Royalty - A Realeza
11 Capítulo10 - John e Rider
Notas iniciais
Quando as portas do elevador se abriram, de lá saíram dois adolescentes.
Um era baixinho, por volta de 1,65. Tinha cabelos castanhos escuros e longos que estavam amarrados em um pequeno rabo de cavalo, sendo que algumas mechas fugiam e caiam nas laterais de seu rosto fino, fazendo que ele de tempos em tempos as colocasse atrás da orelha. Seus olhos castanhos claros ávidos eram desafiadores. Ele vestia uma jaqueta vermelho sangue sobre uma blusa preta com uma caveira desenhada junto de um Jeans completamente rasgado que, com a guitarra nas suas costas (Josh não sabia por que ele estava com aquilo) e o all star vermelho, o tornava um digno Punk.
Ele falava muito e falava alto. Josh sentiu um sotaque inglês no garoto falastrão, diferente do outro jovem ao seu lado. Aliás, tudo neles era diferente. Enquanto um era baixo o outro era muito alto, nórdico, por volta de 1,85 e seus olhos eram de um verde cristalino. O queixo era quadrado e o nariz reto. Ele exibia uma expressão séria enquanto somente concordava com tudo que o baixinho dizia. Os cabelos loiros eram perfeitamente cortados deixando somente um pequeno topete. Usava uma camiseta cinza com botões que deixava seus musculosos braços á mostra. Ele parecia uma versão bombada do Jensen Ackles, o astro da série supernatural, de 16 anos. Não que Josh reparasse na beleza de um cara, mas, ele era realmente muito bonito. Ele se perguntou se o grandão não era algum modelo que entrou no prédio errado, pois ele não tinha cara de agente. Aliás, com Exceção de William, ninguém naquela sala tinha.
Eles cumprimentaram Mack e William e foram em direção das cadeiras:
–Olha se não é a menina mais linda que já vi em toda minha vida! – Disse o baixinho elogiando Nari e dando um beijo em sua bochecha. O que deixou Josh com uma ponta de ciúmes pois foi perto demais da boca.
–Já disse isso pra quantas hoje John? – Questionou sorrindo a garota.
–Você é a terceira, considere-se especial.
–Babaca – Ela riu.
–Também te amo. – Piscou, e foi em direção de Dean enquanto o grandão cumprimentava Nari.
–E aí anão! – Dean levantou a mão pedindo um high five.
–Vou já te mostrar um anão que cresce. – John bateu forte na mão de Dean.
– E o chá da tarde, tomando muito? – Dean ironizou o sotaque inglês.
–E os Hambúrgueres, ainda anda enchendo o rabo com eles?
–Olhem a boca – Disse Mack ao fundo.
John dirigiu-se a sua cadeira. Josh mal conhecia o cara, mas já o achava incrível. Era estiloso, engraçado... O tipo de cara que ele gostaria de fazer amizade. Josh levantou sua mão para cumprimentar o garoto de cabelos castanhos que o deixou no vácuo.
Foi um vácuo poderoso. Josh até considerou virar astronauta naquele momento. Fora completamente ignorado pelo garoto que mal olhou na sua cara, e sentou-se na ultima cadeira com o ar mais prepotente que Josh já sentiu na vida. Se foi ignorado desse jeito por John, não queria nem imaginar o que o garoto alto e sério faria. Porém, ele surpreendeu-se quando viu uma mão forte estendida á sua frente:
–Prazer, sou Rider Riddle.- disse o grandão com uma expressão amigável.
–Sou Josh. – ele cumprimentou Josh de maneira tão firme que quase esmagou sua mão.
–Seja bem vindo á equipe, Josh. – Ele, diferente de John, era extremamente gentil e educado. Totalmente oposto do que sua expressão facial aparentava. Rider notou que Josh olhava para o baixinho com um olhar triste do tipo: “por que esse cara não falou comigo?”, que Rider logo interpretou:
–Desculpe meu irmão. Ele é assim quando conhece novas pessoas, mas com um tempo ele e você se acostumam.
–vocês são irmãos?! Como assim, vocês não tem absolutamente nada haver! –Brincou.
