Rude Girl
38 Capítulo 38 — Eu te amo
Notas iniciais
(Pov’s Harlow)
Eu estava nervosa. Por alguma razão, durante toda a trajetória que Jimmy seguia eu sentia meu coração saltando e um pressentimento tão intenso, que tinha de respirar pela boca de tão forte. Era como se estivesse prestes a ver algo totalmente de outro mundo, e Jimmy com certeza não ajudava eu a me acalmar quando olhava-me de canto com aflição e hesitação, de modo que me fizesse achar que estava com medo de mostrar seja lá o que pretendia mostrar ao nos levar para longe da montanha.
Depois de alguns minutos de viagem, ele parou no que parecia ser um Hotel, o prédio era realmente muito grande e imenso. As janelas todas trabalhadas em vidro transparente assim como as portas da entrada. Quando estacionamos justamente dentro de uma garagem enorme e lotada de carros caríssimos, eu quase torci meu pescoço olhando em volta, confusa do por que estar ali e por que Jimmy parecia tão silencioso.
Ele me empurrou gentilmente até um elevador, onde entramos e ele apertou o botão que ia para o ultimo andar. Fiquei ainda mais apreensiva quanto mais subíamos, respirando fundo com impaciência, olhei para ele, tentando arranjar uma resposta para minhas perguntas, mas ele não me olhava de volta, e isso começou a me irritar quando finalmente saímos do elevador para um corredor extenso e largo, havia varias portas brancas também, marcando números começando do 100.
— Que lugar é esse? — perguntei de uma vez.
Os ombros dele se encolheram e sua mão tocou minhas costas, me arrepiando inteira quando me fez andar novamente.
— Aqui... fica meu Loft — falou, e eu ergui uma sobrancelha surpresa, fazendo-o sorrir sem graça — Meus pais deram-me as chaves de presente. Na verdade, ele é alugado, portanto eles pagam a cada mês, pelo menos até eu conseguir um emprego e fazer isso por conta própria.
Em fim, nós paramos em frente a uma das portas com a numeração 104. Jimmy engoliu em seco, retirando do bolso da calça uma chave prateada. Mas antes de abrir a porta, ele me olhou, e quase me engasguei de surpresa com o que vi brilhando em suas íris escuras. Ele parecia com medo, completamente aflito, mas algo lá dentro indicava uma camada estranha de alívio e ansiedade, como se ele quisesse me trazer aqui há muito tempo.
— Nunca permiti que alguém entrasse aqui... Nem mesmo meus pais. Não pude impedir as faxineiras, mas elas sabem que não admito curiosidade. — Dito isso, ele girou a maçaneta, e deu um passo para o lado, me dando passagem — Entre.
Mais daquele pressentimento me fez hesitar, antes de colocar um pé dentro do lugar.
— Tem certeza?
Ele fez que sim com a cabeça. Estava pálido. Agarrando as mangas da jaqueta, atravessei a porta para dentro de um loft muito escuro. Olhei em volta apertando os olhos, tentando enxergar em meio à escuridão, mas aquilo não foi necessário, pois no instante que coloquei os pés dentro do quarto, a luz se ascendeu, e eu perdi totalmente a respiração dos pulmões. Eles pareciam ter esquecido como trabalhar e eu não podia respirar.
Quando por fim soube como levar um pouco de ar para dentro, me aproximei da parede mais próxima, os olhos arregalados enquanto virava em todas as direções com incredulidade óbvia.
O lugar não era grande e também não era pequeno, tudo que havia de moveis, era uma estante com quatro gavetas, uma escrivaninha, uma cama, e o que me paracia ser uma mesa cheia se papeis, copinhos e frascos de tinta. Estava posicionada em baixo de uma janela que eu conhecia muito bem, aquela que tinha visto em uma foto que Jimmy me mandará um dia, quando fiquei louca ao pensar que ele estava com uma mulher. E ele estava o tempo todo aqui.
