Royalty G

2 Capítulo Segundo.


O antigo Ser Supremo, que controlava o Planeta e que o dizimara há séculos atrás, fora também recriado por Yuna. Vários animais que na Terra existiam antigamente também foram recriados.

Eis que o tempo distanciava a época da recriação do Planeta até a atualidade em mais ou menos treze anos. Em meio à um bosque, corria um cordeiro, sozinho, como se procurasse por algo. Era desengonçado nos passos, então batia ora numa árvore, ora numa pedra enquanto corria por seu objetivo.
Depois de alguns minutos de corrida e alguns hematomas na cabeça, sente uma presença estranha, vindo de uma parte aberta do bosque. Aproximou-se, então, com cuidado e encontrou lá um lobo que, faminto, devorava carne morta de algum animal caída ao chão. Sua presença maligna e sua intenção assassina eram tão fortes que qualquer animal a uma distância de sessenta metros fugiria amedrontado.
O Lobo não percebeu o Cordeiro que, quieto, ali vigiava. Sua fome merecia mais atenção.

▬ Gostosa? A carne. — perguntou, subitamente, o Cordeiro, revelando-se então. Na mesma hora, o Lobo parou de alimentar-se e sorriu maliciosamente, mas sem virar-se.
▬ Deliciosa. Melhor impossível, aliás. — responde o animal, voltando então a comer. Sua fome parecia ser insaciável.

▬ Sabe que somos pacíficos. Gostaríamos de poder resolver isso com as palavras, mas com essas suas atitudes... — o Cordeiro se aproximava, devagar.
▬ Que atitudes? Estou apenas me alimentando.
▬ Atitude de ter a coragem de comer carne mundana mesmo tendo sido exilado por nosso irmão! — exclama o animal. O Lobo, agora com a paciência esgotada, vira-se para o Cordeiro, rosnando.
▬ Que exílio?
Apesar de ser fisicamente mais fraco que o Lobo, o Cordeiro não treme ou se amedronta. Pelo contrário, dá mais um passo à frente
▬ Imponente, inconsequente... Laia de Solay. — murmura o Lobo, agora prestes a atacar. É surpreendido, então, ao ver um fluxo forte e brilhante de energia circular todo o Cordeiro, transformando teu corpo no de um Homo Sapiens, coberto por um manto de tecido branco, com poucos detalhes. Duas grandes asas, como as de um pássaro, surgiram por suas costas, rasgando o pano no local.
▬ Não me admira ter acertado. — diz, então, Solay, ainda encarando o Lobo.

Permanecem os dois em silêncio por algum tempo. A sensação de uma nova presença ali começa a perturbar o Lobo, que então solta um último rosnado e vai embora, correndo. Solay continuou ali em pé, por alguns segundos, até receber a companhia de sua irmã que ali chegava. Tinha a pele negra, cabelos brancos e curtos, e os seios e quadril cobertos por pano vermelho.

▬ Ele sentiu tua presença de longe, Yuna. — murmura Solay, sem ao menos se mover. A outra sorri.
▬ Ele é um impecilho. Me amedronta saber que sua esposa está aí à solta.
▬ Onde estão os outros?
▬ Por aí. Só Daichi que está a conversar com nossa Mãe.
Solay assustou-se com a informação e virou-se bruscamente de frente à irmã.

▬ Ele pode fazer isso? — pergunta, dando dois passos em direção á Yuna, intrigada com a dúvida do irmão.
▬ Claro, e eu também posso.
Solay parou. Baixou a cabeça, sem dizer mais nada, virou-se e foi-se embora. Yuna, vendo a cena, suspirou e voltou pelo mesmo caminho de onde viera.

Não era digno de visitar a Mãe? Qual era a diferença entre ele e Daichi? Aquela foi a primeira vez que Solay sentiu desafeto por parte de tua Mãe. Mas, acima de tudo, queria acreditar que havia um motivo para aquilo.
Em seu caminho, encontrou Hiei brincando com alguns gatos perto de um riacho. O garoto logo o notou, e fechou a cara. "Pobre criança", pensou o Deus do Sol, e continuou a caminhar.
Em seu caminho, encontrou um cervo brincando com uma pedra. O cervo logo o notou, e como podia, sorriu, se aproximando do Deus do Sol.

▬ És sortudo. — exclama Solay para o veado, acariciando sua cabeça. O animal parecia entender, apesar de não esboçar reação. Logo outro cervo apareceu. Era menor, e saía do bosque. O primeiro foi então, agilmente, em sua direção, e entraram os dois no bosque novamente. Solay não se atreveu a fazer nada além de sorrir e continuar a caminhar.
Em seu caminho, encontrou um urso, que dormia. Era maior que uma grande rocha. Tornou, então, seu corpo menor, subiu sobre o urso e ali descansou pela tarde.

▬ Você é azarada de topar logo comigo.
O Sol iluminava forte a paisagem. Alguns montes, revestidos de grama, algumas árvores logo ao leste e ali, Yuna e Pandora.
▬ Sortuda, quis dizer. Assim que assassinar você, toda e qualquer criatura viva desse Planeta estará vulnerável perante mim. — murmura Pandora, aproximando-se da oponente. Yuna, então, estica os braços, entrando em posição de batalha. Subitamente, duas espadas aparecem, cada uma em uma mão.
▬ Então vou lhe mostrar a minha dança. — diz a Deusa.

