Rude Girl
28 Capítulo 28 — Um homem apaixonado
Notas iniciais
(Pov’Jimmy)
— Jimmy, hey! — Dolly passou a mão em frente ao meu rosto — Estamos falando com você.
Em confusão, franzi o cenho e olhei do rosto de minha irmã para o rosto de meus pais, encontrando ambos com sobrancelhas erguidas com curiosidade.
— Ah, desculpe. O que?
Meu pai sorriu de lado enquanto abaixava seu copo de suco até a mesa. Minha mãe se inclinou para mais perto de mim e tocou meu ombro.
— Está distraído querido, o que tem nessa sua cabeça?
Meu pai riu distraidamente.
— O que não tem, você quer dizer não é querida? — Os olhos verdes e inteligentes do meu pai me miraram e eu tive que virar os olhos.
Ele sempre sabia quando minha cabeça estava cheia de muita coisa, na verdade ele parecia ter um rastreador para os momentos em que eu estava planejando fazer algo grande e absurdamente maluco.
— Estou apenas pensando em umas coisas — falei, em seguida foquei o olhar no meu prato com ovos e bacon intocados. Eu não estava lá com muita fome... Não conseguia pensar em mais nada para fazer depois da noite passada, não conseguia me manter sóbrio quando lembrava da imagem nítida do rosto de Harlow aparecendo naquela janela.
Durante todo o dia, tinha planejado como entrar na casa sem ser visto e invadir o quarto dela, plantei as luzes e o cartaz com nossa foto, era algo que sempre me passou pela cabeça em fazer, portanto aproveitei a boa ideia naquele momento. O nervosismo para saber o que ela achou foi enorme. Não vou mentir que esperava uma enxurrada de xingamentos por eu ter invadido sua privacidade, então vão entender que quando ela apareceu na janela, com um sorriso preso nos lábios e os olhos suaves em minha direção, todo meu sangue esquentou com o tamanho da esperança que cresceu dentro de mim.
Aquele olhar não era um nervoso. Ele não indicava que tinha desgostado do que eu fiz, pelo contrario. Ela parecia mais indecisa e confusa, porém com certeza admirada. Isso foi o bastante para que eu corresse para casa tentando bolar mais um plano para reconquistá-la, no entanto nada me vinha na cabeça.
— Jamie! — Me assustei quando uma pancada veio atrás de minha cabeça.
— Hey!
Esfreguei a cabeça e joguei um olhar maligno para Dolly, que tentava não engasgar com sua comida enquanto gargalhava.
— Dolly, não perturbe seu irmão — Minha mãe falou, mas sorria com diversão ao se levantar da cadeira — E querido, eu sei que você pediu para deixarmos o assunto de lado, mas precisamos saber sobre sua faculdade. As aulas vão começar na próxima semana e...
— Eu já disse mãe — A interrompi — Eu não posso ir embora agora.
Erin fez careta, assim como meu pai.
— Não pode adiar isso para sempre filho — Ela falou — Já é setembro e as aulas vão dar inicio essa segunda. Se você fosse somente essa semana para ver como é...
— Mãe — Esfreguei o rosto.
— Não Jamie — Ela agarrou os quadris, denunciando que estava brava e realmente decidida sobre me fazer mudar de ideia. — É sua vida! Não pode desistir dela por causa de uma garota e...
— Uma garota? — perguntei incrédulo. Me levantei da cadeira — É Harlow, mãe. Lembra-se dela?
— Mas vocês estavam sempre brigando e...
— Estávamos brigando porque eu queria isso. Não é culpa dela!
— Muito bem, vamos nos acalmar — Meu pai se levantou também, ele me olhou com solidariedade — Eu entendo você filho, mas sua mãe tem razão. Por quanto tempo vai deixar de viver sua vida por causa dessa menina? E todos nós sabemos que estava animado para ir à faculdade, não tente mentir.
— E eu não vou pai — Respirei fundo, olhando para meus pés — Mas eu sei que se for agora, nunca ficarei realmente bem. Seria uma perda de tempo.
— Então é isso? — Dolly falou com os olhos bem abertos — Está desistindo da sua faculdade em Nova Jersey? Não vai mais para lá?
