Rpg de Naruto - Hozuki Seki
1 Prologo
Notas iniciais
— Seki-kun, Ta na hora de acordar.
— Mas eu tô com sono mãe.
— Já é hora de ir para a escola. – Ela respondeu.
Olhei ao redor, o quarto estava uma bagunça, minhas roupas de ontem jogadas no chão e os cadernos espalhados pela escrivaninha, a porta estava chaveada, e a mamãe batia novamente
— Não vai levantar?
— Já acordei, vou me arrumar. – O som que se sucedeu era o da minha mãe indo para cozinha fazer café.
Levantei a catei as roupas pelo chão, joguei todas na última porta do armário, onde eu costumava, sem a mamãe saber, deixar minhas roupas sujas quando tinha preguiça de levar elas até o cesto. Peguei uma calça jeans cinza e uma camisa azul com o símbolo do nosso clã nas costas. Peguei a mochila e joguei os cadernos referentes as matérias do dia ali dentro, pulei pela janela e fui para cozinha, entrei pela porta da frente com um olhar orgulhoso.
— Seu café está pronto. – A mãe disse
Parei em frente à mesa e peguei minha xicara de café, tomei todo ele bem rápido e depois coloquei na pia, peguei o pão dei uma mordida e fui indo em direção a porta.
— Já estou indo.
— Tudo bem, não se meta em confusões. – Ela alertou.
Fui o caminho com calma, ainda tinha tempo, enquanto comia meu pão e descia a colina e olhava o vilarejo, nós morávamos em uma pequena vila no país das flores (Fora do continente ninja) era um lugar bonito e pacato a olho nu, mas se fosse por mim nós já teríamos saído daqui a muito tempo, minha mãe contava que ela decidiu se mudar pra cá quando meu pai morreu tragicamente em uma batalha pela vila da névoa, na vila onde nós morávamos éramos os únicos ninjas, o que de nenhum ponto de vista era visto como bom. Na escola, as crianças me odiavam, na rua, me olhavam estranho, mulheres muitas vezes, escondiam suas crianças enquanto eu passava, e não tinha como esconder quem eu era, minha pele era levemente azulada, meu cabelo era branco e meus dentes pontudos, além de já me conhecerem, muitas vezes fui chamado de demônio ou de monstro sem fazer nada, uma vez, vi dois garotos na escola importunando uma menina, e quando fui protege-la eles reclamaram pra professora que eu tinha os atacado, é claro que eu fui severamente punido por bater nos coleguinhas que eu nem mesmo pus a mão. Nossa casa ficava separada do vilarejo no cume de um monte, então eu acabava demorando um pouco a mais para chegar, a vista era bela, podia ver no horizonte da cidade todos os dias o sol nascendo, e nos fundos da casa o pôr do sol. Quando cheguei na aula já tinha terminado de tomar café. Parei no bebedouro para tomar um pouco d’agua antes de ir para sala, algumas alunas passavam pelo outro lado do corredor com medo, alguns alunos passavam com cara de mal encarados, e eu, bom, eu estava tomando água. Na sala, eu me sentava bem na frente, pros professores ficarem de olho em mim, sentei no meu lugar, peguei meu livro e comecei a folhar, era comum que eu folhasse o livro antes da aula pra parecer estudioso, a verdade, é que eu não tinha nada pra fazer, e geralmente chegava um pouco mais cedo do que o início das lições, os alunos foram chegando, e a única que importa na história que estou contando era a Yokoi-San, a menina que sentava ao meu lado, ela parecia ser a única a não se importar com o que falavam de mim, e com quem eu era, por isso, geralmente os trabalhos em dupla eu acabava fazendo com ela, e ela sempre falava pra eu me focar nos estudos quando me perdia em brincadeiras estranhas durante a aula.