Engolindo com dificuldades, tirei o violino das costas, deixando-o no chão para caminhar pelo quarto até o primeiro quadro; Eu estava usando aquele meu velho caso verde, o capuz cobria meus cabelos e meu rosto estava contorcido enquanto olhava para cima com uma careta, os lábios torcidos enquanto mirava alguém com o que parecia ser, aborrecimento.
Senti todo meu cérebro chacoalhar, lembrando muito bem para quem eu olhava tão desgostosamente. Eu estava na oitava série, havia acabado de entrar para o colégio e Jimmy passará o dia me perseguindo, até que eu tinha me virado e simplesmente o derrubado da escada. Eu usava aquele casaco verde no dia. Não tinha duvidas. O próximo quadro estava logo ao lado daquela mesa, eu tive que ficar chocada ao analisar a imagem.
Ele tinha me retratado com habilidade e sutileza, tinha trabalhado nos traços do meu cabelo perfeitamente, sabendo deixa-lo absolutamente deslumbrante enquanto meu rosto parecia mais suave. Aquela imagem era do dia do futebol. Quando demos nosso primeiro beijo, ele me olhou completamente pasmo e paralisado, assim como eu depois de ter suas mãos sobre mim.
Meus olhos estavam arregalados com surpresa e espanto e ele tinha conseguido pintar as fagulhas brilhantes nos meus olhos, como se soubesse o quanto fiquei fragilizada com aquele beijo. Meus lábios estavam entreabertos e uma mão segurava minha bochecha, erguendo meu rosto completamente pálido. Toquei a tela, tentando sentir com a ponta dos dedos os lugares exatos onde os seus haviam estado. Eu estava... linda.
Lágrimas inundaram meus olhos quando me encontrei devorando todos os quadros de uma só vez. As paredes cobertas por desenhos e pinturas, o cavalete armado em um canto perto de uma porta, com desenhos incompletos. Duas bancadas percorrendo as extensões das paredes leste e oeste, e essas também estavam cobertas de arte. Todos com desenhos de mim.
Bem a esquerda de uma porta havia eu tocando violão, um pouco mais a direita tinha eu brincando com Lizze, depois sorrindo para Jared e mostrando língua para Jonah. Outros quatros eram mais recentes, como aquele comigo totalmente diferente, a imagem que eu era agora, depois que voltei da Califórnia. Os cabelos batendo nos ombros e um sorriso enorme enquanto olhava para frente, e o que mais me surpreendia, era que ele não tinha me retratado apenas... Ele tinha adicionado asas à caricatura.
Tudo a minha volta era um borrão, e eu brilhava como anjo em meio ao brilho, asas saiam das minhas costas e as pinceladas do pincel de Jimmy pegaram perfeitamente a curva do ombro, os quadris mais ondulados e as pernas torneadas. Piquei várias vezes, atordoada quando me direcionei ao único quadro que mais me chamou atenção, esse estava no meio do quarto, coberto por um manto branco e manchado de tinta azul, amarelo, de muitas cores.
Sem respirar, fui para ele, e com uma mão tremula, puxei o manto o deixando no chão, para então, dar de cara com aquela obra. Ainda não estava terminada, mas era a mais recente de todos, pois havia acontecido há dois dias atrás, quando havíamos conversado e olhado as estrelas. Eu tinha dormido, mas ele pareceu ficar acordado para tomar meus traços, porque não era possível que ele pudesse me desenhar tão perfeitamente bem, sem que passasse uma noite inteira, me avaliando.
Levantei a mão, que tremia muito, para tocar o rosto que ele pintou, deitado em seu peito com os olhos fechados. Deus. Estava maravilhoso. O corar das minhas bochechas, o nariz franzido em uma expressão engraçada, e um sorriso suave curvando meu lábio... Estiquei o braço para deslizar os dedos pelo cabelo que eu pensava não ser nada além de um castanho claro, mas que ele provou ser mais sob a luz do luar, deixando-o malditamente escuro e brilhante.
Mordendo o lábio, me impedi de sufocar de admiração.
— Você desenha bem. — declarei em sussurro.
