Rude Girl
37 Capítulo 37 — Ansiedade
Notas iniciais
(Pov’Jimmy)
Pela quinta vez, passei os olhos pela folha com cifras e testei nas cordas da guitarra, tentando novamente o tom que Jackson havia me passado, mas algo sempre dava errado quando chegava ao refrão, a todo instante eu ficava impaciente e agitado. Meus dedos estavam instáveis contra as cordas e minha mente vagando para um lugar, que no momento, todo meu corpo gostaria de estar. Quando eu respirava, sentia o perfume dela ainda em mim, quando fechava os olhos, sentia os dedos tímidos dela percorrerem por minha testa diretamente para meu cabelo, onde ficavam se remexendo e brincando com as mexas, com tanta suavidade que se fosse um gato estaria ronronando. Perderá as contas de quantas vezes já tinha pego o celular para ver se tinha alguma mensagem ou ligação perdida, cogitará em ligar para ela assim que a deixou em casa, mas possivelmente ela iria se ressentir por ter interferido no tempo que tinha lhe dado para pensar.
Dois dias.
E se tudo desse certo ainda hoje poderia ter Harlow para sempre. Mas ainda dependia do quanto ela estava chateada. Não conseguia parar de temer o momento em que a encontrasse na estrada da montanha, e ela falasse um “Não” bem dado em minha cara. O pior disso era ter que fingir estar relaxando quando o inferno acontecia dentro de mim. Um grunhido de frustração irrompeu novamente, meus instintos em desacordo com o raciocínio.
— Okay. Já chega — Me assustei quando Jackson saltou do sofá que estava esparramado para vir até mim. Olhar para ele me fez lembrar que não estava sozinho, e sim em sua casa e compartilhando seu quarto Liam. Ambos me olhavam com curiosidade — Desembucha. O que tá rolando?
— Não sei do que está falando — Menti, tentando mantê-lo fora do meu problema, mas não funcionou. Nunca funcionava.
— Estamos aqui há duas horas tentando ensaiar uma musica e você só tem feito resmungar. Então acho que você vai mudar esse papo e falar de uma vez — Resmungou Liam da cadeira em frente ao computador de Jack, enquanto rodava uma bola de basquete no dedo. — Você está nervoso desde que nos encontramos.
— E distante — destacou Jack — Ainda pensando na confusão com Bryan e Harlow?
Pude sentir como minha feição se tornou severa ao virar-me para Jack. Toda a irritação que escondia antes veio à tona, mas consegui mantê-la dentro pelo menos um pouco.
— Não me venha falar desse imbecil. Ainda não paguei minhas contas com ele.
Malditos idiotas.
Pensei no instante que vi o vídeo que postaram na internet e como quase estourei a tela do computador ao ver que Connor estava agarrando minha menina por trás, tudo que mais quis foi ir ajudá-la, no entanto havia visto aquilo muito tarde. Quando encontrei Jared, ele estava desesperado, pois Harlow tinha fugido para longe de toda aquela confusão, e ele não poderia ir procurá-la porque Dana estava de cama. Naquele instante nada me impediu de ir atrás dela, nem mesmo os filhos de uma cadela que a fizeram passar por aquilo. Harlow era quem importava.
— Eles receberam um mês inteiro de suspensão. — informou Liam — Vai contar muito no histórico escolar deles.
— Pouco me importo com o maldito histórico deles. — Rosnei a ele — Por mim eles iam expulsos. Eles tentaram bater em garotas!
— Meu pai, sendo advogado de Jared, falou com os pais... Como eles ainda são menores, não poderiam cumprir pena se prestassem queixa, mas foi deixado um aviso na direção. Se provocarem Harlow novamente, serão todos expulsos.
— E quanto às postagens? — Perguntou Jack. E eu não consegui conter o embaraço e também o nervosismo.
Eu tinha visto as fotos idiotas e a votação. Havia sido erguida como uma simples brincadeira de Jodie e Eloise, mas elas nunca pensaram que aquele bando de fofoqueiros iriam levar a sério.
