A brisa do vento agitava as folhas das árvores que se remexiam uma com as outras. Taliesin estava sentado em um grande galho de uma árvore que se estendiam sobre as outras mostrando uma imensidão verde das outras árvores menores e azul do céu que mostrava pássaros que voavam sob o sol da tarde.

O sol brilhava como nunca, fazendo Taliesin se proteger com as folhas dos galhos da árvore. Ele estava afiando suas flechas, sua espada e ajustando a corda de seu arco, tudo isso por causa das visões do mestre.

Ao término da última flecha, Taliesin colocou-a em sua aljava que prendeu contra as suas costas, então olhou para o sol, semicerrando os olhos e com a mão sob o rosto para tentar amenizar o brilho do sol, pôs seu outro polegar no meio do céu e viu que o sol já havia passado do centro do céu, então se pôs em pé, colocou a sua espada na cintura e seu arco sob seu tronco, ao lado da aljava, ficou na ponta do galho grosso, inspirou fundo, fazendo todo o ar das árvores entrarem em seus pulmões e em seguida, respirou fazendo o ar sair. Taliesin então, abriu os braços, ambos em cada direção e poucos segundos depois, se jogou na imensidão do verde abaixo de si.

O vento batia contra seu rosto fazendo seus longos cabelos se agitarem. Taliesin colocou ambas as mãos em sua frente e mergulhou por entre as folhas das árvores, suas mãos sentiram um cipó e então o agarrou com as mãos se balançando até o outro lado da árvore onde se soltou e caiu em um galho.

Taliesin olhou apara o chão, do alto da árvore, e viu seu lobo deitado, ele havia dormido enquanto Taliesin estava preparando suas flechas. Taliesin colocou seus dedos entre a boca e assobiou, Azriel levantou as orelhas e olhou diretamente para o som que Taliesin produziu do alto, o lobo se levantando de imediato. O lobo cinzento então uivou para a floresta, fazendo as aves voarem, os animais entrarem em suas tocas ou correrem para longe daquela área. O uivou era um aviso para animais se afastarem dali.

Taliesin pode ouvir, com as suas orelhas élficas, a agitação na floresta logo após o uivo de Azriel. Em seguida tudo parou, era possível ouvir apenas as folhas das árvores se agitando com o vento.

Taliesin olhou para o lobo e ele lhe disse que a área estava sem nenhum perigo, assim como Taliesin pode perceber. Em seguida Taliesin começou a correr por entre as árvores, correndo pelos galhos e se pendurando em cipós enquanto o seu lobo o acompanhava pelo chão, sem perder seu amigo de vista.

Taliesin e Azriel foram para o leste de onde estavam, foram encontrar um rio que ficava a poucos passos dali. Ao se deparar com o rio Taliesin desceu para o chão onde seu lobo já bebia da água do rio. Taliesin andou para a beira do rio, ao lado de seu lobo, retirou seu arco das costas e colocou-o de lado onde se agachou, pôs a mão na água e a bebeu.

Enquanto ambos desfrutavam da água do rio, Azriel levantou suas orelhas e olhou diretamente para o outro lado do rio. Taliesin acompanhou a visão do lobo e se deparou com três pequenos goblins que bebiam água até que se deram conta que estavam sendo vigiados e olharam em direção a Taliesin.

O primeiro goblin estava com uma lança, o segundo que estava no meio, possuía uma espada e se vestia com um manto de pele de animal e o terceiro possuía um machado. Os goblins começaram a falar em seu dialeto, um dialeto que Taliesin não entendia, eles começaram a discutir entre si apontando para Taliesin do outro lado do rio.

Azriel assumiu posição de ataque e mostrou-lhe seus dentes afiados para os pequenos goblins. Sem fazer grandes movimentos, Taliesin pegou o seu arco enquanto os globins discutiam entre si, até que o globin de espada desferiu um soco na face do goblin que estava de machado fazendo-o tropeçar no chão enquanto os outros dois saíram correndo para a floresta adentro, o goblin de machado se levantou do chão, olhou para Taliesin e gritou, em seguida correu para a floresta tentando acompanhar os outros.