Por uns instantes, eu fiquei quieto, pensando em como isso séria fodidamente bom para minha carreira. Eu conseguiria meu diploma de Design gráfico e depois um emprego nessa área que me levaria a um novo patamar onde eu... Ficaria sozinho e solitário, pensando porque diabos eu desisti mais uma vez da garota que eu estava apaixonado.
Fechei os olhos por uns momentos, e então os abri lentamente, assim como um sorriso para meus pais.
— Sim. — disse simplesmente — Desisto da faculdade.
A boca da minha irmã caiu e minha mãe suspirou, parecendo decepcionada, mas meu pai, ele somente me olhou e assentiu, aquele olhos verdes brilhando com o que eu quase achei ser orgulho. Mas provavelmente estava enganado, pois eu acabara de dizer que iria desistir de uma educação exemplar e que me levaria para uma vida muito melhor e de boa valia.
Foi quando finalmente decidi isso que meu telefone começou a vibrar em meu bolso. Sob os olhares perplexos da minha família, tirei-o do bolso e atendi.
— Oi?
— Garagem em dez minutos. — A voz de Stefany parecia alta e animada, o que me fez sorrir. Além do fato que finalmente estávamos indo tocar com todos juntos. O que queria dizer...
— Harlow vai? — Stef deu uma risadinha.
— Com certeza. Então não se atrase. — Sorri largo.
— Estou indo. — Desliguei o celular e olhei para meus pais — Estou saindo.
Me virei e caminhei até a porta, ouvi os passos da minha mãe me seguindo.
— Jamie! Nós precisamos conversar sobre isso, espere!
Peguei a chave da moto de Jack da mesinha e olhei minha mãe o mais calmo possível.
— Não precisamos. Não vou para faculdade, e assim encerramos o assunto — Beijei sua bochecha — Amo você.
Abri a porta, e corri.
— Mas... Jimmy!
Rindo, liguei o motor e acenei para ela, e em seguida voei com a moto para frente, ansioso para ver mais uma vez minha linda garota.
~*~
Burro. Eu era um grande e condenado burro.
Há uns dez minutos atrás eu tinha desistido da minha faculdade por causa de Harlow e o que eu ganhava? Vê-la ser abraçada por Damien em frente à garagem que tínhamos prometido ser apenas para amigos.
Não tinha me passado pela cabeça que ela o traria aqui, na verdade estava mais ocupado em pensar em como eu poderia me aproximar sem que ninguém percebesse, mas essas conclusões caíram por terra quando estacionei em frente à casa de Jonah só para ver ambos olhando de tão perto um para o outro enquanto as mãos do surfista metido alisava o rosto de Harlow com carinho não contido.
Eu quase hiperventilei quando o ciúme circulou minha garganta e apertou ao ponto de eu ter certeza que estava vermelho. E eu com certeza teria pulado daquela moto distribuindo socos se antes não tivesse focado no rosto desanimado de Harlow.
Todo meu desejo de assassinato deu lugar à preocupação quando notei os ombros caídos da garota e seus olhos baixos e sem alegria. Eu só tinha visto ela daquela forma uma vez, e foi quando Amélia chegou e logo em seguida seu aniversário fez suas estribeiras estourarem, ela parecia perdida, magoada. E aquilo me deixou a aflito, por isso saltei da moto e tomei direção até os dois, olhando-a por inteira a procura de algum machucado, sabendo que se alguém tivesse tocado nela, eu perderia o juízo e ganharia mais de dois anos por esquartejamento.
— O que está havendo? — perguntei quando parei ao lado deles.
Ambos me olharam, Damein com seu olhar de tédio e Harlow... Bem, eu não consegui distinguir sua expressão.
— Nada — Ele falou, eu o ignorei.
— Harlow — falei suavemente, encarando aqueles olhos tão absurdamente bonitos — O foi pequena?
Por um momento, achei que ela fosse chorar, pois suas íris brilharam e ficaram vermelhas tão rapidamente, que quis abraça-la, mas não houve tempo, pois com a mesma rapidez que surgiu, a fraqueza desapareceu e ela limpou a garganta, abraçando um dos braços de Damien.
— Nada. Estou bem — falou, e eu tive de engolir o desgosto ao vê-la tão junto de Damien. Antigamente eu teria reprimido meu desejo insano de puxá-la para mim, mas agora eu não estava nem um pouco preocupado de esconder minha raiva.
