Rua Das Flores
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Ontem, quando estava passando pela Rua das Flores, senti um doce perfume. Estranhei no mesmo instante.
Apesar do nome a rua das flores era composta apenas por entulhos de casas que um dia foram moradia de alguma família feliz, ou que pelo menos simulava a felicidade com um gentil sorriso nos lábios.
Continuei a andar, mas aquele perfume invadia-me de tal modo que eu não podia simplesmente seguir meu caminho. Procurei algo que pudesse estar gerando aquilo, sem saber exatamente o que procurava, mas não encontrei nada que exalasse tal odor.
Cansado resolvi sentar-me e fechar os olhos. A essa altura já pensava que minha imaginação cansada que estivesse a produzir tal sensação.
Sentado ali, me preparando psicologicamente para seguir meu caminho, algo tocou-me, e de imediato abri os olhos, vendo a meu lado uma criatura idêntica a uma menina,se não fosse pelas asas. Ela deixava filetes de lágrimas escaparem-lhe dos olhos.
Minha mão foi direcionada sobre a da garotinha, fazendo-me sentir a maciez aveludada da pele desta e perguntei. “A senhorita está se sentindo bem?”. Ela retribuiu o olhar que eu lançara a seus olhos, e com sua voz chorosa disse. “Eu... Eu preciso ir”.
Um incomodo tomou-me por completo, não queria que ela fosse. Então abracei-a. Um sussurro foi desprendido por ela em meus ouvidos, tal som fez meu corpo arrepiar-se por completo. “Meu amor, por que não fica comigo?”. Automaticamente abri os olhos e olhei para o rosto infantil, que agora tinha as feições de minha antiga noiva. Levei minhas mãos as dela, e ao segurar pude sentir o líquido morno tocando minha pele, olhei em direção aos punhos da moça, e o líquido vermelho e espesso não parava de jorrar, fazendo-me entrar em estado claro de loucura: “Antonieta... Minha Antonieta.”
Antonieta parecia feliz pelo estado de choque em que eu estava, e um choro de bebe invadiu minha mente. Meu filho. Ela foi se afastando de mansinho, levando meu filho em seu ventre e um par de asas na costa e antes de sumir disse-me “Fique comigo... Venha a mim”. Minha amada sumiu entre o sopro do vento, me deixando só entre os escombros do que já foram lares felizes, na Rua das Flores sem perfume, flores mortas.
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