Ruínas da Guerra

16 De Volta ao Jogo


Notas iniciais
Ruínas da Guerra voltando a todo vapor :D

—A essa altura já deveríamos ter chegado a floresta no sul. – Falou Likgar.

O velho orc estava de pé olhando atentamente para o mapa em cima da mesa no centro da tenda, com peças estrategicamente marcadas, representando o exército de Hector e a cidade de Sanvitale.

Enquanto Likgar olhava atentamente para o mapa e falava diversas coisas que ninguém estava prestando atenção. Leonhard do canto da tenda, encarava Hector, tentando entender o que se passava em sua cabeça. Sem sucesso. Hector estava sentado em uma cadeira de madeira por detrás da mesa enquanto fitava para o nada, imaginando diversas coisas, ele estava assim desde que o velho orc começou a falar.

—O que você acha? – Perguntou Likgar olhando diretamente para Hector.

Hector saiu do seu transe e olhou calmamente para o orc e perguntou:

—O que eu acho?

—Sim. – Respondeu Likagr. – Você acha que deveríamos nos dividir e ir pelas colinas? É um atalho que poderíamos ganhar tempo.

—Não.- Respondeu Hector.

—Mas se nos dividirmos poderíamos...

—EU DISSE NÃO! – Gritou Hector.

Leonhard finalmente pode ver o lado mais agressivo do rei elfo negro, algo que ele nunca demostrava. Hector sempre se matinha calmo e pacífico, o que dava mais medo nos inimigos por eles não saberem o que o elfo negro era capaz de fazer.

Hector então respirou e prosseguiu calmamente:

—Eu passei mil anos planejando de todas as formas possíveis, exterminar os humanos de Nomentum. E agora que eu tenho a maior oportunidade de todas não deixarei você arruinar tudo o que eu havia planejado desde A Batalha do Triunfo do Norte.

—Estou tentando ajudar você e seu maldito exército! – Exclamou Likgar.

—Não! – Falou Hector enquanto se levantava da cadeira e colocava ambas as mãos na mesa. – Você está tentando estragar tudo e isso é uma coisa na qual não irei tolerar.

Agora que Hector estava de pé Leonhard pode ver suas vestes. Um sobretudo marrom, e em seu tronco ostentava uma placa de peito com um dragão estampado. Enquanto isso o orc vestia a sua veste de sempre. Vestimentas que pareciam ser estragadas devido ao tempo e como de costume o orc segurava o seu cajado.

—Você não entende, não é? – Perguntou Hector estrigado para o orc. – Tenho três exércitos em minhas mãos e um poderoso demônio no qual possui mais poder do que qualquer um aqui. Finalmente o reinado dos humanos irá acabar de uma vez por todas.

Hector então se dirige ao encontro do orc que o olhava com atenção. Era possível ver o medo nos olhos do orc.

—Os humanos são inferiores a nós em todos os sentidos, mas não são tolos. – Hector estava agora de frente ao orc. – Eu avisei a eles que estava retornando e provavelmente eles devem está mandando tropas para ir ao nosso encontro antes que cheguemos ao castelo.

—Como pode ter tanta certeza? – Perguntou Likgar com medo em sua pergunta.

—Lógica! – Respondeu Hector enquanto abria os braços com um sorriso irônico como se isso fosse algo que todos sabiam menos o orc. – Eu vivi muitos anos para testemunhar diversas estratégias diferentes.

Leonhard então ouviu passos pesados perto de si. Ao seu lado um elfo negro com armadura pesada entra na tenda e olha diretamente para Hector sem perceber Leonhard que estava ao seu lado. O elfo negro estava sem elmo e era possível ver os seus cabelos brancos esvoaçarem ao vento.

—Algum problema? – Perguntou Hector semicerrando os olhos.

—Sim, meu rei. – Respondeu o elfo negro. – Pegamos três elfos negros fugindo da guerra. Eles alegam que vossa alteza esteja louca de provocar tal ameaça aos humanos.

—Estão com medo. – Afirmou Hector.

—Sim, vossa alteza.