— Você não parece bem — insisti, e olhei para Damien — Tem certeza que não houve nada? — Os olhos dele se estreitaram para mim, e os lábios puxaram para os lados quando Harlow suspirou pesadamente e disse.
— Tenho certeza — falou e se abaixou. Notei que aos seus pés estava uma mala preta que achei ser para um violino, porém eu não posso dizer que foquei muito sobre ela, na verdade meus olhos acabaram por cair no seu pulso em busca da pulseira que havia dado de presente.
Decepção me atingiu ao ver que em nenhum dos braços parecia ter uma pulseira, no entanto franzi o cenho com outra coisa. No pulso esquerdo, em baixo de sua jaqueta de couro, encontrei o que parecia ser uma tatuagem, o desenho de um sol com um tom amarelo e laranja, um simples e delicado desenho em sua pele suave.
Eu com certeza estava louco, pois eu nunca havia visto ela ali. Jamais em minha vida vi uma tatuagem em...
— Er... Vamos entrar? — Ela puxou a manga para baixo e me encarou, os olhos brilhando ao encontrar com os meus. Ela havia percebido que eu estava olhando — Todos já estão esperando.
Fechei a expressão, mas não pude perguntar sobre aquilo no final das contas, pois ela se virou e puxou Damien atrás dela, entrando na garagem o mais rápido possível.
Correndo a palma pelo rosto eu não tive outra opção a não ser segui-la, tentando disfarçar como aquilo me matava. Ter que vê-la com ele. Mas iria aguentar, porque provavelmente ela fez o mesmo no momento em que a rejeitei então isso só podia ser um castigo para mim.
Meu primeiro impulso ao entrar foi procurar por Stefany, querendo saber se ela ou alguém ali havia convidado aquele incomodo, mas as expressões deles denunciaram como todos estavam surpresos em ver o intruso em nossa garagem.
— Damien. O que faz aqui? — Jodie perguntou do sofá, e segurava um saco de batas e lambia os dedos enquanto Liam tentava roubar alguns para ele.
Damien sorriu para ela.
— Harlow me convidou para conhecer a garagem de vocês e vê-los tocar — Os dois trocaram um olhar, e ambos sorriram como se recordassem de algo — Quando estávamos em Malibu eu a levei em um Luau, então ela conheceu meus amigos e eles também são uma banda... Achamos que seria legal fazermos o mesmo aqui. — Inevitavelmente, eu virei os olhos, entediado.
Bufando caminhei até minha guitarra, sentindo como todos me assistiam fazer isso.
— Ok — Jackson me olhava de escanteio ao se dirigir ao surfista intrometido — Seja bem-vindo, só estamos esperando a Elosie para começáramos.
Eu acho que suspirei em alívio quando Harlow soltou a mão de Damien e deixou seu violino no chão.
— Como Lizze ainda não chegou? — Ela perguntou com uma expressão confusa — Ela é paranoica com atrasos. — Era verdade. Do nosso grupo, Lizze era a única depois de Harlow que nunca chegava atrasada aos ensaios e seja lá o que tenha de fazer. Para ela tudo precisa ser feito do jeito que ela impôs ou sua cabeça desanda e a garota endoida.
Uma parte de mim achava que essa característica de Eloise ajudou e muito para que Jonah se apaixonasse assim que a conheceu, pois ambos eram tão opostos um do outro, que parecia certo acabarem juntos. Jonathon, com seu cabelo azul e jeito desleixado, fazia Lizze parecer uma perfeita modelo ao seu lado, e a imagem dos dois juntos agora trazia muita admiração apesar das diferenças.
— Vou mandar uma mensagem para ela perguntando o que houve — Disse Stef, sentada no seu lugar habitual desde que começou a namorar Jack. Em uma poltrona colocado ao lado esquerdo da mini-geladeira de Jonah, especialmente para ela.
Enquanto Stefany digitava, tentei demonstrar que não prestava atenção nos movimentos de Harlow enquanto retirava seu violino da bolsa, mas não acho que tive sucesso. Cada um de seus gestos era motivo para se admirar para mim, principalmente quando ela se ergueu e posicionou o instrumento em seu ombro.
— Uau, ele é lindo Harlow — Jack chegou ao seu lado, analisando seu violino — É um Stradivarius. Custa uma fortuna!
Fiz careta também admirando o violino, concordando com a opinião de Jack sem pestanejar.