Atrás de mim, pude ouvir o que foi um suspirar de alívio e depois uma curta risada.
— De tudo, isso foi a única coisa que percebeu?
Devagar, me virei para ele, me surpreendendo com o quão próximo estávamos. Soltei o ar com dificuldade.
— Há quanto tempo faz isso? — indaguei curiosa.
Vergonha apareceu em sua face, mas ele não desviou o olhar.
— Desde que lhe conheci. — Arregalei os olhos um pouco. Ele sorriu — Eu sei, é surpreendente, mas era mais forte que eu. Olhe aquele — Apontou para o quadro a nossa direita, o que eu vestia o casaco verde e olhava com aborrecimento — Eu estava tão puto com você que fiz a imagem, cheio de rancor, eu simplesmente movia o pincel, e quando percebi, estava retratando você. Foi meu primeiro quadro. — Tomando a minha mão, me levou até o quadro em que eu tocava violão na garagem, e ao lado desse havia outro, eu tinha um microfone na mão e os olhos fechados enquanto parecia cantar. — Esse foi meu segundo... Quando você entrou oficialmente para banda. Eu fiquei tão nervoso por você estar no mesmo lugar que eu a todo instante e que você fosse tão malditamente boa em tudo que tentava... Eu odiava que eu ficasse admirado sobre isso.
— Você tem me observado desde daquele instante? — Eu estava completamente chocada, olhando em volta com espanto e depois para ele — E a Dana? As outras mulheres, suas saídas e...
— Eram desculpas — Me cortou, os olhos me engolindo totalmente. — Desculpas para que eu pudesse fugir do que estava na cara. Eu era um covarde Harlow... eu admito isso, mas agora tudo que mais quero é poder fazê-la entender que desde o início, foi você. Nunca Dana ou qualquer outra mulher. Em minha mente, era o seu rosto que eu pensava, era ele que eu me recusava para de pintar e é ele que eu continuo observando... sempre foi. Eu menti para todos dizendo o contrário, dizendo que não precisava de você quando minha vida inteira se resumia ao seu nome, eu só fazia isso Harlow. Mentir e mentir — falou lentamente — Comecei a pensar que fazer isso apagava o que eu sentia, que mentir fosse apagar tudo que eu negava acreditar. Passou ser uma rotina entende? Isso até vê-la partir para longe de mim... Até que vi você pegando o aquele avião para Califórnia, e dias depois, postando fotos com Damien ao seu lado. Eu fiquei maluco.
Eu estava agarrando-me a mesa atrás de mim com tanta força, que minhas mãos começaram a doer.
— Por que ficou maluco? — perguntei sem ar.
Ele me olhou profundamente.
— Você faz uma ideia do por que — falou asperamente.
Eu senti meu coração saltar ainda mais.
— Diga-me — pedi em voz alta e sem soltar seus olhos — Diga-me por que.
Como se percebesse que eu precisava ouvir, ele se aproximou, olhando-me fixamente sem piscar, as íris dilatadas e escurecidas me devorando como um chama ardente.
— Durante todo tempo, todos os instantes, e sob todas as mentiras ditas... Eu me apaixonei Harlow. A cada olhar, em cada briga e empurrões, eu só desejava estar com você, desejava porque... — Meus batimentos correram quando ele hesitou, mas em seguida disse, com todas letras e sem deixar de demonstrar seus sentimentos, ele apenas abriu a boca, e falou o que sempre quis ouvir — ... porque te amo Harlow. Te amo.
E então tudo voltou. Os sentimentos. As lembranças. Tudo. Mas dessa vez, eu não estava nem um pouco a fim de virar as costas para aquilo... não mesmo.
— Jimmy — Eu o olhava completamente parada, mas por dentro eu gritava — Você é um idiota — Aos poucos, eu vi como seu rosto perder a cor e o medo cresceu em seu olhar, eu vi o pânico do que poderia acontecer agora, e mesmo vendo isso, eu não consegui me parar. Eu não aguentava mais guardar toda aquela ânsia, aquela magoa, dentro do meu peito... não aguentava mais ficar em silencio.
