Ruínas

1 Prólogo


TYTHON, TEMPLO UCHIHA

970 ABY

O mundo se despedaçou em som e fúria dentro dos sagrados salões do Templo Uchiha.

Sasuke fora arremessado da cama em seu pequeno quarto no dormitório dos jovens aprendizes, o impacto seco contra o chão de pedra roubando-lhe o ar dos pulmões. A poeira e a fumaça, antes um cheiro distante de treinamento, agora lhe irritavam as pálpebras, transformando os corredores familiares em um labirinto turvo e perigoso. Gritos ecoavam por toda parte — algumas vozes familiares de seus companheiros Padawans —, mas gradualmente um silêncio sinistro começou a engolir os lamentos, como se a própria vida estivesse sendo sugada do templo. Seu primeiro pensamento, cortando o pânico como um raio tênue de esperança, foi Itachi. Onde estaria seu irmão no meio daquele caos?

Momentos antes, na quietude relativa de seus aposentos compartilhados, Itachi lhe dera um amuleto — um pequeno pedaço de madeira escura com o símbolo intrincado de seu clã, um pedido silencioso e urgente em seus olhos geralmente tão impassíveis. "Mantenha isso seguro, Sasuke", instruíra com um tom sombrio. Mas conforme Sasuke, com o amuleto apertado na mão como um talismã frágil, cambaleava pelos corredores em ruínas, o silêncio se tornava mais profundo, interrompido apenas pelo crepitar das chamas. Então, através da névoa rarefeita, ele começou a ver. Formas escuras e imóveis jaziam espalhadas pelo chão: amigos, mestres... onde antes ressoava o som de outros agora havia uma presença fria e inegável. Ele chamou o nome de Itachi, um sussurro trêmulo no silêncio.

Nee'ta?

A voz de Sasuke era um fio de som perdido no fogo que lambia as tapeçarias e engolia os pilares de madeira. Ele tropeçou sobre um sabre de luz caído, a lâmina inerte fria ao toque. Não era o de Itachi. Seus olhos percorreram o salão em ruínas, buscando a figura familiar de cabelos longos e escuros. Cada corpo imóvel era um golpe em seu coração infantil, cada rosto sombreado pela fuligem um medo de confirmação. O amuleto em sua mão era sua única âncora, a madeira quente contrastando com o frio que se instalava em seu peito. Ele o apertou com força contra o peito, como se pudesse extrair dele a segurança que as palavras de Itachi não haviam conseguido prever.

Em meio à fumaça dançante, perto do que restava da entrada principal, Sasuke vislumbrou algo. Uma figura alta, envolta em sombras, movendo-se com uma velocidade estranha em direção ao exterior. Por um breve instante, a luz oscilante revelou um brilho metálico em suas mãos — não um sabre de luz, mas algo mais sinistro e letal —, deslizando com uma precisão quase etérea pelos corredores destruídos. Ele ignorou os corpos caídos, seu foco fixo em algo além da destruição que desapareceu na noite sem sequer olhar para trás.

O silêncio que se seguiu à partida da figura era ainda mais opressor, carregado do peso da perda e do medo do desconhecido. O pequeno Sasuke, outrora esperto e corajoso, sentiu o sentiu a garganta fechar, de repente incapaz de controlar a tremedeira dos lábios.

Nee'ta! — gritou, a voz rouca e embargada pelas lágrimas que começavam a escorrer pelas bochechas sujas de fuligem.

Ele se arrastou pelos salões destruídos, tropeçando em escombros, chamando incessantemente pelo nome de seu irmão. Cada corpo que ele virava, cada rosto coberto de poeira, trazia uma nova onda de terror. Não era Itachi. Não era Itachi. A repetição ecoava em sua mente como um mantra de desespero. O amuleto permanecia firme entre seus dedos, pressionado contra o peito como um escudo.

Ele encontrou mais jovens Padawans, seus rostos pálidos e inexpressivos, seus pequenos corpos inertes em meio aos destroços. Mestres Jedi, antes figuras imponentes e sábias, agora jaziam caídos, seus sabres de luz apagados, a Força que os animava silenciada. A magnitude da destruição começava a atingir a mente infantil de Sasuke, uma compreensão lenta e dolorosa de que algo irreparável havia acontecido. O Templo Uchiha, seu lar, seu santuário, estava reduzido a ruínas fumegantes, e todos... todos se foram?

A esperança, teimosa em seu pequeno coração, ainda o impelia a procurar. Ele rastejou sob vigas caídas, desviou de blocos de pedra incandescente, o amuleto firmemente agarrado em sua mão, aquecendo sua palma fria. Sasuke procurou em cada canto, em cada câmara que ainda permanecia minimamente intacta, chamando, sussurrando, implorando pelo nome de seu irmão. A exaustão começou a pesar sobre seu corpo pequeno, seus membros doíam, seus olhos ardiam da fumaça e das lágrimas. A realidade fria e implacável de sua ausência começava a se infiltrar em sua mente, esmagando a tênue chama da esperança. O amuleto era agora a última ligação física com Itachi.

Em um antigo salão de treinamento, agora um campo de destroços, Sasuke vacilou e caiu, suas pernas exaustas não mais capazes de sustentá-lo. Ele se deitou ali, a poeira fria sob seu rosto, o cheiro acre da destruição preenchendo seus pulmões, o amuleto ainda apertado contra o peito. Seus olhos percorreram as ruínas, a luz oscilante das chamas projetando sombras dançantes que pareciam zombar de sua solidão.

Nee'ta... — Foi apenas um sussurro fraco antes que a escuridão o envolvesse, a exaustão física e emocional finalmente cobrando seu preço.

Ele não soube quanto tempo ficou ali, perdido na escuridão do próprio sono. Quando seus olhos finalmente se abriram, a fumaça ainda pairava no ar, mas a intensidade das chamas havia diminuído. Ele sentiu um movimento suave, um balanço constante. Tentou se mover, mas seus membros estavam pesados e doloridos. Acima dele, rostos borrados e preocupados o observavam. Ele estava sendo carregado, o amuleto ainda firmemente preso em sua mão, pressionado contra seu peito como um tesouro perdido reencontrado. Vozes sussurravam em um tom suave e reconfortante, palavras que ele não conseguia processar completamente. Ele tentou falar, sua garganta áspera e seca, mas apenas um gemido fraco escapou de seus lábios. Seus olhos se fecharam novamente, a sensação de ser carregado e o toque familiar do amuleto as únicas certezas em meio à confusão persistente.

"Esse é o caminho, estrelinha"

A voz de Itachi ecoou mais uma vez em sua mente, tão viva que por um instante fez Sasuke tentar abrir os olhos completamente, procurando-o ao redor, mas seus sentidos adormeceram, levando-o para um lugar da galáxia onde o fogo era domesticado e a Força jamais se extinguia.

Notas finais
- ABY: antes da batalha de yavin - Nee'ta: adaptação de "nii-chan". ————————————— olá! voltando a escrever depois de um tempo, e estive/estou muito inspirada em escrever no universo de star wars. sou fã desde criança, escrevo e invento histórias desde então, e decidi misturar com outro universo que adoro, naruto. bom, a história já está planejada e etc, então a escrita de capítulos está encaminhada, dependendo um pouco de como isso vai ser recebido. pretendo postar quinzenalmente, pelo menos no início, mas quero voltar com o capítulo um o mais rápido possível, então deixe-me saber se gostou! se você se interessou: bem-vindo! seja por naruto ou star wars, fique à vontade! inclusive para tirar dúvidas, se for o caso. também estou aqui para fazer amizades :) vejo vocês nos comentários e no próximo capítulo! até <3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.