— Foi um presente de Amélia — falou ela com um sorriso — É mesmo maravilho não é?
— Falando em Amélia — Do sofá, Jodie rolava o dedo no braço de Liam enquanto olhava de Damein para Harlow. Esse eu percebi havia se sentado no chão contra a parede — Vocês se dão bem com ela?
Todos notaram o que Jodie estava fazendo, menos a própria Harlow e Damien, pois se olharam e sorriram para nós assentindo.
— Ela é legal. — disse Harlow — Nós fizemos muitas coisas juntas e... — Ela mordeu o lábio com um sorriso, sua expressão se alterando para sapeca e maliciosa. Uma expressão que fez meu jeans ficar extremamente apertado.
— Posso contar uma coisa a vocês? — perguntou — Mas precisam ficar quietos. Não podem dizer a Jared e Dana que fiz isso.
Todos pararam congelados, olhando-a passar de um pé para o outro com aquela ansiedade tão nova. Fiquei com medo de saber o que Amélia fez com ela, mas pela sua expressão, não parecia algo ruim.
— Nós prometemos — Jonah ergueu uma mão — Agora desembucha garotinha.
Ela sorriu largo, respirando fundo, falou.
— Nós pulamos de paraquedas.
Engasgos vieram de todos, e Stef, que mexia em seu celular, agora tinha os olhos arregalados para Harlow. Eu estava com a garganta seca.
— Vocês o que? — perguntei.
Harlow ergueu uma sobrancelha.
— Pulamos de paraquedas. Amélia e eu.
E assim começou o alvoroço, todos falavam ao mesmo tempo querendo tirar respostas de Harlow de como foi à sensação de pular de um avião. Ela sorria como se gostasse de nossa reação e falava sem se queixar.
— Foi absolutamente incrível.
— Eu não acredito que você não nos contou antes — Jodie resmungou emburrada. — Na verdade eu estou superputa por não ter me buscado aqui de avião para que eu pulasse também.
Ao seu lado, Liam gemeu.
— Não doçura. Nós já não conseguimos controlá-la aqui na terra imagina no ar. Poderia matar seu instrutor e matar-se no final — falou e logo levou um soco no estômago.
— Cale a boa.
— Como foi aterrissar? — Stef perguntou animada — Parece bem difícil em vídeos. Na verdade, acho que surtaria quando começasse a chegar a terra firme.
— Não existe nada de muito difícil, mas no final Andrew que fez todo o trabalho, apenas fiz o que ele mandava. — Ela deu de ombros.
— Quem é Andrew? — Nós viramos, e sorrimos para uma Eloisa sorridente e em seu vestido e salto alto habitual.
Jodia apontou para Harlow.
— Ela pulou de paraquedas! — acusou. Lizze arregalou os olhos, e em seguida gritou.
— O que?! — Nós gargalhamos, e vimos a loura abordar Harlow também com perguntas que nunca pareciam acabar, mas Harlow não parecia se importa. Ela parecia grata de falar o máximo possível sem nunca dirigir um olhar para mim, para Damien sim, para mim não.
Comecei a cogitar que ela estivesse chateada com o que fiz ontem em seu quarto. Mas isso não faria sentido, pois ela não parecia com raiva quando fechou as cortinas e me disse boa noite.
— Vocês saltaram juntos? — Lizze indagou apontando para ela e Daime, ele negou.
— Não. E ainda estou profundamente ofendido por isso — Ele falou e vi Harlow lhe mostrar língua divertidamente.
— Não seja infantil, você só está chateado porque eu disse que Andrew era gostoso — falou, e ele virou os olhos quando as meninas riram alto. Eu podia sentir minha cara se fechando sem que pudesse evitar.
— Você não devia prestar atenção na aparência de seu instrutor, apenas em suas instruções — murmurou o surfista, e pela primeira vez eu tive que concordar com ele.
Harlow riu.
— Era um pouco impossível sabe, ele ia atrás de mim durante toda queda.
— Oh querida. — Eloise se segurava contra o suporte do microfone enquanto gargalhava — Me diz que tem foto?
— Não que você precise ver. — Jonah murmurou sério, chegando atrás dela e passando os braços em volta de sua cintura. — Certo Eloise?
— Mas é claro que quero ver — Lizze disse alto, Jonah mordeu sua orelha — Hey!
