Rude Boys - Road to be a Hero
1 Capítulo 1: Rude Boys
Este mundo é um pouco diferente daquele em que todos estão acostumados. Ninguém sabe dizer quando ou porque, mas algo aconteceu e uma mutação começou a mudar o padrão que seguia no DNA de cada indivíduo. Cientistas dizem que a resposta para esta pergunta está no espaço, provavelmente escondida nas estrelas.
No começo, eram apenas casos isolados, apareciam certas pessoas com habilidades incomuns, que eram apenas tidas na sociedade como fenômenos, mas conforme os anos foram passando este evento se tornou em uma casualidade, fora de série. Hoje pouco mais de 80% da população mundial possui alguma característica especial os diferenciando de meros humanos, alguns podem voar, outros cospem fogo e alguns simplesmente desaparecem! Entretanto algumas pessoas começaram a utilizar estas habilidades, agora chamadas de individualidades para fazer coisas ruins, com isso, aquilo que era apenas uma forma de entretenimento para filmes e desenhos animados passou a se tornar uma profissão muito bem remunerada, profissão essa que era chamada de “Herói”. Contudo, ainda existem aqueles heróis que atuam pela paz e pela justiça, ignorando qualquer tipo de pagamento. Hoje existem espalhadas pelo mundo uma grande quantidade de agencias, que de acordo com a situação, pagamento e exigência, é possível contratar os serviços de um herói ou heroína.
Kiba, Japão. Ano de 2017. Aqui começa a história do jovem Kiyama Riku, que mesmo sendo bem popular em seu meio, não pode ter o orgulho de dizer que desfruta muito bem de seus bem vividos dezessete anos, isto porque sua vida nunca foi fácil. Está lutando e fugindo de diversas adversidades desde o dia em que seus pais morreram, mas isto é uma história de alguns anos atrás, que deve ser contada em outra ocasião.
O rapaz de madeixas negras e despenteadas caminhava pelas dependências de um colégio abandonado, o local parecia deserto. Da mesma maneira que boa parte da cidade, estava coberto por pichações e outros resquícios de vandalismo. Caminhava com suas mãos enfiadas em seus bolsos, desprovido de atenção. A calmaria que sucedia-se naquele ambiente destruído, que outrora fora um ambiente escolar movimentado era um pouco irônico, talvez seja por este motivo que Riku escolheu este local, para desabafar consigo mesmo, e sofrer com leves devaneios de seu passado e do que viria de agora em diante. Por fim, chegou até uma varanda, no andar mais alto do prédio, e lá ficou por algum tempo, pensativo.
Esta cidade é um completo caos, isso desde que eu me entendo como gente. Há aqueles que dizem que nem sempre foi desta maneira, mas é dos velhos que estou falando e isso não é muito esperançoso para nós. Fiz coisas das quais me arrependo, roubei, enganei e tornei a roubar inúmeras vezes, tudo em prol da sobrevivência... Vivendo em meio há este inferno na terra, fiz amigos, não, eles são meus irmãos. Lutamos juntos todos os dias, protegemos este lugar daqueles que querem levar nossos irmãos e irmãs... Neste inferno nós somos a justiça, pois por aqui a lei covarde e excêntrica não existe. Nesta cidade ou você rouba ou é roubado, mas com a gente é diferente, tiramos daqueles que muito tem, e damos para os que não tem nada, talvez pergunte se isto é justo... Eu mesmo não sei responder, mas quero diminuir ao máximo o sofrimento de meus novos irmãos, se eles passarem pela mesma infância que eu tive, seria para mim um pesadelo.
O silêncio permaneceu naquele lugar, mesmo com a chegada de uma segunda pessoa. O rapaz na mesma faixa etária, um pouco menor, loiro de olhos negros tinha uma importante mensagem para Riku, não, para Smokey. Era assim que o chamavam.
— Smokey, Minori está de volta! — exclamou animado. — Ele diz ter encontrado pistas sobre o desaparecimento de Lilly.
Lilly é uma das mais novas de nossa família, ela tem apenas cinco anos de idade, e um dia ela simplesmente desapareceu, tudo o que fomos capazes de encontrar foram algumas canetas coloridas, que ela carregava consigo. Ela havia sido sequestrada, disto todos nós já sabíamos. Minori é como um irmão mais velho, ele é aquele que protege nosso grupo de longe, ele olha por nós de onde quer que esteja, e se encarrega de toda a ameaça que se volta contra seus irmãos.