— Por todos esses anos você me chutou e me pisou. Vez a merda da minha vida quando essa nem era boa — Minha garganta fechou, e o rosto aflito de Jimmy contorceu como se estivesse o esfaqueando — Eu tentei de inúmeras formas fazer você me notar, eu era boba, porque o fato de querer sua atenção era loucura depois do que fez com Dana. E porra, quando nos beijamos naquele jogo de futebol, foi como se estivesse entrando em um maldito pesadelo. Você passou a me maltratar mais ainda, e isso me enchia de raiva, eu queria você longe de mim, mas também queria perto. — Observei seus olhos, notando como eles passaram a brilhar muito mais, mas não de felicidade, longe disso... havia lágrimas ali, e eu estava as colocando lá, e isso me rasgou. Mas por que eu não conseguia parar de machuca-lo? Por que?
A resposta para isso veio quando meu próprio rosto ficou molhado. Me recordei de quando as deixei cair por raiva dele... Eu queria que ele entendesse o que senti, queria que compreendesse que tinha me quebrado, mesmo que não tivesse tido a intensão.
— Por que você não me aceitou? — questionei me aproximando, ele deu um passo para trás — Por que me machucou? Eu só queria ser aceita... Eu fui burra por isso? Fui um estorvo para você ao ponto de procurar por outras?
— Harlow eu...
— Eu te dei uma escolha! — Minha voz aumentou e afundei meu dedo contra seu peito, o empurrando para trás com força — Eu praticamente me humilhei ao pedir que me aceitasse na sua vida. Mas você não me aceitou, me virou as costas quando eu mais precisava, você me deixou partir!
— Ah Harlow — Ele estava desolado — Harlow, eu queria poder voltar atrás, querida eu juro...
— Mas nós não podemos certo? — Funguei, e voltei a me aproximar dele, erguendo o rosto para que pudesse olhá-lo nos olhos profundamente. — Aquilo tudo já se foi, e agora estamos aqui... E não consigo aguentar mais isso, eu preciso...
— Por favor — Sua voz era suplicante quando segurou meu rosto, sua respiração batendo contra minha enquanto murmurava — Por favor... Por favor...
— Jimmy — Eu estava sem fôlego, tudo que sentia era seu perfume, tudo que queria, desejava, era seu perfume. E isso nunca havia mudado, e sabia que não o faria jamais. E por saber exatamente isso, me aproximei, agarrando sua nunca com força, forçando-o para mais perto e fazendo-o gemer baixinho. — Jimmy...
Ele suspirou contra mim, seu polegar acariciando minha bochecha e o nariz esfregando contra o meu. Sua presença e seu toque me deixando em casa. Puxando-o, mordi o lábio, soltando o que eu negava a ele desde o inicio.
— Me beija.
Os olhos do louro se arregalaram tanto, que achei que iriam pular das orbitas, um segundo mais tarde os mesmos estavam sendo cobertos pelo fogo do desejo, e no instante seguinte, as mãos afoitas de Jimmy estava sobre mim como sempre sonhei e quis.
Agarrando-me em seu pescoço, puxei-o para baixo, tentando alcançar sua boca enquanto ouvia o gemido primitivo que ele deixava escapar. Espalmando as mãos em suas costas, as subi até seus cabelos, entrelaçando os dedos nos fios com alívio, me deliciando com a macies das pontas que tanto admirei e amei em silencio, fiz uma lenta caminhada com os dedos pela curva de seu pescoço a nuca, desejando, me desesperando por estar tão perto dele aspirando seu perfume. Ele me segurou, agarrando minhas coxas e me elevando sobre uma mesa como se não pesasse nada. Me sentou ali, derrubando coisas no chão e sujando-nos com tinta dos potinhos abertos, sua boca ainda devorando a minha com ansiedade desesperada.
Puxando-o para perto, enfiei as mãos para dentro de sua camiseta, sentindo a pele suave por baixo e suspirando em sua boca pelo contando, sentindo-o estremecer contra mim. Enrolando as pernas em seu quadril, pressionei-me com força contra ele, exigindo mais a cada toque.
