Notas iniciais
Capitulo 3 Reformulado! destaque para a narração em primeira pessoa do Josh!

Brasil – Um dia antes

Josh acordou–

–Opa, espera aí.

–O quê?

–Sim, você mesmo narrador.

– …

–Já que eu sou o Protagonista, acho justo que eu mesmo narre meu capítulo em primeira pessoa.

–Mas, o livro é em Terceira pessoa. – Disse o narrador confuso.

–“Disse o narrador confuso” hehe. Só esse capítulo cara, por favor!

–Ok Josh, Mas só esse.

––Valeu cara.

Oi você aí que está lendo. Como já deve ter lido acima, sou Josh, Joshua Murdocck Dias. Um adolescente brasileiro de 16 anos de idade. Devem estar se perguntando Porque diabos um moleque brasileiro tem nome americano? – Pergunta que me fazem praticante todo dia.

Meu nome, deriva da palavra Yeshua, que significa algo como salvação em hebraico. A variação BR do nome seria Josué, mas minha mãe achou esse nome muito feio. Me desculpem josués.

Um dia antes de tudo mudar, eu acordei um pouco mais cedo. A cama parecia me puxar de volta. Era como se ela sussurrasse no meu ouvido fique mais um pouco, seu lindo. Mas, não dei ouvidos. Todo dia ela tentava me seduzir dessa forma. E também, não poderia me atrasar para o colégio pois faria vestibular dali à algumas semanas.

Peguei minha toalha e enquanto caçava espinhas e cravos no meu rosto, lembrei do quanto eu era parecido com meu pai: Meus olhos castanhos, meu cabelo preto, meu nariz, tudo lembrava aquele homem. Junto da lembrança veio aquela sensação horrível. Me senti péssimo. Algo que só passou depois da ducha.

Quando saí do banheiro, ouvi a voz de minha mãe vindo lá de baixo:

–Filho, o café da manhã já está pronto! Vem logo senão vai esfriar!

–Já tô descendo mãe!

Vesti rapidamente meu uniforme – muito feio por sinal – e liguei o computador pra dar uma checada no Facebook. Fora os 80 vírus em que me marcaram, não tinha nada de especial. A não ser pela montagem que meu amigo Ricardo fez com nosso professor de matemática, colocando a cabeça dele no corpo de uma foca. Era hilário. Entretanto, uma notícia que um cara que eu havia adicionado recentemente compartilhou me chamou a atenção. Ela dizia Super-Humanos: Eles estão entre nós. Cliquei e me arrependi. O texto falava um monte de baboseiras sobre pessoas com poderes especiais que trabalhavam para o governo americano. Essas pessoas usavam uma energia chamada Vita que os permitia realizar feitos sobre-humanos. Parecia uma sinopse de um blockbuster qualquer. Fechei a notícia e exclui o cara. Poderes? Fala sério.

Desci as escadas com a mochila nas costas e fui até a cozinha. O cheiro do café se espalhava por toda casa. Beijei a testa da minha velha e sentei-me ao seu lado. Vi aquele terceiro lugar vazio na mesa e mais uma vez uma súbita tristeza caiu sobre mim. Deus, porque isso é tão difícil? Todo dia sinto essa mesma sensação, a esperança de que um dia eu vou ouvir a sirene de bombeiros e ele vai entrar pela porta sorrindo.

Minha mãe percebendo meu estado logo perguntou:

–O que foi filho?

–Nada mãezinha, só tô entediado. –Respondi olhando por vazio. Se fosse qualquer outra pessoa, iria encher meu saco até conseguir tirar alguma coisa. Mas aquela era a pessoa que mais me conhecia no mundo. Ela não perguntou nada. E o principal: Sabia quando eu só precisava de espaço. E é por isso que eu amo esse mulher com todas as minhas forças.

–Sua irmã chega de viagem amanhã, ela me disse que está louca pra te ver de novo. –Disse dona Regina sorrindo, ela usava um avental branco por cima de um vestido florido. Seus cabelos castanhos estavam amarrados com um prendedor já gasto.

Eu havia até esquecido que tinha uma irmã. Jaqueline era 10 anos mais velha que eu. Se formou muito cedo, era o gênio da família. Com 18 anos recebeu uma bolsa de estudos em Harvard e aos 22 foi contratada por uma empresa de tecnologia do vale do silício, onde vive desde então. Ela vem nos visitar um mês a cada dois anos. Já eu sempre fui o patinho feio da família. Não que eu ligue pra isso, eles nunca se importaram com essa parte da família mesmo.

