nela do que nele propriamente. Suspirou, e ignorou completamente os chamados do irmão no corredor quando chegou. Ela subiu algumas escadas e chegou até o quarto, que era bem próximo do de Kanda.

Ela precisava parar de se importar mesmo. Ele não dava valor a nada, isso a entristecia profundamente. Sentou-se na cama, emburrada. Por que ele tinha que ser dessa forma?

Mas seus pensamentos se desviaram, quando ela lembrou-se de um diálogo que tivera antes do nível 4 aparecer, na sala de meditação. Lembrava-se perfeitamente da breve conversa que tiveram enquanto ela tentava meditar ao lado dele. "— Eu te acho uma mulher forte..." Foi isso que ele tinha dito.

Por algum motivo, preferia que ele dissesse: "— Eu te acho uma mulher bonita". Mas ele era o único exorcista — tirando Krory e seu amor cego pela Eliade — que não parecia ter interesses nela.

Enquanto ela o odiava momentaneamente no quarto, ele estava com os pensamentos bem distantes dela. Estava correndo pela floresta, treinando a velocidade e o corte da Mugen. Mas uma hora ele teve que voltar para a Ordem Negra, e foi justamente na hora do jantar.

Assim que ele adentrou no refeitório, foi até Jerry e pediu o de sempre para o cozinheiro. Procurou com os olhos uma mesa vaga, mas não havia uma se quer. A mais vazia estava sendo ocupada apenas por Lenalee e Miranda — que havia voltado de missão.

Ele suspirou, e foi até lá. Colocou a bandeja na mesa, e em silêncio se sentou. Iria falar algo, mas Lenalee pegou a comida e saiu da mesa, indo até a de Allen, Lavi e Bookman. Miranda, repleta de medo, saiu de fininho, indo atrás de Lenalee.

Ficou emburrado, o exorcista japonês, que mais uma vez em um único dia perdeu a fome. Mas dessa vez ele não abandonou o lugar. Era sempre ele quem deixava as pessoas sozinhas, e agora acontecia o contrário.

— O que houve, Lenalee-chan? — Lavi perguntou, estranhando a expressão enfurecida da menina.

— BaKanda. — Ela disse baixo, voltando a saborear sua refeição.

— Há! Finalmente alguém que pensa como eu. — Allen comemorou, parando por alguns segundos de devorar a montanha de comida.

— Cale-se, Allen. — Ela pediu.

— Nani?! Você está bem, Lenalee? Ele fez algo contigo? — Perguntou Lavi assustado com as respostas que ela dava.

— Se ele fez algo... Eu vou ... Eu vou... — Allen foi cortado.

— Vai fazer o que, Moyashi? — A voz se fez presente logo atrás do mais novo, deixando-o pálido de medo. Kanda estava ali, em pé fitando Lenalee. — Desculpe por hoje, Lenalee. — Foi tudo o que disse, já que não era bom com desculpas. Ele deu as costas, e caminhou rumando o quarto.

Todos ficaram olhando-na, para saber de sua reação. Mas ela foi fria, e continuou a refeição em silêncio.

Notas finais
E aí? Mereço reviews!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.