Rubick, o atrasado.
1 Garral, o professor punitivo.
Notas iniciais
O
Sinal tocou e os alunos correm para fora da escola, como se fosse a última coisa que iriam fazer antes de morrer. Os professores já entrando em seus carros cheios de livros e copos descartáveis. Menos o professor de bioquímica, Garral – ou Invoker -, que guardava os materiais em ordem alfabética nos armários da sala de ciência.
Garral era um professor peculiar, tinha tendência a toc, era extremamente vaidoso – alguns o chamavam de metrossexual -, as alunas eram fascinadas por ele, tinha habilidades com o bioquímica que ninguém nunca viu, odeia tecnologia e tem memória fotográfica.
Poucos alunos iam bem na matéria dele, pois ele cobrava assuntos extras que eram basicamente impossíveis e ele fazia questão de dizer quem era os bons alunos e os faziam de reis para que quando esses tinham suas notas baixas ele automaticamente humilhava-os.
Já se passara 40 minutos que estava ali, provavelmente todos os professores já tinham ido embora e seu Lexus SC o estava esperando no estacionamento, mas ele não queria ir, gostava da sala de ciência e queria fazer alguns testes antes de ir embora.
Enquanto olhava no microscópio ele se lembrara da última aula que teve naquele dia, foi com o 1º ano, já era a 4ª aula que tinha e quando percebera que tinha um aluno que faltava mais que seu esquecimento das coisas o garoto finalmente aparecera para a aula, atrasadíssimo.
— Onde esteve sr. Rubick? – Disse Garral, direcionando deu olhar para o atrasado.
Todos na sala ficaram em silencio, principalmente o atrasado que escondia seu rosto em um capuz onde dava para ver apenas seus olhos verdes esmeralda. O fato era que Garral lera tanto seu nome na chamada que acabou “fotografando”.
Preguiçosamente Rubick respondeu – Estava em casa professor.
Garral não era de pôr para fora os alunos, mas deixava uma punição muito bem dada. Garral foi na gaveta de sua mesa e retirou uma prova – com todas as questões abertas — e entregou ao atrasado.
— Essa é a prova de química que já elaborei. – Continuou – Se você tirar 10 nela, tanto você quanto a sala não precisarão fazê-la – Ouviu algumas risadinhas no fundo -, mas se tirar uma nota abaixo da mesma, tirarei 5 pontos de todos.
A sala queixou-se da proposta, reclamando que o atrasado não seria capaz e que ferraria com todos, porém, em um ato inédito o atrasado pegou a prova com convicção e disse – Sem problemas. Logo quando o garoto iria sentar em alguma cadeira, Garral o impediu com um sinal com as mãos.
— Não, lá fora, na biblioteca, acho que não devo dizer aonde é certo? – Riu ironicamente.
Rubick levantou-se calmamente e saiu sem fala nada.
E por esse ocorrido Garral estava ali, esperando o atrasado. Quando já estava impaciente e desistindo de esperar e ir atrás do garoto, o mesmo apareceu na porta com a prova em mãos. Garral foi até o garoto e pegou a prova, sentou em sua cadeira e começou a ler, pegou uma caneta azul e escreveu “10”.
O aluno aproximou do professor que o observou o se aproximar. Rubick pegou a prova das mãos do professor e avançou para o professor e disse – Obrigado pelo 10.
Garral sorriu raivosamente e puxou o garoto pelo colarinho querendo dizer algo, seu orgulho foi quebrado por aquele garoto, mas sabia que se fizesse alguma coisa com aquele garoto seria no mínimo processado.
Rubick retribuiu o puxar, mas o professor ainda via o olhar calmo do garoto que logo entrou na zona de conforto do mais velho. Garral soltou o garoto, mas o mesmo não soltou o seu e quando o iria questionar o mais novo lhe deu um selinho, soltando o professor que estava paralisado, saiu da sala com sua prova em mãos.
Garral estava com o cérebro processando o ocorrido, mas sabia que sua maldita memoria fotográfica iria faze-lo lembrar dos olhos verdes do garoto, da sua boca macia e de seu rosto já descoberto.
Notas finais
Até a próxima.
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