–Nossa eu tenho uma irmã! – Ironizei.

–Pare com isso Josh! Se não fosse por ela nós não teríamos condições de manter essa casa. Você sabe muito bem disso.

–É brincadeira mãe. – Levantei, ajeitei a mochila nas costas e disse um tchau que saiu abafado em meio aos pedaços de pão que ainda estavam em minha boca. Ela sorriu e disse um simples e reconfortante cuidado.

Segurei a maçaneta pra abrir a porta e de relance olhei para o porta-retratos que ficava acima da entrada. Fitei a imagem da minha família feliz e o semblante daquele homem com o traje dos bombeiros me segurando no colo.

–Tchau, pai.



O meu colégio fica a algumas quadras de distância, mas sempre passo na casa do meu amigo Ricardo. Até mesmo um trajeto curto pode se tornar entediante sem uma conversa jogada fora. Bati na porta, apertei a campainha e nada dele aparecer. Assobiei e como não obtive resposta, peguei uma pedra pra arremessar dentro do seu quarto no segundo andar. Joguei e ouvi um grito de dentro. Ricardo apareceu na janela com um enorme galo na cabeça:

–Tu tá doido seu filho da puta! Se minha mãe estivesse aqui ela iria te matar sabia?

–Não antes de te dar uma coça por estar atrasado pro colégio.

–Espera aí cinco minutinhos que já desço.

Sentei na calçado e esperei uns 10 minutos até que ele saiu de casa.

–Esses cinco minutos extras foram para passar maquiagem?

–Você deveria fazer stand-up Josh.

Ricardo era do meu tamanho. Usava um óculos quadrado e tinha um sinal de nascença na lateral do rosto, o qual era o alvo principal das minhas piadinhas como Está sujo bem aqui ou Tem um carrapato na sua cara.

E assim fomos andando. Nós conversávamos sobre tudo durante as idas ao colégio, desde filmes até sobre crises geopolíticas.

–Cara –Disse ele sério interrompendo o que falávamos.

–Qual foi?

–Imagina que louco um Louva-a-deus ateu.

Calei por alguns instantes e disse:

–Elas vão destruir a tua vida.

–Elas quem?

–As Drogas.

Rimos bastante depois disso.

PS: Ricardo era retardado.

...

Quando estávamos à alguns metros do portão da escola, ouvimos um alguns estampidos de motocicleta, foi aí que um tapa acertou minha cabeça. Era Dênis, o maior babaca de todos os tempos. O típico playboy filhinho de papai que se acha melhor que todos só porque é rico e tem um corpo fruto de anabolizantes de cavalo. Aliás, a cara dele também lembra o animal.

–Fala Jóxi otário! –Disse o imbecil enquanto girava o acelerador da moto fazendo um barulho muito, mas muito chato. Ele ainda pronunciava meu nome como se lê.

–O que é, senhor bomba?

–Sabe aquela revanche? Pois é, quero resolver isso mim e tu no braço.

Mim não vai resolver nada porque mim ser índio muito mau.

A tal revanche que ele ser referia foi uma vez que eu acabei por derrotá-lo em uma briga aparentemente sem motivos. Foi só uma rasteira. Agora ele vive me perseguindo querendo dar o troco. Não que eu fosse um Bruce Lee mas aquele cara só jogava os punhos em minha direção. Os dois anos de karatê até que me serviram de alguma coisa. Sou pacifista e odeio ter que recorrer à violência pra solucionar problemas.

Dênis ficou confuso com o que eu disse (Ele era burro). Tempo o suficiente para eu e Ricardo entrarmos.

–Porque tu não arrebenta logo esse cara de novo? Ele é só tamanho. –Disse Ricardo dando um soquinho no ar.

–É mais gratificante acabar com alguém usando palavras ao invés dos punhos.

–hum, virou filósofo foi?

–Pau no seu cu.

Entramos na sala pra assistir as tediosas aulas de história e de matemática. Ricardo parecia o único que gostava daquilo. Esperamos longas 2 horas e 15 minutos para sairmos pro intervalo. Ricardo foi comprar o nosso lanche e eu sentei num dos bancos mal rebocados do pátio. Meu olhar atravessou a multidão e parou na ultima pessoa que eu gostaria de ver.