— Quietinha loira. — falou — O único cara que você pode achar gostoso sou eu.
Lizze corou quando os risos voltaram.
— Aproveitando que estamos falando de Lizze — Harlow olhou para a amiga — Por que se atrasou? Por acaso seu relógio quebrou?
Sorri de lado e Lizze bufou, virando os olhos.
— Eu passei um pouco mal a noite e perdi a hora.
— Como assim mal? — Jonah virou-a para ele — Está doente?
Ela sorriu suavemente para ele.
— Não. Só foi uma crise de repente, minha comida achou legal não ficar no estômago — Ela deu de ombros — Provavelmente é o nervosismo pela volta as aulas. Eu vou começar minha faculdade, estou tão ansiosa.
A preocupação se esvaiu do rosto de Jonah e logo deu lugar para um sorriso.
— Aposto que está.
— O que vai cursar? — Damein perguntou. Lizze virou-se para ele com um sorriso.
— Música. Eu não conseguiria seguir com outra coisa. — falou, e nós sorrimos.
— Bem, eu espero que tenha sucesso — Damien sorriu largo para ela, que acenou com a cabeça em agradecimento — Todos aqui são música? — Perguntou, e eu fiquei tenso. Essa conversa sobre ir para faculdade não devia vir à tona agora que eu tinha me recusado a ir para Nova Jersey. Também não queria dizer nada sobre isso para Harlow, pois a conhecendo bem ela ia ficar furiosa ao saber o que desisti da faculdade porque estava trabalhando em reconquistá-la.
— Nop. Eu sou jornalismo — Jodie balançou a mão.
Liam sorriu.
— Eu não pretendo fazer nenhuma faculdade por enquanto, quero me dedicar à academia. — falou. Damien o mirou interessado.
— Você tem uma academia?
— Sim! — Jodie respondeu pelo namorado com animação — Estamos reformando, está ficando super fodastico. Vamos reinaugurar ela em janeiro com uma luta aberta.
Sorrindo, eu vi Liam gargalhar enquanto Jodie batia palmas, completamente animada.
— Ela está mais ansiosa que eu para isso — Ele falou com humor.
Damien riu também.
— Bem, isso é bom. Mas você já tem treinadores? — indagou. Liam assentiu.
— Eu serei um deles. Tenho mais quatro colegas que eu lutei no passado. Eles toparam e serão meus sócios. E quanto a Jodie, eu quero fazê-la ser uma das minhas lutadoras um dia, mas primeiro temos muito o que treinar. Por enquanto ela será apenas minha supervisora — Ele olhou para sua namorada — Não é doçura?
Jodie rolou os olhos e bufou, cruzando os braços ao nos olhar.
— Ele acha que não dou conta ainda de ir para o tatame. — Resmungou insatisfeita, eu ri.
— Talvez quando ganhar mais massa muscular Jodie — falei, ela me fuzilou.
— Eu não preciso de massa muscular, eu preciso mesmo é quebrar a cara de alguém — falou, e se levantou para se livrar do saco vazio de batata — Mas de qualquer forma, posso bater nos idiotas sendo supervisora. Isso me deixa feliz.
Balancei a cabeça, rindo com os outros quando Liam puxou de volta sua namorada revoltada para seu colo. Ele passou a beijá-la enquanto tentávamos ignorar as palavras maliciosas de ambos.
— Ok — Damien escondia um sorriso atrás da mão — E vocês — Ele não olhou para mim em nenhum momento, apenas os outros. Imbecil. — O que fazem?
— Estamos no mesmo barco — Jonah jogou uma de suas baquetas para o alto e depois a pegou — Designer de Games.
O surfista acenou com uma expressão satisfeita.
— Primeiro ano?
— Partindo para o segundo — Jonah suspirou — Tenho trabalhado em uma locadora, no entanto, tem sido difícil procurar emprego na minha área.
Damien assentiu.
— Não se preocupe. O primeiro ano da faculdade sempre é difícil, mas depois que passa dele você já está no esquema. — falou, e acrescentou— Eu aconselharia você a abrir sua própria loja, assim como fiz. Mas seria mentira se dissesse que não trabalhei muito para conseguir grana o suficiente para isso.