—Essa foi por pouco. – Disse Taliesin colocando o arco no tronco do corpo. – Vamos sair daqui antes que venham mais. Vamos Azriel!

Durante o aprendizado, Taliesin aprendeu que a floresta quer proteção, mas nem sempre ela vai lhe proteger, já que os deuses da floresta são imprevisíveis. Taliesin assim como todos os outros rangers, precisam requerer cuidados durante todos os dias de suas vidas para não acabar sendo mortos por algum habitante da floresta seja ele um grande animal ou uma simples flor venenosa. Proteger a floresta e a si mesmo era essencial.

Taliesin e Azriel foram para o sul e algum tempo depois um barulho ecoava pela floresta. Azriel parou para escutar, mas não falou nada para Taliesin que também estava parado tentando escutar o som.

—Espere aqui Azriel. – Disse Taliesin.

Taliesin subiu no tronco de uma árvore e ficou agachado em seu tronco, respirou e fechou os olhos. Seus ouvidos conseguiram lhe revelar um outro mundo sem os olhos, um mundo que ele pouco se desfrutava. Taliesin ouviu alguns passos de animais grandes e outros de animais pequenos, ouviu o bater de asas de algumas aves ao longe dali, ouviu alguns trotes em uníssono e com eles ouviu vozes que falavam o idioma comum, o dialeto humano. Taliesin abriu seus olhos novamente e desceu para o chão onde mandou Azriel o seguir e assim foi feito.

Os dois correram por entre a floresta adentro. Cada passo que davam, era um passo mais próximo a voz que Taliesin ouvira. Eles chegaram o mais próximo possível, se esconderam por entre os arbustos das árvores e tentaram enxergar de quem eram as vozes, sem sucesso. Azriel olhou para Taliesin e lhe disse que estava com mal presságio daquilo.

—Eu também estou. – Respondeu Taliesin para o lobo em voz baixa. – Mas e se for as pessoas que estão me procurando? As premonições do mestre nunca erram.

O lobo cinzento o olhou com incerteza.

—Certo. Fique aqui que eu vou verificar. – Disse Taliesin novamente em baixa voz. – Fique escondido por entre as árvores por detrás deles.

O lobo afirmou e saiu correndo por entre os arbustos fazendo o menor barulho possível. Taliesin aproveitou a saída do lobo e subiu em outra árvore. Taliesin se agachou no galho grosso e retirou o seu arco das costas. Ele viu as últimas pessoas que julgaria ver naquele dia.

Ao longe Taliesin avistou três pessoas montadas em cavalos. O humano do meio era o guerreiro que quase havia matado Taliesin no dia anterior, ele montava um cavalo malhado negro e trajava uma placa de peito que mostrava um leão dourado e na bainha trazia uma espada. No lado esquerdo do guerreiro, montada em um cavalo branco, estava a princesa de cabelos brancos e um colar brilhante em tom de azul, a princesa vestia um vestido que era aberto no peito com detalhes prata nas aberturas e vestia uma outra roupa por baixo. A ombreira dela era revestida em prata, suas mangas era longas e em sua cintura trazia um cinto em couro. As partes das pernas do vestido era aberto, revelando várias camadas de tecido, mostrando que a princesa vestia botas de couro, assim como as calças.

Do lado direto do guerreiro estava a fada, montada em um cavalo em tom de marrom, ela vestia a mesma vestimenta de quando Taliesin a encontrou pela primeira vez. Vestido verdes onde nas pernas um longo tecido cobria, com um capuz e uma flor vermelha ao lado na cabeça e com longas mangas na região dos braços. As asas da fada continuavam reluzindo a luz do sol que adentavam pelas folhas das árvores.

—Foi ótimo tirar aquele sobretudo com capuz. – Falou a fada. – Ele fazia muito calor.

—Eu sei. – Disse o guerreiro desinteressado. – Você já falou isso várias vezes.

—O que vocês acham que ele vai falar? – Perguntou a fada.

—Se ele não nós matar primeiro? – Perguntou o guerreiro.

—Sim. – Respondeu a fada.