Começa, então, a se mover em direção à Pandora, ágil, com saltos, escorregos, e corridas. A cada movimento, seu corpo é acompanhado por um fluxo de energia, rosa, que parece ajudá-la em sua flexibilidade, e seu corpo dança e flutua em direção à oponente, com ataques horizontais e diagonais, seguidos de uma esquiva, cada um, e seu corpo ascende, formando o nascimento de flores por onde passa, e seu corpo, ágil, não permite que Pandora faça outra coisa além de desviar e sentir raiva vendo aquela beleza em combate, e seu corpo permanece em ataque por dois minutos, mostrando então alguns arranhões pelo corpo de Pandora, que não sangra, mas apenas sente aquela dor fria e agonizante causada pela beleza daquela Luz.

▬ Achei que fosse ao menos tentar fazer algo além de só se esquivar. — diz Yuna, sorrindo, mas sem encarar a oponente. Insulto esse bem recebido por Pandora que, num salto ágil e sobre-divino de ira e fúria, aparece por trás da Deusa Dançarina, que não teve a capacidade nem mesmo de acompanhar tal movimento com os olhos. Então, um chute, forte, rápido, e frio, cujo impacto pôde ser ouvido até por alguns animais a alguns metros dali.

Pandora enraiveceu-se mais ainda ao perceber que não atingira o corpo da oponente, mas sim sua espada, que fora utilizada como aparo. Ainda assim, Yuna é jogada um pouco longe, e Pandora logo voa novamente pra cima da inimiga que, surpreendida, só pode se esquivar ou defender com as espadas cada soco e chute que vinha em sua direção.

Mas acima de tudo, tratando-se de agilidade, Yuna era realmente melhor. Um único vacilo, num tempo de milissegundos, foi o suficiente para que Yuna desaparecesse dali e saísse daquela posição. Pandora, no mesmo instante, marcou a direção da esquiva de Yuna, mas não fez nada além disso.

▬ Você até que resistiu bem. — exclamou Pandora, virando-se de frente para Yuna. Logo percebeu uma nova figura, que se aproximava em meio às árvores. Era Paloma, com seus grandes e verdes cabelos, corpo coberto por um sobretudo branco.

▬ Olá, irmã. — diz Yuna, sem virar-se, apenas sorrindo. Paloma não responde, apenas encara Pandora, meio escondida por trás da árvore, como se tivesse medo. Pandora logo a considerou como uma virgem inútil. Por um segundo, concentrou-se demais em Paloma, oportunidade essa que Yuna aproveitou com gosto. Com um impulso, correu até a inimiga, alcançando-a em menos de meio segundo, e no tempo restante até que Pandora pudesse ao menos pensar em desviar, aplicou-lhe um golpe, com a perna direita, bem em sua barriga, jogando-a para trás como folha que vai-se ao vento. Percebeu, também, que uma certa energia vinha da direção de Paloma, e com ela, a certeza do que fazer.

Numa velocidade absurda, correu para trás de Pandora e então chutou-a novamente nas costas, mandando-a direto para a direção de Paloma. O plano era acertar Pandora com um raio do tempo, para que se tornasse mais jovem, e menos experiente, logo mais fácil de se lidar.

Paloma sorri então, e lança seu raio do tempo, super carregado, em direção à Pandora que, no último instante, desperta duas grandes asas, parecidas com tecido velho, e consegue desviar o suficiente para não ser pega pelo raio, que agora vai em direção à Yuna. Ela, ágil e esperta, desvia também, por pouco.

Paloma, observando a cena, sentiu-se distante das duas, como uma súdita, que via sua rainha, longe, em seu trono. Sabia que, se estivesse no lugar de Pandora ou de sua irmã, não seria capaz nem mesmo de perceber que deveria desviar de algo. Percebeu que suas habilidades eram pouco perto daquelas duas e, então, sentiu também medo. Antes que alguma das duas pudesse perceber, foi-se embora, correndo.

Yuna perde Pandora de vista; aparentemente, fugiu. Bate então levemente no próprio corpo, para limpar algumas manchas e acariciar alguns machucados. Suas espadas somem, numa fumaça rosa que logo se dissipa, e então a mulher senta-se ao chão. Uma sensação de alívio, conforto e grandeza toma seu coração, visto que pôde até mesmo causar dano àquela responsável pela destruição do mundo há muito tempo atrás. Isso, para Yuna, era simplesmente... Gratificante para consigo mesma.

▬ Yuna? — uma voz surpreende a Deusa que, assustada, vira-se para ver quem a chamava. Era um garoto. Tinha cabelos vermelhos, e usava um sobretudo branco pelo corpo muitas vezes maior que ele mesmo. Yuna, então, assusta-se. — O que houve comigo?

▬ Acho que você foi pego... Pelo raio de tempo de Paloma, irmão...

Era Solay. Os dois ficam ali, a se encarar, enquanto um vento forte escorre pelos seus corpos e a luz do Sol, também forte, ofusca um pouco suas visões. A situação não parecia ser complicada, até Paloma lhes dizer que a energia empregada em tal ataque fora tão grande que chegava a ser irreversível. ~

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.