Ruby, não diga que não te amei
2 Cap. II
Fazem dois anos que falei com Ruby sem ser nos meus sonhos. Se é que aquela em meus sonhos ainda é Ruby. Se é que um dia ela foi real.
Levantar e trabalhar, coisas monótonas perderam o sentido. Eu que, sempre gostei de calmaria, saber o que me aguardaria no dia seguinte. Agora já não aguento nada disso. Trocaria tudo pelos dias agitados e perturbados com Ruby.
Ainda me lembro como aquela festa havia terminado. A festa que sonhei noite passada. Eram ótimas lembranças na verdade.
Assim que a encontrei, bêbada no meio da rua. Ruby tentava inutilmente pegar seu celular e ligar para um taxi. Não me lembro de onde havia tirado tanta coragem para chegar em uma garota como aquela e oferecer carona. Mas fiz. E ela sem nem questionar minhas intenções aceitou. Era uma pessoa estranha, ou certamente bêbada.
Descemos o quarteirão à procura do meu carro. Um Palio 2005 prateado, nada demais. Quando finalmente o encontramos, ela olhou pra mim com olhar de reprovação antes de entrar nele.
– Onde devo te deixar? — eu não queria deixa-la em lugar nenhum que não fosse seguro. Ela me dava a impressão de querer causar uma confusão a qualquer instante.
– Na festa mais próxima. – ela me encarava com aquele par de olhos castanhos, que de alguma forma pareciam verdes dependendo da claridade.
– Só pode estar de brincadeira ... – Foi quando me notei que nem seu nome eu sabia naquele instante. – Qual seu nome mesmo?
– Eu não disse meu nome. Vai me levar ou não? – ela parecia seria com isso. Não iria discutir com um estranho, isso não era do meu fetiche. Apesar de querer leva-la embora para minha casa e sabe-se lá o que fazer com ela.
Sem muitas opções, a levei a um bar há poucos quarteirões dali.
– Me diga, se estava querendo vir a outra festa porque saiu daquela? — Não fazia sentido pra mim sair de uma festa do meio da noite para ir atrás de outra.
– Você é cheio de perguntas. Mas ok, vou te responder porque esta me dando uma carona. Eu estou indo a outra porque não gostei das pessoas que estavam naquela. – ela deu uma longa pausa, ate achei que havia adormecido. – Se eu soubesse que alguém como você estaria naquela festa, teria ficado. Alias nos conhecemos?
– Hmm. Eu acho que não. Me lembraria de você. – sorri e vi pelo canto do olho que ela sorria também. – Chegamos. – eu ainda não queria deixa-la ir, mas não sabia como pedir para ela ficar.
Ela apenas desceu do carro, toda desajeitada. Talvez o efeito da bebida estivesse passando.
– Valeu. – ela sai andando e me deixa pra trás com facilidade enquanto a observo chegar perto da porta escura de entrada, quando ela de repente volta correndo para o carro. Meu coração acelerava. Ela se abaixou na janela e disse: “Ah proposito, meu nome é Ruby.”, e saiu correndo em direção a festa de novo. Me deixando sozinho, acho que foi aí que isso se tornou o habito dela. Me deixar.
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