—Não sei. Talvez um “não vou fazer isso. Agora eu vou matar vocês”. – O guerreiro olhou para a fada com um sorriso malicioso.

—Você acha que ele nós mataria? – Perguntou ela novamente.

—Olha, sendo sincero, até eu mataria se estivesse no lugar dele. – Respondeu o guerreiro. – Ele deve estar com muita raiva agora.

—Você acha que ele ainda está vivo? – A pergunta da fada parecia ser uma pergunta para aumentar a esperança dela.

—Se ele estiver vivo e recuperado, ele deve estar apontando uma flecha para as nossas cabeças agora mesmo. – Respondeu ele.

—Para a sua cabeça primeiro. – Falou a princesa.

—Isso que é um belo voto de confiança. – Ironizou o guerreiro.

Os três passaram por baixo de Taliesin e continuaram a andar. Taliesin continuou onde estava e pegou uma flecha em sua aljava, pós em seu arco e esticou mirando na cabeça sem proteção do guerreiro.

—Não podemos morrer aqui, tudo aqui depende de nós e da aceitação dele para com nosso acordo. – Disse a princesa. – Se morremos aqui o mundo acaba.

—Obrigado por dizer o que eu já sabia. – Falou o guerreiro sarcasticamente.

Taliesin refletiu aquelas palavras em sua cabeça e de imediato pensou nas palavras de seu mestre. Em seguida ele abaixou o arco, retirou a flecha e colocou-a em sua aljava depois colocou o seu arco nas costas. Ele precisava ter mais certeza se era realmente eles de quem o mestre havia falado, então os seguiu por entre as árvores sem ser visto.

—E se ele aceitar e vencer a batalha? – Perguntou a fada. – Nós iremos ficar conhecidos como heróis, como lendas. “Os guardiões de Sanvitale”, ninguém chegará aos nossos pés.

—Se ele vencer a batalha, ele é que ficará famoso e não nós. – Disse o guerreiro.

A fada olhou para baixo como se estivesse vendo algo que nunca havia visto, pensando no que acabara de escutar.

—Verdade... – A fada falou em baixo tom um pouco cabisbaixa. – Mas em livros e canções sobre esse dia terá que ter nossos nomes.

—Pelos deuses! Você não se cala não? – Perguntou o guerreiro com um pouco de raiva. – Você está falando desde que saímos do castelo. Quantos assuntos você ainda tem para falar?

—Você nem imagina. – Respondeu a princesa com um sorriso no rosto como se essas palavras fossem satisfatórias.

Enquanto os três estavam conversando entre si, Taliesin continuou a segui-los por entre as árvores até que resolveu se adiantar e passou na frente sem ser visto, até que parou em um dos galhos de uma árvore na frente do caminho dos três. Eles continuaram em silêncio até que ouviram um agitar de um arbusto atrás de si e se viraram para ver o que era.

—O que foi isso? – Perguntou a fada.

—Não sei, mas com certeza não é coisa boa. – Respondeu o guerreiro retirando a espada da bainha.

Azriel não conseguiu ficar em silêncio como combinado, então Taliesin aproveitou a deixa para saber o que aqueles intrusos estavam fazendo ali, Taliesin não possuía o dia todo para ficar seguindo-os. Ainda agachado na árvore, Taliesin retirou uma flecha de sua aljava e pôs em seu arco, em seguida caiu no chão no caminho onde os intrusos iriam passar se não fosse pelo lobo. Os três intrusos olharam para Taliesin imediatamente, devido ao barulho.

—Exatamente a pessoa que nós queremos conversar! – Anunciou o guerreiro enquanto Taliesin mirava a flecha em sua cabeça. – Ou não...

—Largue a espada guerreiro! – Ordenou Taliesin.

—Olha.... Eu até largaria se não fosse pelo nosso último encontro. – Disse o guerreiro. – Desculpa, mas eu não confio em você.

—Isso aqui não é uma negociação! – Falou Taliesin.

—Desculpa, mas isso é uma negociação. – O sorriso do guerreiro apareceu novamente.