Jimmy rolou os lábios por meu pescoço e eu derrubei a cabeça para trás, fechando os olhos fiquei completamente mole em seus braços.
— Harlow... Deus, eu te amo — Ele percorreu as mãos por meus ombros, levando sua jaqueta pra baixo, liberando meus ombros para que pudesse distribuir beijos ali também, deixando-me ainda mais languida. — Diga-me que me perdoa... por favor. Diga que me perdoa pequena.
Abrindo os olhos, o encarei, vendo como ele parecia desesperado, amedrontado com a ideia de me perder. Isso aqueceu-me por inteira e senti aos poucos, meu sorriso esticar meus lábios, fazendo-o ter o rosto cintilando com esperança.
— Apenas me beija.
Seus olhos fecharam e ele respirou fundo, juntando nossas testas e dando beijos leves em meu rosto, até voltar à boca. Quando voltou a abri-los, eu me emocionei ao vê-los brilhando com lágrimas.
— Obrigado... Muito obrigado — E eu totalmente não pude ficar parada, me agarrei novamente a ele e tomei seus lábios novamente, pois agora eu podia.
Ele me recebeu com ansiedade, me apertando tanto que podia sentir minhas costelas reclamando, mas não estava disposta a parar, não mesmo. Deslizei as mãos pelos ombros dele, largos e fortes sob meu aperto. Eu me senti embriagada pelos beijos. Os seus dedos passaram pelos meus cabelos; suas mãos acariciaram-me levemente nas costas, encontrando minha cintura, puxando-me mais forte para si. Deixei a cabeça pender para trás, quase batendo na parede logo atrás; os lábios de Jimmy arderam em minha clavícula.
Sorrindo, levei as mãos para a barra de sua camisa, puxando-a com impaciência quando ele tentou se afastar, os olhos arregalados e os lábios pressionados em uma linha de tensão.
— Harlow, isso não é uma boa ideia — falou, e eu ergui uma sobrancelha quando ele contorceu o quadril para longe do meu, mas eu ainda o tinha preso com as pernas, e aproveitando isso o puxei de volta, mas ao fazer isso ele praguejou e eu arregalei os olhos, percebendo pela primeira vez o volume entre nós e como ele se encaixava perfeitamente entre minhas pernas cobertas pelo jeans.
Senti o rosto queimar, mas por mais incrível que parecesse, eu não estava com medo, apenas envergonhada. Ele tentou se afastar novamente, mas eu o prendi, agarrando-me em seu pescoço.
Jimmy ofegou quando me pendurei nele, fazendo-o me segurar, as mãos sustentando meu traseiro.
— Harlow, o que está fazendo?
— Assumindo o controle — respondi.
Lembrando das lições que tive com Damien, o olhei nos olhos por longos instantes até que ele tinha os dele cerrados, desconfiança marcando seus traços bonitos e o deixando adorável quando eu sorri de lado, sabendo que ele parecia surpreendido com minha atitude.
— Você me ama mesmo? — perguntei, deslizando um dedo por sua mandíbula e pegando seu estremecer e a chama de desejo em seus olhos. As mãos em meu traseiro se apertaram e eu sorri.
— É claro que sim — respondeu. Eu aproximei meu rosto do dele e ele piscou, respirando pela boca — Harlow...
— Me mostre então — Apertei sua nunca entre minhas mãos e fechei os olhos, respirando contra sua orelha e ficando satisfeita quando ele suspirou, apertando-me contra ele. — Mostre o quanto me ama Jaime.
Ele congelou e eu me afastei o suficiente para ver as labaredas em seus olhos pegarem fogo, o rosto ficando duro enquanto me olhava.
— Espero que saiba o que está fazendo — disse seriamente.
Eu não fraquejei em nenhum momento.