Fernanda era uma garota alta, os cabelos loiros iam até a cintura. Que droga, como essa vadia ainda é linda. Nós éramos muito próximos até uns meses atrás quando eu me declarei para ela e fui humilhado na frente de todos. Ela disse coisas como eu nunca vou namorar um nerd como você! Onde estava com a cabeça? Nem preciso dizer o quanto isso fodeu com meu psicológico. Eu sempre me lasquei no quesito relacionamentos. Me apaixonava rápido demais por rostinhos bonitos.

Desde então ela se tornou uma vaca arrogante. Vaca está que namorava Dênis, ou seja, o casal perfeito.

(ironia acima)

Meus pensamentos foram interrompidos por Ricardo que vinha distraído e esbarrou num cara, derrubando metade do nosso refrigerante no chão. Quantidade suficiente pra fazer Dênis que vinha correndo deslizar e levar uma queda linda.

Todo mundo riu, e o playboy levantou-se e pegou Ricardo pela gola. Se eles brigassem, Ricardo iria sair de lá com um novo e inchado rosto. Voei na direção dos dois e os separei me colocando na frente de Dênis encarando-o:

–Cai fora! não foi de propósito!

–Não quero saber, vou quebrar é os dois! – Ele levantou o punho pra acertar um soco em minha cara, quando o diretor apareceu. Ele era um homem de altura média e cabelos grisalhos. Tinha uma aparência acabado devido ao fumo frequente de cigarros. Parecia um grilo de terno. Ele nos separou e disse que se nos visse brigando de novo, iria nos suspender. Dênis afastou-se e ameaçou:

–O dia ainda não acabou.

Mostrei o dedo do meio e perguntei se Ricardo estava bem ele sorriu e a campainha tocou. Depois de assistir mais uma sessão de aulas Por Favor Me Matem, fomos liberados pra ir pra casa.

Eram 2 horas da tarde quando saímos, tínhamos nos comprometido a ajudar a coordenadora a arrumar uns arquivos em sua sala. A rua estava deserta. Andamos alguns metros e dessa vez escutamos barulhos de várias motos se aproximando. Tentamos fugir mas as motos nos cercaram.

–Não falei que ia pegar vocês? –Dênis tirou o capacete com um sorriso no rosto.

–Cara não queremos confusão. Deixe a gente ir. –Eu disse. Primeiro porque eu não queria brigar e segundo, eu não queria apanhar.

–Tá na hora da revanche, Jóxi. Ele desceu da motocicleta com uma soqueira em punhos. Os outros motoqueiros estavam se deliciado com aquilo. Eu paralisei. Não podia deixar que Ricardo apanhasse, ele é frágil como uma boneca. Fechei meus olhos e pensei numa maneira de escapar.

–Quando eu disser já você corre e pede ajuda. –Disse sussurrando pra Ricardo que ficou confuso. Dênis deu um soco em minha direção. Esquivei e acertei uma joelhada na boca de seu estômago, fazendo-o cair ao chão. Derrubei a moto dele, abrindo espaço pra Ricardo fugir:

–Vai! –Gritei. Ele correu desesperado.

Nem tive tempo de me recompor. Recebi um chute nas costas que me deixou de joelhos. Dênis posicionou-se na minha frente e me chutou no queixo. O que doeu muito. Assim que caí, tratei logo de passar uma rasteira. Foi aí que os outros motoqueiros me imobilizaram.

Dênis começou uma sequencia de socos em minha barriga. Eu vomitava sangue enquanto ele se vangloriava:

–Tu não é o bonzão? Hein?!

–Chama seus amiguinhos porque não consegue me enfrentar sozinho não é? – O desafiei com a boca cheia de sangue. Ele urrou e quando iria dar o ultimo golpe, as sirenes dos carros de polícia tocando. Dênis levantou sua moto e saiu com seus comparsas me deixando desfalecido ao chão. Os policiais chegaram com Ricardo e ajudaram a me recompor. Ricardo me olhava preocupado. Ele pousou as mãos sobre meu ombro e agradeceu. Eu o olhei sério e levantei, indo embora pra minha casa. Os policiais tentaram me impedir, mas Ricardo explicou que não tinha problema pois minha mãe era enfermeira.

Bati na porta e minha velha abriu, ela teve um ataque:

–Meu filho! O que fizeram com você?

–Heroísmo, a coisa mais ridícula que o ser humano faz. –Respondi furioso olhando pra foto do meu pai. Mamãe me sentou no sofá e, enquanto ela fazia os curativos, expliquei tudo que havia acontecido.