—Largue a espada! – Falou novamente Taliesin.

—Se eu largar a espada o que garante que você não atire uma flecha em mim e me mate com essa sua espada? – Perguntou o guerreiro apontando para a espada na cintura de Taliesin.

—Nós não viemos procurar confusão. – Falou a princesa para Taliesin.

—Então ordene que ele largue a espada. – Disse Taliesin.

—Largue a espada Dante. – Ordenou a princesa.

—Desculpa princesa, mas isso não vai acontece. Eu já disse. – Disse o guerreiro chamado Dante.

Logo após as palavras saírem da boca de Dante, Azriel saiu dos arbustos em um pulo. Ele ficou em posição de ataque enquanto mostrava seus dentes afiados para Dante. Dante então se virou do lobo, ainda com espada na mão e disse:

—Um maldito lobo? — A surpresa era clara. — Eu disse que ele não era confiável!

A fada retirou a sua adaga que escondia na cintura enquanto olhava para Taliesin e Dante olhava para o Azriel caso ele atacasse.

—Queremos fazer uma negociação. – Falou a princesa. –Por favor, não nós ataque.

—Ou o que? Seu mundo acabará? – Perguntou Taliesin.

—Ele estava nós escutando! – Anunciou a fada. – Eu sabia!

—Sabia nada. – Falou Dante.

—Sabia sim! – Ela retrucou.

Taliesin olhou para a princesa e lembrou mais uma vez da visão de seu mestre, então olhou para o lobo e ordenou que não atacasse. Azriel parou de rosnar e sentou no chão ainda atento. Taliesin abaixou o arco, mas continuou com a flecha presa na corda.

—Já que estamos abaixando nossas armas você pode retirar seu lobo? – Disse o Dante olhando para o lobo atrás de si. – Eu sei que você fala com os animais e essas coisas, mas poderia retira-lo?

—Azriel! – Chamou Taliesin fazendo o lobo ir diretamente para ele enquanto os cavalos se agitavam ao ver o lobo.

Dante controlou o seu cavalo após a passagem do lobo, assim como a princesa e a fada. Depois ele disse:

—Bem melhor assim. – Falou Dante enquanto colocava a espada na bainha. – Obrigado.

—O que é tão importante? –Perguntou Taliesin para a princesa. – O que querem?

—Meu nome é Luna, esse é Dante e essa é Brielly. – Ela apontou para cada um e continuou: — Viemos aqui para proteger a floresta.

—Não. Eu protejo a floresta! Vocês não! – Disse Taliesin.

—Sim, sim. Mas queremos ajudar a protegê-la também. – Disse a princesa.

—Por que? –Perguntou Taliesin.

—Porque Hector está vivo e está vindo para cá. – Respondeu Dante. — Só isso.

—Impossível. – Falou Taliesin.

—Pensamos a mesma coisa. – Disse Brielly.

—E o que querem que eu faça?

A princesa desceu do cavalo e foi de encontro a Taliesin.

—Princesa... O que está fazendo? – Perguntou Dante enquanto Luna avançava– Princesa volte!

—Queremos que batalhe com ele. – Respondeu a princesa para Taliesin ignorando Dante.

Subitamente as visões do mestre druida invadiram a cabeça de Taliesin mostrando-lhe aquela figura negra com dois elfos negros ao lado, enquanto toda a floresta queimava.

—Então realmente são vocês... – Disse Taliesin incrédulo.

—Somos nós o que? – Perguntou Luna.

—Meu... meu mestre falou-me que alguém iria me procurar para fazer algo importante e caberia a mim aceitar ou não. – Respondeu Taliesin. – E ele me mostrou a floresta totalmente queimada, mas não sei se na visão eu aceitei a proposta ou não.

—Seu mestre consegue ver o futuro? Que legal. –Falou Brielly entusiasmada. – Espera, você tem mestre? Onde ele está agora?

—Sim eu tenho, não importa onde ele está, o que importa é que ele me avisou sobre esse dia.

—E você vai aceitar? – Perguntou Dante.