O dia correu normalmente, na aula de educação física eu botei pra fora toda minha vontade de fazer exercícios e passei ela inteira sentado contando folhas caídas da arvore, no almoço comi o bento preparado pela minha mãe, e na saída fui pra casa correndo pra dar tempo de assistir One Piece que passava na televisão nesse horário, como de costume, quando eu cheguei em casa estava sozinho, minha mãe trabalhava a tarde como empregada de uma loja de doces na vila, tinha sido muito difícil pra ela conseguir esse emprego, mas a dona da loja, era uma senhora muito boa, e também não se importava com nossa linhagem.
Depois de fazer tudo que era de costume ser feito a tarde desci na vila para ajudar minha mãe, todos os dias, ela tinha que carregar diversas caixas para o estoque da loja, e como eu não fazia nada eu gostava de ajudar, não era muita ajuda, mas só de ter alguém para conversar com ela, já era bom. Movemos as caixas e voltamos para casa, naquela noite jantamos macarrão com queijo, meu prato favorito, e olhamos filmes na sala até a hora de dormir, o sono veio fácil, e com o sono os sonhos. Sonhei que brigava com um garoto, ele tinha me insultado e eu tinha explodido em raiva, nunca havia acontecido, mas naquele momento tudo que eu queria era encher ele de porrada, ele veio me dar um soco, e eu me deixei acertar, com o corpo liquefeito, assustado com a consequência ele tentou recuar, mas eu logo desferi uma porrada em sua cara, e depois mais outra, ele deu um passo pra trás e eu reconstitui minha barriga, comecei a bater nele, quando diversas pessoas vieram nos cercar, todas gritando e xingando, eu não sabia por que aquilo estava acontecendo até ser acordado.
— SEKI, ACORDA. – Minha mãe batia desesperadamente na porta
— Que foi? Que foi? – Perguntei – Ainda é noite. – Enquanto levantava para abrir a porta.
— Eles vieram nos pegar – Ela falou com a voz assustada – Vamos, arrume suas coisas, coloque suas roupas na mochila, temos que correr.
— Espera, do que você está falando, que história é essa de nos pegar?
— Faça o que eu estou dizendo filho. – Enquanto falava ela corria para o próprio quarto, acho que indo colocar suas roupas em uma mochila, não a minha, outra.
Fiz o que ela mandou, enchi a mochila de roupas, e corri para geladeira para pegar comida, coloquei todos os doces e salgadinhos que tinham em casa ali dentro, eu não precisaria de muitas roupas, 2 pares completos seria mais que o suficiente, agora comida, comida sim é necessário. Comecei a escutar alguns barulhos vindo de fora da casa, e uma estranha gritaria que não era comum se ouvir do topo do monte.
— Vamos. – Minha mãe chamou na porta dos fundos da casa, e eu acatei. Começamos a correr morro a baixo adentrando a floresta.
— Por que vieram atrás de nós? – Não fazia sentido, os moradores da vila na maioria tinham medo de nós, e não tínhamos cometido nenhum crime para atrair atenção do exército.
— Por que nós somos poderosos demais filho. – Ela respondeu – Nesse mundo, as pessoas não aceitam viver em conjunto com quem é diferente, tem medo que um dia nos rebelemos e ataquemos eles, é assim hoje, e sempre vai ser.
— Mas nós não fizemos nada.
— E não precisamos, devem ter se sentido ameaçados, ou cansado dos problemas que “nós” causamos.
— Eu não entendo.
— Quando for grande você vai ver, que o mundo não é tão bonito quanto dizem.
Eles estavam nos alcançando, cerca de 20 homens com espadas e lanças descendo a colina, me virei para ver eles vindo e acabei tropeçando e rolando no chão, minha mãe parou ao meu lado.
— Vá, e não olhe para trás, eu vou cuidar deles. – Ela disse
— Mas e você?
— Vá. – Ordenou – E não olhe para trás não importando o que escutar.
