Ruínas da Guerra

3 Estranhos na Floresta


Pedragon estava do outro lado da estrada preso entre o grande animal e a árvore, quando os cavalos da carruagem começaram a se agitar e Brielly percebeu o olhar quente sobre as suas costas, foi então que se virou e se deparou com um elfo com pele morena e cabelos pretos longos, ele possuía várias pinturas com tinta preta espalhada pelo rosto, vestia uma capa de pele de urso nas costas e uma aljava sem flechas, ele estava com uma espada na mão e com um olhar penetrante olhando para Brielly. Talvez fosse ele que tivesse feito todo esse estrago e talvez fosse ele que estivera em cima da carruagem quando Pedragon jogou seu martelo, mas aconteceu muito rápido, Brielly não o tinha visto.

Ele avançou e com a espada desferiu um golpe, mas Brielly foi rápida o suficiente para se esquivar do ataque e colocar a sua adaga para se defender. Ele então investiu em outro ataque, desta vez de cima para baixo, mas foi parado por Brielly que colocou a sua adaga para bloquear o golpe, em seguida ele deu um chute no tórax de Brielly que caiu de costas no chão com a força do golpe e deixou a adaga cair.

O ar dos pulmões da fada estava falhando, mas o elfo continuou avançando em direção a Brielly, mas parou quando chegou perto da adaga caída no chão, ele então, com o pé, subiu a adaga e agarrou no ar, em seguida jogo para trás. Brielly, com os olhos, foi seguindo a queda da adaga perto da carruagem e viu a princesa saindo da carruagem e pegando a adaga.

Esse foi o tempo suficiente para Brielly respirar direito. Em seguida ela usou seus poderes de fadas e ficou diminuta, passando por cima da cabeça do elfo. Então o elfo, se virou seguindo a sua inimiga e se deparou com a princesa que cravou a adaga em seu ombro direito e gritando empurrou o elfo para longe.

— Eu disse que essa adaga seria útil. – disse a princesa.

—E eu disse que seria tolice sair do castelo sem o meu pó mágico. – retrucou Brielly.

A princesa havia de alguma forma, arrancado à saia do vestido de um jeito que ela pudessem se mover sem suas pernas estarem nuas. O elfo então se levantou ainda com a espada em mãos e olhou em direção das duas com a mesma expressão que Brielly o viu da primeira vez, então retirou a adaga do ombro e jogou nas árvores.

—Princesa! – disse Brielly se pondo na frente da princesa para protegê-la. – Fique atrás de mim!

Brielly não podia correr, não possuía nenhuma arma, e por um breve momento ela pensou que seria o fim e que no final de tudo os grandes livros de histórias que tanto lera iriam possuir seu nome, mas não seria algo bom, seria como a fada que fracassou em fazer algo simples como proteger a princesa, “Brielly a fracassada”, seria o seu nome.

Para ela agora não parecia ser tão ruim em retornar para o reino das fadas e ouvir as músicas, as cantorias, as fadas com sorrisos nos rostos e ela lendo os seus livros de histórias com diversos esquilos ao seu redor, seus pensamentos pareciam ser o paraíso, mas seria a última coisa que aconteceria naquele momento.

—Quem é você? – perguntou a princesa. — E o que quer?

— Meu nome é Taliesin. – disse o elfo. — E eu estou aqui para defender a floresta.

O elfo deu dois passos na direção das duas, mas parou quando ouviu um trote de cavalo na estrada, havia um homem em cima do cavalo com longos cabelos castanhos que tocavam os ombros dele. Ele estava vestido de azul e preto com um manto de mesma cor no ombro esquerdo com uma espada na bainha e no seu peito ostentava um grande brasão do rei, um escudo de leão com duas asas e uma coroa por cima, tudo em dourado.

O guerreiro chegou a poucos passos do elfo e seu cavalo empinou, logo depois, o cavaleiro desceu do cavalo e disse:

— Ok... Sendo meu amigo ou não, você tem que admitir... Essa minha entrada foi muito boa. – o sorriso do guerreiro era cheio de malícia. – Então, o que temos pra hoje?

Ele retirou o seu manto negro do ombro e o elfo fez a mesma coisa, retirando a sua capa de pele de urso e a aljava de flechas. Então, Taliesin foi de encontro ao guerreiro que ainda estava retirando a espada da bainha, uma espada que na opinião de Brielly era bastante curiosa. A espada era de um aço negro e parecia ser forjada por elfos e não humanos, mas não faria sentido, já que nunca houve ninguém nos livros de histórias que possuíssem uma arma forjada por outra raça.

Os dois começaram a lutar, Brielly ficou pensando quem seria esse guerreiro, ela nunca o vira antes, sabia que era um soldado do rei por causa do seu brasão estampado no peito, mas durante anos vivendo com a princesa, Brielly nunca o vira antes.