Taliesin olhou para a princesa e viu seus olhos repleto de esperança olhando para Taliesin enquanto o seu colar em volta do pescoço brilhava em azul, até que ela falou:

—Pense nas vidas que vai salvar. As vidas no castelo e toda essa floresta, proteger a floresta é a sua função.

—E se eu aceitar e a visão do meu mestre se concretizar? – Perguntou Taliesin. – Morrerei em vão.

—Melhor morrer com uma espada na mão do que ser escravo de Hector. – Disse Dante. – Se é que ele faz escravos.

—Você estará na floresta, é seu território, você tem essa vantagem. – Disse Luna.

—Desde quando uma princesa conhece sobre a arte da guerra? – Perguntou Taliesin. – Nunca ouvir falar de uma princesa que já estivesse num campo de batalha.

—Não, eu nunca estive em uma guerra, mas sei o que acontece com os homens que vão para a guerra. – Retrucou a princesa. –Já li histórias sobre a guerra e conversei com homens que já lutaram diversas vezes. Eu sei o que uma guerra representa.

—E o que você sabe? – Perguntou Taliesin.

—Sei de tudo. De toda a desgraça que ela traz. – Respondeu ela. – Mas é tudo por uma boa causa.

—Mesmo se eu chamar todos os outros rangers eles não terão tantos homens quanto Hector. – Falou Taliesin.

—Como sabe quantos homens Hector possui? – Perguntou Dante.

—No dia anterior a esse, durante a luz da lua, várias árvores foram cortadas em um lugar distante daqui. – Falou Taliesin. – As árvores foram cortadas de uma maneira muito rápida e em uma área muito grande.

—Como sabe disso? – Perguntou Brielly.

—Eu estou conectado a floresta. – Respondeu ele.

—E se eles estão cortando árvores, significa que estavam montando acampamento e se era uma área muito extensa era porque possuem um exército muito grande. – Falou Dante.

—Exatamente. –Afirmou Taliesin. – Um exército extenso que eu não possuo.

—Eu ouvi um boato que o rei está mandando um grupo de soldados para batalhar contra Hector aqui na floresta. – Falou novamente Dante.

—Quando você ouviu isso? – Perguntou Luna.

—Hoje pela manhã. Quando estava prestes a entrar na biblioteca.

—E se não for verdade? – Perguntou Taliesin. – E se for apenas um boato?

—Podemos ir para o reino das fadas. – Disse Brielly. – Posso convencer ao meu pai para batalhar com os rangers e o reino das fadas fica a leste daqui, a poucos dias de viajem. Chegaremos lá antes que Hector chegue aqui.

—Concordo plenamente. – Disse Dante.

—Milagre. – Disse a princesa em voz baixa.

—Que milagre princesa? – Perguntou Taliesin.

—Nada. – Respondeu ela. – Então está bom assim para você?

Taliesin olhou novamente para os olhos da princesa que agora expeliam curiosidade para saber a resposta dele. O lobo continuava ali parado ao lado de Taliesin, olhando intensamente o brilho das asas da fada. Taliesin se ajoelhou perante a princesa e disse:

—Sim, vossa alteza. A floresta lhe agradece pela sua ajuda. Seu nome será lembrado por entre essas terras.

—Isso me faz lembrar que não fiz a reverência para ela hoje. – Cochichou Dante para Brielly ao seu lado.

—Não importa. – Ela cochichou de volta. – Hoje ela não está ligando para isso.

—Ainda bem. – Falou ele.

—Seu nome também será lembrado em Sanvitale. – Disse a princesa não ouvindo a conversa entre Dante e Brielly. – Levante-se.

—Antes de irem quero que façam algo para mim. – Falou Taliesin enquanto se colocava de pé.

—O que quer? – Perguntou Luna.

—Quero segurar a espada dele. – Falou Taliesin apontando para Dante. – Não sei se sairei vivo dessa e não sei se verei essa espada de novo.

—Está brincando com a minha cara, não é? – Perguntou Dante incrédulo.

—Não. Falo sério. – Respondeu Taliesin. –Sei que essa espada é a Desejo Mortal, já ouvi histórias sobre ela, sempre achei que era apenas uma lenda, mas agora vejo que não.