Começou de repente até que todos estavam falando, e pela primeira vez, eu consegui me senti culpado por ter prejudicado Damien, pois estava na cara que o que mais saiu ferido foi ele. Claro que isso não queria dizer que estava abrindo mão de Harlow, não, isso nunca, mas eu mais do que ninguém tinha visto como aquela garota bateu o pé e negou minhas investidas. Harlow jamais trairia Damien, e insinuar exatamente isso só para criar uma discórdia entre eles era jogar sujo, e não estava disposto a fazer isso. Portanto assim que o visse teria que esclarecer as coisas, ou nunca viveria com minha maldita consciência pesada.
— Eles foram obrigados a apagar, mas apesar disso não é com eles que me preocupo — disse Liam, pensativo.
Eu o olhei — O que quer dizer?
Liam abriu a boca para falar, mas nesse instante a porta no quarto foi escarada e Jodie entrou pisando duro.
— Ele quer dizer, que Eloise é a nossa preocupação.
— Lizze? — Me confundi os olhando.
A próxima a passar pela porta foi Stefany, e notei que sua expressão era um tanto preocupada.
— Stef, o que foi? — Questionei, e a garota me olhou com um bico triste antes de cair na cama ao lado de Jack, que a puxou para perto.
— Jonah nos ligou logo depois que você saiu para procurar Harlow — falou ressentida, e o dedo rodava contra o peito do namorado, como se pensasse — Lizze não está muito bem.
— Como assim não está bem?
— Nas palavras de Jonah... Ela meio que surtou quando viu as postagens de Bryan e como o que nós começamos desandou — Explicou Jodie, tirando a mochila das costas e sentando no chão aos pés de Liam, que logo passou a alisar seu cabelo — Ela se sentiu culpada.
— Ela acabou passando mal de novo e parece um pouco mais sério porque ela simplesmente desmaiou — Concluiu Stef mordendo o lábio — Ontem a tia Ellie e o tio Julian foram para Massachusetts porque Lizze se recusa ir ao médico. Não temos mais noticias que essas.
Eu não soube o que falar. Preocupação misturada com confusão me fez largar a guitarra de Jack e então me sentar no puf, olhando-os sem entender. Lizze nunca foi de passar mal e muito menos de desmaiar, isso era totalmente novo.
— Isso é estranho, ela nunca reclamou de mal estar — falei, e nenhum deles discordou. Porém, enquanto todos assentiam, eu peguei o leve encolher de ombros de Stefany, que a cada coisa comentada ela tentava desviar os olhos para as mãos. — Sabe de alguma coisa Stef? — indaguei, e vi minha amiga empalidecer e então desviar os olhos de mim.
— Opa. Eu vi isso! — Jodie gritou apontando para ela — Eu sabia que estava escondendo algo de mim.
— Eu não...
— Desembucha morena — resmungou Jodie. Stef suspirou, e quando nada disse, Jack a olhou preocupado.
— O que está acontecendo Stef? Por que não quer dizer para nós? Sabe o que Lizze pode ter? — E foi só isso que fez a garota gemer e cobrir o rosto com as mãos, como se estivesse totalmente frustrada. Quando nos olhou, tinha lágrimas nos olhos, o que assustou a merda de todo mundo. — Amor, o que foi? — Jackson secou suas lágrimas, mas eu sabia que quando Stef se sentia insegura tudo que ela precisava era tempo, portanto apenas me aproximei, tomei sua mão e a olhei.
Ficamos assim por um tempo até ela respirar fundo e então engolir em seco.
— Eu acho que Eloise está gravida — Falou, e isso paralisou a todos.
Gravida. Eloise, nossa amiga super centrada e que queria aproveitar sua adolescência, estava gravida?
— Puta que pariu! — Jodie chiou.
Eu estava totalmente de acordo.
— Tem certeza disso, linda? — Jackson parecia espantado.
Stefany fungou e balançou a cabeça.
— Na verdade não, mas... Eu e a Lizze conversamos e bem, ela estava suspeitando faz um tempo porque antes dela ir para faculdade ela teve uns enjoos estranho no começo da manhã e então novamente quando sentia o cheiro do perfume do Jonah, nós estávamos só esperando que as regras dela viessem para podermos descartar essa ideia, mas então as aulas começaram e nada, então...
— Merda — Liam praguejou. — Jonah sabe disso?
— Mas é claro que não. — Stef bufou e virou os olhos — Ninguém sabe, e acho que é por isso que Lizze se recusa ir ao médico.