Os dois eram excelentes espadachins e lutavam sem nenhum dos dois receberem danos. Taliesin desferiu um golpe com a espada de cima para baixo e o guerreiro bloqueou.

—Eu sei que isso não é tudo o que você tem. – provocou o guerreiro. – Vamos lá, me mostre tudo.

Então ele levantou a espada para a direita fazendo a espada do elfo, deslizar para baixo, então desferiu um soco com o cabo da espada na face do elfo que bamboleou para trás, mas não caiu. Sangue saia da boca do elfo por causa do soco.

—Ah, me desculpa, essa doeu em você? – ironizou o guerreiro.

Em seguida o elfo contra atacou tentando enfiar a espada no tórax do guerreiro. O guerreiro deu um giro para o lado e o elfo passou direto, nisso, o guerreiro desceu a espada nas costas do elfo, fazendo um grande corte do ombro direito até o lado esquerdo da cintura. Taliesin gritou e se ajoelhou de costas para o guerreiro, a dor no elfo era visível.

—Escuta, por que você não me poupa de te matar e vai embora? – disse o guerreiro. – Não é melhor para todo mundo assim?

O elfo com a mão esquerda pegou areia da estrada. Brielly viu e gritou:

—CUIDADO!

O guerreiro olhou para a fada e então voltou a olhar o elfo. Taliesin tentou jogar areia nos olhos do guerreiro, mas fracassou, o guerreiro desviou para o lado. Em uma tentativa desesperada o elfo desferiu um golpe com a espada, fazendo com que passasse de raspão pelo braço esquerdo do guerreiro.

—Agora sim, você ta começando a melhorar. – disse ele olhando para o braço ferido. – Mas o truque da areia foi golpe baixo.

O guerreiro tentou desferir um golpe, mas o elfo bloqueou, os dois ficaram se encarando.

-Você fala demais. – disse o elfo zangado.

—E você de menos. – falou ironicamente o guerreiro.

Depois disso o guerreiro deu uma cabeçada na face do elfo que deu alguns passos para trás. O elfo então tentou outro golpe com a espada, mas passou direto, pois o guerreiro se esquivou, então ele se virou para Brielly e Luna e disse:

—Garotas. – fazendo uma pequena reverência e piscando um olho com um grande sorriso.

O elfo atacou de novo, mas o guerreiro virou rapidamente e golpeou a barriga do elfo, de um lado para outro. O elfo então largou a espada, olhou para a barriga cortada enquanto saia sangue e sem acreditar, colocou as duas mãos na barriga para tentar parar o sangramento. O elfo perdeu o equilíbrio nas pernas e caiu duro no chão.

—Sabe... Isso não é nada pessoal. – disse o guerreiro com um sorriso no rosto, pegando a espada com ambas as mãos de uma maneira que ela ficasse com a lâmina para baixo e o cabo para cima, mirando na cabeça do elfo.

—DANTE, NÃO! – gritou a princesa, enquanto o guerreiro levantara a espada o máximo que podia, a ordem da princesa soava mais um pedido do que uma ordem.

—"Dante"? – perguntou Brielly olhando surpresa para a princesa. – Vocês se conhecem?

O guerreiro olhou para a espada que estava brilhando em vermelho uma escritura élfica no começo da lâmina perto do guarda-mão da espada, em seguida olhou para as duas e então segurou a espada da maneira correta e saiu de perto do Taliesin.

—Claro que ela me conhece! – disse o guerreiro chamado de Dante, colocando a espada na bainha. – Qualquer um pode um pode conhecer a princesa só de olhar para o cabelo dela. Além do mais, nos brincávamos juntos quando crianças.

A parte do cabelo da princesa era verdade. Embora a princesa Luna se parecesse com uma humana e não possuísse orelhas pontudas ela tinha grandes cabelos lisos que eram brancos como a neve e possuía olhos azuis claros que se assemelhavam ao oceano. Isso acontecia devido ao pai de Luna, o rei Liamlett, que era humano se casar com uma elfa branca, com cabelos brancos, travando assim uma aliança maior do que já era entre humanos e elfos brancos, por isso, o símbolo da casa era um escudo de leão com duas asas e uma coroa em cima. O leão era o símbolo do rei que representava a lealdade dos homens e as asas era o símbolo dos elfos brancos que representava a liberdade.

—É verdade? – Brielly perguntou para Luna.

—Sim. É uma longa história. – respondeu Luna.

—Por falar nisso, obrigado por me avisar sobre a areia no rosto. – disse Dante para Brielly.

—Você salvou as nossas vidas e eu salvei a sua. – Brielly sorriu. – Agora estamos quites.

-Sei... Afinal como você se chama?

—Meu nome é Brielly e sou uma fada.

—É... Eu reparei... – disse Dante apontando. -... As asas.

—Podemos sair daqui? – disse Luna nervosa.