— Pareço não saber? — questionei. E para deixar totalmente concreto, me pressionei mais contra a dureza que ele tentava esconder. Ele vaiou, me apertando e escondendo o rosto em meus cabelos. Senti uma pontada de excitação quando sua respiração bateu minha orelha e em seguida, seus dentes a prenderam, provocando-me.
— Você é louca — murmurou, mas havia humor em sua voz, e isso me fez sorrir.
— Completamente. — sussurrei de volta, também acariciando seu pescoço.
Finalmente, fui recompensada, e quando notei, Jimmy estava me prensando contra a mesa novamente e circulando o quadril contra o meu, e sua boca estava milagrosamente devorando a minha. Suas mãos guiaram-se para minha cintura, para baixo da minha blusinha que começara a se erguer e eu senti minha pele arrepiar com o aperto de seus dedos em minha carne, deixei que minhas unhas se prendesse novamente em sua camiseta, avida por tirá-la do caminho para que pudesse descobrir o que ela escondia, mesmo que em muitas ocasiões eu já tivesse visto e admirado em malditos sonhos.
Enquanto sentia seus toques, comecei a me lembrar o motivo que tinha me levado a montanha. Na verdade eu o desconhecia no instante em que decidi encontra-lo, mas agora tudo parecia se encaixar como um quebra-cabeça. Pensei na noite em que passamos juntos olhando as estrelas, como ele se dedicou em somente cuidar de mim e me disse como acharia minhas respostas nas estrelas... bem. Percebi que ele estava certo.
Estava ali, nos braços dele e sentindo seus beijos enquanto meus olhos estavam na janela do outro lado do quarto, e ela mostrava-me um céu banhado com muitas estralas, e elas cintilavam para mim de maneira quase absurda. Diziam o que meu coração queria e aonde era a casa que eu procurava. E pela primeira vez, senti que poderia contar com Jimmy para qualquer coisa. Senti que quando precisasse, ele estaria ali para me amparar, pois me amava. Entendi que cuidaria de mim, a seu modo. Que eu não estava sozinha. Que ele era o que procurava.
A cálida ternura que ele tinha comigo a cada toque começou a me levar ao céu e eu não vi como as coisas se desenrolaram, apenas aconteceu, e do nada eu estava jogando sua camisa longe e alcançando seu ombro, deliciando-me e conhecendo cada minúcia de seu corpo. Minha admiração por ele aumentou e aumentou até que ganhou proporções gigantescas naquele momento, até que se tornou insuportável e achei que eu fosse explodir em um milhão de cores. O nó na garganta e o tremor em meu corpo me fizeram juntar as mãos firmemente sobre seu peito enquanto tomava atenção de seus olhos cheios de luxuria.
Ele me olhou profundamente, e naquele instante notei que ele não estava olhando para uma garotinha, — a qual ele negava — mas encarava uma mulher. Uma mulher feita e que precisava de seus toques mais do que tudo.
— Jimmy — O segurei, sabendo que meu rosto agora demonstrava toda minha angustia. A angustia que guardava por anos — Não mude de ideia sobre isso — supliquei, pois não aguentaria se o fizesse — Por favor, não mude.
Tristeza o fez alisar meu rosto ele me beijou, lenta e demoradamente.
— Nunca mais, pequena. Perdoe-me por um dia ter lhe magoado. Me perdoe, porque sempre vou te querer. Sempre meu anjo.
E nós nos chocamos. Como se fossemos a água do mar alcançando a terra, uma mistura suave e áspera, uma seca e uma molhada. Ambos com uma força inimaginável enquanto se abraçavam e se livravam das coisas que o mantinham separados. Eu queria Jimmy mais perto. Eu o queria me abraçando. E não por alguns dias ou umas horas. Queria para sempre para que eu pudesse ouvi-lo dizer que me amava, queria-o para poder alisar seu cabelo durante as tarde e também para vê-lo pintar. Queria que ele fosse feliz... comigo. Queria ver seu sorriso iluminar seu rosto e lhe dar segurança assim como ele tentava dar a mim. Esperava poder retribuir cada mínima coisa que ele me presenteava e retribuir cada beijo, só para então pedir mais e mais. Desejava tocá-lo como estava fazendo agora. Desejava ouvir seu coração bater quando fosse dormir em seu peito assim como pude ouvir na noite passada, desejava ouvir meu nome em seus lábios e observá-lo dormir...