— Cacete, é verdade — Jodie caiu sobre o chão com os braços abertos — Meu Deus, o que esses dois têm contra a camisinha, porra?
— Lizze deve estar completamente assustada — falei, ignorando o comentário de Jodie — Quando foi que começaram os sintomas Stef?
— Se me lembro bem, justamente na semana que Harlow voltou. Talvez umas duas semanas atrás — respondeu e eu tive que fazer minhas contas.
— Se ela estiver mesmo gravida, estará prestes a completar o decimo quarto dia de gestação, está muito no inicio... Mas Stef, ela já devia ter ido ao médico. É perigoso.
— Você acha que eu não sei? — Stef choramingou, jogando as mãos para o alto — Mas minha prima não está sendo razoável. Ela está apavorada. Eloise odeia não ter o controle da própria vida, e se ela estiver mesmo gravida, tudo vai desandar, sem falar que ela está em pânico sobre como Jonah vai reagir.
— Jonah é apaixonado por ela desde que entramos no colégio — Jack falou, e sorriu de lado, tentando confortar a namorada — Ele nunca abandonaria Eloise ou um filho, tenho certeza disse.
— E eu bato na mesma tecla — Assinalou Liam convicto — Jonah tem cabeça. Ele brinca, mas sabe a gravidade de seus atos, e ele vai arcar com esse quando souber.
— Eu espero que sim — murmurou Stef.
Cinco minutos depois, tentamos acalmar Stef perguntando do seu dia na faculdade, ela deu um sorrisinho e passou a contar como seu professor era extremamente engraçado em tudo, Jodie se juntou a ela, falando sobre seu novo trabalho para entregar e a forma como ela estava quase se arrastando para fazê-lo. Isso distraiu bem todo mundo, até mesmo eu esqueci um pouco do meu problema “Harlow”, mas nossa paz foi pouca, pois às quatros da tarde o celular de Stefany gritou e ela arregalou os olhos para nós, nos indicando quem era.
Assentimos para que atendesse, e ela o fez.
— Lizze? — falou hesitante. Não tinha nem mesmo passaram segundos e Stef ficou mais branca que papel — Pelo amor de Deus, Eloise, pare de chorar e só se acalme.
Nós ficamos tensos, até Jodie demonstrou preocupação ao se joelhar e se aproximar da cama.
— Assim mesmo, respire. Agora diga para mim o que aconteceu — Ela escutou tudo em silencio, nos deixando ansiosos, e então suspirou, olhando-nos com tristeza.
— Ah Lizze, não fique assim. É para seu bem prima, você precisa ir ao médico — A forma carinhosa dela fez com que nos olhássemos curiosos, e ao perceber, Stef puxou o ar e fechou os olhos. — Eu contei a eles — sussurrou, e nós ficamos surpresos pela confissão. Do outro lado, não passou nenhum ruído mais, e Stef franziu a testa — Lizze?
E então voltamos a ouvir nossa amigar choramingar do outro lado, me perguntava onde estava Jonah e seus pais que não estavam amparando a pobrezinha. Stefany mesma já tinha lágrimas nos olhos novamente.
— Vou colocar você no viva-voz... Lizze, pare de bobagem, são nossos amigos. Não vão julgar você. Espere. — Nós observamos ela fazer o que foi dito e então colocar o celular na cama, onde todos pudessem alcançar. Ninguém disse nada no entanto, pois os soluços contidos de Eloise nos fez ficar ainda mais tensos.
— Lizze? — Tentei.
Do outro lado, um fungado e uma voz tremulada soaram.
— Oi Jimmy — Ouvi-la falando foi cruel, pois ela parecia tão infantil que quis abraçá-la agora mesmo.
— Querida, não chore assim — Pendi com gentileza e olhando os outros. Jack se inclinou até o telefone.
— Ele tem razão Lizze, não se desespere dessa forma, pode passar mal. — Mas nossas palavras não fizeram-na parar, pelo contrario, ela pareceu se desmanchar ainda mais.
— Oh Jack... Eu não consigo. Está tudo dando errado, tudo desabando... Eu... Estou com muito medo.
— Medo de que Lizze? — Liam perguntou, se achegando perto com Jodie ao seu lado — Você é uma das garotas mais planejadas que já conheci... Tenho certeza que pode se organizar agora. Faça isso princesa, vai dar tudo certo.