—Vem cá... – disse Dante ignorando a princesa. -... Você tem quantos anos? – perguntou para a fada.

—Muito mais que você. – intrometeu a princesa.

—Não parece, você parece uma criança. – disse Dante. -E quando algum homem vai se deitar com você, ele sabe que você é velha ou... Isso parece meio errado...

—Eu digo quantos anos eu tenho.

—Melhor assim. – disse Dante.

—Não está se esquecendo de nada Dante? – disse a princesa séria.

—Minha capa... Obrigado por lembrar, princesa. – então ele deu as costas.

—Não estou falando disso. – disse Luna fazendo Dante parar e olhar para ela novamente.

—Então não me esqueci de nada.

—Eu sou uma princesa e você um guerreiro. – disse Luna séria.

—E...?

—Acho que ela quer que você se reverencie. – disse Brielly com incerteza.

—Nós nos conhecemos há muitos anos atrás e nunca precisei me reverenciar para você.

—Mas agora eu sou uma princesa e quero que você faça isso.

Brielly em todo o seu tempo junto à princesa nunca testemunhou algo assim e nunca a viu tão séria. Dante ficou fitando ela por um tempo, Brielly ficou em dúvida se ele realmente ira fazer aquilo.

— Se isso é importante para você princesa. – então ele fez uma longa reverência. – Melhor agora?

—Agora me diga como você chegou aqui.

—Bom... Essa é fácil. Eu vim a cavalo, mas antes de pegar o cavalo eu vim a pé e... – disse ele rindo e então parou e olhou para o rosto sério da princesa. – Desde quando você ficou assim? São os lugares chiques que você vai? As conversas entre damas? O que é?

—Você ainda não me respondeu.

Ele suspirou e falou:

—Boatos circulavam pela cidade de que uma carruagem estaria contrabandeando vinho. Então o seu pai me encarregou de cuidar disso, eu interceptei a carruagem um pouco a leste daqui. – ele suspirou novamente e continuou. — Uma coisa foi levando à outra e no final eu tive que jogar a carruagem cheia de vinho no rio. Acho que o rio ficou mais doce agora.

—E porque você não ta molhado?

—E pulei da carruagem um pouco antes dela cair no rio. – respondeu ele. – Foi uma cena espetacular. A carruagem estava na ponte e então soltei os cavalos, mas a carruagem ainda estava em alta velocidade e quebrou a parede da ponte, foi ai que eu pulei da carruagem e ela caiu no rio.

—E como você sabia onde estávamos? – perguntou a princesa.

—Eu ouvi os gritos de seus amiguinhos mortos.

—Falando em amiguinhos... – disse Brielly olhando para Pedragon que estava respirando.

—Ele ainda está vivo? – perguntou Dante olhando para o draenei.

Brielly correu para socorrer Pedragon. Ele tentava levantar, mas não conseguia devido aos furos nas patas.

—Me deixa cuidar disso. – disse Brielly usando magia das fadas para cura-lo.

—Nossa! Como aquele ranger derrotou você? – perguntou Dante espantado para Pedragon. – Digo... Olha o tamanho dele!

—“Ranger”? – perguntou Luna

—Sim. – afirmou Dante.

—O que é isso?

—São seres que são deixados na floresta para serem treinados e defende-la, de acordo com eles os deuses da floresta designaram isso a eles. – contou Dante. – Sério? Vocês nunca ouviram falar dos rangers?

—E cadê ele? –perguntou Pedragon?

—Ele está bem ali... – disse Dante apontando para o local que o corpo havia ficado, mas não estava lá. -... Ele estava ali agora a pouco...

—Consegue levantar Pedragon? – perguntou Luna depois de Brielly aplicar a magia de cura.

—Sim, estou melhor agora. – disse Pedragon se levantando.

—Você é muito boa. – disse Dante para Brielly.

—Obrigada.

—Vamos embora. – disse Dante. – Princesa para a carruagem, Brielly você conduz a carruagem, eu cuido da retaguarda e você feioso fica na dianteira.

—Quem te colocou no comando? – questionou Pedragon.

—Você quer realmente discutir isso comigo? – perguntou Dante. – Você e seus soldados acabam de serem massacrados por um elfo de jardim, você tem sorte de estar vivo, e acha mesmo que deseja falar sobre isso?

Pedragon olhou para Dante por um tempo, pensando se aceitaria as ordens ou não.

—Tem razão. – disse ele indo buscar o seu martelo.

Dante ficou vendo Pedragon partir e então olhou para a princesa que estava lhe fitando e então ela perguntou:

—Ele está certo. Quem colocou você no comando?

—Eu sou o superior dele e ele tem que me obedecer – respondeu Dante. – Agora, vai ficar ai me olhando ou vai querer sair dessa floresta maldita?

Sem dizer nada a princesa foi para dentro da carruagem. Todos já estavam em seus postos e então partiram de volta para o castelo de Sanvitale.