–Realmente, todos dizem isso. — Rider deu um leve tapinha nas costas de Josh e foi pra sua cadeira. Josh virou-se para Nari e logo perguntou:
–tá de zoa que eles são irmãos?
–sim, porém o Rider é adotado.
–ah isso explica tudo.
Eles ficaram dispostos da seguinte maneira: Dean na ponta esquerda, Nari a seu lado acariciando Plucky que estava no seu colo, Josh ao centro, Rider á sua direita de braços cruzados e postura firme, e por fim, John na ponta direita que balançava a ponta do pé, irritado. Josh como sempre não se sentiu confortável ao ficar no centro. Mack chamou Pablo pelo interfone que logo chegou à sala. Ele usava um jaleco sujo que Josh imaginou ter sido branco num passado bem distante. Ele puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de William.
–Antes que qualquer coisa – Mack deu um passo á frente ficando a vista de todos – John, se você me interromper uma vez que seja quando estiver falando, vou arrastar sua cara no chão até os ossos da face ficarem visíveis ouviu bem?
–Foda-se. — respondeu o garoto que estava mexendo no seu comunicador levantando um olhar de desprezo á Mack. John pegou a guitarra cromada que estava ao lado e a botou no colo, encarando seu tutor.
Então crianças eu... — Mack foi interrompido pela introdução de “come together” dos Beatles que vinha da guitarra do garoto de cabelos castanhos, que tinha uma expressão sacana no rosto. Como se estivesse acostumado a burlar ordens. Aquilo foi obviamente uma retaliação á ameaça anterior. Mack o repreendeu com o olhar e o fez parar.
–Então cri... — Mack foi interrompido novamente pela introdução de “come together” que o deixou enfurecido e assim, tomou a guitarra de John. Quando estava prestes a arremessa-la, o garoto gritou:
–Vão não não, me desculpe, me desculpe, me desculpe, devolve o Paul!
–Vai calar o bico ou não? – ameaçou Mack.
–vou vou, vou sim!
Mack jogou a guitarra no colo de John e recebeu um olhar de reprovação de William do tipo “você deixa seus alunos o fazerem de palhaço?”. Josh chegou à conclusão de que John era um completo imbecil arrogante que se achava melhor que os outros. Ou seja, mais um desse tipo na sua vida. Subitamente Josh ouviu um assobio baixo vindo da sua direita. Era Plucky. Josh não havia notado a criatura. Não perceber um ser felino transparente feito de gelatina que pode se transformar em armas brancas e também falar... Realmente minha vida está insana. Ele pensou.
–Ei Josh saca só essa! – desceu Plucky do colo de Nari.
Ele transformou-se em um rato pequeno e foi se esgueirando até as pernas de John que quando o notou, deu um grito e subiu na cadeira como uma garota. Plucky voltou ao normal e rolou no chão de tanto rir.
–Ainda tem medo de ratos não é, toco ambulante?- Disse Plucky fazendo com que todos na sala gargalhassem, com exceção de Rider que deu um leve sorriso e de William que ficou ainda mais sério. Como militar, Para ele aquelas atitudes eram inconcebíveis. Os garotos estavam prestes a decidir o rumo do mundo e brincavam como se aquilo não fosse nada. Ele se arrependeu profundamente de ter deixado Mack no cargo de escolha dos herdeiros. Aquele homem era tão irresponsável quanto os garotos ali presentes.
–então crianças... — Mack fez uma pausa esperando que John o interrompesse, porém o garoto estava confuso demais pra falar algo. – A partir de hoje vocês serão parte da Night Angel. Estão preparados para isso? — todos acenaram positivamente, menos Josh. Mack o observou atentamente. Ele estava muito nervoso. Entrelaçava os dedos e os olhos moviam-se rapidamente de um lado para outro como se ele quisesse achar uma saída para fugir daquela situação. Vendo isso, Mack o chamou para frente:
–Para quem ainda não o conhece, esse aqui é Josh – Apresentou mack. — Ele é brasileiro e espero que “vocês” o tratem bem. — O “vocês” foi obviamente direcionado a John que arqueou as sobrancelhas e disse com desdém:
–Brasileiro? Esses macacos de terceiro mundo não da sabem fazer nada. Ele vai acabar botando tudo a perder.
–JOHN! – repreendeu Nari.