— Eu não quero estar gravida — fungou ela, quase muito baixo para ouvirmos — É muito cedo... Jonah ele... Estava planejando tantas coisas comigo, iriamos viajar, estávamos até pensando em ir passar um tempo em Malibuh com Harlow se ela fosse para lá com Amélia. Eu comecei minha faculdade agora, não posso ter problemas e nenhum empecilho, eu preciso me centrar e... Isso é um pesadelo! — E voltou a chorar.
Nós suspiramos, não sabíamos como mudar a mente dela, sabíamos que iria ser uma grande responsabilidade ter cuidar de uma criança, principalmente agora que estava na faculdade, iria render muitos problemas, não podíamos dizer o contrario.
— Lizze — Olhamos para Jodie quando ela sussurrou, parecia não querer fazê-lo, mas respirou fundo e disse — Desculpa se o que vou dizer agora vai magoá-la e deixa-la ainda pior, mas não posso deixar de dizer só para poupá-la. Se você está mesmo gravida, foi por um descuido seu e do Jonah, os dois precisam encarar isso como adultos. E não somente porque vão ser pais, mas porque qualquer decisão que tomar, vai espelha na criança que vai nascer. Sei que estou jogando um peso enorme nas suas costas agora, sei que está assustada e sinto por isso, provavelmente eu reagiria da mesma forma se fosse comigo, ou eu botaria a culpa toda no Liam. — A piada repentina nos fez sorrir e Liam bufou, virando os olhos, mas sorrindo. Do outro lado, Lizze deu uma risadinha e fungou — Eu não posso garantir que vai ser fácil, mas pode valer a pena. Só... não faça uma besteira. Lembre-se que não se trata mais só de você... Meu pai esqueceu isso e você viu o que aconteceu.
A menção ao Edgar nos fez estremecer e Liam tocou as costas da namorada, alisando-a com ternura.
— Mas... meus pais querem que eu volte para casa. — Eloise ainda fungava, o medo na voz quase visível — Disseram que me levariam a um hospital particular...
— Você ainda pode estar engana — Jodie tentou soar animada. — Pense positivo, quem sabe não se enganou e...
— Não — Eloise a interrompeu, e respirou fundo — Eu sei que estou gravida. Estou atrasada durante quatorze dias... Não posso recusar o que sinto com tanta força. — Ela ficou em silêncio e então soltou o ar pesadamente, nos jogando mais uma vez, as palavras que nos surpreendia mais e mais — Eu estou gravida do Jonah.
~*~
Deixei a casa de Jack com o coração apertado. A preocupação com Eloise enraizada em minhas veias e também nas do outros. Lizze parecia amedrontada sobre fazer um exame, mas depois de várias suplicas, ela concordou em voltar para casa e fazer a revisão que os pais queriam. Isso nos deixou mais calmos, mas ela parecia prestes a entrar em colapso só de pensar em Jonah descobrindo sobre a possível gravidez.
Esse fato eu não me preocupava muito, pois tinha total certeza que o ele assumiria o filho, só me preocupava com como um filho mudaria as vidas ambos.
— Está tudo bem querido? — Virei-me no sofá da minha sala quando Erin apareceu na entrada. Tentei sorrir para ela, mas não rolou.
— Sim. — Ela me encarou.
— Tem certeza? Parece um pouco abatido. — Se ela soubesse.
— Mãe, com quantos anos você ficou gravida de mim mesmo? — perguntei, ela pareceu surpreendida, mas então sorriu e se aproximou para se sentar ao meu lado.
— Tinha exatamente a sua idade. Vinte anos. Mas por que a pergunta? — Apertei os lábios, indeciso se devia ou não comentar sobre isso, mas não achava que minha mãe fosse contar para Deus e o mundo que Lizze estava gravida.
— Bem... É que uma amiga minha parece estar gravida e parece aterrorizada. Ela tem vinte anos também — Falei. Ela assentiu, começando a compreender.
— Se ela está apavorada, acho que não planejava — comentou, eu concordei e ela pareceu decepcionada — Bem, isso é lamentável. Aposto que a pobrezinha está com muito medo. Ela já contou ao pai da criança?