Desejava muitas coisas... Desejava ele.
Desejava porque eu ainda estava, louca, e perdidamente apaixonada por Jimmy Rory.
E isso eu não podia mais esconder. E nem queria.
Gemendo em ansiedade com minha breve descoberta, o empurrei para trás, descendo da mesa para então pegá-lo olhando sem fôlego, a boca vermelha e o peito nu subindo e descendo. Seus lindos cabelos louros caindo sobre sua testa e as mãos fechadas em punhos ao lado do quadril que ostentava um volume notável. Quando caminhei para ele, me senti como uma gata prestes a dar o bote, e o sorriso que ele deu. Deus! Ele prometia o céu. E estava feliz em cobrar.
Indo para ele, apoiei as mãos em seu peito, erguendo o rosto para encontrar com seus olhos escuros. Como Jimmy permaneceu quieto, me atrevi a inspirar profundamente, sentindo aquele aroma todo dele invadir e excitar meus sentidos. Ele me observou com o rosto duro, concentrado, mas os olhos tinham ardência, queimavam enquanto encaravam fixamente meus lábios. Aproximei-me um pouco mais, colando o corpo na lateral do dele, retorcendo os dedos em sua pele nua. Ele continuou encarando meus lábios com intensidade, como se quisesse toma-los para si. Então fui em frente e beijei sua boca. E a explosão de sensações e cores foi mais forte dessa vez, quase insuportável. Prendi a mão em seus cabelos, trazendo-o mais para perto, desejando fundi-lo ao meu corpo, para que fizesse parte de mim.
Nós caímos na cama entrelaçados, com suas mãos trabalhando em puxar minha blusa para cima. Eu pouco me importava, tudo que queria era ele. Ele por inteiro.
— Harlow... — Ele gemeu, descendo meu pescoço— Isso é loucura. Querida, eu não vou conseguir parar se não me deter agora — Ele deslizou a boca pelo vão entre meus seios cobertos pelo sutiã preto ao abaixar a blusinha, e eu tive que olhá-lo, levantando-me com a ajuda dos cotovelos.
— Não se atreva a parar — resmunguei seriamente. Ele sorriu, puxando meu lábio inferior com os dentes.
— Seu irmão vai me matar.
— Foda-se meu irmão, Jimmy.
Ele riu mais alto.
— Essa é minha garota rude — E voltou onde estava desfrutando da minha clavícula e suspirando. — Você cheira tão bem. — Sua boca esquadrinhou meu busto, querendo conhecer cada detalhe meu enquanto sentia meus olhos rolarem para trás da cabeça. Estrelas dançavam logo a cima e nem sequer percebi quando ele tinha se livrado da minha roupa e da dele. Quando se ergueu sobre mim, eu senti meu rosto esquentar, permitindo que ele mirasse meu corpo coberto pela simples lingerie preta. Queria estar usando algo melhor para a ocasião, mas meus pensamentos foram cancelados ao encarar a forma que ele me observava, como se visse a própria divindade, e quando aquele sorriso malicioso que eu amava cruzou seu rosto, uma onda de prazer quase me sufocou. Ele deslizou as mãos por meus braços até alcançar as minhas, e a necessidade que eu sentia dele me domou por completo.
Toquei seu rosto quando se abaixou, beijando-o e sentindo-o fazer o mesmo comigo, sorrindo por tanto carinho, por tanto cuidado. Ele estava quente, eu estava quente, e nós tentávamos acabar com aquele fogo nos conhecendo a cada beijo, até que não tinha mais nada sobre nós para impedir que aquilo acontecesse. Jimmy circulou os braços a minha volta e me apertou, guardando meu corpo e parecendo adorá-lo ao soprar sobre minha pele.