Me levantei e corri, corri por alguns segundos até ouvir um grito lá atrás, desobedeci a segunda ordem e me virei, vi todos aqueles homens investindo contra minha mãe e ela roubando a espada de um e usando para empalar todos, seus movimentos eram muito mais rápidos e infinitamente superiores, eles não tinham chances, em segundos ela já tinha derrubado a metade, mas mais homens desciam pela montanha para batalhar, corri até perder a vista. Pelas minhas contas aquilo era uma chacina, a realidade me bateu, ver minha mãe lutando e matando todos aqueles homens me fez acreditar que talvez todos estivessem certos, mesmo que fosse para me proteger, eles eram homens adultos, provavelmente pais, ou maridos, quantas famílias iam chorar no próximo dia para que eu pudesse continuar respirando? Escalei uma arvore cansado e me sentei em um galho, abracei minha mochila e comecei a chorar, não sabia por que estava chorando, mas as lagrimas escorriam sem parar, alguns minutos depois vi minha mãe se aproximando com uma roupa diferente.
— Encontrei você. – Ela falou e pulou ao meu lado no galho. – Pode ficar calmo, vai dar tudo certo, despistei eles. – Ela estava mentindo, eu havia visto o que ela tinha feito.
— Voc... Você... – Falei, mas não conseguia continuar, minha mente estava totalmente confusa
— Tudo vai ficar bem. – Ela me abraçou – Tudo vai ficar bem.
Nas próximas semanas andamos pela floresta, comendo meus doces e salgados e mais algumas coisas que ela tinha trazido, fugimos para oeste até encontrarmos uma cidadezinha antes de entrarmos minha mãe me maquiou e maquiou a si mesma para nossa pele não chamar atenção, ela conseguiu um quarto em uma pousada, eu não sei como, já que não tínhamos dinheiro, e ficamos dormindo nela até que em uma semana ela começou a namorar com um cara, seu nome era Hisoka, ele era um homem acima do peso e mal educado, era o dono da pousada, nos visitava todos os dias, para falar com minha mãe, enquanto ele estava em casa, ela sempre me pedia que ficasse no quarto e estudasse, pois em breve eu voltaria pra escola, isso durou um mês, num dos dias, ela me pegou brincando com o corpo, fazendo meu dedo atravessar a mão e mandou que não fizesse mais aquilo, sem explicação alguma, só voltei a fazer duas semanas depois quando acordei na noite com um grito.
Meu quarto ficava em um corredor que dava na cozinha, a porta não trancava, mas eu a prendia com graveto pra que ela não abrisse com o vento da janela a noite, abri lentamente e fui em direção a cozinha e tive uma das visões mais horrendas que uma criança pode ver, o cara estava de pé em frente a minha mãe, sentada em sua frente com as mãos no rosto aos prantos, com uma cinta na mão, ele batia nela diversas vezes, o que aquele idiota estava fazendo? E por que ela não se defendia, eu tinha visto ela lutar contra mais de 20 homens e aceitava as cintadas em silêncio, aquilo me enfureceu e eu parti pra cima dele.
— Nãããão. – Minha mãe gritou, mas eu ignorei, segui na direção dele pra socar suas costas, ele se virou pra mim pra bater com a cinta em meu rosto, me liquefiz e deixei acertar, logo após soquei sua barriga gorda, o efeito foi quase nulo, exceto pela seu rosto virando vermelho como um tomate vibrando em fúria
— O que vocês são? – Ele gritou cheio de raiva. – Seus monstros. Enquanto falava ele caminhava em direção a porta de costas extremamente chocado, fui pra frente da minha mãe. Que acho que estava abalada demais pra fazer qualquer coisa, o choro dela ecoava na minha mente.
— Vocês estão fudidos seus demônios, eu vou acabar com vocês. – E saiu pela porta.
— Vamos mãe, temos que sair daqui. – Eu sabia que tínhamos que fugir, era meu instinto falando. Não adiantou, hoje em dia eu diria que se colocar naquela situação de aceitar apanhar de um homem, ser amante dele, objeto sexual, só pra proteger e dar uma vida normal ao filho feriu o psicológico dela. Fui pro quarto e comecei a arrumar as malas, coloquei minhas roupas na mochila, e alguma comida também, quando eu estava preparando a mochila dela ouvi barulhos na porta, saí do quarto e fui ver o que estava acontecendo, um homem estranho estava agarrando ela pela camisa e mantendo-a suspensa no ar, os olhos dela estavam assustados, eu estava prestes a atacar quando ele espalhou choque pelo corpo dela, nossa fraqueza, a dor dela foi enorme, se contorceu no braço dele, que sem piedade bateu seu corpo contra o chão.