— Nem perto disso — falei, e minha mãe fez careta — Ela está hesitante sobre isso. Na verdade, ninguém sabe ainda, só nós — Não precisava esclarecer quem eram esse “Nós”. — Queria poder ajudá-la, mas eu não sei nada sobre isso.
— Em momentos assim querido, apenas ela mesma pode se amparar. Quando engravidei de você, graças a Deus eu já estava noiva de Kane, mas isso não fez com que o susto fosse menor, eu fiquei maluca. Enrolei para dizer sobre isso a todos, tinha medo que Kane desistisse de casa comigo caso contasse.
Ergui uma sobrancelha cética.
— E quando resolveu contar? Depois do casamento? — Ironizei, mas ela não sorriu, o que me fez querer rir — Sério?
Ela gargalhou.
— Não me julgue. Estava sobre os efeitos desesperados da maternidade, então eu fiz de tudo para que minha mãe organizasse o casamento para duas semanas depois que descobrir sobre a gravidez. Ninguém desconfiou. Bem... isso até a festa.
— O que houve? — indaguei curioso, ela se pôs a rir bem no instante que a porta da casa abriu e meu pai apareceu em seu uniforme de policial.
Ele sorriu ao nos ver — Ah, qual o motivo das risadas?
— Chegou mais cedo, querido. Aconteceu alguma coisa? — perguntou minha mãe, ele negou e beijou sua testa.
— Apenas achei bom vir jantar em casa. — falou, e desafivelou o cinto antes de cair no outro sofá e esticar as pernas nele. — Então, do que estavam falando?
— Sobre como mamãe enganou toda a família só para casa com você — falei, e minha mãe começou a corar quando ele gargalhou alto.
— Oh, isso. — Ele mostrou os dentes brilhantes para a mulher — Pois bem, meu amor, continue.
Sorri de lado quando ela virou os olhos.
— Bem, retornando. Eu consegui casar com ele, mas havia um problema... Eu estava tendo malditos enjoos e andava muito estressada por estar escondendo isso e ainda tendo que me preocupar com o casamento... Acho que quando tive um descanso na festa, minha pressão caiu e eu simplesmente cai dura no chão e acabei com a festa que tinha planejado por horas.
— Assustou a merda fora de mim — ressaltou meu pai com uma careta. — Eu quase tombei com ela no chão.
Ri e olhei minha mãe. — Aposto que não pôde esconder mais sobre o assunto.
— Pois é... Era tarde quando acordei. Kane estava ao meu lado totalmente branco, pensei que estava tendo um enfarto ao meu lado, mas quando percebi onde estava, eu compreendi que minha farsa havia sido descoberta. — Ela juntou a sobrancelha e então suspirou — Eu entrei em pânico e não lembro de muita coisa, estava tão exaltada.
— Mas eu lembro — Kane sorria largo — Ela me relatou tudinho o que fez desde que descobriu a gravidez, e tudo que conseguia fazer era chorar, soluçar, e chorar. Oh, e não posso deixar de lado a parte que pedia para eu não abandoná-la por que me amava demais.
— Ah, cale a boca seu grande exibido. Não tem o direito de caçoar de mim, estava sentimental por causa da gravidez — Minha mãe cruzou os braços e fez uma careta, essa mesma meu pai parecia adorar ver. Eu tive que rir.
— Com certeza, querida — Ele murmurou, e sorriu.
— Enfim — Erin o ignorou — O que queria lhe explicar, é que com um tempo o medo passa e você se acostuma com a ideia de ser pai, ou mãe. É difícil? Claro. Você terá que se preocupar em cuidar dos machucados, levar a escola, olhar a lição de casa e dar carinho, mas ao mesmo tempo em que isso é muito trabalhoso, ainda é maravilhoso. Pois é seu filho ali, é ele que você está vendo crescer e se tornar maior a cada dia. Então não se preocupe Jimmy, sua amiga pode estar apavorada agora, mas ela irá aprender, todas nós aprendemos. Está nos nossos genes ser mãe, pode acreditar.
Com essas palavras, eu consegui me manter mais calmo em relação à Lizze. Eu não era ninguém para duvidar de uma mulher que já era mãe e que passará por esse desespero. Portanto deixei meus pais e caminhei para meu quarto, finalmente me permitindo pensar no que aconteceria dali a alguns minutos. Minha mente voltou a vagar pelo momento em que pude ter Harlow dentro de meus braços, seu rosto e corpo relaxando enquanto eu a protegia do frio. Eu queria poder fazer mais isso, eu queria poder mostrar que podia, mas como faria isso sem assustá-la?