— Eu já pensei sobre isso, tanto que tenho feito umas economias. Mas por enquanto vou me aprofundar em procurar um emprego que me pague bem.
— Eu entendo — Damien falou, e então olhou para Jack — Você é Jackson, certo? Harlow me contou que faz engenharia. Bom de contas companheiro?
Jack riu e assentiu.
— Sim. E tem sido bem difícil pra falar a verdade.
— Sempre é. — Concordou, e dirigiu a Stef. Eu já estava começando a cogitar sair da garagem, pois todos pareciam ter esquecido que íamos tocar não falar com Damien. — E você morena? Ah, não, não precisa me falar. Eu conheço uma garota da moda quando vejo uma. Estilista?
Stefany riu.
— Sim. Deixa eu adivinhar porque. — disse — Caroline?
Ele lhe deu uma piscadela.
— Com certeza — respondeu — Minha querida irmã é alguém que se define como paranoica, com relação a sua roupa. Ela gosta delas arrumadas por cor, estilo e tamanho.
— Ah, nós sabemos disso — Lizze sorriu — Já presenciamos como ela fica calminha como um gatinho quando está organizando seu guarda-roupas. Acaba por ser absurdamente divertido.
— Sim. — Ele concordou — Car é bem perfeccionista. Ela odeia não estar preparada para uma ocasião.
— Isso me é familiar — Jodie murmurou olhando de escanteio para Lizze. Essa lhe mostrou língua e sorriu.
— Estar perfeita para a ocasião é sempre necessário. — falou. Jodie riu.
— Estar perfeita para a ocasião é sempre necessário — imitou a marrenta, gargalhando. — Qual é Lizze. Qual a necessidade de estar de salto no ensaio? — Todos nós olhamos para os pés da garota e ela sorriu radiante, mostrando-os com orgulho.
— Eles deixam minhas pernas bonitas — falou somente, e logo atrás Jonah rosnou quando os garotos riram e as meninas vaiaram.
— É uma boa desculpa — falei sorrindo para Lizze. Jonah me fuzilou.
— Cala a maldita boca, Jimmy — grunhiu e eu ri.
Jodie nos olhou com a sobrancelha erguida.
— Sim, Jimmy, deixe as pernas de Lizze e conte-nos sobre a sua faculdade. Mitchie me contou que já tem todos os materiais preparados para Dickinson. — falou, e eu mais uma vez, gelei no lugar.
— Espere — Harlow de repente entreolhou a nós dois — Estamos falando da universidade Fairleigh Dickinson? Em nova Jersey?
Era isso que eu temia. Pensei com o sangue correndo absurdamente rápido pelas veias.
— Er... — Eu não fazia ideia como ia explicar aquilo sem magoá-la. E percebi que poderia fazer isso mesmo falando a verdade. Ela ficaria nervosa se soubesse que era o motivo da minha recusa a faculdade e ficaria mais puta e ainda por cima ferida se eu a deixasse logo agora que estava tentado chegar ao seu coração novamente.
Era uma como andar na corda bamba.
— Ei. Jimmy! — Alguém chacoalhou meu ombro e eu pisquei, apertando os lábios ao ter todos os olhos em mim — Tudo bem cara? — Jack franziu o cenho.
— Estou eu só... — Limpei a garganta — Ainda estou vendo a história da faculdade.
Eles fizeram caretas.
— Eu pensava que você já tinha sido aceito — Jodie falou — Mitchie me garantiu isso.
Foi minha vez de fazer careta.
— E como Michelle sabe disso? — Tanto ela quando Liam riram.
— Está brincando? — Jodie disse — Dolly e Mitchie não se largam a o que, um ano? Dolly é nossa informante sobre você agora — Ah, claro. O que significava que Dolly iria contar sobre...
— Ah, droga. — xinguei, me atrapalhando com alça da guitarra antes de deixa-la no chão.
— Jimmy, o que foi? — Stef estava confusa quando comecei a procurar por meu celular.
— Eu, hãm, preciso fazer um ligação, volto já — Não deixei que ninguém protestasse, apenas sai da garagem enquanto discava o numero de casa.
— Alô? — Atenderam no segundo toque.
— Mãe, chama minha irmãzinha linguaruda e coloque-a no telefone. — disse de pressa, do outro lado, ela suspirou.
— O que aconteceu agora?