— Onde está o menino? – Ele perguntou mantendo a carga elétrica para impossibilitar qualquer ação dela.
— E... Es... Eu nunga vou de diszer.
— Então aqui será seu fim. – Ameaçou
— Não imborda, pode me madar, mas vozce nungca vai pegar meu vilho.
Ele aumentou o raiton nela.
— Diga onde ele está.
Ela não falou mais nada.
Ele se irritou.
Ela continuou chorando.
Ele a desmaiou.
Ele a atacou.
Ela morreu.
Eu chorei.
Pensei que aquele segundo nunca fosse acabar, ver ele cortando a cabeça dela deu uma pontada no meu peito, minhas pernas tremeram e meu coração acelerou, meus olhos se encheram de lágrimas e meu corpo inteiro de fúria, o pior era saber que eu não podia fazer nada, pensei em ir pra cima dele, logo reconsiderei, não ia adiantar nada, olhei pra ele mais uma vez, gravei seu rosto, peguei minha mala e saí pela janela, pulei do segundo andar, só notei que havia machucado as pernas muito longe dali, fugi por dias, a imagem do que aconteceu não saia da minha cabeça, e as poucas horas que eu dormia em alguma arvore eu tinha pesadelos que não eram nada mais que reviver aquele momento, logo no quarto dia minha comida já tinha acabado, a dor, o cansaço e a fome já me dominavam, eu já não aguantava mais aquilo tudo, caminhava sem rumo pelas trilhas que encontrava, não cruzei por uma alma viva até ver uma choupana em uma clareira adjacente a rota que cruzava a floresta, me dirigi até lá, havia fumaça saindo da chaminé. Bati na porta. Levou 2 minutos até que alguém atendesse, era homem de uns 40 anos, cabelos castanhos, uma barba rala mal feita algumas cicatrizes e óculos, ele fumava um cigarro quando abriu a porta.
— Posso ajudar menininho? – Ele perguntou.
— C... Comida.
— Tenho, pode entrar. – Foi sua resposta.
O homem era Jin Toujou. Jin-san é um ex ninja que largou essa vida e agora tinha decido se mudar para uma mais calma em uma cabana na floresta, pois segundo ele, não há nada melhor do que a liberdade de poder não fazer nada, ao menos, tudo isso foi o que ele me disse enquanto me via comer um pão logo depois que entrei.
— E então, contei minha história, sua vez de contar a sua.
— Eu estou fugindo. – Respondi
— Fugindo do que? Você parece ser novo.
Não respondi
— Bom, podemos conversar depois, pode se alimentar, toda essa comida é pra mim e iria apodrecer antes que eu pudesse comer.
Ele me deixou só, mais tarde contei para ele sobre o que me havia acontecido, ele me ofereceu que parasse de fugir e ficasse ali, disse que poderia me proteger e cuidar de mim, eu aceitei.
Por dois anos nós vivemos ali, com o tempo eu me adaptei e aprendi a viver sem minha mãe, Jin-san se tornou como um pai pra mim, me ensinou o caminho da espada, me ensinou a arranjar comida, ensinou como lançar uma shuriken, me disse que eu tinha talento, e me trouxe para Konoha, onde já estamos vivendo já faz um ano, ele me mostrou que os ninjas não eram a abominação que eu havia visto, que era uma profissão, e que ninjas viviam muitas aventuras, o que me atraiu de verdade, foi por isso que decidi me tornar um. Hoje eu termino minha academia ninja (fiz só o último ano, já sabia de muita coisa). Vou conhecer minha equipe, ganhar um sensei, treinar, ficar mais forte e construir meu sonho!
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