O ar subitamente fica pesado e Hector retorna a mesa, mas ao invés de sentar novamente, ele empurra a cadeira para debaixo da mesa. Em seguida olha para o mapa sob a mesa.

—O que devemos fazer, meu rei? – Perguntou o elfo em busca de reposta.

—Boa pergunta. – Hector olha suavemente para o elfo negro e caminha em sua direção lentamente. – O que devemos fazer?

O mensageiro ficou confuso e sem saber o que fazer.

—Vossa alteza?

—Todos aqui sabem exatamente o que fazer com medrosos. – Disse Hector. — Por que você não?

—Então eu devo mata-los?

—Três a menos não fazem diferença na batalha. – Falou Hector enquanto colocava os braços para detrás do corpo. – Mate-os. Corte a língua deles. Corte a cabeça e coloque numa estaca. Arranque o olho. Não me importo. Apenas faça com que eles sirvam de exemplos para os outros.

—Sim, meu rei. – Falou o mensageiro enquanto balançava a cabeça positivamente. – Irei fazer isso o mais rápido possível.

—Ótimo. – Exclamou Hector e logo em seguida fez um movimento com a mão e disse: — Agora vá!

O mensageiro sai aos passos rápidos da tenda e Hector vai em direção a mesa que estava por detrás da cadeira no qual estava sentado. Hector pega uma jarra de vinho em cima da mesa e enche a taça, olhando atentamente para ambas as espadas dele que estavam cravadas na madeira da tenda.

—É assim que você acha que vai ser um bom líder? – Perguntou o velho orc olhando as costas de Hector. – Colocando medos neles?

Após beber todo o vinho da taça, Hector se vira para Likgar e responde calmamente:

—Não. É assim que eu serei um bom rei!

Após o fim das palavras frias de Hector outro elfo negro adentra a tenda.

—O que houve agora? – Perguntou Hector impaciente.

—Um mensageiro do Reino das Fadas acabou de chegar. – Falou o elfo negro. – Ele disse que encontrou algo que vossa alteza deseja muito.

—“Reino das Fadas”? – Perguntou Hector.

—Sim, vossa alteza.

Hector coloca a taça na mesa e sai às pressas da tenda. Leonhard olha para Likgar que também o encarava. O orc se senta na cadeira ao lado da mesa e encara o mapa. Leonhard sai da tenda e a luz do sol toca a sua pele e faz seus olhos arderem, fazendo com que consiga olhar no claro.

Logo a diante Hector olhava para um garoto de joelhos, que aparentava ser uma criança. Suas vestes eram verdes com um capuz enquanto as suas costas possuíam asas que oscilavam a luz do sol, em sua cintura havia uma aljava de flechas, no chão, ao seu lado, estava um arco e em suas mãos que erguiam para Hector possuía uma espada.

—O rei Hyrtacus manda esse presente como forma do acordo selado entre o rei Hector e o rei Hyrtacus. – Anunciou o garoto com cabeça agachada, olhando para o chão.

Hector se dá ao luxo de abrir um sorriso malicioso e pega a espada das mãos do garoto. Então ele tira a espada da bainha, ergue-a com a mão e a contempla.

Leonhard percebeu que aquela espada era diferente de todas as outras que já tinha visto em sua vida antes do seu aprisionamento. A espada possuía aço negro e uma escritura no começo da lâmina brilha em vermelho.

—Finalmente... – Disse Hector olhando fixamente para a espada. – Finalmente! Finalmente o encontrei meu irmão!

Leonhard pode perceber alguns elfos negros chegarem para ver a espada. Dois deles comentaram:

—É a Desejo Mortal?

—Creio que sim! – Respondeu o outro elfo negro.

Hector então percebe que o garoto de asas oscilantes ainda estava de joelhos.

—Levante-se! – Ordenou Hector.

O garoto fez como ordenado e pela primeira vez, olhou nos olhos de Hector.

—Como se chama? – Perguntou Hector.

—Meu nome é Azafhë, vossa alteza. – Respondeu o garoto chamado Azafhë.