–O que é? Quer dizer que essa cara vai ajudar em alguma coisa? Não seja hipócrita Nari, ela está aqui somente para fazer números.
Aquelas palavras foram como uma pedrada na cabeça de Josh. Apesar de não parecer, brasileiros não gostam nada que estrangeiros falem mal de sua pátria. Só quem pode xingar e reclamar do Brasil são seus próprios habitantes. Josh sentiu uma completa repugnância por John e sua atitude preconceituosa, porém, concordou em uma coisa que ele disse: ele só estava ali para fazer número. Essa era a verdade.
Mack irritado foi em direção ao guitarrista e disse algumas palavras em seu ouvido o que fez sua expressão mudar. Ficou em choque, foi como se alguém tivesse dito algo impossível de acontecer. Ele trocou sua expressão de desdém para um olhar de raiva misturado com medo.
–Esse cara? – Perguntou John – Duvido!
Josh virou a cara e evitou manter contato visual com o garoto. Sua presença já estava lhe causando náuseas. Odiava pessoas como ele.
–Então, voltando ao assunto: Aqui será a sede da Night Angel, como já puderam ver, seremos uma empresa de tecnologia. Só assim poderemos “fingir” que contratamos pessoas tão jovens como vocês. Do andar 15 pra cima serão restritos para nós. Neles estão o laboratório do Pablo, as salas de treinamento, as salas de equipamentos, cozinha e os dormitórios. Tudo para o melhor conforto de vocês – O jeito que Mack falava o fazia parecer um corretor tentando vender um imóvel. — nossa divisão será especializada em assuntos envolvendo Vita. Ou seja, qualquer problema relacionado uso de Vita no mundo, nós teremos que resolver.
–Mas aqueles cuzões da Twilight Elf não cuidam disso? – interrompeu John, — Odeio aqueles arrogantes de merda. — era muito irônico ver John reclamando da arrogância de alguém.
–Na verdade eles cuidam da parte “sobrenatural” dos assuntos Vita e, da próxima vez que você disser palavrões, vou enfiar uma barra de sabão na sua goela, garoto.
“Como assim sobrenatural?” pensou Josh, mas dane-se, ele já tinha se tornado amigo de um ser como Plucky, não seria a existência de fantasmas ou lobisomens que iriam surpreendê-lo.
–Voltando, aquele é o Will, vocês já devem ter ouvido falar dele.
–Claro que sim!- disse Dean animado — A lenda viva, o demônio de cabelos brancos.
– Pablo, nosso especialista em computadores. — e Pablo cumprimentou Josh.
–E o torneio Mack? O que iremos fazer?- Perguntou Nari. Mack apoiou-se no ombro de Josh e respondeu sem muito interesse:
–ah é só daqui á três meses. Não vamos esquentar a cabeça com isso agora. Conheçam a sede, deem uma volta pela cidade...essas coisas. E Garoto — Ele apertou os ombros de Josh — Você agora seguirá com o Pablo até o “Tratamento” e depois que se recuperar, vai fazer uma missão junto de Nari e Dean. Rider irá investigar a origem do sinal dos Drones e John está dispensando.
–Finalmente pensei que essa faladeira do caralho não ia terminar nunca! — John levantou-se e saiu pela portassem pedir autorização pra ninguém. William estava indignado com o desrespeito do garoto, por ele teria dado um corretivo ali mesmo.
Josh parecia triste, John fora realmente mau com ele. Nunca se sentiu tão inútil como naquele momento. Era só um peão, uma peça descartável naquilo tudo. Ele sabia que seu lugar não era ali. Ele era só um garoto qualquer que mora no Brasil, isso ele nunca iria mudar.
–Josh, peço desculpas novamente pelo meu irmão. Vou conversar com ele mais tarde. — Disse Rider tentando reconforta-lo.- A atitude dele não foi nada legal.
–é Josh, — continuou Dean,- John parece um babaca total mas com um tempo você vai perceber que ele é só babaca.
Josh riu e logo o clima tenso se fora. Mesmo que aquele cara o odiasse sem motivos aparentes, todos naquela sala pareciam querer animá-lo, torná-lo parte da “família”.
