Notas iniciais
Espero que gostem.

Onde estou indo? Pergunto para mim mesma, enquanto meus pés andam pelas pedras escuras e molhadas de chuva de uma rua desconhecida, minhas pernas parecem se mover sem que eu as comande, como se soubessem por onde iam, mesmo eu não fazendo a mínima idéia de que lugar era aquele.

Não ouço mais nada além do barulho incessante de meus passos, que naquele lugar aparentemente morto, faziam ecos assustadoramente altos por onde eu passava.

Apenas vejo escuridão por todos os meus lados e nada me guia, o que começou a me deixar insegura e me fez andar com as mãos a frente do corpo, como que estendidas para algo invísivel aos meus olhos.

Olho para frente, como a espera de que alguma coisa apareça das sombras que dominam o lugar e me ataque. Afastei a idéia da cabeça e me repreendi de pensar feito uma criança perdida.

O silêncio é interrompido por um estrondo extremamente forte para meus ouvidos acostumados com a falta de som, segurei um grito preso em minha garganta, não querendo denunciar minha presença a o que quer que tinha causado o barulho.

De repente, uma luz se acende á minha frente, fecho os olhos para a claridade ofuscante que invadia o lugar tão quieto e parei de andar, com medo.

Meus olhos finalmente se acostumaram com a luz, depois de um instante, até eu conseguir abri-los e observar de onde vinha o clarão. Ando alguns passos para frente e vejo pequenos esboços de casas iluminadas pela claridade, começo a andar mais depressa para vê-las melhor.

Chego a parte da rua onde começam as fileiras de casas á minha frente e observo-as com mais atenção. Eram casas antigas e maltratadas pelo tempo, mas muito bonitas. A pintura da casa mais próxima a mim descascava em vários lugares, e a porta tinhas alguns pontos carcomidos que denunciavam que cupins e outros insetos estiveram ali. Ando até a lateral da casa, onde havia uma única janela com o vidro quebrado e a cortina velha e mofada fechada.

Caminho pela calçada que leva ás outras casas, todas lado a lado, quando escuto um grito agudo e desesperado na casa última casa dali. O som ecoou pela madeira das casas e pelas pedras do chão, prolongando a angústia de quem estava sofrendo, lágrimas arderam em meus olhos apenas de imaginar o motivo de tanto medo.

Sem ter muita noção do que fazia, começo a correr em direção aquela casa, querendo ajudar algo que nem sabia o que era, quando chego á ela, com os pulmões arfandando pela corrida inesperada, percebo que ela não era como as outras.

As casas que eu havia observado tinham cores vivídas por trás do mofo acumulado ali de muito tempo, já aquela casa era preta da porta ás janelas com finas cortinhas escuras borrando a visão que podia se ter de dentro.

Subo as escadas que levam a porta e olho para dentro da janela de novo, apenas para me deparar com uma sombra desfigurada me observando por trás da cortina.

O sangue gelou em minhas veia e eu fiz menção de sair dali, porém me lembro do grito tão horrível que viera daquelas paredes e minha coragem volta para salvar a pobre criatura.

Viro para a porta novamente e coloco minha mão na maçaneta, recuando com sua frieza anormal. Olho para as janelas de novo e vejo a criatura ainda me observando. Uma indefesa vítima das crueldades de alguém, ou uma miserável assassina dona de uma frieza lástimavel. Eu ainda não sabia o que aquilo era.

Coloco a mão na maçaneta de novo e giro-a, empurrando a porta um pouco emperrada no chão, até conseguir entrar na casa. Olho para a janela, agora do lado de dentro, onde a criatura me observara, ela não estava mais lá.

Um arrepio percorre á minha espinha enquanto tento imaginar onde ela estaria. Olho em volta, em todos os cantos daquela sala de estar, mas o que encontro são apenas móveis de uma casa comum: um sofá pequeno encostado em uma parede, um tapete empueirado e sem cor no centro, uma televisão de frente para o sofá que emetia um chiado irritante, e uma mesinha, ao lado da porta que deveria levar á cozinha, em cima havia um vaso marrom com uma flor milagrosamente viva.

Fecho a porta e vejo um borrão preto aonde a porta havia estado antes com o canto do olho, me viro instantaneamente me preparando para o ataque da criatura, quando vi que era apenas um casaco esfarrapado que os antigos donos da casa haviam deixado ali. Tentei me acalmar.

Ouço um som vindo da cozinha e viro no instante em que a criatura se debruçava no corpo de uma menininha de cabelos loiros cacheados, seu pequeno rosto sem expressão e os lábios entreabertos, adimitindo a palidez da morte.

- Não! — grito, sem conseguir me conter com aquela cena horrenda.

A criatura se levanta ao ouvir meu grito e começava a vir em minha direção, seu manto negro roçava no chão sujo do lugar, que rangia a cada passo dela.

Assim que passsou pela porta que dava acesso a sala percebi que a flor, segundos antes tão vívida, começava a murchar rapidamente e instantes depois caía do vaso e esfarelava no chão.

Volto a olhar para a criatura, agora a centímetros de mim, sinto o cheiro que ela exalava, morte, tristeza, medo, tudo podia ser resumido naquele uníco odor que impregnava meu nariz.

Minhas pernas agora não me obedeciam, e eu me vi presa ao chão, a espera da criatura. Esta ainda mantinha a cabeça baixa, até chegar perto o suficiente de mim poder sentir sua respiração entrecortada em minha pele, então ela levanta seus olhos, e me revela o abismo que todos os mortos sentiam quando davam ádeus ao mundo.

Acordo em minha cama gritando e repuxando as cobertas para me libertar do pesadelo, levanto de um salto com a respiração pesada, sentindo o suor escorrer por minha testa, fora tudo um sonho, eu tinha de me acalmar.

Vou ao banheiro e lavo o rosto, olho meu reflexo ainda molhado, tentando tirar as terríveis imagens da mente pelo menos por alguns instantes, mas era impossível. Pego a toalha em cima da pia e enchugo o rosto, querendo desesperadamente que o pesadelo se fosse junto com aquelas gotículas de água.

Preparo uma xícara de café na cozinha para recobrar as forças e me sento á mesa de vidro ainda com os restos do jantar da noite passada. Olho para o pequeno aparelho de TV apoiado á uma frágil mesinha á minha frente e decido ligá-lo, talvez algum daqueles programas idiotas me distraisse.

Assim que a ligo, o rosto da menina do meu pesadelo aparece na tela, me fazendo soltar um terrível grito de terror que abafaram a voz com falso pesar da repórter que anunciava a violenta morte da menina.

Notas finais
Reviews me deixam feliz.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!