Azafhë possuía pele morena, cabelos pretos que eram curtos e seus olhos eram castanhos escuros. Leonhard não viu, mas ao se levantar Azafhë pegou o seu arco que estava ao seu lado no chão.

—Ótimo Azafhë, quero que você diga ao seu rei que sou eternamente grato. – Hector deu um sorriso malicioso. – Diga a ele que não irei atacar o Reino das Fadas como prometido.

—Sim, vossa alteza. – Falou Azafhë. – Irei dizer!

—Pode ir. – Disse Hector fazendo um gesto com a mão.

Azafhë faz uma reverência e deu as costas para Hector para finalmente sair do acampamento até dar alguns passos e Hector perguntar:

—Só por um resquício de curiosidade e educação, lhe devo perguntar: o que houve com o guerreiro que portava essa espada?

Azafhë se vira novamente para Hector e responde:

—O rei envenenou o guerreiro, vossa alteza. A filha do rei, Brielly, pegou o corpo e fugiu do reino. Não tem como sabemos se ele foi morto ou não.

—E o que ele foi fazer no Reino das Fadas? – Perguntou Hector curioso.

—Ele estava juntamente com a princesa Luna e a filha do rei para tratar com vossa alteza algo que não foi esclarecido pelo próprio.

—Então o rei das fadas não contou nada? – Perguntou Hector olhando fixamente para os olhos de Azafhë como se quisesse buscar a verdade.

—Não, vossa alteza. – Respondeu Azafhë.

Hector continuou olhando para o mensageiro até que ordenou:

—Pode ir.

Azafhë fez outra reverência e foi embora.

—Você! – Chamou Hector, apontando para um orc de passagem.

O orc se aproximou de Hector.

—Diga para Likgar reunir todos os orc urgentemente e diga para ele comparecer também. – Disse Hector em tom baixo. — Ele tem um assunto importante para compartilhar com todos os outros.

—Sim, vossa alteza. – Falou o orc.

Logo em seguida Hector dá as costas para Leonhard e parte deixando o demônio olhando a sua ida.

O orc entra na tenda na qual estava e Leonhard observa até Likgar sair da tenda, passando diretamente pelo demônio sem dizer uma palavra.

Pouco tempo depois todos os orcs estavam reunidos olhando para uma grande pedra na qual Leonhard estava ao lado de Likgar. Todo o exército do velho orc estava lá, cochichando entre si ou olhando para o demônio diante deles.

Hector finalmente chega na pedra próximo a Leonhard e o silêncio reina. Ele continuava com a mesma vestimenta, apenas havia colocado a espada com aço negro em sua cintura.

—Tenho algo para dizer para vocês! – Anuncia Hector para a multidão de orcs, depois ele olha para Likgar e fala: — Se aproxime!

O velho orc vai ao encontro de Hector com cautela. Ao chegar lá Hector se vira para o exército e diz:

—Esse foi o mago que retirou o demônio Leonhard e creio que o demônio seja extremamente grato por isso. – Hector retira a espada da bainha revelando o aço negro. – Mas creio que ele seria mais grato ao homem que matará o mago no qual ele é escravo.

Com um único golpe, Hector desce a espada no pescoço de Likgar e a cabeça do velho orc rodopia no ar e cai aos pés de um orc que assistia tudo. O corpo do orc cai na pedra e sangue começa a jorrar de onde havia uma cabeça, transformando a pedra cinza em vermelha.

Em seguida Hector crava a espada na pedra e olha atentamente para todos os orcs ali presente, abre os braços e diz:

—SE VOCES NÃO ENTEDERAM, EU SOU O SEU REI! – O grito de Hector era estridente e ecoava por todos os lados. – E QUEM NEGAR A MIM COMO REI MATAREI SEM MISÉRICORDIA!

Nenhum orc ousou falar alguma coisa. Todos ficaram olhando com pavor a cena, tentando entender o que acabara de acontecer.

Hector olhou para Leonhard, deu as costas para o exército de orcs e foi embora novamente sem dizer uma palavra. A espada continuava ali, cravada na pedra enquanto sangue escorria pela sua lâmina negra.