Respirando lentamente, me coloquei em pé em meio ao quarto, fechando os olhos em seguida. Harlow Cooper me deixava maluco.
Tentando distrair a mente até as oito, liguei para Stef para saber como estava, pois sabia como ela se preocupava com a prima. Ao ter a confirmação de que iria ficar bem e que daria noticias sobre Lizze, desliguei e desci a cozinha para sequestrar uma das garrafas de cerveja do meu pai. Ao tê-la retornei as escadas, passando pelo corredor, mas parando na porta do quarto de Dolly, que estava entreaberta e ela parecia falar sozinha, porém então notei que havia uma garotinha com cabelos vermelhos e bagunçados, na cama da minha irmã.
Mitchie mudará um pouco com o passar do tempo, tinha um rosto mais anguloso e parecido com o de Jodie, e estava um tantinho mais alta que a Dolly. Mas ambas continuavam com aquela amizade grudenta, mas que eu apreciava demais. Observei as duas conversando sobre escola e um trabalho que nenhuma queria fazer, e então parti para meu quarto, rindo para forma que aquilo já fez parte da minha vida. Dividir o quarto com amigos, falar mal dos professores e reclamar de fazer o trabalho. Por que a vida tinha que ficar mais difícil que isso?
Mais uma vez, olhei no relógio com impaciência, mas desanimei ainda mais quando percebi que faltavam três horas para o encontro com Harlow. Esfregando a nunca cai na cama sem ter opção a não ser ficar olhando para o maldito teto. Queria vê-la mais do que qualquer coisa, inclusive resolver qualquer problema que havia surgido. Tanto que no instante que o relógio marcou sete e vinte, eu me levantei no pulo e corri para me arrumar. Nunca em minha vida me senti tão ansioso para ver uma mulher, mas estava agora e parecia que a refeição que tinha passado para dentro na hora do almoço, não queria permanecer em meu estômago, pois a cada passo que eu dava, mais ele embrulhava ameaçando devolver toda a merda para fora.
Rapidamente, tomei um banho e escolhi um jeans escuro qualquer e uma camiseta. Ao procurar minha jaqueta, voltei a pensar em Harlow. Provavelmente tinha esquecido com ela, então ignorei esse fato e peguei as chaves da moto na escrivaninha, quando estava finalmente pronto, eram sete e trinta, portanto dava o tempo exato para chegar à pista da montanha.
Agitado, sai do quarto o mais rápido possível em direção à porta.
— Onde vai? — Minha mãe apareceu na porta da cozinha.
Sorri para ela.
— Resolver um grande problema mãe — falei, e beijei sua bochecha — Me deseje sorte. Não se preocupe se não voltar para casa.
Me virei para sair e abri a porta, o sorriso tão grande que doía meu rosto. Pude ouvir quando minha mãe gritou meu nome, mas pouco me importava, tudo que eu queria era chegar na montanha e saber a resposta de Harlow. Durante todo caminho imaginei como eu me encontraria caso ela me renegasse, caso ela me dissesse que era tarde demais... Talvez eu fosse embora mesmo. Tentaria novamente a faculdade e deixaria que ela vivesse a vida dela com Damien, mas eu não podia deixar de enfatizar como aquilo destruiria tudo em mim.
Não que isso seja culpa dela. Tudo que saísse dessa noite, era fruto do que eu plantei, portanto deveria ser homem e encarar o infeliz desafio. Mesmo que esse fosse contra a qualquer lei de calmaria.
O caminho inteiro eu fui respirando perigosamente rápido, mas quando finalmente estacionei na montanha, olhando em volta avidamente na escuridão e olhando o céu já com estrelas, eu senti todo meu corpo gelar ao não encontrá-la de imediato. O lugar estava vazio e a não ser pelo assobio do vento, tudo parecia tranquilo. Descendo da moto, tentei manter a sanidade sobre controle e não surtar quando a opção dela não ter vindo queimou em meu peito. Estava pronto para dar aquilo como resposta a sua decisão, quando o som suave cortou a noite.