—Isso foi a coisa mais estranha que eu já ouvi alguém pedir. – Disse Brielly.

—Eu também. – Disse Dante enquanto descia do cavalo negro.

Dante se aproximou de Taliesin, olhou para o lobo ao seu lado que não saiu de sua posição, retirou a espada da bainha e entregou para Taliesin. Taliesin pegou a espada pelo cabo e pela lamina, na parte que não cortava. A espada era negra como carvão e possuía runas que brilhavam em um vermelho fraco, runas em élfico que diziam “Desejo Mortal”.

—Ela é linda. – Disse Taliesin enquanto olhava para a espada.

De súbito uma voz ecoou na cabeça de Taliesin, uma voz que vinha do além, lhe dizendo:

—Mata ele. Mata! Aproveita que ele está desarmado e mata ele! – Estava apenas na cabeça de Taliesin e ele sabia disso. –Corta a barriga como ele fez com você. Depois mata os outros. É a sua chance! MATA ELE!

—Já chega! – Disse Dante com a mão no cabo da espada. – Eu já disse, já chega!

Taliesin se despertou das vozes quando Dante falou com ele, mas de alguma forma Taliesin não queria largar a espada.

—Solta a espada. – Disse Dante novamente. – Eu disse solta a espada!

Taliesin soltou a espada e todas as vozes cessaram de sua cabeça. Dante a colocou de volta na bainha.

—Como você consegue? – Perguntou Taliesin enquanto suas mãos tremiam.

—Me pergunto isso todos os dias. – Respondeu Dante.

—Nossa! – Exclamou Brielly. – Isso foi tenso!

—Você está bem? – Perguntou Luna.

—Sim, sim, estou bem. – Respondeu ele. – Já está na hora de vocês irem, sigam para o leste com cuidado pode ser perigoso.

—Obrigado por tudo. – Disse Luna antes de dar as costas e ir para o seu cavalo.

—Isso vai passar. – Disse Dante colocando sua mão no ombro de Taliesin. – Tente esquecer tudo o que ela falou, certo?

—Certo. – Afirmou Taliesin.

—Ótimo. – Falou Dante. – Fique perto da estrada, caso o boato do rei seja verdadeiro, é o único caminho que eles podem passar. Tome cuidado e não seja morto.

—Digo o mesmo para vocês.

Dante deu um sorriso por entre os dentes, deu as costas e subiu no seu cabalo.

—Até a próxima elfo! – Falou Brielly acenando para Taliesin enquanto partia em direção ao leste.

—Até! – Taliesin acenou de volta.

Depois que todos foram embora, Taliesin e Azriel foram para a Árvore Mãe. A árvore ficava em um lugar muito distante onde Taliesin estava, quando chegou lá, a lua já tomava conta dos céus. A árvore possuía um dom que poucas tinham, dar vida a várias outras árvores e por causa disso recebeu tal nome. A Árvore Mãe alcançava uma altura enorme, onde não era possível ver o seu topo, ela ficava entre as outras árvores e a única coisa que lhe diferenciava das outras era a sua idade e as suas marcas de mãos cobertas de sangue.

Taliesin se aproximou da Árvore Mãe, enquanto seu lobo se deitou no chão, apenas observando, retirou a espada da bainha e cortou a sua mão esquerda. Sangue escorreu pela mão e a dor latejou, fazendo Taliesin fechar a mão com força para o sangue se espalhar pela mão mais rápido. A dor piorou. Taliesin colocou a sua espada na bainha e colocou a sua mão ensanguentada no tronco da árvore, falou as preces dos deuses da floresta e gravou sua mensagem em sua cabeça até que de súbito a árvore começou a ter suas folhas em um tom de azul.

A mensagem gravou em suas folhas que agora brilhavam em azul e algum tempo depois outras árvores começaram a ter suas folhas brilhando do mesmo modo, uma após a outra em fileiras até que Taliesin não conseguia ver mais os brilhos das árvores ao fundo. Agora só cabia a Taliesin esperar pelas respostas de seus irmãos.