— Basta colocá-la no telefone, depois pergunte para ela. — Erin hesitou, mas depois de uns segundos a ouvi chamar Dolly, e em seguida minha doce irmã de boca grande falou.
— O que foi?
— Quer dizer que anda contando sobre mim para Mitchie, maninha? — questionei em tom de deboche, mas ela sabia que eu estava muito bravo. Tanto que ficou em silêncio.
— Eu não disse nada que não seja verdade. — Se defendeu.
— Esse é o problema Dolly, eu não quero que fale para ela. Está me escutando? Não diga nada sobre minha faculdade para irmã da Jodie, pelo menos não agora, fui claro? Não diga para ninguém.
— Por que está tentando esconder isso? — indagou confusa — Você nunca escondeu nada deles.
— Eu sei — suspirei pesadamente — Mas isso não prejudica só a mim. Me prometa que não vai dizer nada a ninguém. Prometa.
Dolly ficou quieta uns minutos, eu já sabia o que isso queria dizer então bufei alto.
— Dou dez dólares.
— Vinte — retrucou e acrescentou — E quero aquele livro da Jane Austin que você se recusa a me dar.
Minha boca escancarou.
— É meu exemplar de Orgulho e preconceito!
A malvada soltou uma risadinha.
— Negócios são negócios mano. Considere isso um acerto de contas pelo dia em que escreveu no meu rosto com caneta fluorescente. — Meus lábios subiram um pouco ao lembrar disso. Era aniversario dela de quinze anos e eu acabei por pintar seu rosto com caneta que brilhava no escuro. Ela foi para escola com a testa escrita e só percebeu quando foi assistir a um filme na sala de vídeo e lá estava completamente escuro. Eu podia até imaginar as letras brilhando em sua testa na palavra PARANÉNS MANA!
— Estava sendo um bom irmão e felicitando você, querida — sorri. Ela rosnou.
— Aquilo levou dias para sair. Seu idiota! — Eu ri, e respirando fundo, concordei.
— Ok. Fique com livro e vinte dólares. Mas não abra a boca para Mitchie. — Ela bubou.
— Tanto faz. Como se fosse algo bom que meu irmão estupido desistiu de uma boa faculdade para ficar aqui. — falou, e em seguida desligou.
Eu consegui respirar mais facilmente com a certeza de que ela ficaria quieta, mas consegui entrar novamente na garagem depois, pois sabia que eles iriam querer saber que tanto eu falava para ter aquela reação estranha. Portanto demorei uns minutos até que pude ouvir eles finalmente tocando nossa música.
Devagar, adentrei na garagem bem no momento do solo em que Harlow cantava. Eu sorri, parado ali eu ouvi-a cantar e sorrir de olhos fechados, as mãos segurando o microfone como se fosse um bote salva vidas enquanto soltava a voz juntamente a bateria de Jonah e o baixo e violão de Eloise. Com cuidado, caminhei até minha guitarra, sentindo os olhos de todos em mim, mas mesmo assim os acompanhei e fiquei grato que ninguém comentou sobre nada, me permitindo apreciar estar mais uma vez, tocando com o meu grupo. Estavam todos ali, não faltava ninguém e estava ouvindo minhas garotas cantarem e meus amigos tocarem, era mais do que eu poderia pedir.
— Uau! — Stef gritou quando terminamos, eles bateram palmas — Isso foi demais!
— Sua voz está mais forte e segura Harlow, mandou muito bem. — Lizze elogiou, assim como eu queria fazer.
Harlow sorriu.
— Obrigada. — Ela olhou em volta — O que vamos tocar agora?
— Tenho certeza que as pastas estão aqui em algum lugar — Eloise se esgueirou atrás de mim e pegou uma pasta atrás da caixa de som. — Aqui! Vamos ver algo.
Todos nós fomos para perto dela enquanto Jodie, Liam, Stef e o maldito Damien apenas observavam. Aproveitando essa proximidade, eu cheguei o máximo que podia de Harlow, perto o suficiente para sentir o perfume de seu cabelo e saber que era um aroma delicioso de doce, talvez chocolate. Sim. Chocolate. Eu amo chocolate.
— Oh meu Deus, olhem essa música — Harlow gargalhou ao pegar uma das folhas — Não é aquela que tocamos naquela festa de criança? Aquela que o pai do Jonah nos indicou alegando ser “Um baile”?