— Minori? — respondeu, de forma tranquila, porém suspeita. — Vamos.
Nas proximidades de uma grande fábrica abandonada em uma parte isolada da cidade, está localizada um grande esconderijo, todo o bairro que o cerca é um território chamado "Estrada sem nome". Este local é guardado pelos espíritos livres e jamais será roubada. No interior da fábrica estavam vários jovens com roupas verdes, um pouco surradas, largas, dentre alguns acessórios diversos, em geral a maneira de todos se vestirem era bastante peculiar. Alguns metros acima do saguão principal existe uma ponte que ligava até um escritório. Quando a fábrica ainda operava, era por ali que o responsável ficava de olho em seus funcionários, e também, era ali que este assumia uma posição que o deixava acima dos demais, excelente para discursos. Por esta mesma ponte, Smokey caminhava cabisbaixo, ao seu lado estavam outros três rapazes, um deles era de menor estatura loiro, assim como ele próprio e os demais era bem apessoado. O outro possui o cabelo tingido em vermelho, utiliza uma faixa em sua testa. O outro, de cabelo curto, era o mais alto daqueles que estavam na ponte, utilizava um capuz. Seu nome era Minori.
— Pessoal, nosso irmão finalmente voltou. Como sabem, ele estava procurando por Lilly, que está desparecida... — tentou dizer. — Que foi sequestrada! — consertou, ele próprio, Smokey.
— Sem dúvidas... Ela está sob custódia da gangue que domina a costa de Kiba, Real Hooligans. — assentiu Minori.
Gangues... Este tipo de coisa está por toda a parte, elas transformaram esta cidade no inferno que é hoje. Existem incontáveis gangues atualmente e a cada dia que passa novas gangues são formadas, entretanto existem cinco que são terrivelmente problemáticas, entre elas: Real Hooligans. Uma gangue originária do ocidente, dizem que todos possuem motocicletas potentes e um poderoso porte físico, seu líder Hanzo, um mestiço americano, é o tipo de pessoa que nem mesmo o próprio diabo teria como companhia.
— Vamos acabar com eles chefe! — gritou uma das vozes, logo abaixo.
— Isso mesmo... Aqueles que ousam ferir nossa família... Unicamente para esses pobres coitados nós não devemos mostrar piedade. — disse Smokey, em um tom sombrio, porém calmo. — Vamos mostrar do que somos feitos, do que os Rude Boys são feitos! Agora é guerra.
A Minha gangue, Rude Boys. O que? Eu ainda não havia contado? Enfim, não acho que seja muito surpreendente que eu tenha uma, esta cidade está impregnada até os ossos. Mas não nos compare com a escória, somos diferentes dos outros, vivemos em um lado perigoso da cidade, um lugar chamado de "Estrada sem nome". Neste local, que deixe bem gravado, nós o tomamos de outra gangue, abrigamos órfãos como nós, e outros jovens que tenham sido abandonados, ou mesmo fugido. Aceitamos qualquer um que queira uma casa, desde que se sujeite ao juramento. Somos uma família, irmãos e irmãs... Não aceitamos traição. Alguns ainda esperam ansiosos pelo dia em que heróis chegarão para trazer novamente o brilho desta cidade, mas isto nunca irá acontecer, devemos utilizar nossas próprias individualidades para expurgar esta terra pervertida.
Repleto de sofrimento e angústia, mal sabia Smokey que aquilo que ele passou a negar não estava tão longe assim... Mas o motivo pelo qual estavam para vir, não eram os mais convenientes para os Rude Boys... Afinal, hoje em dia os heróis realmente são diferentes de outrora. A polícia investigativa de Tóquio estava para enviar reforços, entretanto suas razões eram diferentes. De acordo com um infiltrado, a gangue denominada Real Hooligans em breve armaria um ataque em escala nacional contra diversos bancos do país, utilizando a individualidade de alguém, que era mantida como refém. Para eliminar esta gangue seriam necessários muitos sacrifícios, então foi decidido que deveriam obter a custódia desta refém, em último caso, eliminá-la... Desta forma os sacrifícios seriam os mínimos esperados. Mas logo os monitores daquela base móvel mostraram uma breve agitação, um grande grupo estava prestes a confrontar a gangue rival, seria uma grande bagunça, eles pensaram.