Lentamente, virei-me na direção em que na manhã passada, eu pude acordar com Harlow em meus braços. Caminhando até lá, sorri ao vê-la sentada atrás da árvore, e a primeira coisa que notei ao chegar mais perto, foi o fato de ela ainda estar usando minha jaqueta preta, os olhos fechados enquanto tinha a bochecha corada pelo frio noturno encostada contra o violino, habilmente apoiado em seu ombro. A mão subia e descia o arco pelas cordas com gentileza, e ao lado de seus pés, tinha a bolsa no qual guardava o violino e um caderno aberto.
Hipnotizado, continuei ali parado, apenas observando quando ela se interrompia em sua música e franzia testa, e então testava novamente e sorria de lado, escrevendo os acordes no caderno. Era algo tão totalmente lindo vê-la compor, a forma como se dedicava ao arco, como seus dedos seguiam sobre as cordas com alegria e agilidade, quase como se fosse os meus próprios dedos ao desenhar.
Um tanto tarde demais, aquele membro idiota que eu chamava de coração, pulou uma batida, saiu de compasso para então disparar contras as costelas até retumbar alto em meus ouvidos.
Ela veio. Cacete. Ela veio!
Não consegui desgrudar os olhos dela, examinando-a, observando-a como se não o visse em anos. Seus lábios rosados se moviam como se cantasse as notas da música e o cabelo solto voava por culpa do vento, a deixando ainda mais bonita com eles desarrumados. Apenas dois dias havia se passado desde que nos vimos, mas para mim parecia uma eternidade, e por isso não conseguia parar de admirá-la ao constatar o fato que seus cabelos pareceram tão mais escuros a luz do luar.
Como se pressentisse que não estava mais sozinha, seu olhar se fixou em mim quando se virou. Minha reação imediata foi querer correr em sua direção e arrancar a resposta que vinha esperando desde que chegou da Califórnia, mas me detive a tempo. Eu não podia ultrapassar os limites, e desconfiava que abordá-la assim só iria predicar sua escolha.
Abrindo um sorriso de lado, fui até ela o mais tranquilo possível, sentindo seus olhos focando em cada um dos meus movimentos quando me abaixei e senti-me ao seu lado. Ansioso, esperei que ela fizesse ou dissesse alguma coisa para acabar com aquela agonia, mas em vez disso, ela ficou quieta.
Limpei a garganta.
— Pensei que não viesse — disse num sussurro.
Notei um tremor leve atiçar o corpo dela, porém não sabia se encarava aquilo como uma coisa boa.
—Eu também pensei — falou.
Nesse instante, senti uma leve pressão ao me dar conta que ela realmente ia me dar um bolo hoje, o que significava que sua resposta poderia acabar o pouco que existia do meu coração.
— Acho que temos coisas para tratar — A voz dela tremeu, e eu tive que fechar os olhos para não ceder ao medo que dominou cada partícula do meu corpo.
Percebi que se fosse ouvir o que mais temia sair de sua boca, tudo estaria acabado e eu não poderia olhar mais da cara de Harlow. Percebi que não podia fazer isso sem realmente mostrar tudo o que sentia e sempre senti por ela. Eu tinha que fazer tudo que estivesse ao meu alcance para tê-la de volta.
— Vamos — falei de repente.
Me levantei de pressa, batendo na calça ao virar para ela. Harlow tinha uma sobrancelha erguida em confusão.
— Aonde?
— Antes de ouvir o que tem para me dizer, quero mostrar uma coisa — Convicto, estendi minha mão, olhando-a nos olhos — Por favor, me deixe tentar mostrar uma última vez, como me sinto em relação a você... Juro que dessa vez fara todo o sentido. Apenas venha.
Harlow me encarou um pouco assustada, mas passou a morder o lábio nervosamente e então suspirou, guardando seu violino e caderno da bolsa. Depois aceitou minha mão e se levantou com minha ajuda, me encarando profundamente.
— Vamos logo então.
E eu sorri com alívio. Levando-a até a moto, esperei que ela colocasse a bolsa do violino nas costas e depois subisse atrás de mim, em seguida a olhei e dei um sorriso encorajador.
— Se segure. — E corri com a moto, esperando que o quer que iria revelar, não a fizesse correr para longe de mim.
~*~
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