Risos espalharam-se pela garagem, e eu mesmo não me contive e passei um braço por cima do ombro de Harlow para pegar a folha e olhar.
— Se me lembro bem estávamos vestidos de palhaços? — indaguei, fiquei maravilhado quando Harlow voltou a rir, e sem se dar conta apoiou a cabeça contra meu peito, fazendo meu coração saltar com a pouca demonstração de confiança.
— Vejam essa aqui — Lizze balançou outra folha — Lady Gaga.
Essa até eu tive que me segurar para não perder o fôlego.
— Ainda encara o Poke face, Liam? — Olhamos para o lutador, ele parecia muito vermelho enquanto Jodie olhava de um lado para outro com curiosidade.
— Por favor, me diga você não cantou isso — Ela pediu com os olhos arregalados.
Liam apertou os lábios juntos. E Jodie explodiu em gargalhadas.
— Ah Deus, eu não posso crer. Lady Gaga, Liam?
— Eu estava bêbado! — Retrucou ofendido, mas depois sorriu — As garotas do bar admiraram minha dança pelo menos. — provocou, e obviamente quase perdeu os dentes, pois Jodie tentou acertá-lo, porém ele esperava e a virou no sofá rindo. — Tudo bem doçura, mais tarde eu canto e danço para você.
Virei os olhos e voltei a prestar atenção na proximidade do meu corpo do de Harlow. Eu quase podia escorregar meu braço por sua cintura e puxá-la para mais perto do meu peito, mas eu estava ciente dos olhos de Damien em cada movimento meu perto de sua namorada, e pela sua expressão, ele parecia curioso sobre até onde ia minha ousadia.
Eu quase sorri quando o desejo de ensinar-lhe passou por minhas veias.
— Que tal essa? — Eloise olhou para outra letra — Ela é bonitinha.
— Deixa eu ver — Harlow fez careta para folha — Serio? — Lizze deu de ombros, dando um sorrisinho.
— Eu gosto dela.
— É melosa. — Contrabateu Harlow, e infelizmente saiu do meu alcance para pegar a pasta das mãos de Lizze — Deixa-me ver uma que preste.
— Ora, vai me dizer que não gostaria que alguém cantasse essa música para você? — Provocou Lizze e balançou a folha para Damien — O que acha Damie? The Scientist?
Damien ergueu uma sobrancelha e olhou para Harlow com humor, e curiosamente eu percebi que ela corava enquanto tentava não olhá-lo.
— Nós tocamos essa música no luau. Você pareceu gostar dela caramelo — disse Damien, e Harlow bufou virando os olhos.
— E dai? Não é como se eu quisesse que alguém cantasse para mim — resmungou inquieta — Isso é brega. — Alguma coisa em seu tom me fez ter vontade de sorrir, talvez o fato que eu sabia que ela estava mentindo, pois vi perfeitamente bem como ela agarrava o lábio inferior com os dentes e depois levava a unha até sua boca.
— Então não gosta de serenata, pequena? — provoquei sorrindo aos poucos. Harlow corou mais forte.
— Não. — respondeu não me olhando diretamente — Acho totalmente desnecessário. — E continuou mordendo a unha. Interessante.
— Seria realmente bem vergonhoso — Jodie falou rindo — Precisa ser muito idiota para fazer uma serenata nos tempos de hoje.
— Ou muito apaixonado — Stefany corrigiu, e eu sabia que ela olhava diretamente para mim com um sorriso que denunciava saber o que eu estava pensando em fazer.
Não podia acreditar que ia chegar a tal ponto.
Discretamente, olhei para Harlow, que tentava não prender o olhar de ninguém enquanto procurava por outra letra de música. Seu cabelo estava caindo por cima de seu ombro esquerdo enquanto a cada dois segundos mordia aquele lábio rosado e tão tentadoramente sedutor. Seus dedos ávidos passando de folha em folha fazendo-me sorrir para cada reação nervosa de seu corpo.
Decidi que por ela valia a pena passar um pouquinho de vexame. Sim. Valia pena.
E isso só me fazia entender mais e mais a frase tão falada: Um homem apaixonado é capaz de loucuras. Pois loucuras eu iria fazer para ter a minha Harlow de volta.
Até mesmo cantar uma serenata.
Eu estava muito fodido. Porra.
~*~
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