–Acho melhor não rir não Josh, o “tratamento” é brutal. – Dean levantou e tirou uma nota de 20 dólares do bolso – Aposto vinte pratas que ele vai desmaiar nos 5 primeiros segundos!
–O garoto parece durão, aposto em 10 segundos. – Disse Pablo casando mais 20 á aposta.
–3 segundos e aposto 40 pratas! — Disse Plucky pegando o dinheiro da bolsa de Nari que disse “ei!”.
–Vocês deveriam incentivá-lo não amedronta-lo... Ah façam o que quiser, eu e William estamos indo embora. Fiquem bem e até qualquer hora.
E assim Mack e William saíram da sala. William ainda estava revoltado com tudo.
–Eu deveria lhe encher de porrada agora Mack!- Bufou.
–Calma meu amigo, eu sei o que estou fazendo.
–O quê você disse para calar a boca daquele pirralho?
–Eu só disse que Josh era o imperador. John vive se gabando de ser um dos Reis. Nada melhor do que mostrar alguém que pode ter um potencial muito maior que o dele. Um rival.
–Mas isso só gerará mais conflitos entre eles!
–Ei — Mack apoiou as mãos nos ombros largos de William assim como fez com Josh. — Eu conheço minhas crias.
–Você está brincando com isso — William puxou um cigarro de um maço que levava no bolso – E sabe que não podemos baixar a guarda para absolutamente nada.
...
Nari pediu desculpas por Josh e saiu com pressa da sala, transformando Plucky em uma faca. Ela abriu as portas dos quartos, da cozinha, dos banheiros, até que no corredor encontrou John. Ele abriu os braços pedindo um abraço enquanto ela vinha em sua direção. Foi aí que a garota o empurrou contra a parede encostando a faca Plucky em sua garganta:
–Você pirou? Hein? Quer botar tudo a perder!
– Que foi querida?- Disse de maneira cínica.
–Não vem com querida pra cima de mim! Por que tratou o Josh daquela maneira ridícula? Vamos ser uma equipe esqueceu?
–Ah Nari, por favor, aquele garoto não é “parte” da equipe. Ele só irá participar pois sem ele não haverá torneio, e ai quando tudo acabar, vamos apagar a memória dele e ele vai voltar a viver a vidazinha dele como se nada tivesse acontecido.
–não me interessa! Você sabe o risco que ele representa. Por acaso Ficou com medo de que ele tome ofusque seu brilho por ser o imperador? Se você continuar com esse tipo de atitude egoísta, vou acabar com a sua raça!
–Nari – Ele deu um leve sorriso – Não me diga que você está gostando dele? Sinceramente, você merece caras melhores e mais bonitos que esse moleque. — a garota corou e ficou ainda mais furiosa.
–Não eu não estou gostando dele. Só quero que você o trate bem e ponto final ok? — Ela deu uma leva vacilada nas palavras quando disse “eu não estou gostando dele”.
–Está bem senhorita Maeda, está bem. Vou deixar o senhor pateta em paz.
–Espero que não se esqueça disso – Ela desencostou o garoto da parede e voltou andando pelo corredor. John se sentiu ofendido com a frase. Era como se esquecer de algo fosse uma ofensa para ele.
...
Dean abraçou o amigo Josh e saiu da sala. Rider havia saído instantes antes, disse que iria testar a eficiência da sala de treino. Pablo chamou Josh e pediu para acompanha-lo até seu laboratório. O garoto tremia como uma vara verde ao vento. Pablo para tentar descontrair o garoto disse:
–Sabia que nós somos vizinhos?
–vizinhos?- indagou Josh.
–sim, sou argentino.
Os dois caminharam em silencio, um esperando que o outro falasse algo sobre a histórica rivalidade futebolística dos dois países. Porém nenhum deles se pronunciou.
–Você também odeia futebol não é? — Deduziu Josh rindo.
–Com certeza. Parece que é obrigação de todo brasileiro e argentino gostar desse esporte que, apesar de ser cultural, só serve como “pão e circo” nos países latino-americanos.
–Tirou as palavras da minha boca!
E assim, após caminhar por um corredor longo, chegaram a frente de uma porta metálica que se abriu em duas. Pablo sorriu e disse com orgulho:
–prepare-se para conhecer meus brinquedos Josh
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