— Tem certeza disso Harlow? — Em um momento ele sussurrou, parecendo preocupado, mas eu não estava, portanto sorri e o puxei para mim, pressionando tórax e quadril, sentindo a excitação que ambos não podíamos esconder.
— Eu quero — garanti, esfregando nossos narizes — Jimmy, por...
E eu não precisei implorar, pois ele tomou minha boca e se moveu para mim, me completando por inteira e ondulando seu corpo contra o meu como uma cobra. Eu observei seu corpo à luz da lâmpada maravilhada. Era ainda mais delicioso do que imaginava! Tudo nele me chamava para perto e queria tê-lo por toda eternidade.
— Harlow... — Ele soltou um grunhido primitivo quando se aninhou ao V das minhas pernas, suor descendo sua testa quando me agarrei a ele e cravei as unhas em suas costas, sentindo a invasão ao meu corpo junto com uma dor profunda. Eu ofeguei, sentindo as gotículas de lágrimas descerem meu rosto, mas Jimmy as secou, beijando meu ombro, meu pescoço, acariciando-me completo querendo que aquilo fosse menos doloroso.
— Sinto muito pequena... queria que não precisasse... Deus, eu queria que não sentisse isso... — Ele beijou-me por um longo tempo, imóvel sobre mim até que a dor cessou e eu pude respirar um pouco melhor. Jimmy me encarou quando abri os olhos, preocupação nadando em suas íris.
— Continua — falei. Ele piscou e o desejo voltou, para então contorcer o quadril contra o meu sem nunca desviar o olhar intenso do meu, me apresentando uma nova e deliciosa sensação. A dor se foi aos poucos, até que eu podia senti-lo por completo enquanto deslizava fora e então entrava. Ter Jimmy dentro de mim era umas das melhores sensações que já tinha experimentado e ele começou a demonstrar que podia ser ainda melhor.
Ele não apenas possuía meu corpo, mas minha alma.
— Harlow... — murmurava de vez enquanto, movendo-se rápido e duro contra mim.
Minha pele arrepiou e senti o desejo mais perto, ele me consumia e me agarrava com força e me fazia resmungar sob o corpo dele, levando o quadril contra o dele para acompanhar um ritmo que somente nós dois sabíamos. Senti-me viva, livre, dolorida, faminta, quando suas mãos percorreram a lateral do meu corpo, contornaram meu traseiro, e acariciaram minhas coxas. Sua língua passou a saborear a pele de meu pescoço, injetando excitação em minhas veias. Continuou descendo até encontrar meus seios, devorando as pequenas protuberâncias enquanto tentávamos a custo alcançar o topo, o paraíso.
Uma turbulência pareceu acontecer quando meu corpo chegou ao ápice do desejo. Tudo brilhou e explodiu como uma supernova enquanto abraçava Jimmy, ouvindo seu gemido prolongado, e depois de uma última estocada, ele se afastou de mim, se retirando tão rápido do meu corpo que ofeguei. Algo quente se espalhou por minha perna direita enquanto ainda estava sobre o efeito daquilo, com meus olhos fechados, senti o corpo mole de Jimmy me prensando no colchão, a respiração dele tão rápida quanto a minha.
Instantaneamente satisfeita, sorri, esfregando a mão contra suas costas e sentindo o cansaço da noite cair sobre mim, mas mesmo sonolenta, pude sentir quando ele se ergueu e me olhou.
— Eu te machuquei? — perguntou. Ainda de olhos fechados, esfreguei o rosto contra a mão dele totalmente exausta, bocejando. Ele pareceu rir, e querendo ver esse sorriso, entreabri os olhos, vendo como ele parecia lindo. — Tudo bem... durma um pouco pequena. Amanhã conversamos.
— Você não vai embora vai? — perguntei, me sentindo um pouco de aflição.
Ele suspirou, e olhando com um sorriso, ele se inclinou e beijou meus lábios.
— Nem que me obriguem. — Alisou meu rosto suavemente — Agora durma anjo. Estarei aqui quando acordar.
E acreditando nisso, fechei meus olhos. E nunca dormi tão bem na minha vida.
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