–Esse tal de Dênis não pode ficar impune! Vou chamar a polícia agora! –Disse ela. Eu ri da ingenuidade de minha mãe.

–Mãe, a senhora esqueceu em que país vivemos? No Brasil o que manda é o dinheiro. Dênis é muito rico. Mesmo que consigamos fazê-lo ir preso, ele só ficaria o tempo de seu advogado chegar.

Ela iria protestar mas sabia que tudo que eu disse era verdade. Nós éramos de uma família humilde e do jeito que nosso sistema judicial é, era capaz do Dênis me processar por machucar seus punhos.

Ela terminou meus curativos, beijou minha testa e mandou eu subir para descansar.

Quando entrei, minhas pernas ficaram bambas e eu cai no chão chorando. Não eram lágrimas de dor, eram lágrimas de ódio. Ódio por ficar impotente naquela situação. Vi outro porta-retratos com a imagem de meu pai na parede e disse em meio as lágrimas:

–Isso é tudo culpa sua seu idiota! Porque teve que morrer?

...

Um belo sol nasceu no dia em que a minha vida iria mudar completamente. E faltavam só alguns minutos para isso acontecer.Minha mãe estava limpando a casa quando eu desci do meu quarto com o uniforme da escola. Mochila as costas e cheio de curativos.

–Nada disso mocinho, você não vai pra escola hoje!

–Mãe, o vestibular é daqui à alguns dias, não posso perder aula.

–Não, vocês está muito machucado.

–Se não me deixar ir. Vou pular a janela na primeira oportunidade. –Eu disse sorrindo. Ela bufou mas acabou consentindo. Me abraçou forte e disse:

–Sua irmã ligou. Ela disse que o voo teve alguns problemas e só vai chegar daqui a dois dias.

–Mande um beijo se ela ligar de novo e diga que estou com saudades.

–É claro. E juízo garoto. Não vá se meter em brigas de novo.

–Pode deixar mãezinha. –Beijei sua testa e saí.

Dessa vez, não fui na casa do Ricardo, ele precisava tomar vergonha na cara e comprar um despertador. Cortei caminho pelo parque, o que encurtava o trajeto em 1 quarteirão. Era um parque bastante bonito até.

Caminhei lentamente e ouvi um barulho eletrônico. Virei-me e não vi nada. Será que as porradas tinham afetado meu cérebro? Ignorei e segui em frente. Foi quando um vulto pulou em minha direção. Era um robô humanoide com lâminas saltando dos braços. Ele tentou me furar mas por sorte acabei desviando e corri. Minha mente foi bombardeada por adrenalina e pensamentos. Dois deles se destacavam. O Corre como nunca correu antes e o Que porra foi essa?

Infelizmente, a condição dos meus ferimentos me fez cair poucos metros depois. Rastejei mas o ser metálico apareceu em cima de mim e antes de desferir a estocada fatal, pude ouvir sua voz robótica dizer:

Herdeiro...Terra...Localizado...Eliminar!”

Fechei meus olhos e um filme passou em minha mente. Era assim que eu iria morrer? Morto por um pedaço de metal ambulante? Eu não poderia morrer ali, tinha vários sonhos pra realizar e lugares pra ir. E minha mãe? Ela não iria aguentar perder mais alguém. Ouvi um som de metal na minha frente e pensei que aquele seria o fim da minha vida cheia de desgostos. Eu queria ser alguém na vida, fazer algo grande...

Passei 10 segundos de olhos fechados e nada havia acontecido.

Os abri lentamente.

Vi o robô que me atacou fatiado ao meio. Me surpreendi, mas fiquei ainda mais com o que vi ao levantar a vista. Ali, na minha frente, estavam dois adolescentes:

Um cara com cabelos pretos e algumas mechas descoloridas segurando duas katanas, sendo uma delas ao contrário e uma linda garota de cabelos negros e olhos da mesma cor.

–Se nós chegássemos mais um pouco mais tarde já era! –Disse o garoto das espadas com um forte sotaque de gringo.

–Josh Murdocck? –Perguntou a garota para mim.

–Sim, sou eu. –Disse trêmulo.

–Muito prazer, Me chamo Nari Maeda. Ele é Dean Donovan e nós precisamos conversar.

Notas finais
se você leu até aqui ótimo! vai ganhar um pônei rosa assim que eles surgirem hehe