— Rude Boys? O que fazem naquela área? — um dos homens perguntou preocupado.
— Rude Boys? Não são aquele grupo rebelde que age espalhando justiça por aí? — perguntou outro, este estava com óculos escuros e roupas chamativas demais para ser um policial, era um herói que foi contratado pela polícia, especialmente para esta missão.
— Justiça? Estes macacos ficam apenas saltando pela cidade, roubando dos ricos! Não aceito isso como uma forma de justiça... San Andreas, se encarregue disso! — ordenou o inspetor.
— Hai. É a minha missão.
As principais estradas que levam até a costa de Kiba estavam dominadas pelos Real Hooligans, utilizando veículos os garotos avançaram até certo ponto, quando chegaram até aquelas construções abandonadas, onde era a velha estação de petróleo, base dos Hooligans. Liderados por Smokey, Minori e Yudi os Rude Boys avançam em uma investida indireta. Infiltraram-se meticulosamente escalando os muros e grades que cercam a área, abrigaram-se nas partes mais altas e então iniciaram um espetáculo à parte.
As pessoas dizem que somos fortes, dizem que somos rápidos. Eu discordo plenamente... A vida nos tornou fortes, a vida nos tornou rápidos. Nossa experiência em fugir do perigo desde que éramos crianças foi o que transformou nossos corpos, graças à isso nós sempre estamos acima dos outros, sendo guiados pelo vento em nossos rostos, quando tiramos os pés do chão, nós voamos.
Dentre todas as gangues, os Rude Boys destacam-se no quesito mobilidade. Além de serem extremamente ágeis e, flexíveis, todos eles são exímios saltadores, como se fossem mestres na arte do parkour.
Homens grandes e fortes, com o tanto de músculo quanto de gordura armados com bastões de beisebol guardavam a entrada, quando um conjunto de sombras cambalhotavam por detrás dos mesmos, vindo dos andares mais superiores da estrutura de entrada, os garotos atingiam seus adversários bem na nuca com chutes laterais muito bem colocados. Conforme avançavam, novos adversários surgiam. Haviam homens grandes para todos os lados, os demais 'boys' lutavam contra eles e logo um caminho foi se abrindo, Smokey, Minori e Yudi se entreolharam, assentiram com um balançar de cabeça e iniciaram uma investida veloz na direção de uma porta aberta. Lilly estaria em algum lugar nas entranhas daquela base. Por onde quer que corressem havia sempre um número multiplicado por cinco de adversários, para cada um deles. Smokey correu na direção de dois deles, e quando se posicionou exatamente entre eles, executou um incrível salto mortal, e os chutava de forma simultânea, continuando o trajeto,. Minori deslizou logo à frente, correu pelas paredes, ultrapassando Smokey, derrubou com murros o elemento que estava armado, antes que o mesmo disparasse, Yudi correu em linha reta, abriu a porta e logo viu um homem bem grande, fechou novamente a porta, e quando abriu novamente o atacou pelos fundos, lhe acertando vários chutes bem nas bolas, o derrubando e abrindo espaço para o avanço de Smokey, que partira em disparada, carregando em mãos um pedaço de corda, que utilizou dos mais variados fins, como nunchakus, amarras e até mesmo chicote, outro tentou o barrar, mas o garoto cerrou os punhos, o rodeou e o agarrou por trás, lhe aplicando um "cobra twist", enforcando-o. Os rapazes se entreolhavam, quase que felizes, por estarem lutando juntos, mesmo em uma situação séria daquelas, foi quando o destino resolveu agir.
Enquanto percorriam por um longo corredor se deparam com um homem negro abaixado, o indivíduo olhava através da frecha de uma porta, trajava um tipo de armadura, luvas grandes que serviam para melhorar a potência de seus socos e um par de óculos escuros, que também faziam parte do traje. Era um super herói, ou quem sabe uma farsa?
— Hey, quem é esse palhaço? — Perguntou Yudi.
— É isso o que vamos descobrir. — indagou Smokey, o encarando com espanto.
— Acho que já vi esse cara antes... É o herói sísmico, San Andreas! — disse Minori, lembrando das feições do homem.
— Não parece muito heroico. — respondeu Smokey, com um ligeiro ceticismo.
— Rude Boys... Finalmente vieram. — levantou-se, San Andreas. Tirando seus óculos escuros.
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